Aaron
Benanav: Possíveis futuros do socialismo
Quais
conclusões devem ser tiradas da longa história do socialismo? Primeiro, a luta
por uma ordem econômica governada por objetivos mais amplos do que apenas a
busca pelo lucro, tão incansavelmente reimaginada de Thomas More à Étienne
Cabet e à William Morris, só pode ser bem-sucedida se for capaz de compreender
toda a complexidade das sociedades capitalistas contemporâneas. Karl Marx
pensou tardiamente sobre esse problema, mas (…) não deu atenção suficiente aos
problemas da transição para um sistema econômico pós-capitalista, especialmente
no que diz respeito ao investimento. Ao enfrentar esse problema, nas condições
de isolamento, atraso e ameaça externa permanente, os planejadores soviéticos
inventaram o modelo de economia de comando que fosse capaz de produzir um
desenvolvimento industrial moderno. Os avanços extraordinários obtidos na
elevação da capacidade produtiva tiveram um alto custo; eis que implicaram na
renúncia às variações locais de investimento, ao conhecimento existente
localmente e à flexibilidade e autonomia importantes nas atividades cotidianas,
ou seja, às funções que o mercado poderia desempenhar na condição de servo –
não na de mestre.
Como
Otto Neurath viu bem já no começo do século XX, o plano centralizado, comandado
por uma estrutura partidária hierárquica, nunca poderia atender adequadamente
“à necessidade de coexistência de diferentes formas de vida e de organização
social e econômica”. Pois, isso exigiria uma decisão democrática e assim também
(…) novas formas de educação econômica. Otto Neurath tentou resolver esse
problema com um projeto original de economia socialista na Viena Vermelha.
Como
John Maynard Keynes bem compreendeu, ao remodelar a produção econômica para
atender a múltiplas necessidades sociais, com o fim de socializar adequadamente
o investimento, uma arquitetura institucional própria é requerida. Contudo, (…)
essa arquitetura precisaria ser muito mais transparente, responsiva e
descentralizada do que aquela que pode ser pensada nas condições da Era
Beveridge; ademais, ela precisaria se assentar sobre uma base de dados
digitais, disponível computacional e comunicativamente, numa escala tão grande
que nem mesmo Otto Neurath poderia ter imaginado. Por fim, para construí-la,
seria necessário reconfigurar radicalmente as relações produtivas ao nível
empresarial; seria preciso, ademais, reinventar o próprio caráter do dinheiro
com a finalidade de separar as suas funções de investimento, troca e consumo.
Para
projetar tal sistema, deve-se primeiro esclarecer a lógica social sobre a qual
ele tem de ser basear – apenas um tratamento novo das metas pode servir de base
para um socialismo do século XXI. No capitalismo, como se sabe, as empresas
operam sob um regime de otimização de um critério único: elas são estruturadas
para maximizar o lucro. As alternativas de ampliação da produção que surgem têm
de ser classificadas de acordo com essa escala única [regrada pelo lucro]. Dois
investimentos que geram a mesma taxa de retorno ajustada por suas taxas de
risco são, dentro desse quadro, avaliados exatamente como equivalentes –
independentemente de suas consequências sociais, ecológicas ou morais. Essa
lógica, mesmo se tem consequências destrutivas, simplifica radicalmente a
tomada de decisão. O lucro no capitalismo torna-se assim a medida predominante
no processo de avaliação do investimento; toda outra consideração é tratada
como um meio para a realização desse fim ou, na melhor das hipóteses, como uma
restrição a ser gerenciada. É essa estrutura que permite ao capitalismo
funcionar com uma coerência clara e impessoal.
Nos
sistemas socialistas de Estado, substituiu-se o objetivo do lucro pelo objetivo
do crescimento da produção física, mas se manteve um modelo de otimização
restrita, unidimensional. Os planejadores buscavam maximizar a produção total a
partir dos insumos disponíveis, medindo o sucesso em toneladas de carvão ou
quilowatt-hora de eletricidade. Tal como no capitalismo, cada decisão era
avaliada de acordo com sua contribuição para esse único e dominante objetivo.
