Quatro
vezes em que o Brasil foi alvo de interferência e pressão dos EUA
O ano
de 2025 foi marcado por uma guinada significativa na política externa dos
Estados Unidos, que gerou uma série de ações diretas e pressões sobre o Brasil.
Motivado
por divergências geopolíticas, a gestão do presidente estadunidense, Donald
Trump, impôs altas tarifas ao Brasil, aplicou sanções da Lei Magnitsky contra
membros do Judiciário brasileiro, revogou vistos de autoridades do governo e
proferiu uma série de ataques e ameaças em postagens nas redes sociais.
A ação
foi considerada o ataque mais direto de Washington ao Brasil nos últimos
tempos, mas não foi a primeira vez que Washington interferiu no cenário interno
brasileiro. A Sputnik Brasil lista cinco exemplos de interferência direta e
indireta norte-americana no Brasil ao longo da história.
<><>
Governo Vargas e Segunda Guerra Mundial (1930-1945)
Durante
o governo Vargas o avanço da Segunda Guerra Mundial dividiu o mundo em dois
polos: as potências do Eixo, compostas por Alemanha, Itália e Japão; e as
potências Aliadas, compostas pelos Estados Unidos, Reino Unido, União Soviética
e China.
Inicialmente,
Vargas adotou a política de equidistância pragmática, mantendo um bom
relacionamento com países de ambos os lados, no intuito de obter vantagens
econômicas, mesmo com simpatias em alas do governo Vargas e nas Forças Armadas
pelos ideais do Eixo.
Porém,
Washington pressionou o Brasil a se alinhar aos Aliados por meio de influência
política e militar. Uma das táticas usadas foi condicionar o financiamento para
a construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ao apoio a seu lado.
Foi
nesse período que os Estados Unidos instalaram bases militares no nordeste,
sendo a base aérea de Natal, em Parnamirim, a mais estratégica durante a
Segunda Guerra por ser o ponto mais próximo do continente com a África. Ela se
tornou um ponto logístico essencial para os Aliados e recebeu o apelido de
"trampolim da vitória".
<><>
Golpe militar (1964)
No
período da Guerra Fria os EUA passaram a ver o Brasil como peça-chave para
conter o avanço do comunismo na América Latina. Nesse período houve
interferência intensa de Washington no Brasil, apoiando governos, grupos
anticomunistas e a imprensa, por vezes com financiamento indireto. A ascensão
de João Goulart (1961-1964) à presidência da República foi vista como ameaça
por conta das reformas de base que propunha e da aproximação com sindicatos.
A mais
famosa e bem documentada interferência norte-americana no Brasil nesse período
foi o apoio ao golpe de 1964. Com respaldo da operação Brother Sam, um plano
secreto estadunidense para fornecer apoio logístico militar, Goulart foi
deposto e foi instaurado um regime militar no país, que obteve o reconhecimento
imediato dos EUA.
Durante
a ditadura, Washington continuou fornecendo treinamento militar, apoio bélico,
financeiro e de inteligência ao Brasil, além de apoiar práticas repressivas
contra dissidentes.
<><>
Onda neoliberal (1985-2002)
Com o
fim da ditadura e a redemocratização do Brasil, a Casa Branca passou a
influenciar o país indiretamente de forma econômica e institucional. Entre os
meios usados estão o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que
fornecia empréstimos que tinham como contrapartidas reformas estruturais no
país que interessavam aos EUA.
O
período de maior influência ocorreu durante o governo de Fernando Henrique
Cardoso, com pressão por privatizações, abertura de mercados e redução do papel
do Estado.
<><>
Espionagem da NSA contra Dilma Rousseff (2013)
Durante
os governos Lula e Dilma Rousseff (2003-2016), o Brasil buscou uma agenda
internacional mais independente e calcada em parcerias com países do Sul Global
e integração regional sul-americana. Em 2003, uma política externa ativa e
altiva, traçada por Celso Amorim, foi instaurada visando promover o Brasil como
player global relevante e liderança do Sul Global.
Em
2006, o Brasil fundou junto com Rússia, China e Índia o grupo BRIC, que teve
sua primeira cúpula em Ecaterimburgo, na Rússia. A reunião foi considerada o
início oficial do grupo, que em 2011 passou a incluir a África do Sul, que se
tornou a letra "S" do BRICS.
A
movimentação do Brasil despertou tensão nos Estados Unidos, como ficou revelado
em 2013 ao vir à tona a espionagem da Agência de Segurança Nacional dos Estados
Unidos (NSA) contra o governo Dilma, exposta pelo ex-funcionário da agência
Edward Snowden e publicada no Wikileaks, plataforma criada por Julian Assange
dedicada a divulgar informações confidenciais vazadas de governos e empresas.
A
investigação do caso expôs que o celular de Dilma estava entre os aparelhos de
líderes monitorados. Os documentos vazados também mostraram que a Petrobras e
ministérios do governo brasileiro foram espionados pela agência de segurança
norte-americana.
• 4 vezes em que o governo federal
precisou intervir em concessões públicas
A
Sputnik Brasil separou casos recentes em que concessionárias foram alvo de
medidas do governo federal por má gestão, crise financeira ou incapacidade de
cumprir o acordo firmado.
O
governo de São Paulo pediu recentemente ajuda ao governo federal para declarar
a caducidade do contrato da Enel, distribuidora de energia para São Paulo e
região. A medida foi tomada após o último apagão gerado pela passagem de um
ciclone extratropical deixar cerca de 2,2 milhões de pessoas sem luz por vários
dias.O movimento conseguiu unir direita e esquerda pedindo o encerramento da
concessão.
Confira
abaixo uma lista de outros momentos em que o governo precisou intervir em
concessões públicas.
<><>
Aeroporto Internacional de Viracopos (Campinas-SP)
Em
2018, uma crise financeira levou a Aeroportos Brasil Viracopos a entrar em
processo de recuperação judicial e a solicitar a devolução da concessão do
aeroporto à União. O motivo alegado foi a redução da movimentação de
passageiros e cargas.
O
governo interveio e assumiu temporariamente a gestão do aeroporto por meio da
Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Após anos de uma longa negociação, o
processo de relicitação foi encerrado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em
junho de 2025, confirmando a permanência da concessionária, que conseguiu se
reestruturar.
<><>
Invepar
Em
2019, a Invepar entrou com pedido formal de processo de relicitação de uma de
suas principais concessões rodoviárias, a BR-040, em Juiz de Fora, Minas
Gerais.
O
motivo do pedido foi o acúmulo de dívidas da concessionária somado à queda no
volume de tráfego nas rodovias, um impacto da crise financeira vivenciada pelo
país no período.
A
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aceitou o pedido, e o governo
iniciou um processo de intervenções regulatórias e de relicitação. Em outubro
de 2025, o Consórcio Elovias assumiu o controle da rodovia.
<><>
Concepa BR-290 (Freeway)
Em
2018, o governo federal decidiu não renovar o contrato da Concessionária da
Rodovia Osório-Porto Alegre (Concepa) para manutenção da rodovia BR-290, uma
das principais do Rio Grande do Sul.
A
medida foi tomada por conta do valor do pedágio cobrado e da falta de
manutenção e atendimento aos usuários. A administração da rodovia foi repassada
temporariamente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes
(DNIT). A partir de 2020, a rodovia passou a ser administrada pela
concessionária CCR ViaSul.
<><>
Aeroporto de São Gonçalo do Amarante
Em
2022, o governo federal interveio de maneira regulatória no aeroporto de São
Gonçalo do Amarante. Localizado no Rio Grande do Norte, o aeroporto é o
principal da capital do estado, Natal.
Na
ocasião, a gestão era feita pela concessionária Inframérica, que entrou com um
pedido de relicitação argumentando incapacidade para cumprir as obrigações
contratuais e financeiras do acordo de concessão.
O
pedido foi acatado pelo governo federal que, para evitar risco à prestação de
serviços, optou pela devolução amigável, restituindo à concessionária cerca de
R$ 199,7 milhões em ativos como indenização pelos investimentos não
amortizados. A medida era crucial para garantir a relicitação. Em 2023, a
Zurich Airport Internacional assumiu a concessão do aeroporto.
• Para 69% dos brasileiros, 2026 será
melhor que 2025, diz Datafolha
Nova
pesquisa Datafolha aponta que 69% dos brasileiros esperam por uma melhora na
vida pessoal em 2026 e 60% veem avanço para o país. A confiança é maior entre
mulheres, nordestinos e pessoas de menor renda, enquanto economistas alertam
que a economia deve desacelerar no próximo ano.
O
otimismo do brasileiro para 2026 cresceu de forma expressiva, segundo pesquisa
Datafolha: 69% dos entrevistados acreditam que sua situação pessoal vai
melhorar no próximo ano, nove pontos acima do registrado na virada anterior.
Apenas 11% esperam piora, e 16% projetam estabilidade.
O
levantamento também mostra aumento do otimismo em relação ao país como um todo.
Para 60% dos entrevistados, 2026 será melhor para os brasileiros em geral,
percentual bem superior aos 47% registrados no ano passado e equivalente ao
observado logo após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
O
entusiasmo, porém, não é homogêneo. Mulheres, pessoas com menor escolaridade e
brasileiros de baixa renda demonstram expectativas mais altas. Entre quem tem
ensino fundamental, 74% esperam melhora; entre quem ganha menos de dois
salários mínimos, o índice chega a 72%.
O
recorte político também influencia o humor: 78% dos eleitores de Lula acreditam
que sua situação pessoal vai melhorar em 2026, contra 61% dos que votaram em
Jair Bolsonaro. Entre os que aprovam o governo, o otimismo chega a 79%,
enquanto cai para 59% entre os que o desaprovam.
Regionalmente,
o Nordeste lidera a confiança, com 75% dos moradores esperando melhora no
próximo ano. O Sul registra o menor índice, ainda assim elevado: 65%. Para os
economistas, esse sentimento positivo reflete o bom desempenho dos indicadores
econômicos em 2025.
A queda
do desemprego para 6,1% — o menor nível da série histórica — e a inflação
dentro da meta contribuíram para a percepção de melhora. O IPCA-15 — prévia da
inflação oficial calculado pelo IBGE — fechou o ano com alta de 4,41%, enquanto
os alimentos tiveram um comportamento favorável, reforçando a sensação de
alívio no orçamento das famílias.
Apesar
disso, especialistas que conversaram com a Folha de S.Paulo projetam um 2026
mais desafiador. A economia dá sinais de desaceleração, com produto interno
bruto (PIB) crescendo apenas 0,1% no terceiro trimestre e juros elevados após a
Selic chegar a 15% ao ano. A expectativa é de leve alta no desemprego, embora o
mercado de trabalho siga relativamente forte.
Programas
do governo, como a ampliação da faixa isenta do Imposto de Renda (IR), o Gás do
Povo e a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida, devem sustentar parte da
atividade econômica, elevando a projeção de crescimento do PIB para 1,6%. Mas
economistas alertam que essas medidas pressionam o quadro fiscal e tornam
improvável o cumprimento da meta de 2026.
Fonte:
Sputnik Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário