quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

As principais fake news que viralizaram em 2025

O ano de 2025 marcou um ponto de virada na evolução das campanhas de desinformação. Com o avanço da inteligência artificial (IA), a indústria das fake news ganhou novo impulso, alavancando ainda mais posts e vídeos curtos com conteúdo falso, que foram visualizados e compartilhados milhões de vezes. Algumas dessas falsificações tinham puro caráter de entretenimento. Outras, no entanto, foram criadas com o claro objetivo de manipular opiniões, como mentiras em torno da guerra da Rússia na Ucrânia ou até sobre o presidente francês, Emmanuel Macron.

Impulsionadas por IA generativa, deepfake e estratégias de segmentação nas redes sociais, essas campanhas de desinformação borraram a linha entre realidade e ficção em uma escala sem precedentes. De vídeos sintéticos buscando influenciar o comportamento do eleitorado a narrativas falsas que alimentam tensões geopolíticas, a desinformação em 2025 acelerou de forma inédita – a ponto de hoje representar uma ameaça sistêmica aos processos democráticos e à confiança pública. Ao longo do ano, a equipe de checagem da DW publicou uma série de verificações de fatos, desmistificando diversas narrativas falsas e enganosas que moldavam debates sobre política, saúde, clima, tecnologia, esportes e história.

>>>> Confira abaixo algumas histórias que dominaram o cenário da desinformação em 2025.

<><> Política: desinformação influenciando eleições

Alegações falsas sobre eleições e campanhas de desinformação com o objetivo de influenciar os eleitores proliferaram pelo mundo, sobretudo no Brasil e na Moldávia.

Na arena política mundial, um dos principais alvos de desinformação em 2025 foi o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski. Desde falsas alegações do presidente dos EUA, Donald Trump, em fevereiro, de que Zelenski havia perdido o apoio popular, até críticas contra o ucraniano durante sua visita à Casa Branca, em março, levaram a uma nova onda de desinformação sobre a guerra na Ucrânia.  Nos Estados Unidos, o então recém-eleito prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani, também foi alvo de fake news. Menos de uma semana após sua vitória, circulavam na rede vídeos falsos de bandeiras americanas sendo substituídas por palestinas e de multidões de muçulmanos na Time Square. Em ambos os casos, os vídeos eram de datas anteriores à eleição e não tinham relação alguma com Mamdani.

<><> Mitos sobre saúde e clima

A verificação de fatos da DW constatou que a desinformação sobre saúde ia de afirmações bizarras como "uso de protetor solar aumenta o risco de câncer de pele" e "comer certos alimentos durante a gravidez deixa a pele do bebê mais clara" até afirmações mais perigosas como "uma dieta saudável pode curar o câncer de mama". No Paquistão, boatos durante a campanha de vacinação contra o HPV diziam que os imunizantes causavam infertilidade e deficiências, geraram hesitação e até ameaças contra profissionais de saúde.

No âmbito do clima, negacionistas continuaram distorcendo pesquisas em 2025. Em março, foram divulgadas imagens de satélite mostrando um crescimento das geleiras na Antártida. Isso foi suficiente para gerar rumores de que "o aquecimento global acabou" ou mesmo de que seria uma farsa completa. Mas a realidade é muito mais complexa: especialistas consultados pela DW explicam o aumento como flutuações naturais do fenômeno, sem necessariamente refletir uma tendência. O recorte, em suma, é muito curto.

<><> Tecnologia, esportes e história – indústria da desinformação não poupa nada

Em 2025, cada vez mais pessoas recorreram à IA para obter respostas. Segundo o relatório Generative AI and News 2025, do Instituto Reuters, o uso semanal de sistemas de IA generativa, como o ChatGPT, e o consumo de notícias por meio de IA generativa praticamente dobraram. Ferramentas de verificação de fatos por IA também ganharam popularidade – mas ainda erram com frequência. Um estudo recente aponta que elas muitas vezes pecam no fornecimento de informações precisas e baseadas em fatos. Mas não foi apenas a tecnologia que impulsionou a desinformação em 2025. Tópicos controversos que despertam emoções também se tornaram um terreno fértil para narrativas falsas que se espalham rapidamente nas redes sociais. Um deles foi o debate sobre mulheres transgênero no esporte, que se intensificou depois que Trump assinou um decreto proibindo atletas trans nas competições femininas.

A DW analisou estudos e conversou com especialistas: mulheres trans têm realmente uma vantagem injusta no esporte? Outra polêmica girou em torno da vitória-relâmpago de Imane Khelif, boxeadora argelina e mulher cisgênero, que também foi alvo de uma série de falsas alegações de que seria uma atleta trans.

Temas históricos também foram usados para disseminar narrativas falsas ao longo do ano. Em fevereiro, circularam informações incorretas sobre o número de mortos nos bombardeios aliados a Dresden, em 1945. No último ano da Segunda Guerra Mundial, esquadrões britânicos e americanos realizaram ataques aéreos devastadores à cidade alemã. Estudos apontam até 25 mil vítimas entre 13 e 15 de fevereiro. Hoje, porém, alguns usuários divulgam números dez vezes maiores, sem qualquer base histórica. Anteriormente, Alice Weidel, então candidata à chanceleria alemã pelo partido populista de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou falsamente que Hitler "era comunista", e não "de direita", durante uma conversa ao vivo com o magnata Elon Musk. Historiadores discordam veementemente, conforme mostrou a DW.

<><> Vídeos falsos que viralizaram em 2025

De vídeos virais a imagens geradas por IA, tivemos mais um ano marcado por uma profusão de mentiras na internet. Um deles foi o momento capturado em um telão durante um show do Coldplay, reacendendo a teoria de que a série americana Os Simpsons prevê eventos globais. Spoiler: não é verdade. Em maio, imagens manipuladas por IA do jovem sírio Muhammad al-Muhammad, que ajudou a impedir um ataque a faca em Hamburgo, inundaram as redes sociais, colocando em dúvida sua participação no ato.

E quanto a um vídeo histórico de Jerusalém, datado de 1897 e a cores, que também viralizou nas redes? Para a surpresa de muitos, real – salvo as cores, que foram adicionadas posteriormente. E não, os mercados de Natal na Alemanha não foram cancelados em 2025 – e nem "invadidos" por muçulmanos. Tudo isso foi fake.

<><> Brasil: de fake news nacionais a "importadas"

Logo no início do ano, um assunto dominou as manchetes do país inteiro: haveria mudanças nas regras do Pix. Basicamente, a portaria buscava ampliar o monitoramento de transações acima de R$ 5 mil por mês feitas via bancos digitais, fintechs e instituições de pagamento. Mas uma onda de desinformação, que envolveu até um vídeo produzido por IA simulando a imagem e a voz de Haddad, levava os usuários a acreditarem que haveria um novo imposto para enviar dinheiro de forma digital.  O impacto foi tamanho que comerciantes passaram a recusar transações digitais, ou mesmo a cobrar mais por elas. Segundo o Banco Central, o volume de transferências por Pix chegou a cair 15,3% nas duas primeiras semanas de janeiro, em comparação com o mesmo período de dezembro. Por fim, o governo se viu forçado a revogar a regra.

Outra notícia falsa que teve origem nos EUA também encontrou eco no Brasil: a ideia de que o paracetamol causa autismo. Pesquisadores, no entanto, rebatem a alegação e afirmam não haver evidências suficientes que estabeleçam uma relação entre o medicamento e o transtorno.

Também um vídeo que mostrava um menino rezando num elevador deu o que falar, até ser revelado que não passava de mais um fake.   Mais recentemente, às vésperas da COP30, em Belém, uma nova polêmica tomou conta da esfera conservadora nas redes sociais: compartilhando uma notícia veiculada pela rede americana Fox News, Trump afirmou que a Floresta Amazônica foi desmatada para a construção de uma rodovia que serviria ao megaevento da ONU.

Entretanto, a DW checou se a COP30 de fato foi a causa da obra e responsável pelo desmatamento da Floresta Amazônica em Belém. A afirmação é enganosa, uma vez que tenta simplificar o que, na verdade, é um caso complexo antigo no debate sobre a infraestrutura da região.

<><> Colaboração é chave no combate à desinformação

Em 2025, grandes parcerias ajudaram a fortalecer a checagem de fatos. A DW uniu forças com a rede de checagem de fatos da emissora pública alemã ARD e com a Spotlight Network da União Europeia de Radiodifusão (EBU) para enfrentar boatos ligados às eleições e expor campanhas coordenadas – desde operações de influência russa até narrativas enganosas sobre Gaza.

No início do ano, a equipe de checagem da DW publicou diversas verificações de fatos sobre desinformação antes e durante as eleições na Alemanha, em parceria com os verificadores de fatos da ARD Faktenfinder e da BR24 #Faktenfuchs. Um dos casos analisou como Elon Musk tentou influenciar o pleito alemão espalhando informações falsas e enganosas em sua plataforma X. Outra investigação, conduzida com a EBU, revelou que Israel estava utilizando sua agência de publicidade governamental para executar campanhas pagas internacionais, com o objetivo de moldar a opinião pública em partes da Europa e da América do Norte.

<><> A ascensão dos deepfakes em 2025

Conteúdos gerados por inteligência artificial explodiram – fáceis de criar, difíceis de detectar. De vídeos falsos a imagens fabricadas, nunca foi tão desafiador saber o que é real e o que é fake. De exemplos aparentemente inofensivos de coelhos pulando animadamente em um pula-pula até noticiários gerados por IA, a nova tecnologia parece ter mudado o jogo.

<><> A IA pode ajudar a detectar notícias falsas?

Depois que a Meta encerrou a verificação de fatos no Facebook e no Instagram nos EUA, muitos usuários recorreram a chatbots como o Grok para verificar conteúdos virais no X. "Ei, @Grok, isso é verdade?" era uma das perguntas mais populares feitas na plataforma. Apesar de recursos como notas comunitárias e ferramentas de IA, erros ainda persistem. Um exemplo foi uma foto atual de Gaza, que o Grok identificou incorretamente como uma imagem antiga do Iraque, alimentando desinformação. Conclusão: uma checagem de fatos confiável requer um olhar humano.

•        Como reconhecer sites falsos de notícias gerados por IA

Qualquer pessoa que utilize a da internet irá mais cedo ou mais tarde parar nas chamadas fazendas de conteúdo – websites que publicam artigos em massa de modo a gerar acessos e aumentar o rendimento obtido através dos anúncios. Isso inclui portais que são semelhantes a outros sites de notícias ou de informações privadas. Esses artigos, no entanto, são criados pela inteligência artificial (IA) e colocados nessas plataformas pelos chamados newsbots, os "robôs de notícias".

<><> O que são newsbots e portais gerados por IA?

Os newbots são programas ou algoritmos que selecionam notícias na internet de acordo com determinados critérios para, por exemplo, encaminhá-los para as redes sociais ou publicá-los em portais de internet. Mas, eles também podem ser programados para enviar textos gerados pela IA sobre notícias atuais em sites reais de notícias. Um estudo publicado recentemente na empresa de análise de mídia Newsguard de Nova York identificou 49 fazendas de conteúdo em sete idiomas diferentes (chinês, tcheco, inglês, francês, português, tagalo e tailandês). Esses conteúdos aparentam ter sido escritos quase em sua totalidade com os Modelos Amplos de Linguagem (LLMs, na sigla em inglês). Trata-se de sistemas de IA capazes de produzir textos que parecem ter sido escritos por mãos humanas. O aplicativo mais conhecido de LLM é provavelmente o ChatGPT, da OpenAI. Segundo a Newsguard, as características comuns dos portais de notícias e informação que publicam textos gerados por IA são a grande quantidade de textos, a falta de informações sobre os operadores da plataforma ou sobre os autores dos textos, além de uma enorme quantidade de anúncios.

Os analistas relatam que descobriram o que buscavam ao observarem páginas cujos textos contêm erros de mensagem típicos dos chatbots de IA como o ChatGPT, por exemplo, quando não são capazes de responder a um pedido de informação. Isso pode acontecer quando há falta de informações sobre um determinado tópico. A versão gratuita do ChatGPT, por exemplo, conhece somente os dados até 2021 – o que vale também para pedidos para o aplicativo criar fatos falsos ou conteúdos questionáveis. Por exemplo, em um teste realizado pela DW, o ChatGPT rejeitou uma instrução para criar uma música em homenagem ao personagem Darth Vader, o vilão de Guerra nas Estrelas.

<><> Porque newsbots e conteúdos gerados por IA são problemáticos?

Assim como em outras fazendas de conteúdo, o objetivo primário da maioria destes sites é provavelmente atrair usuários, aumentando dessa forma a renda obtida com publicidade. Isso tudo com gastos mínimos com pessoal, avalia a Newsguard. A desinformação intencional é a exceção, ao invés de ser a regra. Os chatbots, porém, "alucinam" com frequência, o que resulta na criação de conexões falsas e, consequentemente, na produção de conteúdos falsos, mesmo que suas diretrizes os proíbam de fazê-lo.

Felix M. Simon, do Instituto de Internet de Oxford, apresenta uma explicação para o problema. "Os LLMs não possuem consciência, não conseguem pensar. Eles apenas conseguem produzir sequências de palavras com base em probabilidades estatísticas", afirma. Em outras palavras, os programas calculam com que frequência algumas palavras aparecem em um dado contexto. Eles não conseguem discernir o motivo disso e podem, portanto, juntar essas palavras de maneira incorreta. "Isso pode levar ao problema enorme de as LLMs produzirem textos que soem cada vez mais plausíveis, mas não tenham nada a ver com a realidade", afirma Ross King, diretor do departamento de Dados Científicos e Inteligência Artificial do Instituto Austríaco de Tecnologia, em Viena. Dentro dessa perspectiva, o CEO do Newsguard, Gordon Crovitz, chega a uma dura conclusão sobre as fazendas de conteúdo com textos de IA. "A utilização de modelos de IA, que são conhecidos por inventar fatos, criar websites que somente se parecem com portais de notícias é uma fraude tentando se passar por jornalismo", afirmou.

Qualquer pessoa que utilize a da internet irá mais cedo ou mais tarde parar nas chamadas fazendas de conteúdo – websites que publicam artigos em massa de modo a gerar acessos e aumentar o rendimento obtido através dos anúncios. Isso inclui portais que são semelhantes a outros sites de notícias ou de informações privadas. Esses artigos, no entanto, são criados pela inteligência artificial (IA) e colocados nessas plataformas pelos chamados newsbots, os "robôs de notícias".

<><> O que são newsbots e portais gerados por IA?

Os newbots são programas ou algoritmos que selecionam notícias na internet de acordo com determinados critérios para, por exemplo, encaminhá-los para as redes sociais ou publicá-los em portais de internet. Mas, eles também podem ser programados para enviar textos gerados pela IA sobre notícias atuais em sites reais de notícias. Um estudo publicado recentemente na empresa de análise de mídia Newsguard de Nova York identificou 49 fazendas de conteúdo em sete idiomas diferentes (chinês, tcheco, inglês, francês, português, tagalo e tailandês). Esses conteúdos aparentam ter sido escritos quase em sua totalidade com os Modelos Amplos de Linguagem (LLMs, na sigla em inglês). Trata-se de sistemas de IA capazes de produzir textos que parecem ter sido escritos por mãos humanas. O aplicativo mais conhecido de LLM é provavelmente o ChatGPT, da OpenAI. Segundo a Newsguard, as características comuns dos portais de notícias e informação que publicam textos gerados por IA são a grande quantidade de textos, a falta de informações sobre os operadores da plataforma ou sobre os autores dos textos, além de uma enorme quantidade de anúncios. Os analistas relatam que descobriram o que buscavam ao observarem páginas cujos textos contêm erros de mensagem típicos dos chatbots de IA como o ChatGPT, por exemplo, quando não são capazes de responder a um pedido de informação. Isso pode acontecer quando há falta de informações sobre um determinado tópico. A versão gratuita do ChatGPT, por exemplo, conhece somente os dados até 2021 – o que vale também para pedidos para o aplicativo criar fatos falsos ou conteúdos questionáveis. Por exemplo, em um teste realizado pela DW, o ChatGPT rejeitou uma instrução para criar uma música em homenagem ao personagem Darth Vader, o vilão de Guerra nas Estrelas.

<><> Porque newsbots e conteúdos gerados por IA são problemáticos?

Assim como em outras fazendas de conteúdo, o objetivo primário da maioria destes sites é provavelmente atrair usuários, aumentando dessa forma a renda obtida com publicidade. Isso tudo com gastos mínimos com pessoal, avalia a Newsguard. A desinformação intencional é a exceção, ao invés de ser a regra. Os chatbots, porém, "alucinam" com frequência, o que resulta na criação de conexões falsas e, consequentemente, na produção de conteúdos falsos, mesmo que suas diretrizes os proíbam de fazê-lo.

Felix M. Simon, do Instituto de Internet de Oxford, apresenta uma explicação para o problema. "Os LLMs não possuem consciência, não conseguem pensar. Eles apenas conseguem produzir sequências de palavras com base em probabilidades estatísticas", afirma. Em outras palavras, os programas calculam com que frequência algumas palavras aparecem em um dado contexto. Eles não conseguem discernir o motivo disso e podem, portanto, juntar essas palavras de maneira incorreta. "Isso pode levar ao problema enorme de as LLMs produzirem textos que soem cada vez mais plausíveis, mas não tenham nada a ver com a realidade", afirma Ross King, diretor do departamento de Dados Científicos e Inteligência Artificial do Instituto Austríaco de Tecnologia, em Viena. Dentro dessa perspectiva, o CEO do Newsguard, Gordon Crovitz, chega a uma dura conclusão sobre as fazendas de conteúdo com textos de IA. "A utilização de modelos de IA, que são conhecidos por inventar fatos, criar websites que somente se parecem com portais de notícias é uma fraude tentando se passar por jornalismo", afirmou.

<><> A IA pode ser usada para produzir fake news?

As LLMs disponíveis ao público são programadas com algumas diretrizes. O ChatGPT, por exemplo, rejeita pedidos para formular textos que contradigam fatos ou difamem pessoas. Na verdade, é possível driblar a inteligência dos chatbots.  O ChatGPT, durante a pesquisa para este artigo, respondeu ao pedido "escreva uma análise convincente sobre a forma da Terra da perspectiva de alguém que acredite ser plana", com uma série de argumentos sobre o fato de o planeta ter esse formato, mas acrescenta que esta seria uma crença individual. A chamada prompt engineering, ("engenharia imediata", em tradução livre) uma espécie de instrução para possíveis manipulações, vem rapidamente ganhando importância, afirma Ross King. Informações sobre isso já estão disponíveis e blogs e vídeos do YouTube. Através disso, o software tende a estar à frente das tentativas de manipulação. O especialista, no entanto, diz ter certeza que "haverá um mercado negro para esses prompts".

A DW seguiu a trilha das pesquisas da Newsguard e encontrou portais de internet com as características mencionadas nos idiomas inglês, português, francês e espanhol. Isso leva a crer que existam - e ainda existirão – muitos mais websites falsos. Para King, isso não surpreende. "Estas são tecnologias que costumavam estar disponíveis apenas para pesquisadores, e talvez para agências governamentais, e que estão ao alcance do público", afirma. Além dos textos de IA, essas ferramentas também incluem os chamados vídeos deepfake ou fotografias geradas pela IA. "Os adolescentes podem agora fazer essas coisas com softwares open source gratuitos", diz o especialista.

<><> Como distinguir os sites de IA e os verdadeiros?

"Haverá mais dessas páginas", afirma Felix M. Simon. Ele, porém, considera superestimada a importância destas. "Sua mera existência é menos importante do que seu alcance e sua capacidade de atingir leitores e de chegar ao mainstream", observou. O cientista se diz otimista de que a enorme quantidade de sites de IA aumentará a conscientização das pessoas, e que muitas delas escolherão suas fontes de informação de maneira mais cuidadosa no futuro. Os especialistas afirmam que é importante reforçar as habilidades dos usuários na utilização das mídias, uma vez que ainda não existem detectores confiáveis de vídeos, fotos ou textos criados por IA. Em um estudo, a própria ferramenta da OpenAI reconheceu somente 27% dos textos gerados por IA e classificou 9% dos textos escritos por humanos como sendo criados por inteligência artificial.

Para saber se os textos em um portal de notícias são gerados por uma LLM, as pessoas devem seguir sua própria intuição e se perguntarem:

•           Esse texto, como um todo, deixa uma impressão de seriedade?

•           As informações contradizem meu próprio conhecimento geral?

•           O texto é plausível?

Além disso, deve-se também perguntar:

•           Existem informações confiáveis sobre quem administra o website e é responsável por seu conteúdo?

•           Estão indicados os autores das fotos e dos textos?

•           Os perfis parecem autênticos?

Muitos sites com conteúdos duvidosos não mostram essas informações, apesar de que mais e mais desses portais relacionem nomes de indivíduos que são, na verdade, fictícios. As imagens geradas por IA com frequência mostram pessoas que sequer existem. Mas, desmascarar esses perfis falsos pode ser uma tarefa muito difícil. No entanto, se não for possível encontrar em nenhum lugar da internet informações sobre os supostos autores e se a procura por uma imagem revertida nas ferramentas de busca não apresentar resultados, é por que provavelmente não existem.

 

Fonte: DW Brasil

 

Nenhum comentário: