Denise
Assis: O mundo precisa escutar Jeffrey Sachs
O
economista Jeffrey Sachs, ao discursar na condição de presidente da Rede de
Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, lembrou que a
Liga das Nações fracassou nos anos 1930 por não conseguir impor o respeito ao
direito internacional, abrindo caminho para a Segunda Guerra Mundial. A ONU,
segundo avivou, surgiu como uma segunda tentativa da humanidade de colocar a
lei acima da anarquia internacional, com o objetivo explícito de poupar as
gerações futuras do flagelo da guerra. “Na era nuclear, esse fracasso não pode
se repetir. Não haveria uma terceira chance”, advertiu.
É isso,
senhores. Não haverá uma terceira chance. Enquanto analistas se esmeram em
debulhar números em torno das reservas de petróleo, a medir milimetricamente a
quantas anda a queda do PIB na Venezuela, o mundo se esfarela rumo a uma nova
fase de barbárie. E não haverá uma terceira chance. Repito a advertência de
Sachs, da condição da minha desimportância, apenas para debelar da consciência
a omissão.
Sim,
como bem descreveu Antonio Scurati, em seu “Mussolini o Filho do Século”, além
da Segunda Guerra, a crise estabelecida no mundo após a primeira pariu a
barbárie e, com ela, o fascismo e tudo o que veio depois. Está na hora de um
novo freio de arrumação.
Tudo
tem duas faces, e o que vimos no sábado, dia 3, com o assalto à Venezuela, para
sequestrar o chefe de Estado, não foi apenas um país se colocar acima das leis
que deveria gerir o mundo inteiro. Foi o alerta que agora nos lança Sachs, de
que há uma nova barbárie descortinada no cenário mundial enquanto o império se
apropria do que vê pela frente, ante o imobilismo dos falidos organismos
internacionais.
A ONU
não deu conta de frear o genocídio em Gaza, porque o Conselho de Segurança é
composto por um conjunto de países privilegiados por regras que já escolheram,
lá atrás, na sua composição, um domínio desses sobre os demais. Foram pinçados
os países vitoriosos, que saíram da Segunda Guerra com poder e “grandeza”.
Assim,
já na origem com feições de supremacia para alguns, em detrimento de muitos, a
ONU tem falhado sistematicamente, demonstrando o seu caráter meramente
decorativo, como quando ignorada por George Bush, em 2003, que, sem passar pela
regra instituída no Direito Internacional de submeter ao Conselho a sua
decisão, foi invadir um país na Ásia Ocidental. E são muitos os exemplos. Sem
freios, regras ou quem coloque limites nas relações internacionais, ou no
funcionamento do mundo — que é do que estamos falando —, os “mais fortes” vão
avançando sobre os demais, criando um “salve-se quem puder”.
A ONU
era uma segunda tentativa de criar uma união de nações com o propósito de
estabelecer relações amistosas entre os países. A primeira tentativa, como bem
apontou Sachs, a formação da Liga das Nações ao fim da Primeira Guerra Mundial,
fracassou em seus objetivos.
A
segunda oportunidade, a Carta da ONU, nos termos de sua fundação, afirmava em
seu preâmbulo que “Nós, os povos das Nações Unidas, decididos: a preservar as
gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espaço de uma
vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade”. Nasceu com o
propósito de “reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na
dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e
das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas”, tendo como primeiro
objetivo “manter a paz e a segurança internacionais e para esse fim”.
A
instituição se propôs a “tomar medidas coletivas eficazes para prevenir e
afastar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão, ou outra qualquer ruptura
da paz e chegar, por meios pacíficos, e em conformidade com os princípios da
justiça e do direito internacional, a um ajustamento ou solução das
controvérsias ou situações internacionais que possam levar a uma perturbação da
paz”. Não deu conta.
Tudo
isso foi esquecido, “despraticado”, ignorado. Agora, quando o mundo aprendeu a
naturalizar todas as agressões, violências e transgressões, no palco das suas
instalações o que se vê é um teatro, onde os discursos cumprem o seu papel na
diplomacia, mas as decisões são ignoradas pela mira das armas, cada vez de
maior porte.
Não há
outro caminho a não ser parar tudo e novamente estabelecer tratados e
propósitos a serem seguidos, hipoteticamente, mas preferencialmente por todos.
Sem “Conselho de Segurança”, que no momento só segura e assegura o poder dos
Estados Unidos sobre os demais, acossados que estão por dívidas, favores,
controles, regras de submissão.
Discurso
vazio, dirão vocês. Certo. Tão vazio quanto todos os itens estabelecidos na
Carta da ONU que há muito foram abandonados. Mas é preciso repetir,
reivindicar, denunciar a inoperância da ONU, do seu Conselho e de seus ditames.
Aos 80 anos, a ONU sofre de osteoporose. Seus ossos já não sustentam a
musculatura original. Não é mais de respeito ao Direito Internacional que se
está falando. É de uma verdadeira harmonização moral, de princípios e de
autoridade.
Ou a
instituição tem e faz valerá sua autoridade sobre todos — eu disse todos —, ou
vamos ser esmagados pelo poderio bélico de Donald Trump, que se jacta de
“poder” e “fazer” porque pode. E pode porque tem armas, por enquanto, maiores
que os países na sua mira.
Unidos,
outros também poderosos deveriam reformular a composição desse Conselho, ou
eliminando esse núcleo, colocando os demais em pé de igualdade, ou dando poder
à maioria para decidir. Assim, enquanto o autor das traquinagens for também o
autor de um único veto que desanda o jogo mundial, vamos novamente desembocar
na barbárie.
Sachs
deixou claro em sua fala: “Essas medidas (adotadas por Trump contra a
Venezuela, grifo meu) são ilegais de acordo com a Carta da ONU e normalmente
resultam em violência contínua, conflitos letais, instabilidade política e
profundo sofrimento da população civil. O histórico recente dos EUA em relação
à Venezuela também é claro. Em abril de 2002, os EUA tinham conhecimento e
aprovaram uma tentativa de golpe contra o governo. Na década de 2010, os
Estados Unidos financiaram grupos da sociedade civil que participavam
ativamente de protestos antigovernamentais. Quando o governo reprimiu os
protestos, os EUA seguiram com uma série de sanções”.
Não é
mais sobre Venezuela. É sobre o futuro da humanidade, como nos lembra o
economista. Por favor, vamos ouvir o que nos diz o senhor Jeffrey Sachs.
¨ Ataque à Venezuela
lembra invasão ao Iraque, diz ex-subsecretária de Defesa dos EUA
O
aumento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela nos últimos meses e da
presença militar americana no Caribe levou muitos analistas a acreditarem na
possibilidade de uma invasão por terra dos EUA ao território venezuelano — como
de fato aconteceu na madrugada de 3 de janeiro de 2026. Mas a decisão americana
de permanecer no país e de tomar o controle da indústria do petróleo da
Venezuela não estava nos principais cenários de quem acompanhava de perto o
assunto.
No caso
de Jana Nelson, ex-subsecretária de Defesa dos EUA para o Hemisfério Ocidental,
havia pelo menos duas razões para que ela não considerasse que o governo de
Donald Trump estaria disposto a entrar na Venezuela para explorar o petróleo
venezuelano. Uma é a rejeição do eleitorado do republicano ao envolvimento dos
EUA em guerras e mudanças de regime. O outro é a própria situação da indústria
petroleira venezuelana, que, segundo ela, foi destruída nas últimas décadas sob
Hugo Chávez e Nicolás Maduro. "Todos os três processos, de extração, de
refino e de distribuição estão em apuros. Não é algo que simplesmente de um dia
para o outro se consegue resolver", ela aponta, em entrevista à BBC News
Brasil.
Depois
de atacar a Venezuela e de capturar Maduro, Trump afirmou que sua gestão
tomaria o controle da infraestrutura petroleira do país, que seria recuperada e
operada por empresas americanas para que, então, os EUA pudessem vender
petróleo venezuelano para outros países. "O argumento é ingênuo, mas esse
governo tende a buscar soluções simples para problemas complexos", ela
opina.
Olhando
para o histórico de operações militares em larga escala pelo mundo, Nelson
compara o ataque à Venezuela à invasão ao Iraque em 2003: "Pelo elemento
petróleo, pelo elemento injustificado da retirada de governo e presença
[americana] também".
E
alerta que o momento atual é muito diferente da última vez em que os EUA
invadiram um país da América Latina e retiraram um líder do poder, como
aconteceu com Manuel Noriega no Panamá em 1989. "A Venezuela é um país
três vezes maior, tanto geograficamente quanto em população. Tem 20 anos de
desinstitucionalização do governo", ressalta. "A situação é muito
mais grave."
>>>>
Leia, a seguir, a entrevista.
- Há menos de um
mês a senhora comentou em entrevista que não descartava hipótese de
invasão terrestre dos Estados Unidos à Venezuela, o que de fato aconteceu.
O anúncio de que os EUA decidiram administrar o país surpreendeu?
Jana
Nelson - Isso foi uma surpresa. Acho que para todo mundo. A população
americana, em particular a base MAGA [Make America Great Again, ou "faça a
América grande de novo", em tradução literal] do presidente Trump, tem
dito em pesquisas de opinião várias vezes que eles não estão interessados em
mudança de regime, eles não estão interessados em maiores guerras. Inclusive
eles elegeram o presidente Trump para acabar com guerras. Ele, o próprio
presidente Trump, tão orgulhoso de ser um presente da paz... Então a ideia de
que os Estados Unidos agora vão não só invadir a Venezuela, como governar o
país é realmente uma surpresa para todo mundo.
A
pergunta que eu acho agora é: como chegamos a esse ponto? A conferência de
imprensa que ele [Trump] deu, indicou que ele está negociando com a
vice-presidente, Delcy [Rodriguez] em troca de petróleo. Então, os líderes
legitimamente eleitos, o Edmundo Gonzalez, com o apoio da Maria Corina Machado
— que todos nós assumimos que seriam os próximos líderes da Venezuela, porque,
afinal de contas, é o que a população da Venezuela quer —, esses indivíduos
aparentemente foram traídos pelo presidente Trump em troca de petróleo, e
estamos trocando um governo autoritário do Maduro por outro que agora é da
Delcy Rodriguez, a vice-presidente. (Diante de denúncias de fraude eleitoral e
de falta de transparência, diversos países não reconheceram o resultado da
última eleição presidencial na Venezuela, em que Maduro disse ter sido
reeleito, e apontam vitória da oposição) Tudo isso é muito diferente do que nós
imaginávamos. Claramente, o presidente está muito mais interessado em petróleo
do que em democracia.
- Quando foi a
última vez que os EUA fizeram algo parecido, no Afeganistão em 2001 e no
Iraque em 2003?
Nelson
- Com certeza o elemento de petróleo remete mais ao Iraque do que ao
Afeganistão. No fim das contas, no Afeganistão foi um grupo [Al Qaeda] que
atacou os Estados Unidos. Acho que nenhuma invasão é justificada. A soberania
sempre deve ser primada, mas, se você quiser botar as diferentes invasões
americanas em ordem, eu acho que a que seria mais parecida é com certeza a do
Iraque, pelo elemento petróleo, pelo elemento injustificado da retirada de
governo e presença [americana] também — porque agora o presidente Trump diz que
vai estar governando a Venezuela. Os Estados Unidos governaram o Iraque por
muitos anos.
- Falando em
petróleo, Trump anunciou que os EUA vão administrar a Venezuela, tomar o
controle da infraestrutura de petróleo, levar as empresas americanas para
assumir e recuperar a infraestrutura e vender petróleo para outros países.
Como a gente deve enxergar essa decisão?
Nelson
- É um pouco ingênua, porque não é tão fácil. A indústria de petróleo da
Venezuela foi destruída depois de mais de 15 anos, 20 anos, se você contar o
[Hugo] Chávez. Então você tem uma PDVSA, e uma Chevron também, que não produzem
nos níveis que deveriam. Você tem um processo de refino que não tem capacidade
de absorção a níveis altos e até a própria distribuição do petróleo
venezuelano, que era majoritariamente feita através da Citgo, que é uma
companhia de gasolina nos Estados Unidos, a Citgo também está em apuros
econômicos, vai declarar o capítulo 11 de bancarrota nos Estados Unidos. Então
todos os três processos, de extração, de refino e de distribuição estão em
apuros. Não é algo que simplesmente de um dia para o outro se consegue
resolver. Então o argumento é ingênuo, mas esse governo tende a buscar soluções
simples para problemas complexos.
- Trump também
falou que não tem medo de colocar "boots on the ground"
("botas no chão", em tradução literal) se necessário, se
referindo a uma possível presença militar americana na Venezuela. Qual a
possibilidade de as Forças Armadas da Venezuela não aceitarem de bom grado
uma presença americana, ou mesmo das milícias organizadas pelo governo
Maduro nos últimos anos?
Nelson
- Se realmente quiser tomar o território venezuelano, o presidente Trump tem a
capacidade logística de fazer isso, tanto de força naval quanto de força aérea.
A parte do Exército, de presença militar, está ainda aquém do que ele
necessitaria para tomar o território venezuelano, mas ele tem a capacidade
naval e a capacidade aérea para fazê-lo hoje. E as Forças Armadas venezuelanas
não teriam como responder de maneira adequada. A questão realmente é quanto ele
quer se dedicar a uma operação militar. Eu não me preocuparia tanto com a
resistência do Exército e das Forças Armadas venezuelanas.
- E em relação a
milícias? Alguns venezuelanos têm medo de uma possível guerra civil ou de
conflitos internos, alguma coisa que piore ainda mais a situação de quem
está lá dentro.
Nelson
- As milícias estão sob o controle do Diosdado Cabello [atual ministro do
Interior]. São entidades de inteligência e de controle civil, que não são
polícia, que não são Forças Armadas, que ficam no meio do caminho. São grupos
pequenos, controlados por um membro do governo do regime, com a função de
acabar com a oposição e de encontrar indivíduos que poderiam ser presos e
também torturados. Isso existe. Agora, não são muito organizados, são grupos
pequenos. Se você não tiver o Diosdado controlando, esses indivíduos
simplesmente vão desaparecer. Um e outro será descoberto e levado à Justiça,
mas a maioria vai simplesmente desaparecer com o tempo.
- Como o restante
da América Latina deve encarar o que aconteceu? Rubio falou que, se fosse
o governo de Cuba, estaria preocupado nesse momento.
Nelson
- Olha, eu acho muito pouco provável qualquer outra invasão, porque eles não
iam ter justificativa. Com o Maduro já era muito fraca. Por mais que o
secretário Rubio não esteja de acordo, a liderança em Cuba é uma liderança que
é eleita da maneira que eles fazem suas próprias eleições. Então, expandir esse
processo para Cuba ou para qualquer outro país será muito difícil de
justificar, tanto domesticamente quanto de apoio internacional. Maduro, em
particular, é um líder pária, poucos países apoiavam ele. Inclusive o próprio
Brasil tinha mantido uma posição muito neutra, porque, quando Maduro perdeu as
eleições por 37% dois anos atrás, ele deixa de ser um líder legítimo da
Venezuela. E o Brasil já não reconhecia ele como líder legítimo da Venezuela. Eu
acho que o Rubio simplesmente está aproveitando a oportunidade para mandar uma
mensagem para Cuba, que, no fim das contas, não vai ter "dentes" para
ser implementada.
- Na sua
avaliação, quais as razões por trás da invasão?
Nelson
- O presidente muito claramente disse que a motivação dele é petróleo. O que
ele quer é aumentar a produção petroleira, ter acesso ao petróleo da Venezuela
para os Estados Unidos e devolver às companhias que foram expropriadas os seus
legítimos, digamos, equipamentos, materiais, etc. Isso foi há 20 anos atrás.
Então, assim, se isso é possível, não sei. A única companhia que realmente se
beneficiaria seria a Chevron. Então eu imagino que os atuais dirigentes da
Chevron estejam muito preocupados em serem associados a esse tipo de ação
militar. Mas foi isso que o presidente falou na conferência de imprensa. Eu
também acho que há motivações políticas, porque, no fim das contas, vários
membros da administração Trump são pessoas que vêm da Flórida. O próprio
presidente Trump passa muito tempo na Flórida, e o meio político na Flórida é
favorável a uma mudança de regime na Venezuela. Você também tem a questão da
migração. Não sei se você percebeu, mas na conferência de imprensa estava o
Stephen Miller, que é, essencialmente, o czar de imigração do governo
americano. E uma das principais fontes de migrantes até os Estados Unidos tem
sido a Venezuela - não só nos Estados Unidos, mas em toda a América Latina. É
uma crise migratória gerada pelo Maduro, pela Venezuela. Então o argumento
deles é, entre aspas, resolver o problema da Venezuela resolve também ou ajuda
a resolver o problema da migração nos Estados Unidos.
- E a questão do
aumento da influência americana na região? Quando a Estratégia de Defesa
Nacional foi divulgada recentemente falou-se muito sobre isso, por conta
da referência à Doutrina Monroe. A gente pode encarar esse episódio como
parte desse esforço para aumentar a interferência e a influência americana
na América Latina?
Nelson
- Eu acho que a parte mais preocupante do documento que saiu recentemente
continua sendo a falta de interesse [dos EUA] em apoiar a Europa quando eles
estão recebendo ameaças da Rússia. [Olhando para a América Latina], claramente,
o presidente Trump tem um interesse na região. Ele governa através da
nostalgia. Ele é um presidente dos anos 80, no qual as guerras da América
Central foram muito presentes. A América Latina e o Caribe foram muito
presentes e centrais durante o governo Reagan, durante o auge, digamos, do
presidente Trump, quando ele tinha os seus 40 anos, estava Nova York. Foi um
momento muito formador da visão de mundo dele. Então ele está trazendo aquele
momento de volta para hoje, numa situação muito diferente.
Mas eu
continuo achando que a parte mais preocupante do documento não é a referência à
América Latina. Eu não acho, como já comentei, que ele vai sair invadindo
vários países. Não é assim também, ele não pode fazer isso sozinho. Ele precisa
do apoio de outras pessoas, e ele não vai ter esse tipo de apoio das pessoas no
gabinete dele pra sair invadindo. Então, o que é mais preocupante é deixar a
Europa abandonada num momento relativamente fraco, no qual ela não é capaz de
se proteger de uma invasão da Rússia — que eu não acredito que seja iminente,
mas também não acho que seja improvável.
- A última vez que
os Estados Unidos invadiram um país da América Latina e retiraram o
presidente foi em 1989 com o Noriega no Panamá. Como alguém que estuda as
incursões militares americanas na região, como a senhora vê o episódio
atual?
Nelson
- O Panamá foi muito diferente, no sentido de que é um país menor, onde a gente
já tinha muita presença militar por causa do canal. Nós não precisávamos levar
pessoas para lá. E você tinha um governo que podia tomar posse. A Venezuela é
um país três vezes maior, tanto geograficamente quanto em população. Tem 20
anos de desinstitucionalização do governo. Não tem um governo que funcione, que
no caso o Panamá tinha. Nós estamos tendo que mover pessoas para dentro e nós
não temos pessoas suficientes. Embora tenha tido um aumento militar muito
grande no Caribe, a gente ainda não tem pessoas, indivíduos suficientes para
poder invadir a Venezuela como a gente tinha no caso do Panamá, então, a
situação é muito mais grave.
Fonte:
Brasil 247/BBC News Brasil

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