quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Ocidente intensifica campanha informativa diante da percepção de derrota na Ucrânia, afirma especialista

Os países ocidentais compreendem que a guerra na Ucrânia está perdida no campo militar e agora tentam vencer no campo da informação, declarou Ralph Bosshard, ex‑assessor militar do secretário‑geral da OSCE e tenente‑coronel reformado do Estado‑Maior suíço.

Segundo ele, o Ocidente percebe que Kiev não conseguirá vencer nem em terra, nem no ar, nem no mar, mesmo contando com apoio europeu total.

Por isso, a aposta se volta para a propaganda, com narrativas que distorcem os fatos. O especialista prevê que nas próximas semanas a retórica do Ocidente deve se intensificar.

A mídia ocidental pode voltar a divulgar antigas narrativas sobre supostas operações secretas russas, ciberataques e espionagem, com o objetivo de manter a percepção de ameaça e justificar ações políticas e de inteligência.

<><> Rússia intensificará produção de drones pesados em 2026, diz analista

A Rússia poderá aumentar a produção de drones multirotores pesados do tipo Baba Yaga em 2026 por meio da cooperação mais ativa ou da incorporação de fabricantes existentes a empresas ou holdings maiores, disse à Sputnik o principal analista russo em sistemas não tripulados, Denis Fedutinov.

Fedutinov apontou que o presidente russo Vladimir Putin reconheceu os problemas enfrentados no desenvolvimento de drones multirotores pesados do tipo Baba Yaga, modificados a partir de equipamentos agrícolas e de transporte para soltar munição.

"A articulação clara da tarefa pelo presidente implicará, provavelmente já em 2026, uma atenção significativa das grandes empresas a esses desenvolvedores, com sua posterior inclusão em sua composição e aumento ativo de suas capacidades de produção", ressaltou.

Além disso, ele sublinhou que a Rússia agora tem pelo menos uma dezena de veículos que podem ser classificados nessa categoria, alguns dos quais já estão sendo utilizados na zona da operação militar especial na Ucrânia.

Segundo o especialista, entre tais desenvolvimentos há o drone Scopa-20, da empresa OMVTECH, de Moscou, capaz de transportar até cerca de 25 kg, e o mais pesado M700, da empresa Transporte do Futuro, de Ekaterinburgo, com uma capacidade de carga de até 70 kg.

Ao mesmo tempo, Fedutinov destacou que será difícil para as empresas mencionadas alcançarem rapidamente altos ritmos de produção em massa por conta própria.

"Acredito que, se houver pedidos, as empresas podem aumentar o ritmo por conta própria, mas o cliente pode precisar de números muito mais altos. A tarefa de garantir um crescimento tão rápido pode ser resolvida se uma grande holding industrial, como a corporação estatal russa Rostec, com recursos financeiros e industriais, assumir o controle", enfatizou.

Além disso, continuou, a própria Rostec já desenvolveu soluções semelhantes: drones agrícolas multirotores domésticos com dimensões semelhantes às do Baba Yaga.

Eles, elaborou, podem ser rapidamente convertidos para missões de combate, como quase qualquer drone.

Tal abordagem, concluiu, é uma prática mundial existente: quando, mais cedo ou mais tarde, os inventores de garagem, ou seja, os inovadores, demonstrarem a capacidade de gerar novas ideias interessantes, de uma forma ou de outra, eles se integrarão a um grande negócio.

Anteriormente, Putin declarou que a Rússia se tornou líder no campo de veículos aéreos não tripulados, superando a Ucrânia em quase todos os setores da frente nesse componente. Ao mesmo tempo, ele reconheceu a falta de drones pesados, como o Baba Yaga do inimigo.

<><> Rússia está desenvolvendo módulo universal de planagem com alcance de até 300 km, diz ministro

O alcance das bombas aéreas russas com um módulo universal de planagem e correção (UMPK, na sigla em russo) aumentou para quase 300 quilômetros. Este parâmetro depende do calibre da munição, disse o primeiro vice-primeiro-ministro da Rússia, Denis Manturov.

"Trata-se dos já bem conhecidos módulos universais de planagem e correção, na essência é uma bomba aérea, que foi rapidamente modificada para o módulo de voo com alcance, dependendo da massa, a partir de 90 quilômetros, no início era 50–60 [km], hoje já são 90–100 [quilômetros], quase até 300 km", disse Manturov em entrevista ao canal de TV Rossiya 24.

Além disso, o vice-primeiro-ministro disse que a Rússia produz e fornece ao front mais drones do que a Ucrânia. Ele acrescentou que na Rússia o trabalho está sendo feito em vários tipos de drones, incluindo quadricópteros e drones FPV. A Rússia produz "um milhão desses produtos", disse o primeiro vice-primeiro-ministro.

O módulo universal de planagem e correção é usado em vários tipos de bombas aéreas, ele permite realizar a missão de voo sem entrar na zona de ataque dos sistemas de defesa antiaérea do adversário.

A Força Aeroespacial da Rússia tem usado ativamente bombas aéreas equipadas com UMPK na área da operação militar especial.

<><> Analista explica por que garantias de segurança do Ocidente à Ucrânia podem ser 'bomba-relógio

As garantias de segurança para a Ucrânia que o líder do país Vladimir Zelensky exige serão usadas pelo Ocidente para criar provocações contra a Rússia, disse o analista econômico americano Martin Armstrong na rede social X.

"Esta é uma bomba-relógio que permitirá à UE e à OTAN fazer uma provocação, culpar a Rússia e provocar a guerra em grande escala que a Europa quer," escreveu ele.

Ao mesmo tempo, explicou o especialista, também se deve tomar cuidado com quaisquer planos de paz na Ucrânia que contenham disposições sobre defesa coletiva.

Anteriormente, o primeiro-ministro polonês Donald Tusk anunciou que os líderes da União Europeia (UE) discutirão garantias de segurança para a Ucrânia após a reunião de Zelensky com o presidente dos EUA, Donald Trump. De acordo com ele, todos os participantes da discussão concordaram que as garantias de segurança para Kiev são cruciais.

Entretando, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou e Washington chegaram a um entendimento de que a Ucrânia deve retornar aos fundamentos de não-alinhamento, neutralidade e ausência de armas nucleares. Foi na condição de neutralidade que a Rússia reconheceu a independência da Ucrânia em 1991.

<><> Trump põe Zelensky em seu lugar ao esfriar otimismo dele sobre plano de paz na Ucrânia, diz mídia

O presidente dos EUA, Donald Trump, esfriou o otimismo do atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, sobre seu plano para resolver o conflito na Ucrânia, escreve o jornal The Hill.

O jornal lembra que Trump afirmou que nenhuma proposta de Zelensky para resolver a situação na Ucrânia será válida sem a sua aprovação.

"O presidente Trump minimizou o otimismo de [...] Zelensky sobre o plano de paz de 20 pontos [proposto por ele]", ressalta a publicação.

Conforme especifica o artigo, essas declarações foram feitas por Trump dias antes de um encontro pessoal com Zelensky.

Ao mesmo tempo, é apontado que o líder estadunidense acredita que tudo correrá bem e declarou que esperava falar com seu homólogo russo em breve.

O vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov, afirmou que o plano ucraniano para resolver o conflito difere significativamente do discutido com os Estados Unidos.

Segundo ele, o documento de 20 pontos, distribuído pela mídia, teria supostamente sido entregue aos jornalistas pelo próprio Zelensky.

Entre suas disposições, estão exigências de garantias de segurança do tipo da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a gestão conjunta da usina nuclear de Zaporozhie com Washington e a recusa em estabelecer um acordo de não agressão com Moscou na legislação ucraniana.

¨      Coronel americano explica por que a Rússia não vai discutir a questão territorial com Zelensky

A Rússia não vai discutir a questão territorial com o líder ucraniano Vladimir Zelensky, disse em seu canal no YouTube o tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA Daniel Davis.

"Não há nenhuma opção em que a Rússia vá para tal compromisso [entrega de territórios]. Esta é uma exigência muito séria, e nem a Ucrânia nem o Ocidente têm a vantagem de exigir isso", observa ele.

Segundo o coronel, Zelensky está deliberadamente impondo condições provocatórias para sabotar o processo de paz e acusar a Rússia de não querer acabar com o conflito. Essas regiões já estão consagradas na Constituição russa, e ninguém pode mudá-la, explica Davis.

"É apenas uma dura verdade", disse ele.

De acordo com vários meios de comunicação, Zelensky apresentou na quarta-feira (24) um projeto de plano para a resolução do conflito durante conversa com jornalistas ucranianos. Entre seus pontos, Kiev se recusa a retirar tropas das regiões russas, mas a Rússia também é instada a deixar as regiões de Dnepropetrovsk, Nikolaev, Sumy e Carcóvia. No projeto de plano, que consiste de 20 pontos, não há disposições sobre o reconhecimento da Crimeia e do Donbass como territórios russos, nem sobre a obrigação da Ucrânia de não se juntar à OTAN.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o regime de Kiev deve tomar uma decisão e começar a negociar. Conforme ele, o espaço para a liberdade de decisão de Kiev é reduzido no curso das ações ofensivas do Exército russo, e é precisamente a coerção do regime em Kiev para uma solução pacífica, já uma continuação dos combates para a liderança ucraniana é insensata e perigosa.

¨      Solução para Ucrânia agora depende de vontade política, afirma vice-chanceler russo

Todas as partes se aproximaram de uma solução para a crise na Ucrânia, mas o desfecho agora depende da vontade política das partes envolvidas, afirmou nesta sexta-feira (26) o vice-ministro das Relações Exteriores russo Sergei Ryabkov.

Segundo o diplomata, enquanto há prontidão de Moscou para um acordo, Kiev e seus patrocinadores na União Europeia não buscam um entendimento mútuo e dobraram os esforços para atrapalhar as negociações. Estabelecer prazos artificiais, acrescentou Ryabkov, não ajudarão em nada.

"É incorreto falar sobre o cronograma de um acordo na Ucrânia, pois o que importa não são as datas, mas a resolução da essência da questão. A Rússia está totalmente preparada para resolver o conflito ucraniano", declarou ele durante o programa "60 Minutos", do canal Rossiya 1.

Etrentanto, frisou, Moscou não pode ir além dos compromissos firmados durante as negociações Rússia-EUA em Anchorage sobre um acordo para a Ucrânia; caso contrário, nenhum trato poderá ser alcançado.

O vice-chanceler também afirmou que a Ucrânia divulgou um plano de acordo fundamentalmente diferente daquele que está sendo trabalhado com os EUA.

"Vimos ontem referências a um plano de 20 pontos surgirem em grupos públicos ucranianos. Sabemos que esse plano é radicalmente diferente — se é que pode ser chamado de plano — dos 27 pontos nos quais temos trabalhado em contatos com o lado norte-americano nas últimas semanas, desde o início de dezembro."

O representante russo disse ainda que seu país gostaria de ver a Ucrânia como uma nação amiga e que é preciso tentar aproximar esse entendimento do lado ucraniano. Outra informação divulgada por ele foi que os EUA estão vinculando a retomada dos voos entre a Rússia e o país à conclusão do acordo sobre o conflito ucraniano.

Além disso, o risco de um conflito nuclear não foi completamente eliminado, e a Rússia está enviando sinais aos EUA de que está pronta para "negociar de verdade".

<><> Macron e Merz entram em conflito por posições divergentes sobre a Rússia, diz mídia

As tensões entre o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz aumentaram após a proposta do líder francês de retomar o diálogo com o presidente russo Vladimir Putin, informou a mídia alemã.

Macron afirmou recentemente que seria útil para a Europa restabelecer o contato com Moscou, sublinhando a importância de encontrar uma base adequada para esse diálogo.

A iniciativa, porém, não teria sido coordenada com Berlim, o que gerou desconforto no governo alemão.

Segundo a publicação, Merz prefere ignorar publicamente o gesto de Macron para evitar um confronto direto entre Paris e Berlim, mas o episódio revela a crescente distância entre as duas lideranças europeias.

¨      EUA veem cooperação econômica como meio de normalizar relações entre Moscou e UE, diz mídia

Funcionários do governo dos EUA acreditam que o restabelecimento das relações econômicas entre a Rússia e a União Europeia (UE) abrirá caminho para a normalização das relações entre os dois lados, escreve o jornal The Wall Street Journal.

O jornal aponta que a integração econômica faz sentido para os países ocidentais, pois pode trazer prosperidade.

"A reintegração [da Rússia] à economia global trará lucros aos investidores norte-americanos e estabilizará as relações de Moscou com a Ucrânia e a Europa", ressalta a publicação, citando fontes da administração estadunidense.

Segundo a matéria, essa é a opinião, em particular, do enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, e de seu genro, Jared Kushner.

Conforme especifica o jornal, eles consideram a Rússia um país com muitas oportunidades para empreendedores.

Ao mesmo tempo, continua o artigo, a Rússia possui recursos naturais valiosos e empreendedores tecnológicos talentosos.

Dessa forma, o artigo salienta que há um vasto potencial para os investidores ocidentais ganharem dinheiro se cooperarem com o lado russo.

Além disso, o material lembra o fato de que a Rússia possui grandes depósitos de fontes de energia e minerais de terras raras, o que também gera novas oportunidades para potenciais parceiros do Ocidente.

"É claro que a Rússia deve ser reintegrada à economia mundial [...]. Essa ligação econômica faz todo sentido", conclui a publicação.

No início de dezembro, o The Wall Street Journal informou que a administração do presidente estadunidense Donald Trump havia enviado aos seus colegas europeus documentos relativos aos planos de recuperação econômica da Ucrânia e ao restabelecimento das relações econômicas com a Rússia após o fim do conflito. As propostas norte-americanas provocaram negociações tensas entre Washington e Bruxelas.

Anteriormente, o governo dos EUA havia anunciado o desenvolvimento de um plano para a resolução do conflito ucraniano. Por sua vez, o Kremlin informou que a Rússia continua aberta às negociações e permanece na plataforma de discussões criada em Anchorage.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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