quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Aldo Fornazieri: Lula em 2005 e em 2025

Em 2006, Lula foi para a sua primeira reeleição. Em 2026 irá para a sua segunda reeleição. No final de 2005, Lula ostentava a juventude e o vigor de um senhor de 60 anos. Com 80 anos agora, Lula exibe a sobriedade e a prudência proporcionadas pela idade e pela experiência. A conjuntura de 2005 condicionou, em alguma medida, o cenário eleitoral de 2006. A conjuntura de 2025 tende a condicionar o cenário eleitoral de 2026.

É certo que muita coisa mudou nos últimos 20 anos e qualquer comparação precisa ser relativizada e ponderada por essas mudanças. A tese que se defenderá aqui, com base em algumas evidências, é a de que a conjuntura desse final de 2025 indica um cenário muito mais favorável à reeleição de Lula no próximo ano do que aquela do final de 2005.

Em dezembro de 2005, a avaliação do governo Lula, com quedas sucessivas, chegou a 28%. Em dezembro de 2004 era de 45%. Em dezembro de 2025, a avaliação positiva do governo é de 32%. Em dezembro de 2024 era de 35%.

Ao longo deste ano, a avaliação do governo teve altos e baixos, chegando ao pior patamar em fevereiro, com apenas 24% de bom e ótimo. Neste final de ano houve uma certa recuperação e estabilização da avaliação positiva. De qualquer forma, ela está quatro pontos acima da avaliação de dezembro de 2005.

Outro dado que chama a atenção se refere às expectativas da população em relação ao ano da disputa eleitoral. Em dezembro de 2005, as expectativas de melhora em relação a 2006 eram de 48%. Em dezembro deste ano, segundo o Datafolha, a expectativa de melhora positiva do ponto de vista individual salta para 69%. A diferença é muito significativa.

Em 2005, o Brasil acusou um PIB de 3,2% e as projeções para este ano indicam uma alta de 2,3%. A inflação de 2005 medida pelo IPCA foi de 5,69%, num processo de desaceleração em relação a 2004. Agora as projeções de inflação indicam um índice de 4,33%, também num movimento de queda.

Mas tende a haver uma diferença importante entre 2006 e 2026: naquele ano, o crescimento do PIB foi de 4%. Já as projeções para o próximo ano variam de 1,6% a 1,8%. Quanto ao desemprego, em 2005 o índice foi de 9,6%. O índice de 2025 deve ficar em torno de 5,4%, um dos mais baixos da história da medição.

No cômputo geral, tanto os números da avaliação do governo quanto os indicadores econômicos indicam o surgimento de um cenário mais favorável à reeleição do presidente em 2026 do que em 2006. Mas a política nunca se move para uma efetivação espontânea a partir de indicadores. Como ela é ação e conflito, este jogo precisa ser jogado com o apoio dos números. Não há produção passiva de apoios e engajamento.

É necessário também um comparativo político. O ano de 2005 foi cataclísmico para o governo e para o PT. Estourou o escândalo do Mensalão, que colocou em movimento a mídia, a oposição com a CPI, a polícia e o judiciário, visando desvendar as tramas desse escândalo que se projetava ou foi projetado como um dos maiores de todos os tempos. A CPI foi criada em julho de 2005 e durou até novembro.

Em junho/julho de 2005 houve a queda de toda a cúpula do PT e a renúncia do ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu. O Chefe da Casa Civil era o todo-poderoso do governo e a cúpula do PT tinha uma presença forte nas definições políticas do governo.

Não bastasse a queda de alguns dos líderes históricos do PT, a exemplo de José Dirceu e José Genoino, 2005 fez surgir outro grande incômodo para o governo: em final de junho havia sido instalada a CPI dos Bingos, que ficou mais conhecida como CPI do Fim do Mundo. Este nome surgiu por conta do amplo leque de assuntos investigados, atingindo figuras importantes do governo: corrupção em prefeituras, como a de Ribeirão Preto, Máfia do Lixo, o ex-assessor Waldomiro Diniz, o Caso Cuba envolvendo suposta entrada de dinheiro para supostamente financiar campanhas políticas e o escândalo da "República de Ribeirão Preto".

A "República" era uma referência à casa do então ministro da Fazenda usada para festas e reuniões. O caseiro Francelino dos Santos Costa foi envolvido e teve o sigilo bancário quebrado a mando de Palocci, segundo as denúncias. A CPI foi muito mais um palco de luta política do que de trabalho técnico e investigativo. O seu efeito mais importante foi a queda de Palocci no início de 2006.

No trânsito de 2005 para 2006, o governo Lula e o PT estavam sob uma tempestade de acusações e suspeitas. Estavam na defensiva política e moral. Existiam elementos significativos que colocavam em xeque a reeleição. Mas em 2006 veio a virada. Naquele momento, os dados da economia ajudaram muito na virada do jogo. Soma-se a isso erros da oposição tucana: o partido havia escolhido com boa antecedência o governador Geraldo Alckmin como candidato presidencial. A campanha foi mal conduzida, principalmente no segundo turno, permitindo que Lula tivesse uma vitória folgada.

Nesse trânsito de 2025 para 2026, os ativos políticos e morais favorecem Lula e são negativos para a oposição. O governo não tem grandes passivos morais e nem há potencial para que surjam. Já a oposição bolsonarista tem parte de sua liderança na cadeia. A oposição vem cometendo uma série de desastres que fazem acumular perda de reputação: o golpismo, a articulação e o apoio ao tarifaço trumpista, a PEC da blindagem, escândalos com emendas, iniciativas legislativas em segurança que favoreciam a liderança do crime organizado, fugas e por aí vai.

O governo Lula tem espaço para crescer: divulgação de bons programas pouco conhecidos, aperfeiçoar a comunicação principalmente trabalhando os dados da economia, a vinculação de programas com os valores de justiça, de igualdade, de fraternidade…

Alguns analistas dizem que a campanha de 2026 será uma guerra de rejeições já que Flávio Bolsonaro é rejeitado por 60% e Lula por 54%. Com base nesses mesmos dados, outros dizem que há espaço para uma candidatura de terceira via. Terceiros avaliam que a campanha reporá as polarizações de eleições anteriores.

Os estrategistas da campanha de Lula têm espaço para fugir de todas essas armadilhas. Para fugir da rejeição, o governo Lula deve se apresentar como governo da afirmação, da comparação, das realizações, da seriedade, da estabilidade, da garantia, da soberania, da sustentabilidade, da racionalidade, do acolhimento, do afeto, dos valores, da justiça, da solidariedade, apresentando um programa capaz de enfrentar os desafios do presente levando para um futuro melhor.

Quanto à terceira via, é preciso considerar que o bolsonarismo é uma força política e eleitoralmente forte. Seria necessário que a candidatura bolsonarista cometesse muitos erros para abrir espaço a uma terceira via. Lula não pode e nem deve colocar-se no mesmo patamar de uma candidatura bolsonarista polarizando com ela. Deve, sem arrogância, colocar-se acima dela. A campanha lulista deve ser uma campanha radical, mobilizadora e vibrante. Mas deve encontrar um lugar próprio e único de campanha, que é o do programa da construção de uma sociedade justa, igual e solidária e o programa que indique um caminho de futuro para o Brasil.

•        Política externa de Lula reposiciona o Brasil e fortalece a economia

Ao final dos três primeiros anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política exterior consolidou-se como um dos eixos centrais do projeto de reconstrução nacional. A intensa agenda internacional, marcada por reuniões bilaterais, visitas oficiais e encontros com chefes de Estado e de governo, reposicionou o Brasil no cenário global, recuperando canais de diálogo, ampliando a articulação diplomática e reforçando a defesa da soberania e das instituições democráticas.

De acordo com balanço divulgado pelo governo federal, a atuação internacional do presidente foi determinante para restaurar a credibilidade do país e reafirmar compromissos com o multilateralismo, a cooperação entre as nações e o desenvolvimento sustentável. O material reúne dados oficiais da Presidência da República, do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Ao longo do período, Lula realizou 61 missões oficiais ao exterior, recebeu 32 chefes de Estado e de governo no Brasil, manteve 190 encontros bilaterais à margem de eventos multilaterais e fez 79 telefonemas com líderes internacionais, incluindo presidentes eleitos antes da posse e autoridades da União Europeia. O conjunto dessas ações contribuiu para ampliar a presença brasileira em diferentes fóruns internacionais e fortalecer relações estratégicas.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou o papel central do presidente na projeção internacional do país. “O presidente Lula é, na minha opinião, o maior divulgador do Brasil. Desde o primeiro mandato, ele tem uma atuação internacional muito intensa. Agora, no terceiro mandato, teve um número inacreditável de interlocuções com chefes de Estado, encontros presenciais e contatos diretos que expandem a presença do Brasil em todos os tabuleiros”, afirmou o chanceler, em novembro, durante apresentação do balanço diplomático.

Segundo Mauro Vieira, essa atuação leva ao exterior uma mensagem clara sobre os princípios defendidos pelo Brasil. “O presidente leva a voz do Brasil como um país que defende a paz, a cooperação, o entendimento entre as nações, o multilateralismo e o fortalecimento das instituições internacionais”, acrescentou.

Um dos episódios mais emblemáticos da política externa no período foi a condução da relação bilateral com os Estados Unidos, país com o qual o Brasil mantém 201 anos de relações diplomáticas. A imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros pelo governo norte-americano representou um desafio relevante para o comércio bilateral e exigiu resposta coordenada do governo brasileiro.

Diante do chamado “tarifaço”, o Brasil apostou no diálogo diplomático e na negociação técnica, ao mesmo tempo em que lançou o Plano Brasil Soberano, com medidas para mitigar os impactos econômicos da elevação unilateral das tarifas. O plano foi estruturado em três eixos: fortalecimento do setor produtivo, proteção aos trabalhadores e diplomacia comercial e multilateralismo.

O esforço resultou, em 20 de novembro, na revogação da tarifa adicional de 40% aplicada a diversos produtos agropecuários brasileiros, como carne, café e frutas. Para o presidente Lula, a decisão confirmou a estratégia de priorizar soluções negociadas. “A derrubada da taxa de 40% imposta pelo governo norte-americano a vários produtos agrícolas brasileiros é uma vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”, afirmou.

Paralelamente, o governo avançou de forma expressiva na ampliação do acesso de produtos brasileiros a novos mercados. Ao longo do terceiro mandato, foram abertos mais de 500 mercados internacionais, resultado de uma ação coordenada entre a Presidência da República, os ministérios da Agricultura e Pecuária, das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e a ApexBrasil.

A estratégia combinou diplomacia ativa, promoção comercial e fortalecimento das embaixadas, com foco no agronegócio, na indústria e em produtos de maior valor agregado. Para Lula, o fortalecimento do comércio exterior está diretamente ligado ao desenvolvimento interno. “Nós temos duas possibilidades. Ou temos um mercado interno com bom poder de compra, que consome o que a gente produz, ou fazemos uma combinação, que é o que acontece no Brasil hoje: produzimos para atender o mercado interno e produzimos tão bem que conseguimos atender também às necessidades do mercado externo. Essa é a coisa mais perfeita que poderia acontecer”, afirmou.

O presidente ressaltou ainda os ativos estratégicos do país. “Nós temos base intelectual, base empresarial, base de trabalhadores, tecnologia, uma Embrapa forte e tanta coisa que pode ser motivo de orgulho. A gente pode muito mais”, completou.

Os reflexos dessa atuação também apareceram nos indicadores econômicos. Em 2025, o Brasil registrou recordes históricos no comércio exterior, com exportações de US$ 339,4 bilhões e importações de US$ 276,3 bilhões, o que resultou em superávit comercial de US$ 63,1 bilhões e corrente de comércio de US$ 615,8 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do MDIC.

Na terceira semana de dezembro, a balança comercial teve superávit de US$ 2,1 bilhões, com exportações de US$ 7,46 bilhões e importações de US$ 5,4 bilhões, confirmando o desempenho positivo ao longo do ano.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a inserção internacional é fundamental para o crescimento sustentado. “Não há país no mundo que tenha tido um crescimento forte e sustentável sem se abrir ao mundo e sem priorizar o comércio exterior”, declarou.

Além do comércio, o país também apresentou forte desempenho na atração de Investimentos Estrangeiros Diretos. Entre janeiro e novembro de 2025, o volume de investimentos alcançou US$ 84,1 bilhões, o melhor resultado desde 2014, segundo dados do Banco Central.

Para Alckmin, os números refletem um ambiente econômico mais estável e confiável. “Encerramos um ano de muito trabalho com excelentes notícias. O presidente Lula já havia dito que 2025 seria o ano da colheita, e esses dados revelam a qualidade das sementes plantadas neste governo”, concluiu.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: