Oito
eleições no mundo que devem moldar a política em 2026
O ano
de 2026 será marcado por uma série de eleições cruciais, das Américas à Europa,
passando pelo Oriente Médio e Ásia.
Algumas
devem testar a longevidade política de líderes que têm tido um papel
proeminente nas últimas décadas, como Luiz Inácio Lula da Silva, Benjamin
Netanyahu e Viktor Orbán.
Outros
pleitos, como no Peru e em Bangladesh, podem marcar um recomeço político após
intensa turbulência política. Na Alemanha e nos EUA, eleições regionais e
parlamentares têm potencial de provocar reviravoltas.
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Veja oito pleitos importantes de 2026.
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Alemanha: eleições estaduais podem levar ultradireita ao poder (março-setembro)
A
Alemanha será palco de cinco eleições estaduais em 2026. Pelo menos duas têm
potencial de provocar um abalo inédito no cenário político alemão, abrindo
caminho para a ultradireita conquistar seus primeiros governos estaduais na
história do pós-guerra.
O ciclo
será aberto em março, em Baden-Württemberg e na Renânia Palatinado, no oeste
alemão. Em setembro, será a vez da cidade-estado de Berlim. Neste trio, segundo
pesquisas, partidos tradicionais ainda devem conquistar a maior parte dos
votos.
Já nas
eleições de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt, no leste alemão,
em setembro, o quadro é bem mais promissor para o partido de ultradireita
Alternativa para a Alemanha (AfD), que defende uma feroz agenda anti-imigração
e é rotineiramente acusado de abrigar extremistas. Nos dois estados, a AfD tem
aparecido com entre 35% e 40% das intenções de voto.
Nos
últimos anos, a AfD, já vinha conquistando amplas fatias do eleitorado no leste
alemão, mas sempre se viu frustrada em assumir o poder diante de movimentações
de partidos rivais, que se uniram para formar governos de coalizão e manter a
legenda afastada do controle do Executivo.
No
entanto, o patamar de apoio registrado pela AfD nas pesquisas de
Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Saxônia-Anhalt indica que, desta vez, as
outras legendas podem não ter votos suficientes para formar coalizões rivais
viáveis, deixando a porta aberta para que a ultradireita assuma a liderança.
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Bangladesh: primeira eleição após revolução (fevereiro)
Eleitores
do oitavo país mais populoso do mundo vão às urnas em fevereiro para escolher o
primeiro governo democraticamente eleito desde a revolução da geração Z de
julho de 2024 que derrubou a autoritária premiê Sheikh Hasina, encerrando um
ciclo de poder de 15 anos.
Desde a
fuga de Hasina, o governo de Bangladesh vem sendo comandando interinamente pelo
economista Muhammad Yunus, que recebeu o Nobel da Paz em 2006.
Mas a
situação política em Bangladesh continua tensa. Em dezembro, o assassinato de
um líder estudantil que teve papel-chave na revolução levou a eclosão de novos
protestos.
Além de
eleger um novo governo, os eleitores do país de 171 milhões de habitantes,
também devem votar num referendo para uma nova Constituição. Entre os favoritos
para assumir o governo está o político Tarique Rahman, membro de uma
proeminente dinastia política e que retornou a Bangladesh após viver 17 anos no
exílio. Já o partido da ex-premiê Hasina foi barrado de disputar a eleição.
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Hungria: oposição tenta acabar com longevidade de Orbán (abril)
No
poder desde 2010, o premiê húngaro Viktor Orbán conseguiu se projetar como um
dos principais nomes da ultradireita mundial, estabelecendo um modelo
internacional de governo "iliberal" caracterizado por populismo e
enfraquecimento do Judiciário e da imprensa.
Controlando
o aparato político da Hungria, Orbán liderou com folga as três últimas
eleições.
Mas o
próximo pleito, marcado para abril, pode finalmente representar a mais séria
ameaça à sua longevidade. Com a economia em declínio e um governo marcado por
escândalos, Orbán tem visto a oposição ganhar terreno nas pesquisas para a
escolha do próximo Parlamento – e a posição de premiê.
Por
enquanto, a aliança partidária de Orbán, a Fidesz–KDNP, vem liderando. Mas a
legenda oposicionista Tisza, chefiada por Péter Magyar – um ex-aliado de Orbán
que rompeu com o premiê em 2024 –, tem
diminuído a diferença.
Orbán
tem respondido com isenções fiscais e pagamentos extras para aposentados, numa
tentativa de esvaziar a oposição.
A
importância do pleito vai além das fronteiras do país de 9,5 milhões de
habitantes, e a votação deve ser observada com atenção em Washington, Moscou e
Bruxelas. Uma eventual derrota de Orbán seria vista com alívio pela liderança
da União Europeia. Já a sua permanência significaria a continuidade no coração
do bloco de um governo alinhado tanto a Trump quanto a Rússia de Vladimir
Putin.
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Peru: eleição presidencial após anos de turbulência (12/04/2026)
Em
abril, os peruanos vão escolher um novo presidente, a nova composição dos 130
assentos da Câmara Federal e, pela primeira vez em 30 anos, um recém-recriado
Senado com 60 cadeiras.
Com 31
milhões de habitantes, o Peru é palco de instabilidade política há quase uma
década. No período, o país teve oito presidentes, e nenhum chefe de Estado
conseguiu chegar ao fim do mandato. Em 2025, o país ainda teve quatro
ex-mandatários presos ao mesmo tempo.
Em
2021, na última eleição, o enfraquecimento de parte do establishment envolvido
em acusações de corrupção abriu caminho para a eleição do populista Pedro
Castillo. Mas ele também não durou muito, sendo removido do cargo pela Câmara
em 2022, na esteira de uma tentativa de autogolpe.
Sua
sucessora, Dina Boluarte, chegou a figurar entre as líderes mais impopulares do
mundo, com 2% de aprovação, e acabou removida do cargo em outubro.
Para a
eleição presidencial de 2026, são esperados mais de 30 candidatos, em mais um
sinal de fragmentação política. Entre eles estão o prefeito de Lima, Rafael
Lopez Aliaga, o comediante Carlos Alvarez e Keiko Fujimori, veterana de outros
pleitos e filha do ex-ditador Alberto Fujimori.
Pesquisas
mostram pouco favoritismo, com Aliaga na liderança com apenas 13% das
intenções.
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Colômbia: eleição presidencial em meio à tensão com EUA (31/05)
Assim
como o Peru, a Colômbia vai às urnas para eleger um novo presidente e um novo
Congresso num cenário de tensão, mas no caso, externa.
O atual
presidente, Gustavo Petro, no poder desde 2022, não pode disputar a reeleição e
seu bloco de esquerda indicou o senador Iván Cepeda como candidato.
Nos
últimos meses, o país passou a temer uma ressurgência da violência política que
caracterizou a Colômbia nos anos 1990. O exemplo mais explícito foi o
assassinato do senador e pré-candidato presidencial Miguel Uribe Turbay em
junho.
Mas os
olhos estão especialmente voltados para o exterior. Petro tem sido alvo de
hostilidade por parte dos EUA desde o retorno de Donald Trump ao poder. O
mandatário americano chegou a proibir a entrada de Petro nos EUA e a afirmar,
sem provas, que o colombiano é "um traficante”.
Uma
pesquisa em novembro mostrou que 81% dos colombianos acreditam que o país
precisa ter boas relações com os EUA, algo que pode pesar no próximo pleito.
Também é esperado que Trump venha a interferir, assim como ocorreu em 2025 em
eleições na Argentina e Honduras.
Por
enquanto, pesquisas mostram que o campo de Petro permanece à frente. Na
sequência, aparecem o advogado Abelardo de la Espriella, que tenta se projetar
como um "Milei colombiano"; e Sergio Fajardo, centrista e ex-prefeito
de Medellín.
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Brasil: eleição testa força de Lula e rumo da extrema-direita pós-Bolsonaro
(04/12)
O
pleito presidencial brasileiro terá pela sétima uma vez um nome familiar: o
atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aos 80 anos, busca um quarto
mandato. Embora sua aprovação esteja bem distante dos recordes registrados no
final dos anos 2000, Lula tem aparecido como o candidato mais bem-posicionado
para vencer tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Se o
nome de Lula é certo nas urnas, o mesmo não pode se dizer sobre quem será o seu
principal adversário.
Por
enquanto, persiste uma indefinição no campo da direita, que não contará com o
ex-presidente Jair Bolsonaro, declarado inelegível e atrás das grades após
condenação por tentativa de golpe.
Filho
mais velho de Bolsonaro, o senador Flávio tumultuou recentemente o cenário ao
apresentar pré-candidatura, enquanto outros campos da direita se mostram
céticos, preferindo nomes como os governadores Tarcísio de Freitas (SP) ou
Ratinho Jr. (PR), entre outros. Por enquanto, não há um nome que aglutine todo
o espectro.
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Israel: 1º eleição após guerra e pleito crucial para Netanyahu (até o fim de
outubro)
Em
2026, os israelenses vão eleger um novo Parlamento e, consequentemente,
determinar o futuro político de Benjamin Netanyahu, o mais longevo chefe de
governo da história do país, que acumula 18 anos no poder em diferentes
períodos desde 1996. O pleito está previsto para outubro, mas pode ser
antecipado conforme a situação política.
Será a
primeira eleição desde a turbulência dos protestos em massa de 2023 contra a
reforma do Judiciário promovida por Netanyahu e também do início da guerra em
Gaza em outubro do mesmo ano.
Nos
últimos dois anos, Netanhayu acumulou uma série de sucessos militares contra o
Hamas em Gaza, o Hezbollah no Líbano, os houthis no Iêmen e o regime iraniano.
Mas a reação feroz em Gaza, que deixou dezenas de milhares de mortos, também
transformou Israel num pária em diversas regiões do mundo.
A
campanha eleitoral ainda deve reavivar acusações sobre falhas de inteligência e
falta de prontidão do governo antes da ofensiva terrorista do Hamas em 7 de
outubro de 2023.
Para
Netanyahu, que já declarou que pretende concorrer novamente, o pleito não é
apenas uma questão de sobrevivência política, mas também legal. No cargo, o
premiê tem sido capaz de se blindar desde 2020 contra um processo por suspeita
de corrupção e tráfico de influência.
Ele
também acumula alta reprovação, segundo pesquisas, mas, no que pode parecer um
paradoxo à primeira vista, Netanyahu e seu partido, o Likud, têm aparecido à
frente de legendas rivais para o pleito de 2026.
Boa
parte disso se deve, em grande parte, à fragmentação do cenário político local,
dividido em dezenas de partidos, e à incapacidade histórica de rivais formarem
coalizões capazes de destronar Netanyahu.
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EUA: eleições de meio de mandato definem viabilidade do governo Trump (03/11)
Após a
reviravolta política de 2024 que marcou o retorno de Donald Trump à Casa
Branca, os eleitores dos EUA voltam às urnas em 2026 para outro pleito encarado
como crucial tanto para o restante do mandato do presidente republicano quanto
para a oposição democrata.
Em
novembro, quando Trump estiver perto da marca de dois anos de governo, vão
ocorrer as "midterms", ou "eleições de meio de mandato".
No
pleito, estarão em disputa todos os 435 assentos na Câmara dos Representantes
(equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) e pouco mais de 30 das 100
cadeiras do Senado. Ou seja, estará em jogo o controle do Congresso, que hoje é
dominado pelos republicanos de Trump e que têm dado aval para todas as medidas
do presidente.
Historicamente,
as midterms são um termômetro da aprovação de um presidente. E governos mal
avaliados costumam penar: nas últimas quinze eleições do tipo, apenas duas
resultaram num aumento de cadeiras na Câmara para o partido governista da vez.
Uma derrota para Trump pode tanto enfraquecer seu governo quanto reenergizar os
democratas para o pleito presidencial de 2028.
Fonte:
DW Brasil

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