O
ataque de Trump à Venezuela vai além do petróleo
Após a
descarada invasão dos EUA à Venezuela e a consequente destituição de Nicolás
Maduro do poder, muitos na esquerda chegaram a uma explicação básica: tudo gira
em torno do petróleo. Essa explicação se baseia em uma conhecida teoria
marxista “instrumentalista” do Estado capitalista, segundo a qual seu papel
primordial é servir aos interesses da classe capitalista.
Certamente,
a extrema desregulamentação da indústria de petróleo e gás promovida pelos
governos Trump, tanto no primeiro quanto no segundo mandato, não dissuadiu
muitos dessa interpretação. E, claro, em sua coletiva de imprensa após a
invasão, o próprio Donald Trump afirmou que a operação era, de fato, motivada
pelo petróleo. Portanto, o caso parece encerrado. Contudo, ao analisarmos a
economia política da indústria petrolífera, a explicação baseada no petróleo
começa a fazer cada vez menos sentido.
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Será que a produção de petróleo na Venezuela é sequer rentável?
Os
mercados de petróleo operam em ciclos de alta e baixa típicos das commodities.
Quando os preços estão altos, o capital petrolífero está disposto a investir em
novas perfurações. Quando os preços estão baixos, o interesse é menor. Embora o
nível atual de preços esteja em algum ponto intermediário (atualmente cotado a
US$ 56 por barril e em queda), os preços estão, em geral, deprimidos, e têm
ficado assim durante a maior parte da última década (com exceção do período de
alta associado à guerra na Ucrânia iniciada em 2022).
Dado
que o petróleo bruto betuminoso “pesado” da Venezuela é muito difícil e caro de
extrair, suspeito que sua produção possa não ser lucrativa mesmo com os preços
do petróleo abaixo de US$ 60 por barril. É difícil encontrar um preço de
equilíbrio para o petróleo venezuelano, provavelmente devido a problemas com os
dados, mas vale a pena mencionar uma estimativa do setor para as areias
betuminosas canadenses, que são muito semelhantes, de US$ 65 por barril.
Você
provavelmente já ouviu falar que a Venezuela possui as maiores “reservas
comprovadas” do mundo — mas observe que essa categoria depende de se as
“reservas” são economicamente viáveis de produzir (e não
está claro se são).
Portanto,
além da Chevron, que já investiu muito capital na Venezuela, não haverá muito
interesse entre as principais petrolíferas americanas em investir em novas
perfurações. Aliás, como isso ficou ainda mais evidente, Trump chegou a sugerir
que as petrolíferas americanas poderiam ser “reembolsadas” por seus
investimentos. Resta saber como o Congresso americano reagirá à ideia de os
contribuintes americanos arcarem com os custos da reconstrução do setor
petrolífero venezuelano, que está em ruínas. Mais preocupante ainda é como essa
manobra “imperialista e gangster” de Trump afetará as empresas chinesas, que já
investiram cerca de US$ 2,1 bilhões desde 2016.
Dito
isto, há algumas frações de capital, além das grandes companhias petrolíferas,
que podem ter algum interesse em lucrar com essa invasão. Certamente, o preço
das ações de muitas empresas petrolíferas aumentou, mas a minha interpretação é
que isso se baseia na expectativa de que elas possam agora receber alguns tipos
de indenizações de “propriedades e investimentos expropriados” na onda de
nacionalizações da década de 1970 e novamente sob o governo de Hugo Chávez na
década de 2000.
Há
também interesse por parte de algumas empresas financeiras, como fundos de
hedge — particularmente devido à situação de endividamento venezuelano —, mas
essas empresas visam lucrar com os ativos e dívidas existentes, e não embarcar
em grandes investimentos na produção de petróleo.
Também
é evidente que algumas refinarias americanas podem utilizar o petróleo pesado
da Venezuela. No entanto, essas refinarias já possuíam grandes quantidades
desse petróleo proveniente das areias betuminosas canadenses. A entrada do
petróleo bruto pesado venezuelano nesse mercado pode reduzir o preço pago por
essas refinarias em alguns dólares, mas isso não altera significativamente sua
lucratividade.
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A liberação do petróleo venezuelano ameaça a produção dos EUA
Muito
se tem discutido sobre os objetivos contraditórios de Trump de resolver os
problemas de “acessibilidade” reduzindo o preço da gasolina (que, diga-se de
passagem, está baixa) e seu desejo de “perfurar, perfurar, perfurar” nos EUA.
Também é sabido que os produtores de xisto nos EUA utilizam técnicas de
fraturamento hidráulico complexas e de alto custo, necessitando, portanto, de
preços elevados para se manterem lucrativos. Para “perfurar, perfurar,
perfurar”, a Statista apresenta estimativas para diversas áreas de exploração
de xisto nos Estados Unidos — e todas exigem preços acima de US$ 60 por barril
para atingir o ponto de equilíbrio.
Em
outras palavras, se a produção venezuelana aumentasse, poderia pressionar ainda
mais o preço global do petróleo para baixo e prejudicar os capitalistas (e
trabalhadores) do petróleo dos EUA, que são o núcleo da coalizão MAGA. No
entanto, repito, duvido que a produção de petróleo na Venezuela aumente em
breve.
Uma das
análises mais perspicazes sobre a economia política do petróleo vem do coletivo
de esquerda Retort e de seu livro de 2005, Afflicted Powers: “A história do
petróleo no século XX não é a história da escassez e da inflação, mas da ameaça
constante… de excesso e capacidade e queda de preços, de excedente e
saturação.”
Originalmente,
essa ameaça era combatida por um cartel capitalista — as companhias
petrolíferas conhecidas como “Sete Irmãs” — que dividiam cuidadosamente a
produção e os mercados de petróleo entre si em escala global. Posteriormente,
esse papel foi assumido pelos países da Organização dos Países Exportadores de
Petróleo (OPEP), interessados em
manter preços elevados que se traduzem em altos aluguéis/impostos.
Independentemente disso, apesar das narrativas populares, a indústria
petrolífera nem sempre está ávida por extrair todo e qualquer
petróleo.
Como
argumenta Timothy Mitchell, o maior interesse das companhias petrolíferas
reside em manter e reproduzir a escassez necessária para que os preços se
mantenham suficientemente altos para uma acumulação lucrativa. No contexto dos
preços baixos atuais, elas estariam muito mais interessadas em extrair o
petróleo que já possuem e recuperar os investimentos anteriores, em vez de
perfurar novos poços.
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“Risco político”
Outro
fator crucial que provavelmente dissuadirá as empresas petrolíferas de investir
é o “risco político”. As empresas de mineração e petróleo, em particular,
preferem investir em países onde a situação política e jurídica seja estável e,
idealmente, favorável aos investidores privados (ou seja, com baixas taxas de
royalties e impostos). Obviamente, esse não é o caso da Venezuela, já que não
está claro quem está no poder no momento.
Em seu
livro de 1971, Soberania em Perigo: A Expansão Multinacional das Empresas
Americanas, Raymond Vernon articula uma poderosa teoria sobre o “acordo
obsoleto”: quando os preços estão baixos, as empresas extrativistas têm poder
de barganha e podem fechar acordos vantajosos com baixas taxas de royalties e
impostos nos países anfitriões. Contudo, quando os preços (inevitavelmente)
sobem, o “acordo” torna-se obsoleto, e os países anfitriões podem renegar seus
acordos anteriores, aumentar as taxas de royalties e impostos ou, até mesmo,
expropriar as empresas por completo. De fato, foi isso que poderíamos dizer que
aconteceu com Chávez na década de 2000 — um ambiente socialista de esquerda
combinado com um boom nos preços do petróleo.
De
qualquer forma, se as empresas petrolíferas fossem investir na Venezuela em
condições favoráveis hoje, seria necessário
haver muito mais certeza sobre a situação política.
Para isso, suponho que teremos que esperar para ver. Uma ressalva a esta análise
é a questão de saber se o próprio
Trump facilitará os investimentos (deixando claro para empresas específicas
que investir no petróleo venezuelano renderá outros favores políticos).
É possível, mas o histórico
de cautela do capital petrolífero em relação
aos investimentos durante períodos de preços baixos será um grande obstáculo a
ser superado (especialmente no contexto da infraestrutura precária da
Venezuela).
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A autonomia absoluta do Estado
Devemos
nos opor a uma visão excessivamente “instrumentalista” do Estado capitalista,
na qual essa invasão foi realizada em nome do capital petrolífero dos EUA. A
descrição de Adam Tooze, de que Trump está mais interessado em um “imperialismo
de recursos irresponsável, uma espécie de cosplay de reality show”, parece
muito mais precisa. O fato de que, após a invasão, a Casa Branca publicou um
meme com a expressão “FAFO” (“Fuck Around and Find Out” – “Brinque com fogo e
descubra”) ilustra o quanto ele e o governo estão interessados no teatro depravado
de tudo isso.
Embora
pareça claro que essa invasão se encaixa em uma estratégia coerente do governo
Trump para afirmar o domínio sobre a América do Norte e do Sul (com Cuba e
Groenlândia talvez sendo os próximos alvos; o Departamento de Estado também
publicou um meme, de forma ameaçadora, afirmando: “Este é o nosso hemisfério”),
o que não está claro é como os interesses do capital, muito menos do capital
petrolífero, se encaixam nessa agenda neoimperialista.
Se eu
tivesse que arriscar um palpite, não me surpreenderia se nenhum executivo ou
investidor de empresas petrolíferas estivesse pressionando diretamente por essa
invasão. Teóricos marxistas do Estado falam muito sobre a “autonomia relativa”
do Estado, mas a forma narcisista do governo Trump realmente levanta a questão
se estamos ou não falando da autonomia absoluta do Estado. Esta não é a
primeira vez que este governo parece agir de maneiras que não se alinham com o
que se poderia imaginar como o “comitê executivo da burguesia”. O que isso
significa para o capitalismo global em geral, e para a centralidade do império
americano em supervisioná-lo, é realmente incerto e está em aberto.
Fonte: Por
Matt Huber, em Jacobin Brasil - Tradução: Cauê Seigner Ameni
“Estilo
de vida dos super-ricos é estruturalmente incompatível com contenção do
aquecimento global”
O
último relatório da Oxfam, intitulado “Pilhagem Climática: como uma poderosa
minoria está aprisionando o mundo no desastre”, realça as desigualdades
envolvidas no problema das mudanças climáticas. Se, de um lado, o estilo de
vida dos pobres contribui menos para a emissão de gases de efeito estufa na
atmosfera, de outro lado, eles são os que mais sofrem com os efeitos dos
eventos climáticos extremos. A conclusão, segundo Viviana Santiago, é que a
crise climática não pode ser reduzida a um problema ambiental. Ela é “uma crise
moral, social e política”, afirma a diretora executiva da Oxfam Brasil na
entrevista a seguir, concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU por
e-mail.
O
estudo associa o agravamento da crise climática ao estilo de vida e às
atividades comerciais dos super-ricos. A relação entre ambos, assegura, é
direta. “O estilo de vida dos super-ricos se baseia em padrões de consumo
extremamente intensivos em carbono: uso frequente de jatinhos, superiates,
mansões com alto gasto energético, deslocamentos constantes e consumo elevado
de bens e serviços poluentes. Esses hábitos fazem com que, em poucos dias,
essas pessoas emitam o que indivíduos pobres levariam uma vida inteira para
emitir. Ou seja, trata-se de um modo de vida estruturalmente incompatível com
qualquer meta realista de contenção do aquecimento global”, reitera. Nos
primeiros dias de 2026, informa, os super-ricos já emitiram a cota anual de
carbono considerada justa.
A
seguir, Viviana comenta como a influência política das pessoas mais ricas do
mundo tem impedido o enfrentamento da crise climática e apresenta as propostas
da Oxfam para a redução das emissões dos super-ricos em 97% até o fim da
década. Viviana Santiago atua na promoção dos direitos humanos, no
enfrentamento ao racismo, na igualdade de gênero e na justiça social. Ela
integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como
Conselhão.
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Confira a entrevista.
• IHU – Qual é a novidade do relatório
mais recente da Oxfam, intitulado “Pilhagem Climática: como uma poderosa
minoria está aprisionando o mundo no desastre”?
