terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Origem do beijo teria relação com higiene, sugere estudo

Beijar é algo tão comum quanto ficar em pé, mas você já se perguntou por que os seres humanos se beijam e qual é a origem deste gesto? Embora as novelas tenham popularizado o beijo como uma demonstração de amor, um novo estudo publicado na revista científica Evolutionary Anthropology sugere que esse comportamento pode ter uma origem menos romântica e mais pragmática: a limpeza de parasitas.

O estudo do pesquisador Adriano Lameira, da Universidade de Warwick, entende que o beijo de hoje é um vestígio evolutivo das sessões de higiene dos nossos ancestrais primatas, e pode estar intimamente relacionado aos pelos do corpo.

Um hábito comum entre os chamados "grandes primatas", que incluem chimpanzés e gorilas, é chamado de "catação", quando um animal usa as mãos para mexer nos pelos do outro e tirar parasitas. O comportamento ajuda a manter a higiene e também a criar vínculos.

Segundo Lameira, após a catação, esses animais geralmente realizam um gesto final: pressionam os lábios e fazem uma leve sucção para remover detritos ou parasitas do pelo do parceiro. "O beijo não é um sinal de afeto derivado do ser humano, mas uma forma de higiene primata que manteve sua forma, contexto e função ancestrais", escreve o pesquisador.

Os seres humanos têm mais de 99% de seu DNA compartilhado com os chimpanzés e são parte da família taxonômica dos grandes primatas, também chamados de hominídeos.

À medida que os humanos perderam seus pelos ao longo de milhares de anos, essas sessões de limpeza se tornaram menos necessárias, mas esse último gesto – o "beijo final" – teria persistido como um sinal social, evoluindo gradualmente para o beijo que conhecemos hoje, diz Lameira.

Outras hipóteses apostam em diferentes origens para o beijo. Alguns o relacionam à amamentação, outros à prática de alimentar bebês com alimentos pré-mastigados e alguns até sugerem que o beijo veio de uma forma primitiva de "cheirar" para avaliar a compatibilidade genética. Entretanto, de acordo com Lameira, nenhuma destas propostas explicam o contexto e a função do beijo atualmente.

<><> Beijo: mais uma construção cultural?

Embora a hipótese de Lameira seja intrigante, ela ainda não é tomada como uma teoria, ou seja, não é definitiva. Por exemplo, o beijo não é uma prática universal em todas as culturas.

Um estudo de 2015 publicado na revista American Anthropologist mostrou que apenas 46% das 168 culturas analisadas incluem o beijo romântico em seus costumes. Em algumas comunidades indígenas de caçadores-coletores, o beijo tem função oposta e é considerado desagradável. Isso sugere que o gesto pode ser mais uma construção cultural do que um instinto inato em nossa espécie.

Além disso, outros primatas que são antropoides (possuem características humanas), mas não são hominídeos, têm rituais de ligação social que diferem do beijo. Por exemplo, os macacos-prego demonstram afeto colocando os dedos nas narinas e nos olhos de seus companheiros, um comportamento que, embora seja estranho para nós, tem uma função semelhante em sua sociedade.

Para os humanos, as normas socioculturais também estabeleceram diferentes tipos de beijo. Os antigos romanos, por exemplo, faziam distinção entre três tipos: o osculum (beijo no rosto para demonstrar afeto social), o basium (beijo nos lábios para relações não sexuais íntimas) e o savium (beijo erótico).

<><> Estudos futuros

A hipótese de Lameira abre um caminho promissor para futuras pesquisas sobre a evolução do beijo e de outros comportamentos humanos. Ciente de que ainda há muito a ser explorado, o pesquisador sugere que a comparação dos hábitos de higiene entre diferentes espécies de macacos, especialmente aqueles com diferentes densidades de pelos, poderia revelar pistas importantes sobre a origem e a evolução desse gesto.

"Para entender a evolução futura do beijo humano e de outros comportamentos exclusivos de nossa espécie, será importante levar em conta e pesar a influência do contexto socioecológico, cognitivo e comunicativo mais amplo dos ancestrais humanos", conclui Lameira.

•        Inteligência de corvos é comparável à de primatas, diz estudo

A expressão "cérebro de passarinho" pode ganhar todo um novo sentido após pesquisadores alemães concluírem que corvos podem ser tão espertos quanto alguns de nossos ancestrais mais próximos. A descoberta tem o potencial de ajudar a desvendar "um dos grandes mistérios da ciência", salientaram os cientistas: a evolução da inteligência.

Em um estudo publicado nesta sexta-feira (11/12) na revista Scientific Reports, pesquisadores da Universidade Osnabrück e do Instituto Max Planck de Ornitologia (MPIO), na Alemanha, compararam as habilidades cognitivas físicas e sociais de corvos com as de chimpanzés e orangotangos.

Após aplicação de testes experimentais originalmente desenvolvidos para primatas e adaptados para os pássaros, os pesquisadores concluíram que os corvos comuns já haviam desenvolvido habilidades cognitivas plenamente desenvolvidas aos quatro meses de idade, semelhantes às dos macacos adultos na conclusão de várias tarefas.

Os pesquisadores salientaram que este foi o primeiro estudo em "grande escala" das habilidades cognitivas de corvos. O estudo pode fornecer pistas sobre a evolução cognitiva "paralela" entre mamíferos e pássaros, cujas linhas evolutivas teriam se separado há aproximadamente 300 milhões de anos.

<><> Como os testes foram conduzidos?

Oito corvos comuns com idades entre 4, 8, 12 e 16 e criados em cativeiro foram avaliados no Instituto Max Planck (MPIO) de Ornitologia, perto de Munique. Eles foram soltos em um aviário ao ar livre e submetidos ao chamado teste PCTB, sigla em inglês para "Bateria de Testes de Cognição de Primatas", geralmente usado em macacos de grande porte.

Em um dos testes, por exemplo, um corvo deveria selecionar uma de três xícaras em movimento que escondia uma guloseima, usando seu bico para bicar ou apontar para ela, enquanto um chimpanzé usaria um dedo.

Também foram realizados testes para verificar se as aves compreendiam causalidade, tinham memória espacial e rotacional, podiam se comunicar olhando e apontando e exibiam capacidade mental ao seguir os olhares dos outros corvos.

<><> Independência aos quatro meses

Já aos quatro meses, as aves demonstraram habilidades cognitivas "desenvolvidas" ao lidar com nove tarefas físicas e seis sociais, disseram as principais cientistas envolvidas no projeto, a professora Simone Pika, da Universidade Osnabruck, e Miriam Sima, do MPIO.

"Aos quatro meses de idade, os corvos jovens já são bastante independentes", disse Pika.

"Nossos corvos e os primatas de grande porte demonstraram semelhanças consideráveis", disseram os autores, referindo-se às habilidades cognitivas testadas até os pássaros completarem 16 meses.

Para estudos futuros, os cientistas pretendem desenvolver testes que identifiquem habilidades específicas para cada espécie.

 

Fonte: DW Brasil

 

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