sábado, 24 de janeiro de 2026

O ataque de Trump à Venezuela vai além do petróleo

Após a descarada invasão dos EUA à Venezuela e a consequente destituição de Nicolás Maduro do poder, muitos na esquerda chegaram a uma explicação básica: tudo gira em torno do petróleo. Essa explicação se baseia em uma conhecida teoria marxista “instrumentalista” do Estado capitalista, segundo a qual seu papel primordial é servir aos interesses da classe capitalista.

Certamente, a extrema desregulamentação da indústria de petróleo e gás promovida pelos governos Trump, tanto no primeiro quanto no segundo mandato, não dissuadiu muitos dessa interpretação. E, claro, em sua coletiva de imprensa após a invasão, o próprio Donald Trump afirmou que a operação era, de fato, motivada pelo petróleo. Portanto, o caso parece encerrado. Contudo, ao analisarmos a economia política da indústria petrolífera, a explicação baseada no petróleo começa a fazer cada vez menos sentido.

<><> Será que a produção de petróleo na Venezuela é sequer rentável?

Os mercados de petróleo operam em ciclos de alta e baixa típicos das commodities. Quando os preços estão altos, o capital petrolífero está disposto a investir em novas perfurações. Quando os preços estão baixos, o interesse é menor. Embora o nível atual de preços esteja em algum ponto intermediário (atualmente cotado a US$ 56 por barril e em queda), os preços estão, em geral, deprimidos, e têm ficado assim durante a maior parte da última década (com exceção do período de alta associado à guerra na Ucrânia iniciada em 2022).

Dado que o petróleo bruto betuminoso “pesado” da Venezuela é muito difícil e caro de extrair, suspeito que sua produção possa não ser lucrativa mesmo com os preços do petróleo abaixo de US$ 60 por barril. É difícil encontrar um preço de equilíbrio para o petróleo venezuelano, provavelmente devido a problemas com os dados, mas vale a pena mencionar uma estimativa do setor para as areias betuminosas canadenses, que são muito semelhantes, de US$ 65 por barril.

Você provavelmente já ouviu falar que a Venezuela possui as maiores “reservas comprovadas” do mundo — mas observe que essa categoria depende de se as “reservas” são economicamente viáveis ​​de produzir (e não está claro se são).

Portanto, além da Chevron, que já investiu muito capital na Venezuela, não haverá muito interesse entre as principais petrolíferas americanas em investir em novas perfurações. Aliás, como isso ficou ainda mais evidente, Trump chegou a sugerir que as petrolíferas americanas poderiam ser “reembolsadas” por seus investimentos. Resta saber como o Congresso americano reagirá à ideia de os contribuintes americanos arcarem com os custos da reconstrução do setor petrolífero venezuelano, que está em ruínas. Mais preocupante ainda é como essa manobra “imperialista e gangster” de Trump afetará as empresas chinesas, que já investiram cerca de US$ 2,1 bilhões desde 2016.

Dito isto, há algumas frações de capital, além das grandes companhias petrolíferas, que podem ter algum interesse em lucrar com essa invasão. Certamente, o preço das ações de muitas empresas petrolíferas aumentou, mas a minha interpretação é que isso se baseia na expectativa de que elas possam agora receber alguns tipos de indenizações de “propriedades e investimentos expropriados” na onda de nacionalizações da década de 1970 e novamente sob o governo de Hugo Chávez na década de 2000.

Há também interesse por parte de algumas empresas financeiras, como fundos de hedge — particularmente devido à situação de endividamento venezuelano —, mas essas empresas visam lucrar com os ativos e dívidas existentes, e não embarcar em grandes investimentos na produção de petróleo.

Também é evidente que algumas refinarias americanas podem utilizar o petróleo pesado da Venezuela. No entanto, essas refinarias já possuíam grandes quantidades desse petróleo proveniente das areias betuminosas canadenses. A entrada do petróleo bruto pesado venezuelano nesse mercado pode reduzir o preço pago por essas refinarias em alguns dólares, mas isso não altera significativamente sua lucratividade.

<><> A liberação do petróleo venezuelano ameaça a produção dos EUA

Muito se tem discutido sobre os objetivos contraditórios de Trump de resolver os problemas de “acessibilidade” reduzindo o preço da gasolina (que, diga-se de passagem, está baixa) e seu desejo de “perfurar, perfurar, perfurar” nos EUA. Também é sabido que os produtores de xisto nos EUA utilizam técnicas de fraturamento hidráulico complexas e de alto custo, necessitando, portanto, de preços elevados para se manterem lucrativos. Para “perfurar, perfurar, perfurar”, a Statista apresenta estimativas para diversas áreas de exploração de xisto nos Estados Unidos — e todas exigem preços acima de US$ 60 por barril para atingir o ponto de equilíbrio.

Em outras palavras, se a produção venezuelana aumentasse, poderia pressionar ainda mais o preço global do petróleo para baixo e prejudicar os capitalistas (e trabalhadores) do petróleo dos EUA, que são o núcleo da coalizão MAGA. No entanto, repito, duvido que a produção de petróleo na Venezuela aumente em breve.

Uma das análises mais perspicazes sobre a economia política do petróleo vem do coletivo de esquerda Retort e de seu livro de 2005, Afflicted Powers: “A história do petróleo no século XX não é a história da escassez e da inflação, mas da ameaça constante… de excesso e capacidade e queda de preços, de excedente e saturação.”

Originalmente, essa ameaça era combatida por um cartel capitalista — as companhias petrolíferas conhecidas como “Sete Irmãs” — que dividiam cuidadosamente a produção e os mercados de petróleo entre si em escala global. Posteriormente, esse papel foi assumido pelos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), interessados ​​em manter preços elevados que se traduzem em altos aluguéis/impostos. Independentemente disso, apesar das narrativas populares, a indústria petrolífera nem sempre está ávida por extrair todo e qualquer petróleo.

Como argumenta Timothy Mitchell, o maior interesse das companhias petrolíferas reside em manter e reproduzir a escassez necessária para que os preços se mantenham suficientemente altos para uma acumulação lucrativa. No contexto dos preços baixos atuais, elas estariam muito mais interessadas em extrair o petróleo que já possuem e recuperar os investimentos anteriores, em vez de perfurar novos poços.

<><> “Risco político”

Outro fator crucial que provavelmente dissuadirá as empresas petrolíferas de investir é o “risco político”. As empresas de mineração e petróleo, em particular, preferem investir em países onde a situação política e jurídica seja estável e, idealmente, favorável aos investidores privados (ou seja, com baixas taxas de royalties e impostos). Obviamente, esse não é o caso da Venezuela, já que não está claro quem está no poder no momento.

Em seu livro de 1971, Soberania em Perigo: A Expansão Multinacional das Empresas Americanas, Raymond Vernon articula uma poderosa teoria sobre o “acordo obsoleto”: quando os preços estão baixos, as empresas extrativistas têm poder de barganha e podem fechar acordos vantajosos com baixas taxas de royalties e impostos nos países anfitriões. Contudo, quando os preços (inevitavelmente) sobem, o “acordo” torna-se obsoleto, e os países anfitriões podem renegar seus acordos anteriores, aumentar as taxas de royalties e impostos ou, até mesmo, expropriar as empresas por completo. De fato, foi isso que poderíamos dizer que aconteceu com Chávez na década de 2000 — um ambiente socialista de esquerda combinado com um boom nos preços do petróleo.

De qualquer forma, se as empresas petrolíferas fossem investir na Venezuela em condições favoráveis ​​hoje, seria necessário haver muito mais certeza sobre a situação política. Para isso, suponho que teremos que esperar para ver. Uma ressalva a esta análise é a questão de saber se o próprio Trump facilitará os investimentos (deixando claro para empresas específicas que investir no petróleo venezuelano renderá outros favores políticos). É possível, mas o histórico de cautela do capital petrolífero em relação aos investimentos durante períodos de preços baixos será um grande obstáculo a ser superado (especialmente no contexto da infraestrutura precária da Venezuela).

<><> A autonomia absoluta do Estado

Devemos nos opor a uma visão excessivamente “instrumentalista” do Estado capitalista, na qual essa invasão foi realizada em nome do capital petrolífero dos EUA. A descrição de Adam Tooze, de que Trump está mais interessado em um “imperialismo de recursos irresponsável, uma espécie de cosplay de reality show”, parece muito mais precisa. O fato de que, após a invasão, a Casa Branca publicou um meme com a expressão “FAFO” (“Fuck Around and Find Out” – “Brinque com fogo e descubra”) ilustra o quanto ele e o governo estão interessados ​​no teatro depravado de tudo isso.

Embora pareça claro que essa invasão se encaixa em uma estratégia coerente do governo Trump para afirmar o domínio sobre a América do Norte e do Sul (com Cuba e Groenlândia talvez sendo os próximos alvos; o Departamento de Estado também publicou um meme, de forma ameaçadora, afirmando: “Este é o nosso hemisfério”), o que não está claro é como os interesses do capital, muito menos do capital petrolífero, se encaixam nessa agenda neoimperialista.

Se eu tivesse que arriscar um palpite, não me surpreenderia se nenhum executivo ou investidor de empresas petrolíferas estivesse pressionando diretamente por essa invasão. Teóricos marxistas do Estado falam muito sobre a “autonomia relativa” do Estado, mas a forma narcisista do governo Trump realmente levanta a questão se estamos ou não falando da autonomia absoluta do Estado. Esta não é a primeira vez que este governo parece agir de maneiras que não se alinham com o que se poderia imaginar como o “comitê executivo da burguesia”. O que isso significa para o capitalismo global em geral, e para a centralidade do império americano em supervisioná-lo, é realmente incerto e está em aberto.

 

Fonte: Por Matt Huber, em Jacobin Brasil - Tradução: Cauê Seigner Ameni

 

“Estilo de vida dos super-ricos é estruturalmente incompatível com contenção do aquecimento global”

O último relatório da Oxfam, intitulado “Pilhagem Climática: como uma poderosa minoria está aprisionando o mundo no desastre”, realça as desigualdades envolvidas no problema das mudanças climáticas. Se, de um lado, o estilo de vida dos pobres contribui menos para a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, de outro lado, eles são os que mais sofrem com os efeitos dos eventos climáticos extremos. A conclusão, segundo Viviana Santiago, é que a crise climática não pode ser reduzida a um problema ambiental. Ela é “uma crise moral, social e política”, afirma a diretora executiva da Oxfam Brasil na entrevista a seguir, concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU por e-mail.

O estudo associa o agravamento da crise climática ao estilo de vida e às atividades comerciais dos super-ricos. A relação entre ambos, assegura, é direta. “O estilo de vida dos super-ricos se baseia em padrões de consumo extremamente intensivos em carbono: uso frequente de jatinhos, superiates, mansões com alto gasto energético, deslocamentos constantes e consumo elevado de bens e serviços poluentes. Esses hábitos fazem com que, em poucos dias, essas pessoas emitam o que indivíduos pobres levariam uma vida inteira para emitir. Ou seja, trata-se de um modo de vida estruturalmente incompatível com qualquer meta realista de contenção do aquecimento global”, reitera. Nos primeiros dias de 2026, informa, os super-ricos já emitiram a cota anual de carbono considerada justa.

A seguir, Viviana comenta como a influência política das pessoas mais ricas do mundo tem impedido o enfrentamento da crise climática e apresenta as propostas da Oxfam para a redução das emissões dos super-ricos em 97% até o fim da década. Viviana Santiago atua na promoção dos direitos humanos, no enfrentamento ao racismo, na igualdade de gênero e na justiça social. Ela integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), conhecido como Conselhão.

<><> Confira a entrevista.

•        IHU – Qual é a novidade do relatório mais recente da Oxfam, intitulado “Pilhagem Climática: como uma poderosa minoria está aprisionando o mundo no desastre”?

Viviana Santiago – Um ponto central é que os mais pobres são os que menos emitem; mas são os que mais sofrem com enchentes, secas, ondas de calor e insegurança alimentar. Isso transforma a crise climática também em uma crise moral, social e política, não apenas ambiental. O relatório deixa claro que não haverá solução real para o aquecimento global sem enfrentar diretamente a desigualdade extrema e os privilégios climáticos de uma minoria.

•        Qual é a relação entre o estilo de vida dos super-ricos e a intensificação das emissões de gases de efeito estufa e o agravamento da crise climática?

Viviana Santiago – A relação é direta. O estilo de vida dos super-ricos se baseia em padrões de consumo extremamente intensivos em carbono: uso frequente de jatinhos, superiates, mansões com alto gasto energético, deslocamentos constantes e consumo elevado de bens e serviços poluentes. Esses hábitos fazem com que, em poucos dias, essas pessoas emitam o que indivíduos pobres levariam uma vida inteira para emitir. Ou seja, trata-se de um modo de vida estruturalmente incompatível com qualquer meta realista de contenção do aquecimento global.

•        Quais as evidências de que os super-ricos são desproporcionalmente responsáveis por impulsionar a crise climática, como aponta o novo relatório da Oxfam?

Viviana Santiago – As evidências aparecem tanto nos dados de emissões quanto nos exemplos concretos: o 1% mais rico esgotou sua cota anual “justa” de carbono em apenas 10 dias de 2026; o 0,1% mais rico fez o mesmo em apenas 3 dias. Uma semana de uso de um superiate ou jatinho emite o mesmo volume de carbono que uma pessoa do 1% mais pobre levaria a vida inteira para emitir. Além disso, os super-ricos não impactam apenas pelo consumo pessoal: grande parte de sua renda vem de investimentos em setores altamente poluentes, como mineração, agronegócio e agricultura industrial.

•        Como é feito o cálculo da “cota justa” de emissões e das 75,1 toneladas por ano?

Viviana Santiago – O cálculo parte da ideia de um orçamento global de carbono compatível com a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C. Esse orçamento é dividido pela população mundial, gerando uma média anual “justa” de emissões por pessoa.

A pesquisa compara quanto cada faixa de renda emite por ano e quanto seria sua parcela proporcional dentro desse orçamento climático. No caso do 1% mais rico, suas emissões médias anuais chegam a 75,1 toneladas de CO₂ por pessoa, valor muito acima da média global sustentável. Por isso, eles esgotam sua “cota anual” logo nos primeiros dias do ano.

•        Concentração de riqueza e emissões são dois problemas diferentes ou duas faces do mesmo problema?

Viviana Santiago – São duas faces do mesmo problema: a desigualdade. A concentração extrema de riqueza dá acesso a padrões de consumo altamente poluentes, permite investimentos em setores ambientalmente destrutivos e cria uma elite econômica pouco alcançada por regulações, impostos e acordos globais. Portanto, desigualdade econômica e crise climática não são fenômenos separados – são processos interligados e reforçados mutuamente.

IHU – Por que não tem sido possível romper o ciclo de aumento da concentração de riqueza?

Viviana Santiago – Porque os super-ricos têm enorme influência política e econômica, conseguem evitar regulações ambientais mais rígidas, se beneficiam de sistemas tributários que não taxam adequadamente lucros e dividendos, continuam lucrando com setores altamente poluentes sem sofrer penalizações proporcionais. Além disso, muitos Estados têm baixa capacidade política ou institucional de impor regras duras a esses grupos.

•        Que medidas poderiam ser aplicadas ao 1% mais rico para reduzir 97% das emissões até 2030?

Viviana Santiago – Algumas medidas possíveis são a restrição ou forte taxação do uso de jatinhos privados e superiates, impostos elevados sobre bens e serviços de altíssima emissão, regulação de investimentos em setores poluentes, metas obrigatórias de redução de emissões individuais e corporativas, tributação progressiva sobre grandes fortunas e lucros ambientais e restrições a atividades econômicas de alto impacto climático.

•        Como um imposto sobre os lucros dos poluidores ricos ajudaria?

