O
atual cenário na Venezuela
Na
madrugada do dia 03 de janeiro de 2026, os EUA lançaram uma operação de
decapitação contra o presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás
Maduro. Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram sequestrados e levados para
território estadunidense. Em coletiva de imprensa imediatamente seguida à
operação criminosa, o Ministro da Defesa da Venezuela, o General Vladimir
Padrino Lopez afirmou que os EUA alvejaram localidades estratégicas civis e
militares. Alguns dos alvos são: a base aérea Generalíssimo Francisco de
Miranda (base aérea La Carlota) localizada muito perto da região
metropolitana de Caracas; o aeroporto internacional Simón Bolivar (o principal
do país) localizado na província de La Guaira e Forte Tiúna, uma das principais
instalações militares do país também localizado próximo à capital, Caracas. No
total, segundo a nota oficial do governo venezuelano, além de Caracas e La
Guaira, os EUA também realizaram ataques em Miranda e Aragua. Há ainda muitas
especulações sobre o que possibilitou o ataque e sobre o que os EUA poderão
fazer em seguida. Uma coisa, porém, é certa: há precedente histórico na própria
América Latina para o acontecido.
Em
1990, coincidentemente, no mesmo dia, 03 de janeiro, os EUA submeteram a
capital do Panamá, Cidade do Panamá, a intensos bombardeios deixando vários
panamenhos mortos e feridos em um dos episódios mais sangrentos da história do
país. Após o ataque, o então presidente do Panamá, o general Manuel Antonio
Noriega, fora sequestrado, levado para os EUA e julgado sob acusações de
narcotráfico e de facilitar o trânsito de drogas utilizando as estruturas
burocráticas do país. Também é notório o caso de Salvador Allende, presidente
do Chile eleito em 1970, que em 1973 se recusou a deixar o cargo e permaneceu
no assento presidencial no Palacio de La Moneda, sede presidencial
do governo chileno, até ser alvo de brutais bombardeios pelas Forças Armadas
Chilenas no contexto de um golpe de estado também apoiado pelos EUA.
É
importante colocar o acontecido contra a República Bolivariana da Venezuela e
seu líder Nicolás Maduro em perspectiva com os casos de Manuel Noriega e
Salvador Allende para compreendermos o padrão que há na condução das relações
entre EUA e estados latino-americanos, onde operações de decapitação não
possuem ineditismo. Por outro lado, é também necessário entender a
particularidade da experiência venezuelana e onde ela se difere desses dois
outros casos. Com efeito, a Venezuela não é o Panamá e nem o Chile. O
presidente panamenho, Manuel Noriega, que era ele mesmo antigo colaborador dos
EUA e da CIA na região, foi quase que pego de surpresa pela operação, uma vez
que pouco tempo antes, em outubro do ano anterior (1989), tinha sido detido por
forças panamenhas com a intenção de entregá-lo para julgamento em Washington. O
então presidente George H. W. Bush recusou recebê-lo.
Já no
caso do Chile, Salvador Allende, socialista democrata e popular, já vinha
sofrendo constantes ameaças e boicotes de setores da burguesia, mas insistia em
uma transição gradual e pacífica para o socialismo. A tentativa de transição
não resistiu ao acúmulo das tensões. Manuel Noriega vinha de carreira militar e
tinha sido aliado dos EUA, não tinha apoio popular e foi sequestrado sem
resistência. Salvador Allende era popular, mas não tinha as forças armadas
alinhadas ao seu programa político, tampouco a população estava mobilizada a
ponto de fazer frente à ameaça militar dos golpistas apoiados pelos EUA.
A
situação na Venezuela é completamente diferente desses casos em ambos os
sentidos e parece superar dialeticamente as suas fraquezas. Diferentemente de
Noriega, o chavismo e seus líderes nunca foram alinhados a Washington. Pelo
contrário, desde a primeira eleição de Hugo Chavez e do nascimento da República
Bolivariana da Venezuela os EUA conspiram contra a política de autodeterminação
no país. Vale lembrar, por exemplo, que em 2002, durante o seu primeiro
mandato, Hugo Chávez sofreu um golpe de estado apoiado pelos EUA. Hugo Chavez
então é recolocado no poder após intensa mobilização popular que incluía o
baixo oficialato do exército. Hugo Chavez foi literalmente arrastado para fora
da prisão e o colocado de volta no assento presidencial. Diferente do que
aconteceu no Chile, na Venezuela, foi o povo organizado que se insurgiu contra
o golpe contra Hugo Chavez. Além disso, tal como assinalou o próprio Chavez em
entrevista a Breno Altman, a experiencia socialista venezuelana apesar de,
tal como a chilena, ser democrática e pacífica, ela é acima de tudo armada.
Manuel Noriega não tinha o povo, Salvador Allende o tinha, mas não tinha a
organização e nem as armas; o chavismo tem os três e, portanto, possui uma
capacidade de resistência superior à do Panamá e do Chile.
Por que
então não resistiram? Por que Nicolás Maduro foi capturado aparentemente tão
facilmente? Houve traição por parte do exército? Ainda estamos no calor dos
acontecimentos e há muita especulação sobre o que aconteceu. (Levanta-se até
mesmo hipóteses absurdas como a de que a Rússia teria entregado a Venezuela em
troca da Ucrânia (???)). Embora difícil, é necessário calma no momento. É
necessário se ater à história, aos conceitos e às evidências concretas para
construirmos análises com auxílio do cérebro e não do fígado.
Em
primeiro lugar, é possível que tenha havido traição? Possível é, porém,
improvável. Mais importante, é difícil afirmar peremptoriamente isso em uma
análise. As evidências disponíveis a partir da história e das tendências
políticas concretas não apontam para uma traição a partir do alto comando do
exército bolivariano visto que este é quase que cem porcento alinhado ao
projeto político bolivariano. Durante a tentativa de golpe de estado em 2002,
Vladimir Padrino López, por exemplo, então coronel do Batalhão de Infantaria
Simón Bolívar no Fuerte Tiuna, agora general e Ministro da Defesa, se recusou a
levantar-se contra o presidente deposto. Ele é um dos homens do núcleo de poder
da República Bolivariana. É mais provável que o que aconteceu ontem na Venezuela
seja resultado de uma operação de infiltração, uma vez que Donald Trump já
havia admitido antes que havia agentes estadunidenses realizando operações
encobertas no pais desde agosto do ano passado.
Em
segundo lugar, é uma conclusão precipitada e equivocada dizer que não houve
resistência, acredito que esse tipo de conclusão seja tirada principalmente
pelo grau de teatralidade que operações de decapitação em geral possuem. É
necessário, porém, analisar os seus efeitos concretos. Operações de decapitação
são comuns contra grupos não-alinhados, porém, elas só têm o efeito que tiveram
no Chile e no Panamá quando há um conjunto de outras condições favoráveis para
tal. Outros episódios de decapitação onde essas condições não se realizam,
mostram que essa operação por si só não é suficiente para desmontar a
resistência.
Em
2024, Israel e os EUA conduziram duas operações de decapitação no Oriente
Médio, uma contra o líder do Hesbollah, Hassan Nasrallah, e outra contra o
líder do grupo da resistência palestina (Hamas), Yahya Sinwar. O próprio Yahya
Sinwar, morto em 16 de outubro de 2024, já assumia a posição de líder do bureau
político do grupo após a morte do seu líder anterior, Ismail Haniyeh em 31 de
julho do mesmo ano. Israel e os EUA vêm conduzindo operações do tipo
basicamente desde a fundação dos dois grupos e ainda assim tanto a resistência
palestina quanto a libanesa permanecem de pé até hoje. Ademais, nem Israel
nem os EUA se limitam a conduzir operações do tipo, elas são mobilizadas em
conjunto com outras investidas, por exemplo, ações de estrangulamento financeiro. Portanto,
se essas operações causam algum tipo de enfraquecimento na resistência, ele é
apenas temporário, mas, me última análise, não permitem a Israel – e aos EUA –
alcançarem objetivos estratégicos nos conflitos. Mesmo com a morte de Hassan
Nasrallah e Yahya Sinwar, Israel nem mesmo consegue ocupar o sul do Líbano ou
erradicar a resistência palestina. Isso mostra que operações de decapitação não
são suficientes para erradicar a resistência política ou armada. Do contrário,
em determinados contextos, tal como mostra a experiência histórica, essas
operações colocam em movimento a cadeia de comando dos grupos políticos, os
líderes mortos são rapidamente substituídos e tornam-se mártires. Ademais, isso
também mostra de onde vêm a força política da resistência: não de uma figura
política particular, mas da organização da cadeia de comando e do apoio
popular da qual disfruta.
Operações
de decapitação, portanto, só funcionam para desestabilizar a resistência quando
esta já está desorganizada. A morte em si do líder não desorganiza a
resistência, o chavismo não foi desorganizado com a morte do Hugo Chávez,
tampouco, o será com a captura e eventual morte de Nicolás Maduro.
Ao
colocar a operação em contexto também é possível reformular a nossa perspectiva
sobre a linha do tempo do conflito. Assim como no caso da resistência palestina
e libanesa, a decapitação não é nem o começo nem o fim do conflito, ao
contrário do que parece ser o sentimento geral causado pela sua teatralidade. É
necessário colocar cada evento na perspectiva de uma linha temporal estendida.
No caso da Venezuela, por exemplo, como afirmou o professor de relações
internacionais Ricardo Leães, a agressão dos EUA já havia começado com o cerco
naval ao país. Poderíamos, inclusive,
voltar para bem antes disso, Nicolás Maduro já havia antes sofrido algumas
tentativas de assassinato e captura em 2018 e em 2020. Se, portanto, a
mobilização das frotas navais já revela uma vontade da potência beligerante em
escalar tensões e ameaças, a operação contra Nicolás Maduro é apenas mais um
ataque no conjunto dessa escalada, não é uma declaração de guerra em si. A
diferença é que agora o agressor conseguiu resultados na sua escalada.
Essa
linha do tempo estendida também mostra as falhas táticas do governo
venezuelano. Se a guerra começa com expressão do desejo de intensificar as
tensões, a resposta não deveria vir depois da escalada evoluir, mas sim quando
ela se inicia. O exército venezuelano já deveria ter se lançado em operações de
guerra assimétrica, sabotagens, etc. Nicolás Maduro, porém, optou por resolver
a escalada por vias diplomáticas pacíficas com o objetivo de evitar o
inevitável. A Venezuela assim incorre em um erro similar ao que o Irã incorrera
no ano passado no contexto da escalada do conflito com Israel. Antes mesmo do
começo do conflito, em 2024, Israel já havia atacado a sede diplomática do Irã
em Damasco, revelando sua intenção de escalonar o conflito. Mesmo assim,
durante todo o período de tensionamento, o Irã estava resoluto em apelar para o
direito internacional, focando em uma doutrina de reação. O que se sucedeu foi
que nenhuma dessas soluções pacíficas serviu para conter Israel, o ataque que
era iminente por fim aconteceu e a defesa iraniana foi pega de surpresa. Caso o
Irã ou a Venezuela tivessem dado o primeiro “golpe” ambos teriam adentrado o
conflito em vantagem e, ademais, respaldados pelo direito internacional, pois
em ambos os contextos, a potência beligerante adversária já havia revelado sua
intenção de elevar as tensões. Já havia, portanto, uma ameaça pública.
A
operação de decapitação tampouco é o fim do conflito. Nicolás Maduro foi
capturado, mas o centro de comando da república bolivariana permanece intacto e
de prontidão. O General em Chefe Padrino López colocou as forças armadas
em estado de alerta máximo, a presidente em exercício Delcy Rodriguez em nota
oficial decretou a vigência da Lei Orgânica de Estado de Exceção e da Lei de
Segurança Nacional. O Governador da província de Táchira – assim como
outros – Freddy Bernal, já se manifestou em total apoio à ordem constitucional
vigente e o povo venezuelano está amplamente mobilizado. O que vemos agora é o início tardio da reação
venezuelana. É o início da participação ativa da resistência no conflito que,
infelizmente, parece ainda estar em pleno desenvolvimento.
¨
Venezuela: Resistência ao ataque brutal. Por Carla
Ferreira
O bombardeio aéreo do
governo Donald Trump, dos EUA, na
madrugada deste 3 de janeiro de 2026, ao território venezuelano, para
sequestrar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, a fim de
forçar pelas armas uma mudança de regime, viola a soberania da América Latina e
tem um profundo significado para o Brasil e o mundo. A intervenção armada, e
também a reação venezuelana em curso, marcam uma inflexão
nas relações internacionais em escala mundial. O governo bolivariano segue de
pé. Antes de tudo, o ataque militar na Venezuela marca uma nova etapa da guerra
imperialista de intervenção e espoliação da América Latina sob o Corolário
Trump. A guerra híbrida que se prolongava há mais de 25 anos culminou nessa
madrugada em uma ação militar direta e sem máscaras.
Consiste em uma tentativa de derrubar o projeto de independência política do
povo venezuelano e representa um recado aos demais povos e governos da região
de que devem se manter subordinados e dependentes de Washington pela via do terror,
do medo, da instabilidade institucional promovida pelos Estados Unidos. Os
alvos dos bombardeios explicitam uma tática precisa de atingir a unidade
cívico-militar, principal base de sustentação do governo bolivariano.
O
objetivo estratégico não está oculto. O establishment estadunidense
quer atingir dois objetivos com um único movimento. Por um lado, eliminar um
governo independente que dá exemplo de resistência ao imperialismo na região
para apropriar-se diretamente das riquezas
naturais e energéticas venezuelanas, especialmente das maiores reservas provadas
de petróleo do mundo. Por
outro, quer impedir que a China, país eleito rival hegemônico, importe esse
importante combustível e fonte de energia para o desenvolvimento, sendo que o
país asiático é o destino de 80% das exportações venezuelanas. Vejamos como a
tática dos bombardeios desse dia 3 de janeiro revelam a estratégia
estadunidense. Alguns dos locais foram o Forte Tiúna e a base aérea de La
Carlota, o Comando-Geral da Milícia Bolivariana (ao lado do Quartel da
Montanha) e o Porto de La Guaira. Esses lugares representam uma mensagem muito
clara: atingir simultaneamente as bases de sustentação civil e militar do
governo bolivariano da Venezuela e afetar, indiretamente, a China.
Em
primeiro lugar os alvos das Forças Armadas. Os bombardeios atingiram o
Forte Tiúna e a Base Aérea de La Carlota. O Forte Tiúna, principal e mais
importante instalação militar da Venezuela, localizado em Caracas, sede do
Ministério da Defesa, do Comando Estratégico Operacional da Força Armada, da
Academia e a Universidade Militar Bolivariana, o Batalhão Ayala, a Corte
Marcial e os tribunais militares. Atacar esse alvo significa que os EUA
ativaram um plano para derrubar o principal centro de decisão militar
estratégica do governo venezuelano. A Base Aérea de La Carlota, localizada no
coração de Caracas, é um aeroporto militar e centro logístico de comando para
operações para a proteção da Capital do país. É ponto de entrada e saída de
equipamentos e tropas para a defesa do centro político, sendo também importante
instalação de defesa da Capital. Com isso, os ataques vulnerabilizam duas das
principais instalações militares da capital venezuelana.
Em
segundo lugar, o Comando Geral da Milícia Bolivariana é a sede da resistência
civil armada. Responsável pela defesa territorial em união cívico-militar,
mobilizando a população civil em apoio às FAN regulares. A Milícia bolivariana
tem mais de 4 milhões de alistados, podendo esse contingente ser duplicado, com
formação em técnicas de guerra assimétrica. Sua sede fica a poucos metros
do Quartel da Montanha, ou Quartel do 4F, lugar histórico para a Revolução
Bolivariana. Foi de lá que Hugo Chávez liderou uma rebelião contra o
neoliberalismo, em 4 de fevereiro de 1992. Localizado no seio da mais
tradicional e uma das mais populosas comunidades ou favelas caraquenhas, o
complexo 23 de Janeiro, é o local que abriga os restos mortais do líder Hugo
Chávez. Com vista frontal, está posicionado a menos de dois quilômetros do centro
do poder político nacional venezuelano, o Palácio Presidencial de Miraflores.
Esse lugar é um dos principais espaços simbólicos da resistência do povo
venezuelano e também um dos pilares de sustentação popular ao governo
bolivariano, abrigando população trabalhadora da Capital. Junto com os
militares leais, os civis populares reverteram o golpe de estado consumado em
11 de abril de 2002.
Finalmente,
em terceiro lugar destaco o bombardeio do Porto de La
Guaira, distante apenas 31 quilômetros da Capital e localizado nas adjacências
do principal aeroporto do país, o Aeroporto Internacional de Maiquetía. La
Guaira não é o principal porto de exportação de petróleo. Sua função principal
é abastecer com suprimentos médicos, bens de consumo e manufaturados a capital
venezuelana. Bombardear o Porto de La Guaira significa um recrudescimento ao
bloqueio comercial e neutralização de uma fonte de abastecimento da Capital do
país, que concentra o poder político, militar e social venezuelano. É um sinal
que preparam condições para um asfixiamento posterior e prolongado, dando
continuidade ao bloqueio e cerco que já estava em vigor, mas com maior
violência.
Em
pesquisas anteriores encontrei evidências históricas de que o governo
bolivariano da Venezuela tem como pilar fundamental a unidade cívico-militar,
representada sobretudo pelo subproletariado urbano e pelos militares
bolivarianos. O ataque militar estadunidense desta madrugada atinge o coração
das forças mais fundamentais de sustentação tanto civis quanto militares do
governo venezuelano. É, portanto, uma tentativa armada aberta de derrubada do
regime bolivariano. Mas o governo não caiu. Segue com apoio interno e externo.
O presidente Maduro e sua esposa, Cília Flores, foram sequestrados e estão a
caminho dos EUA. Segundo o general Dan Caine, chefe do Estado Maior
estadunidense, estão sendo levados de navio para serem “julgados” por
“narcoterrorismo” nos EUA, um crime não tipificado no Direito Internacional e
uma flagrante ilegalidade, além de um ato brutal e imoral de violação de
direitos humanos e da soberania venezuelana.
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Resistência de militares e do povo
A
reação e resistência venezuelana também deve ser analisada em seu significado
histórico já nessas primeiras horas. Militares leais e o povo estão se
mobilizando em todas as partes do país. A liderança da resistência está sendo
protagonizada politicamente por uma mulher, a vice-presidenta Delcy Rodríguez,
uma mulher socialista. E pelo ministro do Interior, Justiça e Paz, Diosdado
Cabello, que lidera as forças militares leais. A rede Telesur de televisão
transmite os manifestos de apoio popular e militar e o pedido das ruas de
devolução e regresso de Maduro e Cília ao país. É bom lembrar que o povo
venezuelano protagonizou a guerra de independência no início do século 19.
Entregou enorme sacrifício à causa da libertação da América e venceu. E
derrotou também inúmeras tentativas de golpe de Estado. Porém, um ataque
militar desta magnitude é uma novidade em mais de 100 anos de história do país.
Essa violência imperialista pode representar uma inflexão histórica em toda a
região. O ataque está provocando um rechaço imediato de governos de diversos
países e movimentos sociais ao redor do mundo. Todos repudiando os ataques e
denunciando sua ilegalidade, que fere o direito internacional, e são atos
brutais e imorais. O presidente Lula, a presidenta
Claudia Sheinbaum, do México, e o presidente Gustavo Petro, da Colômbia,
lideram como presidentes de países latino-americanos um forte repúdio, junto
com Cuba. O presidente Emmanual Macron declarou que o sequestro do presidente
Maduro viola a legislação internacional. O primeiro-ministro espanhol, Pedro
Sánchez, diz que a violação do direito internacional por parte dos EUA é
inaceitável. O MST convocou manifestações de apoio ao
povo venezuelano no Brasil. É momento de todos e todas defendermos a soberania
do povo venezuelano e rejeitarmos firmemente a intervenção imperialista na
América Latina.
Fonte:
Por Matheus Colares do Nascimento, em A Terra é Redonda/Outras Palavras

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