segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Na Serra Catarinense, duas irmãs vivem sozinhas em um sítio produtivo, sustentadas por horta orgânica

As irmãs de 72 e 73 anos vivem sozinhas em uma rotina de trabalho rural que combina produção de alimentos e uma agenda de venda fixa, com feira uma vez por semana. O registro foi feito na localidade de Tencílio Costa, na Serra Catarinense, onde a horta se espalha ao redor da casa.

Além da produção, elas descrevem autocuidado baseado em plantas medicinais e afirmam que não tomam “remédio fora”, mantendo um suco verde diário. A história também traz a trajetória de uma delas como professora por 28 anos antes do retorno definitivo ao sítio.

<><> O que sustenta as irmãs de 72 e 73 anos vivem sozinhas no interior

A sustentabilidade descrita no relato aparece como prática cotidiana: tirar o sustento da terra, reduzir compras e manter comida e renda com o que sai da horta e da lavoura.

A horta funciona como estoque vivo, com colheita contínua e oferta variada.

Entre os itens citados para levar à feira estão couve, beterraba, vagem, figo e milho verde, com variação conforme a semana.

O leite entra como peça central dessa economia doméstica: elas tiram leite e levam para a feira, citando preparo de queijinho e bolinho de coalhada como forma de aproveitar a produção.

<><> Feira semanal: compromisso fixo e a pressão do calendário rural

A feira aparece como rotina rígida.

Quando perguntadas sobre frequência, as irmãs afirmam que fazem feira uma vez por semana e que sempre há algo para levar.

Essa regularidade obriga a horta a entregar em ciclos curtos.

A produção vira agenda, porque o que está pronto define o que vai para a banca e o que fica para consumo e reaproveitamento.

A lógica também funciona como controle de perdas: o que não sai na feira pode retornar para a cozinha ou ser transformado, como ocorre com receitas e derivados do leite citados no sítio.

<><> Plantas medicinais e a escolha por não usar remédios industriais

O ponto mais marcante do relato é a relação com saúde.

As irmãs afirmam que fazem o próprio remédio e que não tomam “remédio fora”, descrevendo preparo caseiro e uma rotina diária de suco verde pela manhã.

No exemplo citado, aparece o uso de sabugueiro combinado com outros ingredientes no suco, associado a cuidados cotidianos, incluindo menção a diabetes.

Para elas, plantas medicinais não são complemento, são método. A fala conecta alimento e tratamento ao afirmar que a terra dá comida e “remédio”.

<><> Manejo da horta: adubo, descarte e a regra de não queimar

O manejo descrito inclui reaproveitamento de resíduos para adubo e a decisão explícita de não usar fogo, sem queimar material orgânico no sítio.

Há também crítica direta ao veneno.

A entrevistada afirma que evita veneno na horta e busca manter pelo menos “80%” de comida mais natural no prato.

O custo desse caminho aparece no esforço físico: o relato cita capina difícil e a necessidade de ferramenta afiada para segurar o mato bem embaixo, descrevendo o trabalho como contínuo.

O que se planta e o que se cria no sítio

A diversidade não se limita às verduras.

O relato menciona itens como batata doce, moranga e marcela, reforçando a variedade de colheita e uso.

Na criação, aparecem quatro vacas dando leite e aves para produção de ovos, além de referências a porcos e terneiros como parte da rotina do sítio.

<><> Biografia: professora por 28 anos e retorno ao campo

A entrevistada se apresenta como professora do primário e relata ter dado aula por 28 anos, muitas vezes no interior, com experiência de horta em escolas para apoiar a merenda.

Ela afirma que nasceu ali, saiu para trabalhar em municípios próximos e voltou para morar com a irmã, destacando que a irmã “nunca saiu daqui”.

Esse pano de fundo ajuda a explicar por que as irmãs de 72 e 73 anos vivem sozinhas e mantêm a operação do sítio concentrada nas duas, mesmo com apoio pontual de familiares que moram fora.

<><> O ponto de tensão: medo de isolamento e pedido de valorização

Mesmo com autonomia produtiva, o relato expõe vulnerabilidade.

A entrevistada afirma ter medo de ficar sozinha e pede que as pessoas valorizem o trabalho e não deixem as duas isoladas.

O pedido aparece junto de preocupação ambiental: ela menciona plantação de soja no entorno e diz temer a poluição associada ao veneno, apontando risco para a horta e para a saúde.

A história mostra que a autonomia das irmãs de 72 e 73 anos vivem sozinhas se apoia em quatro pilares, horta, feira, leite e plantas medicinais.

Funciona, mas exige esforço diário e não elimina o risco de isolamento quando a rede social ao redor enfraquece.

Se você mora perto de produtores idosos, uma atitude realista é comprar na feira, oferecer ajuda logística e fortalecer a horta como trabalho e como alimento.

 

Fonte: Clicpetroleoegas

 

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