Viviana
Santiago – Um ponto central é que os mais pobres são os que menos emitem; mas
são os que mais sofrem com enchentes, secas, ondas de calor e insegurança
alimentar. Isso transforma a crise climática também em uma crise moral, social
e política, não apenas ambiental. O relatório deixa claro que não haverá
solução real para o aquecimento global sem enfrentar diretamente a desigualdade
extrema e os privilégios climáticos de uma minoria.
• Qual é a relação entre o estilo de vida
dos super-ricos e a intensificação das emissões de gases de efeito estufa e o
agravamento da crise climática?
Viviana
Santiago – A relação é direta. O estilo de vida dos super-ricos se baseia em
padrões de consumo extremamente intensivos em carbono: uso frequente de
jatinhos, superiates, mansões com alto gasto energético, deslocamentos
constantes e consumo elevado de bens e serviços poluentes. Esses hábitos fazem
com que, em poucos dias, essas pessoas emitam o que indivíduos pobres levariam
uma vida inteira para emitir. Ou seja, trata-se de um modo de vida
estruturalmente incompatível com qualquer meta realista de contenção do
aquecimento global.
• Quais as evidências de que os
super-ricos são desproporcionalmente responsáveis por impulsionar a crise
climática, como aponta o novo relatório da Oxfam?
Viviana
Santiago – As evidências aparecem tanto nos dados de emissões quanto nos
exemplos concretos: o 1% mais rico esgotou sua cota anual “justa” de carbono em
apenas 10 dias de 2026; o 0,1% mais rico fez o mesmo em apenas 3 dias. Uma
semana de uso de um superiate ou jatinho emite o mesmo volume de carbono que
uma pessoa do 1% mais pobre levaria a vida inteira para emitir. Além disso, os
super-ricos não impactam apenas pelo consumo pessoal: grande parte de sua renda
vem de investimentos em setores altamente poluentes, como mineração,
agronegócio e agricultura industrial.
• Como é feito o cálculo da “cota justa”
de emissões e das 75,1 toneladas por ano?
Viviana
Santiago – O cálculo parte da ideia de um orçamento global de carbono
compatível com a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C. Esse orçamento é
dividido pela população mundial, gerando uma média anual “justa” de emissões
por pessoa.
A
pesquisa compara quanto cada faixa de renda emite por ano e quanto seria sua
parcela proporcional dentro desse orçamento climático. No caso do 1% mais rico,
suas emissões médias anuais chegam a 75,1 toneladas de CO₂ por pessoa, valor
muito acima da média global sustentável. Por isso, eles esgotam sua “cota
anual” logo nos primeiros dias do ano.
• Concentração de riqueza e emissões são
dois problemas diferentes ou duas faces do mesmo problema?
Viviana
Santiago – São duas faces do mesmo problema: a desigualdade. A concentração
extrema de riqueza dá acesso a padrões de consumo altamente poluentes, permite
investimentos em setores ambientalmente destrutivos e cria uma elite econômica
pouco alcançada por regulações, impostos e acordos globais. Portanto,
desigualdade econômica e crise climática não são fenômenos separados – são
processos interligados e reforçados mutuamente.
IHU –
Por que não tem sido possível romper o ciclo de aumento da concentração de
riqueza?
Viviana
Santiago – Porque os super-ricos têm enorme influência política e econômica,
conseguem evitar regulações ambientais mais rígidas, se beneficiam de sistemas
tributários que não taxam adequadamente lucros e dividendos, continuam lucrando
com setores altamente poluentes sem sofrer penalizações proporcionais. Além
disso, muitos Estados têm baixa capacidade política ou institucional de impor
regras duras a esses grupos.
• Que medidas poderiam ser aplicadas ao 1%
mais rico para reduzir 97% das emissões até 2030?
Viviana
Santiago – Algumas medidas possíveis são a restrição ou forte taxação do uso de
jatinhos privados e superiates, impostos elevados sobre bens e serviços de
altíssima emissão, regulação de investimentos em setores poluentes, metas
obrigatórias de redução de emissões individuais e corporativas, tributação
progressiva sobre grandes fortunas e lucros ambientais e restrições a
atividades econômicas de alto impacto climático.
• Como um imposto sobre os lucros dos
poluidores ricos ajudaria?
Viviana
Santiago – Esse imposto atuaria em dois níveis. O primeiro é a justiça
climática: quem mais polui, mais contribui financeiramente para enfrentar os
danos. O segundo é o financiamento da transição: os recursos poderiam ser
usados para adaptação climática, mitigação de impactos, transição energética,
apoio a países do Sul Global, que sofrem mais os efeitos da crise apesar de
poluir menos. Além disso, o imposto ajudaria a desestimular investimentos em
setores altamente poluentes.
• Oxfam denuncia que 1% mais rico já
queimou a sua cota anual de carbono
A ONG
Oxfam o batizou de Dia do Plutocrata. Este é o dia em que 1% dos que mais
acumulam riqueza no planeta atinge a sua cota anual de gases do efeito estufa,
se quisermos que as alterações climáticas não ultrapassem os 1,5ºC. E este ano
não demorou muito: caiu no dia 10 de janeiro.
Os
dados, divulgados pela filial britânica da organização, são um marco, pois
deixam claro que aquele 1%, ou seja, os 77 milhões de pessoas com mais riqueza
acumulada, só precisou de dez dias para ultrapassar sua cota. São bilionários,
milionários e qualquer pessoa que ganhe mais de 140 mil dólares por ano, um
grupo cujo poder econômico aumenta com o sistema econômico atual, que
representa um aumento constante da desigualdade global.
A Oxfam
vem alertando há anos sobre como o colapso climático é desproporcionalmente
impulsionado pelos chamados super-ricos, cujo estilo de vida envolve o dobro
das emissões anuais de nada menos que a metade da população mais pobre do
planeta. No extremo oposto aos dez dias dos mais ricos, alguém da metade mais
pobre da população precisaria de 1.022 dias – quase três anos – para esgotar a
sua cota do orçamento global anual de carbono.
Especificamente,
embora 1% seja, com 76 toneladas de CO2 per capita por ano, responsável por
15,9% das emissões globais, segundo dados de 2019, a existência de 3,9 bilhões
de pessoas implica 7,7% das emissões, como indicam os números do Estocolmo
Instituto do Meio Ambiente (SEI) em sua pesquisa Igualdade climática: um
planeta para os 99%.
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Oxfam pede aumento de impostos sobre bens de luxo poluentes
“O
futuro do nosso planeta está em jogo, mas os super-ricos podem continuar a
desperdiçar as oportunidades da humanidade com os seus estilos de vida luxuosos
e investimentos poluentes”, lamentou Chiara Liguori, conselheira política
sênior para a justiça climática da ONG. Liguori, altamente crítica da falta de
ação climática, salienta que “os líderes que não agem são os culpados por uma
crise que ameaça a vida de milhares de milhões de pessoas”.
Para
ajudar a aliviar esta situação, a especialista defende – em linha com múltiplas
organizações do movimento climático – o aumento dos impostos sobre bens de luxo
poluentes, como jatos privados ou super iates. Estes fundos, observa, poderiam
ajudar a angariar os fundos necessários para enfrentar a crise climática de uma
forma que se concentrasse nos mais responsáveis e naqueles que mais podem
pagar. “Os governos devem parar de favorecer os poluidores mais ricos e, em vez
disso, fazê-los pagar a sua parte justa pela destruição que estão a causar no
nosso planeta”, acrescenta.
Para a
ONG, impostos justos sobre jatos privados e super iates no Reino Unido poderiam
ter arrecadado até 2 bilhões de libras até 2023 para ajudar a gerar fundos
vitais para a ação climática.
Estima-se
que entre 2015 e 2030 os 77 milhões de pessoas com maior riqueza material
reduzirão as suas emissões em cerca de 5% anualmente, algo muito longe dos 97%
necessários para cumprir a meta do Acordo de Paris de não ultrapassar 1,5ºC de
aquecimento global.
Tal
como relata a Oxfam, 50 dos maiores multimilionários produzem, em média, mais
carbono através dos seus investimentos, aviões privados e super iates em menos
de três horas do que o britânico médio produz ao longo da vida.
Fonte:
Entrevista especial com Viviana Santiago, para IHU/El Salto

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