quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Refrigerante zero e diabetes: o que realmente muda no controle da glicose

O refrigerante zero costuma aparecer como alternativa “segura” para quem convive com diabetes ou pré-diabetes. Afinal, não contém açúcar e não provoca elevação imediata da glicose. No entanto, essa escolha exige uma análise mais ampla, que vai além do número mostrado no glicosímetro.

Durante um episódio do DiabetesCast, a nutricionista e educadora em diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, Maristela Strufaldi, respondeu a uma dúvida frequente de pais e pacientes. A pergunta é direta: o consumo diário de refrigerante zero faz mal.

<><> Refrigerante zero altera a glicose de quem tem diabetes?

Segundo a especialista, o refrigerante zero não provoca aumento direto da glicemia, justamente por não conter carboidratos. “O refrigerante zero não vai gerar impacto na glicemia”, explica Maristela.

No entanto, esse dado isolado não encerra a discussão. O controle do diabetes envolve muito mais do que evitar picos imediatos de açúcar no sangue.

<><> O problema não é o açúcar, mas o ultraprocessamento

Nesse contexto, Maristela faz um alerta importante. “Ele é um alimento ultraprocessado, muito rico em sódio, aditivos e corantes. Para serem consumidos diariamente, a gente torce um pouquinho o nariz”, afirma.

Além disso, estudos observacionais associam o consumo frequente de ultraprocessados a maior risco de ganho de peso, alterações na pressão arterial e piora do perfil metabólico. Esses fatores impactam diretamente pessoas com diabetes e também quem está em pré-diabetes.

<><> Controle glicêmico imediato não é o mesmo que saúde a longo prazo

Ao mesmo tempo, existe uma confusão comum entre glicose estável após a refeição e saúde metabólica global. O fato de a glicemia não subir não significa que o alimento seja neutro para o organismo.

“Refrigerante é exceção, não é para ser regra”, reforça a nutricionista. Essa orientação vale mesmo quando a bebida não contém açúcar.

<><> Crianças, hidratação e hábitos que se constroem cedo

Outro ponto levantado na entrevista envolve o comportamento alimentar. Muitas crianças e adolescentes passam a consumir refrigerante zero diariamente, inclusive como forma de hidratação.

“Talvez seja uma criança que consome o refrigerante para se hidratar, o que não é nada legal”, observa Maristela. Nesse cenário, a bebida acaba substituindo a água, o que compromete hábitos básicos de saúde.

<><> A orientação vale para quem tem e para quem não tem diabetes

Por outro lado, a especialista deixa claro que essa recomendação não se aplica apenas a quem convive com diabetes. “Isso vale para quem tem ou não tem diabetes. Para todo mundo”, afirma.

Portanto, o cuidado não deve ser interpretado como uma restrição específica da condição, mas como uma orientação de saúde populacional.

<><> O que pode substituir o refrigerante zero no dia a dia?

Nesse contexto, alternativas simples ajudam a reduzir o consumo diário. Água, água com gás, bebidas aromatizadas naturalmente e sucos muito diluídos são opções mais adequadas.

Além disso, trabalhar o paladar para sabores menos intensos faz parte da educação nutricional e contribui para escolhas mais conscientes ao longo do tempo.

<><> Afinal, refrigerante zero pode ou não pode?

Ainda assim, é importante evitar o terrorismo alimentar. O consumo ocasional de refrigerante zero não representa um risco isolado. O problema surge quando o consumo se torna diário, automático e sem reflexão sobre o padrão alimentar como um todo.

Portanto, ao falar de refrigerante zero e diabetes, a pergunta central não é apenas se “pode ou não pode”. A questão real é com que frequência, em qual contexto e substituindo o quê.

•        Musculação, corrida ou caminhada: existe um melhor exercício para quem tem diabetes?

A dúvida é comum, legítima e influencia diretamente o controle do diabetes: afinal, qual exercício realmente ajuda a controlar a glicose sem gerar riscos?

<><> A pergunta mais comum de quem convive com diabetes

Entre pessoas com diabetes, a busca pelo “melhor exercício” é constante. Muitos acreditam que apenas a corrida funciona, enquanto outros evitam musculação por medo de a glicose subir. No entanto, essa lógica simplifica um processo que é muito mais individual. Nesse contexto, especialistas reforçam que não existe uma única modalidade ideal para todos.

<><> O que realmente define o impacto do exercício na glicose

Por muito tempo, o debate ficou preso ao tipo de exercício. Hoje, a ciência aponta outro fator como central: a intensidade. Uma caminhada leve pode reduzir a glicose de forma gradual. Por outro lado, uma caminhada rápida ou uma corrida intensa pode provocar elevação temporária. Portanto, o corpo reage ao esforço imposto, não apenas ao nome da atividade.

<><> Corrida e caminhada: queda mais rápida, mas com variações

Atividades aeróbicas, como caminhada e corrida, tendem a baixar a glicose com mais rapidez. Ainda assim, isso depende do ritmo, da duração e da condição inicial da pessoa. Corridas longas e moderadas costumam reduzir a glicemia. No entanto, estímulos intensos e curtos podem gerar liberação de glicose pelo fígado, elevando os níveis momentaneamente.

<><> Musculação: estabilidade e benefícios a longo prazo

A musculação costuma manter a glicose mais estável durante o treino. Ao mesmo tempo, ela desempenha um papel estratégico no controle do diabetes. O aumento da massa muscular melhora a sensibilidade à insulina e acelera o metabolismo basal. Portanto, seus benefícios vão além da glicemia imediata e impactam o controle metabólico a longo prazo.

<><> Intensidade muda tudo, inclusive dentro da mesma modalidade

Nem toda musculação é igual, assim como nem toda caminhada tem o mesmo efeito. Séries leves e longas geram respostas diferentes de treinos curtos e intensos. Da mesma forma, caminhar de forma relaxada não provoca o mesmo impacto de caminhar ofegante. Nesse cenário, entender o próprio corpo se torna tão importante quanto escolher a atividade.

<><> O erro de buscar o exercício “perfeito”

Muitos abandonam a atividade física por não encontrarem o exercício ideal. No entanto, a ciência é clara ao mostrar que o exercício feito é sempre melhor do que o exercício idealizado. Além disso, aderência importa mais do que performance. Um treino possível, repetido ao longo da semana, traz mais benefícios do que sessões esporádicas e intensas.

<><> Exercício como parte do tratamento, não como punição

O exercício físico deve ser encarado como parte do tratamento do diabetes, assim como alimentação e medicação. Ele não precisa ser extremo, doloroso ou esteticamente motivado. Pelo contrário, quando adaptado à rotina e às preferências pessoais, ele se torna sustentável. Portanto, a melhor escolha é aquela que a pessoa consegue manter com segurança.

<><> Combinar exercícios é a estratégia mais eficiente

Especialistas concordam que a combinação entre exercícios aeróbicos e de força oferece os melhores resultados. Enquanto um ajuda no controle imediato da glicose, o outro melhora a resposta metabólica ao longo do tempo. Ainda assim, essa combinação deve respeitar limitações individuais, histórico clínico e acompanhamento profissional.

 

Fonte: UmDiabético.com

 

Nenhum comentário: