Cuba
denuncia, à União Econômica Eurasiática, 'propósito imperial e criminoso' dos
EUA
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel denunciou
durante a reunião do Conselho Econômico Supremo da Eurásia, o conceito
estadunidense de “paz pela força”, especialmente a campanha de
agressão contra a Venezuela.
Díaz-Canel
declarou que “este destacamento aéreo e naval na região e a ameaça de agressão
militar contra a Venezuela revelam o propósito imperial, hegemônico e criminoso
da administração que atualmente ocupa a Casa Branca”.
Durante
seu discurso, ele se referiu ao aumento das tensões no Caribe, geradas
pelas medidas e ações dos Estados Unidos contra a Venezuela, alertando que a
nova Estratégia de Segurança norte-americana, que chamou de “corolário Trump” à
Doutrina Monroe, agravam os enormes desafios que a humanidade enfrenta.
O
Presidente de Cuba condenou veementemente as ações “ilegítimas” e expressou sua
sincera gratidão a todas as nações da União Econômica Eurasiática (UEE) pelo
apoio contínuo à resolução que exige o fim do bloqueio econômico, comercial e
financeiro intensificado que os Estados Unidos impuseram a Cuba.
Ele
também destacou que, apesar da pressão sem precedentes da atual administração
norte-americana, uma esmagadora maioria dos países na Assembleia Geral das
Nações Unidas apoiou a condenação dessa política.
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‘Paz pela força’
Díaz-Canel
também alertou para a complexa situação global, caracterizada pelo
unilateralismo, pelo descumprimento das instituições
multilaterais e
pela violação dos princípios do direito internacional e da Carta das Nações
Unidas.
Nesse
contexto, ele denunciou as contínuas sanções unilaterais destinadas a sufocar
as economias e punir populações inteiras. “A aliança entre nossas nações se
ergue como um bastião do multilateralismo, da construção de consensos, da
cooperação e do diálogo”, afirmou.
“De
forma flagrante, o governo dos Estados Unidos está tentando impor a ideia de
que o Hemisfério Ocidental é sua esfera de influência exclusiva e promovendo o
conceito aberrante de paz pela força”, disse ele.
O
presidente cubano enfatizou que essas ações violam a Proclamação da América
Latina e do Caribe como Zona de Paz, bem como os propósitos e princípios da
Carta das Nações Unidas e do direito internacional.
“Cuba
denunciou e alertou a comunidade internacional sobre a perigosa e ameaçadora
escalada militar no Caribe por parte do governo dos Estados Unidos”, enfatizou.
Os
Estados Unidos interceptaram dois petroleiros no Caribe; o primeiro foi
apreendido por forças militares norte-americanas na semana passada, enquanto o
segundo foi apreendido no último sábado (20/12). A vice-presidente venezuelana,
Delcy Rodríguez, declarou que essas ações não ficarão impunes.
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Colômbia anuncia investimento milionário para fortalecer
defesa interna
O governo colombiano anunciou neste
domingo (21/12) um investimento de US$ 12.7 milhões (cerca de R$ 72 milhões)
para um plano de fortalecimento das capacidades de defesa e segurança nacional,
em uma estratégia que prevê proteção contra ameaças de organizações armadas no
país. A medida instruída pelo presidente Gustavo Petro será
formalizada através de um documento do Conselho Nacional de Política Econômica
e Social (Conpes), com projeção de execução para a próxima década.
Segundo
o ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez, a prioridade é a “segurança
humana e a proteção da vida” em territórios considerados vulneráveis. Os
recursos destinados a esse fortalecimento, conforme o governo, permitirão a
integração de tecnologias avançadas e a melhoria das condições de trabalho.
A
administração nacional afirmou que o investimento em segurança busca “gerar um
ambiente de prosperidade e desenvolvimento social” nas regiões, com foco em
responder às necessidades de comunidades afetadas diretamente pela violência em
áreas rurais.
O
anúncio ocorre após ajustes táticos definidos pelo Conselho de Segurança para
aumentar a presença estatal em departamentos como Cauca e Norte de Santander.
As modificações foram realizadas após ataques registrados em Aguachica e Buenos
Aires, onde o uso de explosivos causou ferimentos a dezenas de membros das
forças de segurança.
Na
última quinta-feira (18/12), sete soldados morreram e outros 31 ficaram feridos
em decorrência de um ataque armado a uma base militar localizada no município
de Aguachica, no departamento de Cesar. Segundo fontes militares, o Exército de
Libertação Nacional (ELN) seria o responsável pelo incidente, que usou drones e
outros materiais explosivos contra a instalação usada para fins de treinamento.
O
ministro Sánchez enfatizou que o novo dispositivo estratégico tem como objetivo
“garantir a tranquilidade dos habitantes e proteger a infraestrutura produtiva
local”, em resposta a uma escalada de incidentes violentos que causaram danos
em várias zonas rurais.
Por sua
vez, o presidente Petro instruiu os comandantes militares a otimizarem o uso
dos recursos para “neutralizar ações que violassem a soberania territorial”.
Em
paralelo, o governo reafirmou seu compromisso com “a paz e a justiça social”,
declarando que as capacidades do Estado serão direcionadas para a defesa dos
direitos fundamentais de setores historicamente excluídos.
O
Conpes, órgão responsável pela coordenação do planejamento técnico e econômico
dos investimentos públicos no país, será o encarregado de estabelecer as
prioridades de longo prazo para fortalecer a presença institucional em áreas de
conflito e promover “a integração social por meio do uso eficiente das finanças
nacionais”.
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Lula defende cooperação sul-americana contra o crime
organizado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante
a Cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, que enfrentar o crime organizado deve
ser uma das prioridades do bloco, formado por
Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, não importando o perfil
político dos governos dos países.
Ele
citou que o enfraquecimento das instituições democráticas é um dos problemas
que abre caminho para atividades ilícitas. O presidente também citou uma série
de ações em curso entre os países sul-americanos.
“A
segurança pública é um direito do cidadão e um dever do Estado,
independentemente de ideologia. O Mercosul demonstrou disposição de enfrentar
as redes criminosas de forma conjunta. Há mais de uma década, criamos uma
instância de autoridades especializadas em políticas contra as drogas”, disse o
presidente.
Em
outro momento, o mandatário apontou que “neste semestre, assinamos um acordo
contra o tráfico de pessoas, criamos uma comissão para implementar uma
estratégia comum contra o crime organizado transnacional, e instituímos um
grupo de trabalho especializado sobre recuperação de ativos, a fim de asfixiar
as fontes de financiamento de atividades ilícitas”.
Lula
ainda defendeu que haja regulação dos ambientes digitais para o combate ao
crime e anunciou uma reunião internacional com ministros da área de segurança
para debater o assunto.
“Concordamos
que a internet não é um território sem lei e adotamos medidas para proteger
crianças e adolescentes e dados pessoais em ambientes digitais. A liberdade é a
primeira vítima de um mundo sem regras. Mas essa é uma luta que vai além do
Mercosul. Não existe hoje, em funcionamento, uma instância de abrangência
sul-americana dedicada a esse problema. Por isso, em consulta com o Uruguai, o
Brasil pretende propor a convocação de uma reunião de ministros da Justiça e de
Segurança Pública do Consenso de Brasília para discutir como fortalecer a
cooperação sul-americana no combate ao crime organizado”, afirmou.
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Violência de gênero
Na
Cúpula do Mercosul, Lula abordou o tema da violência contra as mulheres, um dos
principais desafios de segurança pública no Brasil, mas que também é problema
em nações vizinhas.
“A
América Latina também ostenta o triste recorde de ser a região mais letal do
mundo para as mulheres. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o
Caribe (Cepal), 11 mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente.
Enviei, ontem, para a ratificação do Congresso Nacional, acordo que permitirá
que mulheres beneficiadas por medidas protetivas em um país do bloco tenham a
mesma proteção nos demais países. Gostaria de propor ao Paraguai, que assume
hoje a presidência do bloco, que trabalhemos para criar um grande pacto do
Mercosul pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres”, afirmou o
presidente, que tem feito reiterados discursos propondo um mutirão nacional de
combate à violência de gênero.
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Risco de conflito militar
Um
outro ponto chave do discurso de Lula na reunião do Mercosul, deste sábado, foi
o risco de um conflito armado na América do Sul, diante da ameaça de
intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que pode à tentativa de
derrubar o atual regime do presidente Nicolás Maduro e desencadear uma nova
guerra. Hoje, tropas dos Estados Unidos cercam o Mar do Caribe na fronteira
venezuelana, sob alegação de combate ao narcotráfico.
“Passadas
mais de quatro décadas, desde a Guerra das Malvinas, o Continente sul-americano
volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os
limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada
na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente
perigoso para o mundo”, alertou Lula.
Além de
defender uma doutrina de paz na América do Sul, Lula fez uma defesa da
democracia e exaltou a capacidade das instituições brasileiras debelaram a
tentativa de golpe de Estado, há quase três anos.
“A
democracia brasileira sobreviveu ao mais duro atentado sofrido desde o fim da
ditadura. Os culpados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 foram
investigados, julgados e condenados conforme o devido processo legal. Pela
primeira vez na sua história, o Brasil acertou as contas com o passado”, disse.
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Brasil não assina comunicado sobre Venezuela liderado pela Argentina
Parte dos membros do Mercosul, sob liderança
da Argentina, divulgou comunicado conjunto pedindo o restabelecimento da
democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela. O documento foi
assinado à margem da cúpula do bloco, que ocorreu neste sábado (20/12), em Foz
do Iguaçu (PR), sob a presidência do Brasil.
O presidente Luiz
Inácio Lula da Silva não assina o comunicado, bem
como o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. A avaliação do Palácio do Planalto
é que um documento desses, assinado pelo Mercosul, poderia ser lido por
autoridades dos Estados Unidos como um apoio a uma eventual ação militar
norte-americana na Venezuela; e isso não
interessa ao Brasil.
A carta não menciona a tensão entre os
Estados Unidos e a Venezuela nem o aumento da presença militar estadunidense na
região do Caribe. O governo do presidente Donald Trump não reconhece Nicolás
Maduro, no poder desde 2013, como líder legítimo da Venezuela.
Os Estados Unidos vêm bombardeando
embarcações e apreenderam navios de petróleo, sob a justificativa de estar
combatendo as rotas de narcotráfico que abastecem os Estados Unidos. Já para o
presidente Nicolás Maduro, há interesses nas riquezas petrolíferas do país e o
reforço militar na região tem o objetivo de tirá-lo do poder.
O país caribenho é um dos maiores produtores
de petróleo do planeta. O produto é o coração da economia da Venezuela, e a
ação norte-americana pode causar uma asfixia financeira ao país.
<><> Comunicado
O comunicado emitido ontem foi feito em nome
dos presidentes da Argentina, Javier Milei; do Paraguai, Santiago Peña; e do
Panamá, José Raúl Mulino. Autoridades do alto escalão da Bolívia, do Equador e
do Peru também assinaram a carta. Eles expressaram “profunda preocupação” com a
grave crise migratória, humanitária e social na Venezuela, país suspenso do
bloco sul-americano.
“[Os líderes] reafirmaram seu firme
compromisso de alcançar, por meios pacíficos, a plena restauração da ordem
democrática e o respeito irrestrito aos direitos humanos na Venezuela”, diz o
comunicado.
O Mercosul foi fundado em 1991 por Argentina,
Brasil, Paraguai e Uruguai e, em 2012, aceitou a Venezuela como membro. Em
2017, entretanto, o país foi suspenso por ruptura da ordem democrática, com
base nas cláusulas do Protocolo de Ushuaia, assinado em 1998 e que trata dos
compromissos democráticos dos países do bloco.
No comunicado, os países ainda ratificaram a
validade do Protocolo de Ushuaia e reiteraram, entre outros, “a articulação de
mecanismos para a defesa da democracia”. Eles pedem, ainda, a libertação dos
presos políticos.
O presidente Lula não reconheceu oficialmente
Nicolás Maduro como vitorioso nas eleições realizadas em julho de 2024 na
Venezuela, mas o governo vem sendo “profundamente cauteloso” com os temas que
envolvem o país vizinho.
Nesse sentido, a avaliação do Palácio do
Planalto é que não funciona aprovar uma declaração falando que é preciso
resolver um problema político e não mencionar que há uma “ameaça de solução
militar” pelos Estados Unidos.
<><> Catástrofe
Em entrevista a jornalistas, na última
quinta-feira (18/12), no Palácio do Planalto, Lula informou ter mantido
conversas por telefone tanto com Maduro como com Trump, na tentativa de buscar
uma solução diplomática para a situação. Durante a reunião do Mercosul, ele
afirmou que uma intervenção na Venezuela geraria uma catástrofe humanitária e
um precedente perigoso para o mundo.
“Passadas mais de quatro décadas desde a
Guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela
presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito
internacional estão sendo testados”, disse Lula aos líderes, ao discursar.
Já o presidente da Argentina, Javier Milei,
chamou Nicolás Maduro de “narcoterrorista” e elogiou as ações militares na
costa venezuelana.
“A Argentina acolhe com satisfação a pressão
dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo
da timidez nesta questão já passou”, disse em discurso na cúpula do Mercosul.
Fonte:
TeleSUR/Opera Mundi

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