Outros fins possíveis – como equilíbrio ecológico ou a qualidade do trabalho –
eram muitas vezes reprimidos, assim como as pessoas que os defendiam. Em ambos
os sistemas antes mencionados, a coordenação econômica está ou esteve
construída não para navegar entre fins concorrentes, mas para maximizar um
único objetivo.
Uma
abordagem multicriterial exige uma mudança fundamental na forma como as
decisões econômicas são tomadas. E isso não é uma questão de ideologia ou de
psicologia social; trata-se de uma questão de lógica. Um sistema organizado
para alcançar múltiplos fins incorporaria objetivos como segurança econômica,
sustentabilidade, autonomia das pessoas, beleza estética e conexão social; ele
não trataria essas metas como restrições ou apenas de modo instrumental, mas as
consideraria como intrinsecamente valiosas. Note-se agora que esses objetivos
são incomensuráveis entre si: eles não podem ser comensurados por meio de
apenas uma unidade de medida. Eles também não são compensatórios: ganhos em um
domínio não podem compensar totalmente as perdas em outro. Uma nova sociedade
teria de buscar tais objetivos diretamente – ela teria de ser capaz de
desbloquear um vasto reservatório de conhecimento prático, o qual, atualmente,
encontra-se aprisionado em corporações que se orientam exclusivamente pela
lucratividade.
Os
operadores e os engenheiros das empresas do futuro, livres das exigências do
retorno financeiro, poderiam redesenhar os processos produtivos para apoiar a
regeneração ecológica de longo prazo, melhorar a qualidade e o significado do
trabalho e desenvolver infraestruturas que sustentem o cuidado e a conexão
social. A atividade de coordenação não ficaria restrita à maximizar um objetivo
determinado às custas dos outros, mas teria de aprender a manter muitos
objetivos – sociais e ecológicos – em paralelo. No entanto, a busca por
múltiplos objetivos não elimina o problema da limitação de recursos. Mesmo com
enorme capacidade produtiva, as operações se dão e se darão dentro de uma base
de recursos finita. Portanto, as concessões serão inevitáveis. Alguns objetivos
precisarão ser parcialmente sacrificados para sustentar outros; ademais, como
as perdas não são totalmente compensáveis, não há solução ótima no sentido
usual. Em vez disso, a tomada de decisão deve ser entendida como um processo
compositivo: consistirá em selecionar maneiras específicas de integrar
múltiplos objetivos, de tal modo que cada composição possível reflita uma
maneira diferente de lidar com as alternativas substitutivas (trade-offs)
inevitáveis entre objetivos intrinsecamente valiosos como tais.
A
contribuição deste estudo consiste em mostrar como se resolve o problema da
composição de objetivos, encarado este como a tarefa central da coordenação
econômica. Em contraste com sistemas que priorizam um único objetivo e assumem
que os demais ficam subordinados, uma economia multicriterial persegue
múltiplos objetivos diretamente. E o faz de uma forma que exige escolher entre
futuros que são restritivos e, em muitos casos, mutuamente exclusivos. Por
exemplo, uma sociedade construída em torno de cidades densas e infraestrutura
compartilhada é muito diferente de uma sociedade construída por meio de
vilarejos ecológicos descentralizados.
