Por
que suas resoluções de Ano Novo falham? A ciência explica e oferece 8 soluções
Quer
uma coisa que nunca falta no início de cada novo ano? Resoluções de Ano Novo.
Mas boas intenções sem o acompanhamento adequado são a razão pela qual muitos
de nós não conseguimos cumprir nossos desejos de réveillon por meses (ou mesmo
semanas) depois de fazê-las.
Existem
alguns erros nesse processo que podem ser comumente evitados — como não
escolher hábitos que se alinham com os objetivos de cada um ou ser impaciente
diante do tempo que leva para desenvolver um hábito. Esses fatores explicam por
que algumas pessoas parecem sempre atingir seus objetivos, enquanto outras
continuam falhando.
A
seguir, National Geographic indica como formar hábitos que facilitam quem quer
atingir seus objetivos em 2026 – e além.
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Como escolher os hábitos certos?
O
primeiro objetivo deve ser escolher os novos hábitos certos para começar. “A
escolha desses hábitos é fundamental, porque se você não escolher aquele que é
o mais correto para o seu perfil, provavelmente não conseguirá atingir a meta
correspondente”, afirma BJ Fogg, diretor do Laboratório de Design
Comportamental da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e autor do
livro “Tiny Habits” ("Pequenos Hábitos").
Ele diz
que um erro comum que muitas pessoas cometem é não focar-se nos hábitos que
estejam alinhados aos seus próprios objetivos. “Digamos que você queira perder
peso, por exemplo, no ano que entra”, diz ele. “Criar o hábito de correr 30
minutos por dia pode não ajudar você a conseguir isso se a pessoa também não
criar hábitos relacionados aos alimentos que ingere, porque a dieta afeta o
peso mais do que os exercícios.”
Em
outras palavras, se você promete se exercitar como forma de perder peso, também
deve reajustar sua dieta. Não estabelecer hábitos que estejam alinhados com
seus objetivos pode fazer com que suas resoluções fracassem antes mesmo de
começar.
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Quanto tempo leva para novos hábitos se enraizarem?
Isso às
vezes ocorre porque “somos melhores em nomear os sentimentos e resultados
desejados do que em identificar as ações que precisamos realizar para
alcançá-los”, explica Christine Whelan, professora clínica e cientista do
consumidor na Escola de Ecologia Humana da Universidade de Wisconsin – Madison,
nos Estados Unidos.
Outro
erro comum que as pessoas cometem ao definir metas é se preocupar
excessivamente com o tempo que levará para formar um novo hábito. Embora
existam muitas respostas, incluindo a popular regra 21/90 (que afirma que são
necessários 21 dias para formar um novo hábito e 90 dias para torná-lo uma
mudança permanente no estilo de vida) ou a pesquisa que mostra que a formação
de hábitos leva entre 18 e 254 dias, o tempo que leva não deve ser nossa
principal preocupação.
Katherine
Milkman, professora da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, também
nos Estados Unidos, e autora de “How to Change: The Science of Getting from
Where You are to Where You Want to Be” (“Como Mudar: A Ciência de Chegar de
Onde Você Está Para Onde Você Quer Estar”), diz que não há uma resposta certa
quando se trata de quanto tempo leva para formar novos hábitos.
Ela é
coautora da pesquisa mais recente sobre o tema e afirma que “a resposta depende
do hábito que você está tentando desenvolver e de quem você é”. Ela explica que
algumas pessoas simplesmente adotam novos hábitos mais rapidamente do que
outras e que hábitos complexos geralmente levam mais tempo para serem formados.
Considere como é fácil escovar os dentes à noite em comparação com ler um
capítulo inteiro de um livro todos os dias, por exemplo.
Fogg
compartilha uma visão semelhante e adverte contra a obsessão pelo tempo que
leva para formar novos hábitos, pois isso pode distrair dos comportamentos e
atitudes necessários para que os hábitos se consolidem. Ele diz que se
preocupar com parâmetros de tempo não é muito diferente de se perguntar quanto
tempo levará para comprar os ingredientes para uma refeição desejada.
“No
final das contas, os ingredientes que você reúne são muito mais importantes do
que o tempo que levará para comprar tudo na loja”, diz ele.
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Formar bons hábitos x quebrar os maus
Também
é importante observar que formar bons hábitos pode ser bem diferente das etapas
necessárias para quebrar os maus.
“Os
bons hábitos nos mantêm no caminho certo com comportamentos que são benéficos
para nós, e os maus hábitos podem atrapalhar esses comportamentos”, diz
Benjamin Gardner, psicólogo e co-diretor do Grupo de Pesquisa em Aplicação e
Teoria de Hábitos da Universidade de Surrey, no Reino Unido.
Os
hábitos ruins também são mais fáceis de se formar, pois geralmente são mais
gratificantes ou prazerosos do que os bons. Comportamentos como fumar, por
exemplo, levam o cérebro a liberar substâncias químicas que proporcionam
bem-estar, como a dopamina.
Com o
tempo, a dopamina cria um vício que leva à repetição do comportamento, mesmo
quando sabemos que não é bom para nós, de acordo com uma pesquisa do Instituto
Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Essa conexão pode ser tão forte que os
hábitos relacionados ao uso de drogas ou álcool muitas vezes requerem a ajuda e
a supervisão de profissionais treinados para serem quebrados.
A boa
notícia é que os maus hábitos podem ser abandonados e os hormônios da
felicidade também podem ser ativados por bons comportamentos. “Abandonar maus
hábitos pode ser um processo complexo que varia de hábito para hábito, mas
formar novos hábitos é bastante simples”, diz Fogg.
Como
manter de vez os objetivos propostos nas resoluções de Ano Novo
Embora
nem todos os psicólogos comportamentais ofereçam conselhos idênticos, estas
oito práticas fundamentais foram comprovadas tanto em pesquisas quanto na
aplicação cotidiana:
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1. Divida os grandes hábitos em partes menores
Da
mesma forma que escolher o hábito certo, é importante começar aos poucos. “Em
vez de dizer ‘Vou aprender espanhol este ano’”, diz Milkman, “diga ‘Vou dedicar
15 minutos por dia para estudar’”. Ela aponta para pesquisas que mostram que,
quando nossas metas são pequenas, progredimos muito mais do que quando tentamos
realizar algo grande de uma só vez.
“Você
precisa tornar o hábito fácil o suficiente para não se sentir sobrecarregado e
conseguir mantê-lo a longo prazo”, diz Fogg.
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2. Anote seus objetivos
“Se
você está decidido a mudar, anote seus objetivos”, sugere Whelan. Ela diz que
anotar seus objetivos é um passo importante para identificá-los e ter clareza
sobre como você deseja alcançá-los. “Ao anotar as coisas e estabelecer um plano
para atingir seus objetivos, você pode transformar um sonho vago em um plano
passo a passo”, diz ela.
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3. Incorpore a responsabilidade
Depois
de cristalizar o que você deseja alcançar e decidir quais hábitos precisará
formar para chegar lá, é importante incorporar alguma responsabilidade.
“Divulgar publicamente seu compromisso com a mudança aumenta suas chances de
sucesso, porque todos nós odiamos passar vergonha”, diz Whelan. E se você não
quiser anunciar suas intenções para muitas pessoas, estudos mostram que
encontrar um amigo que compartilhe seus objetivos também ajuda na
responsabilidade.
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4. Estabeleça limites claros
Há uma
razão pela qual o Alcoólicos Anônimos diz aos alcoólatras em recuperação para
não se permitirem nem mesmo um único drinque: isso porque, muitas vezes, a área
cinzenta do que fazer ou não fica muito bastante confusa.
“O
autocontrole é mais fácil quando temos linhas claras e bem definidas que
delineiam o que podemos e não podemos fazer”, sugere Whelan. Isso significa
que, se os mesmos doces continuam impedindo você de atingir seus objetivos de
controle de peso, cortá-los completamente da sua dieta pode ser a maneira mais
rápida de alcançar seu objetivo.
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5. Redesenhe seu ambiente
Essa é
uma das razões pelas quais é importante garantir que o ambiente ao seu redor
também corresponda aos seus objetivos. “Se você tem o objetivo de não comer
certos alimentos, não os mantenha em casa para não ficar tentado
constantemente”, sugere Fogg.
Da
mesma forma, “se você tem um ambiente em casa que facilita a prática de
exercícios, provavelmente vai se exercitar mais”. O objetivo de redesenhar seu
entorno, diz ele, é “fazer os comportamentos indesejados difíceis de praticar e
os comportamentos positivos fáceis”.
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6. Crie oportunidades para repetir o novo comportamento
Outro
componente do redesenho do seu ambiente é criar oportunidades para praticar a
nova atividade repetidamente. Uma das razões pelas quais lavar as mãos é um
hábito tão fácil de adquirir é que você tem oportunidades de fazê-lo com
frequência.
É por
isso que pode ser útil manter um livro por perto se o seu objetivo for ler mais
ou definir um alarme no celular para lembrá-lo de quando é hora de se levantar
e se movimentar, se o seu objetivo for ser menos sedentário. “A repetição é
fundamental para a formação de hábitos”, diz Milkman.
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7. Comemore tanto os esforços quanto os sucessos
Por
mais importante que seja a repetição, Fogg afirma que tornar os novos
comportamentos uma experiência positiva é ainda mais importante.
“As
emoções formam hábitos”, diz ele. Ele explica que, muitas vezes, esperamos até
subir na balança para medir nosso progresso. Em vez disso, incentive a si mesmo
desde o início. Fogg sugere dizer a si mesmo que seu novo comportamento está
levando você mais perto de seus objetivos e que é bom fazê-lo.
Whelan
acrescenta que a pessoa não deve esperar cruzar a linha de chegada para se
parabenizar. “Comemore até mesmo as pequenas vitórias ao longo do caminho”,
sugere ela. Isso pode significar simplesmente reconhecer que você começou mais
rápido ou com uma atitude melhor do que da última vez. “Se você conseguir
sentir uma emoção positiva ao comemorar seus esforços, terá mais chances de
mantê-los a longo prazo”, diz Fogg.
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8. Torne os hábitos agradáveis
Também
é essencial escolher hábitos que você sabe que vai gostar ou tornar mais
agradáveis os comportamentos que você não sente muito prazer em fazê-lo.
“O
indivíduo não deve temer uma dieta”, diz Fogg, “e não precisará temê-la se
encontrar muitos lanches saudáveis para guardar na geladeira ou na despensa que
você sabe que vai gostar”. Tornar um hábito mais agradável também pode
significar praticá-lo com um amigo ou ouvir música ou um podcast que adora
enquanto se dedica à atividade.
Milkman
diz que isso é chamado de “construção de tentação” — uma técnica que envolve
combinar uma atividade que você sabe que gosta com outra pela qual talvez tenha
menos apreço. “Se você odeia exercícios, tente permitir-se assistir aos seus
programas de TV favoritos enquanto os pratica”, sugere ela. “O segredo é ativar
o centro de recompensa do cérebro fazendo algo que torne o novo hábito
agradável para você”, acrescenta Fogg.
Ele
enfatiza que tais técnicas provavelmente não são necessárias por longos
períodos e que, uma vez que seu cérebro tenha uma associação positiva com os
novos comportamentos, ele os recompensará e lembrará você de repeti-los várias
vezes.
Whelan
concorda que, se um comportamento é agradável e contínuo, ele se tornará
automático e, eventualmente, exigirá menos força de vontade. “É aí que você
pode entrar no piloto automático, o que permite que você concentre sua energia
mental em outras coisas.”
Fonte:
National Geographic Brasil

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