Viviana Santiago – Esse imposto atuaria em dois níveis. O primeiro é a justiça climática: quem mais polui, mais contribui financeiramente para enfrentar os danos. O segundo é o financiamento da transição: os recursos poderiam ser usados para adaptação climática, mitigação de impactos, transição energética, apoio a países do Sul Global, que sofrem mais os efeitos da crise apesar de poluir menos. Além disso, o imposto ajudaria a desestimular investimentos em setores altamente poluentes.

•        Oxfam denuncia que 1% mais rico já queimou a sua cota anual de carbono

A ONG Oxfam o batizou de Dia do Plutocrata. Este é o dia em que 1% dos que mais acumulam riqueza no planeta atinge a sua cota anual de gases do efeito estufa, se quisermos que as alterações climáticas não ultrapassem os 1,5ºC. E este ano não demorou muito: caiu no dia 10 de janeiro.

Os dados, divulgados pela filial britânica da organização, são um marco, pois deixam claro que aquele 1%, ou seja, os 77 milhões de pessoas com mais riqueza acumulada, só precisou de dez dias para ultrapassar sua cota. São bilionários, milionários e qualquer pessoa que ganhe mais de 140 mil dólares por ano, um grupo cujo poder econômico aumenta com o sistema econômico atual, que representa um aumento constante da desigualdade global.

A Oxfam vem alertando há anos sobre como o colapso climático é desproporcionalmente impulsionado pelos chamados super-ricos, cujo estilo de vida envolve o dobro das emissões anuais de nada menos que a metade da população mais pobre do planeta. No extremo oposto aos dez dias dos mais ricos, alguém da metade mais pobre da população precisaria de 1.022 dias – quase três anos – para esgotar a sua cota do orçamento global anual de carbono.

Especificamente, embora 1% seja, com 76 toneladas de CO2 per capita por ano, responsável por 15,9% das emissões globais, segundo dados de 2019, a existência de 3,9 bilhões de pessoas implica 7,7% das emissões, como indicam os números do Estocolmo Instituto do Meio Ambiente (SEI) em sua pesquisa Igualdade climática: um planeta para os 99%.

<><> Oxfam pede aumento de impostos sobre bens de luxo poluentes

“O futuro do nosso planeta está em jogo, mas os super-ricos podem continuar a desperdiçar as oportunidades da humanidade com os seus estilos de vida luxuosos e investimentos poluentes”, lamentou Chiara Liguori, conselheira política sênior para a justiça climática da ONG. Liguori, altamente crítica da falta de ação climática, salienta que “os líderes que não agem são os culpados por uma crise que ameaça a vida de milhares de milhões de pessoas”.

Para ajudar a aliviar esta situação, a especialista defende – em linha com múltiplas organizações do movimento climático – o aumento dos impostos sobre bens de luxo poluentes, como jatos privados ou super iates. Estes fundos, observa, poderiam ajudar a angariar os fundos necessários para enfrentar a crise climática de uma forma que se concentrasse nos mais responsáveis e naqueles que mais podem pagar. “Os governos devem parar de favorecer os poluidores mais ricos e, em vez disso, fazê-los pagar a sua parte justa pela destruição que estão a causar no nosso planeta”, acrescenta.

Para a ONG, impostos justos sobre jatos privados e super iates no Reino Unido poderiam ter arrecadado até 2 bilhões de libras até 2023 para ajudar a gerar fundos vitais para a ação climática.

Estima-se que entre 2015 e 2030 os 77 milhões de pessoas com maior riqueza material reduzirão as suas emissões em cerca de 5% anualmente, algo muito longe dos 97% necessários para cumprir a meta do Acordo de Paris de não ultrapassar 1,5ºC de aquecimento global.

Tal como relata a Oxfam, 50 dos maiores multimilionários produzem, em média, mais carbono através dos seus investimentos, aviões privados e super iates em menos de três horas do que o britânico médio produz ao longo da vida.

 

Fonte: Entrevista especial com Viviana Santiago, para IHU/El Salto

 

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