Uma
economia organizada com base na automação generalizada em que o trabalho se
torna mínimo gera um tipo de vida diferente da economia atual, que está baseada
em habilidades, ofícios e grande envolvimento humano na produção. Não se têm
aqui, simplesmente, variações de ênfase. Têm-se maneiras distintas de compor os
objetivos para formar uma sociedade civilizada. Em um mundo de restrições e
incompatibilidades, não se pode perseguir todos os valores ao mesmo tempo ou
cada um de forma mais plena o possível. Pode-se, no entanto, persegui-los em
arranjos específicos, onde cada objetivo fica presente mantendo um dado
equilíbrio específico com os outros. Essa estrutura pode ser formalizada como
um problema de otimização multicritério, mas de um tipo particular. Como se
pode ver na discussão sobre o projeto socialista de Otto Neurath e nos debates
sobre o planejamento econômico, é preciso começar não com escalas de valores
fixos, mas com o reconhecimento de que há incerteza na avaliação dos objetivos
econômicos alternativos. Eis que muitas coisas soem ser importante e a
importância relativa de cada uma delas é indeterminada, seja para os indivíduos
seja para as sociedades. A incerteza valorativa das metas econômicas possíveis
e mesmo necessárias é ainda mais complexa do que a incerteza dos fatos
corriqueiros.
Raramente
se sabe antecipadamente quais efeitos decorrerão de quais escolhas ou quais
consequências não intencionais surgirão ao longo do tempo. Ainda assim, mesmo
sem preferências ranqueadas ou funções ponderadas, muitas formas possíveis de
organizar a atividade econômica podem ser descartadas porque são claramente
piores em todas as dimensões. Essas são chamadas de “opções dominadas”. O que
resta, então, é um conjunto não dominado: um campo de alternativas, em que cada
uma representa uma forma diferente de equilibrar objetivos plurais e não
compensatórios. Não há uma função objetivo única para aqueles que querem
organizar a sociedade; as opções podem ser comparadas, mas elas não são
comensuráveis entre si. É aqui que os limites do raciocínio técnico ficam
claros. A formulação de um conjunto ótimo de soluções pode ser um problema que
o raciocínio técnico pode e tem de resolver, mas a escolha precípua entre as
opções desse conjunto deixa de ser uma questão técnica, pois essas opções não
são formalizáveis por meio de um ranqueamento que as comensuram mesmo sendo
distintas em conteúdo.
Esperanças
de que avanços no poder computacional possam superar a necessidade de escolhas
sociais e ecológicas autônomas, de que seria possível planejar eventualmente a
economia como um todo, deturpam fundamentalmente o problema. Pois, já se sabe e
se reconhece que existem múltiplos objetivos sociais alternativos e que eles
não são compensatórios entre si. O desafio, portanto, não é simplesmente
processar mais dados. Vem a ser decidir o que importa – negociar alternativas
substitutivas (trade-offs), escolhendo assim entre possíveis futuros.
Razão, experiência e deliberação coletiva informarão essas escolhas, mas esse
atributos nunca poderão resolver o problema totalmente. O que permite que tal
sociedade avance não é o consenso sobre fatos ou valores, mas o acordo sobre
procedimentos legítimos de seleção. E isso, note-se, já havia sido compreendido
pelo próprio Otto Neurath na década de 1920. No entanto, dada a complexidade
técnica e valorativa de metas inerentes às economias contemporâneas, precisa-se
imaginar procedimentos distintos daqueles que ele foi capaz de projetar ao seu
tempo. Otto Neurath assumiu que navegar entre futuros concorrentes exigiria
fazer escolhas entre planos agregados e centralizados. O arcabouço que será
aqui proposto generaliza o problema de
atender a objetivos plurais sob a restrição de disposição finita de recursos,
tornando possível tomar decisões multicriteriais em todos os níveis da economia.
Para tanto, desde famílias e empresas até associações e órgãos de investimento
terão de recorrer ao conhecimento disponível localmente e apenas sob o seu
domínio.
Sob as
restrições existentes, essas decisões serão entendidas como exemplos de escolha
estruturada por múltiplos critérios. As restrições definem um espaço
limitado de ação viável; elas internalizam a realidade, mostrando que nem todas
as metas bem valorizadas podem ser perseguidas na totalidade. Mas, ela também
estrutura o próprio processo de decisão, garantindo que objetivos concorrentes
sejam ponderados e que as prioridades concretas sejam definidas.
As
restrições orçamentárias desempenham um papel crucial nesse quadro porque
separam o que pode ser precificado do que deve ser apenas avaliado. Os custos
econômicos de seguir qualquer curso de ação – medidos em termos de trabalho,
materiais e tempo – podem ser calculados; portanto, eles também podem ser
somados e comparados em termos de uma única unidade de comensuração. Mas os
benefícios que qualquer curso de ação econômica possa pretender alcançar –
maior eficiência, ecossistemas restaurados, melhores condições de trabalho –
assim como seus custos não econômicos, não podem ser reduzidos a uma única
métrica. Esses devem ser avaliados em si mesmos, de acordo com os valores
irredutíveis que recaem sobre eles. Essa abordagem torna a análise de
custo-benefício, no sentido convencional, inaplicável. No entanto, isso não
elimina a necessidade de raciocínio técnico.
Em
todos os domínios da vida econômica, muitas opções ainda podem ser descartadas
como claramente “dominadas”: elas exigem mais e entregam menos. Entre as opções
não dominadas restantes, no entanto, nenhuma fórmula técnica pode determinar
qual deve obter prioridade. O que resta são múltiplas composições
dependentes de valoração e sujeitas à escolha pelo processo decisório
democrático. Como se sabe, já atualmente é preciso escolher como equilibrar
entre bens concorrentes dentro de um limite posto por recursos que estão dados
em cada momento. Como esse arcabouço é baseado em procedimentos estruturados
para escolher entre alternativas viáveis, não exige acordo prévio sobre quantos
objetivos e valores existem, nem como devem ser definidos, medidos ou
priorizados. As valorações moldam os resultados econômicos de forma dinâmica,
por meio das decisões que as pessoas tomam – sob condições de incerteza e
dentro das limitações de um orçamento compartilhado.
Em
contraste, outros esforços para incorporar multidimensionalidade à coordenação
econômica – como a abordagem de capacidades de Amartya Sen e Martha Nussbaum,
os painéis de bem-estar da OCDE ou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
da ONU – dependem de um conjunto limitado e pré-definido de valores e métricas.
Isso ocorre porque essas organizações
não têm um procedimento de tomada de decisão capaz de lidar com desacordos
contínuos de valorações. Na ausência de tal procedimento, eles devem definir os
objetivos relevantes antecipadamente – concordando sobre o que importa e sobre
o quanto isso importa para a ação que possa ser tomada. O sistema descrito na
continuação deste artigo não faz tal exigência. Ele se baseia em otimização
multicriterial em condições de incerteza – tanto sobre fatos quanto sobre
valores – mas permite que valores surjam por meio do próprio processo de tomada
de decisão. Por essa razão, pode-se considerar que possui uma dimensão enésima:
é capaz de acomodar qualquer número de objetivos em evolução, sejam eles
contestados ou recém-imaginados.
As
pessoas podem apoiar a mesma opção por motivos diferentes ou revisar suas
opiniões ao longo do tempo em resposta à experiência e no curso do debate. Os
valores não são tomados como fixos no sistema. Eles entram em discussão, tomam
forma por meio da seleção e são redefinidos pela acumulação de decisões. O que
uma sociedade valoriza, neste modelo, não é declarado antecipadamente; ao
contrário, ele é descoberto na prática. Porém, para tornar possível a
deliberação e a escolha ponderadas, uma sociedade organizada por um sistema
multicriterial precisaria de uma infraestrutura estatística detalhada (…) capaz
de representar muitas condições e resultados sociais e ecológicos diferentes de
forma semelhante – e não monetariamente.
Como
Otto Neurath previu, esse aparato teria que incluir indicadores sociais,
ecológicos e emocionais além de indicadores econômicos: absorção de carbono,
perda de biodiversidade, satisfação no trabalho, exposição ao calor, horas de
cuidado não remunerado, taxas de solidão. Esses dados devem ser apresentados de
formas que as pessoas possam interpretar e usar, precisam assumir a forma de
estatísticas, visuais e de narrativas plausíveis. O propósito não é ditar o que
importa, mas ajudar as pessoas a enxergarem o que está em jogo sob várias
perspectivas. Como mencionado, a lógica da escolha estruturada multicriterial
descrita neste artigo em continuação pode ser aplicada em todos os níveis da
economia; em cada nível, ela estará moldada por seus próprios objetivos, formas
de conhecimento e restrições de recursos. As famílias atualmente enfrentam um
orçamento de consumo – além do que já é garantido pelos serviços básicos
universais; precisam, assim, decidir como alocar tempo, atenção e recursos em
objetivos plurais e não compensatórios. Esses objetivos podem incluir segurança
econômica, autonomia, utilidade, descanso, conexão, respeito. Em vez de serem
anulados por um determinado dentre eles, tais fins são mantidos em tensão
contínua; coordená-los de algum modo exige um esforço continuo de julgamento.
As empresas, da mesma forma, operam dentro com um determinado orçamento visando
a produção de algum serviço ou bem.
Como
instituições públicas sem fins lucrativos, elas serão avaliadas em sua
capacidade de equilibrar múltiplos objetivos, como eficiência,
sustentabilidade, resiliência, qualidade do trabalho, justiça social e
democracia interna. Essas compensações não podem ser resolvidas apenas por
preços ou algoritmos. O seu funcionamento exige deliberação dentro e entre as
unidades de trabalho, apoiadas por estruturas de responsabilidade que refletem
padrões de desempenho em evolução. O investimento, por fim, vem a ser aquele
local em que a sociedade toma decisões sobre o seu futuro de longo prazo. Os
órgãos de investimento recebem uma parte fixa dos recursos coletivos, emitidos
não por meio de poupança privada ou tributação, mas por meio de criação
monetária pública – uma aplicação do que é conhecido como finanças funcionais. Esses
recursos não são alocados para maximizar o retorno financeiro, mas para
promover prioridades compartilhadas: por exemplo, tornar a produção mais
sustentável, expandir o cuidado, aprofundar o acesso, reparar danos do passado.
Algumas propostas são descartadas por serem incoerentes ou por serem
“dominadas”; outras são selecionadas por meio de procedimentos políticos
estruturados que ponderam valores concorrentes dentro de um orçamento definido coletivamente.
Em cada
caso, a coordenação ocorre pela composição – mantendo múltiplos objetivos
juntos, dentro de restrições, para determinar o que pode ser perseguido e em
que forma. Uma economia multicriterial oferece uma estrutura para tomar
decisões difíceis. A sua promessa não está em produzir resultados ótimos, mas
em permitir que as pessoas considerem futuros viáveis, pesem o que importa e
decidam juntas como seguir em frente. Em todos os níveis da economia, isso
requer que se aceite que as alternativas parcialmente substitutivas (trade-offs),
tal como tenham sido ou estejam sendo valoradas, são reais e que, por isso
mesmo, não podem vir a ser terceirizadas para os mercados, planejadores
centrais ou para certas máquinas. Na sociedade, assim como na vida de cada um,
as coisas melhoram quando as escolhas a serem feitas são confrontadas, não
quando se as evita. Eis que para tanto é preciso aprender a compor uma
estratégia a partir de valorações que puxam para diferentes direções. O
progresso, nesse contexto, torna-se aberto: não devém por meio da maximização
de um objetivo, mas da capacidade contínua de trazer à luz possibilidades
concorrentes e selecionar entre elas. No nível social, esse processo sempre
será conflituoso – e, portanto, político. Contudo, é por meio dessa luta
política que vidas mais plenas se tornam possíveis.
Fonte: A
Terra é Redonda

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