sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Tarso Genro: O ilustrado Zohran Mamdani

Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Foi o filósofo que instituiu no século 19 a ideia da “autoconfiança”, como predicado do indivíduo para o sucesso e a felicidade, bem como para a formação do “ethos” da nação, no sonho americano. Um episódio na vida espiritual de Emerson define os limites do sonho, cujo sucesso e fracasso ficou evidente logo depois Guerra da Secessão: o sonho americano tinha suas antinomias.

Em St. Augustine, na Florida, no pátio ao lado do auditório em que Ralph Waldo Emerson apregoava suas ideias numa reunião da Sociedade da Bíblia, ocorria um leilão de escravos, cujos lances de compra e venda perturbavam a exposição do filósofo. Ali, ele expressou num curto parágrafo a visão de mundo que caracterizaria a sociedade americana: “uma orelha ouvia boas novas de grande felicidade, enquanto a outra se regalava com as proclamações do mercado: ‘Vendido, senhores, vendido!’”. A Liberdade branca calculava o seu preço.

Alexis de Tocqueville (1805-1859) fez convergir o individualismo libertário para a liberdade na comunidade, democraticamente vivida, onde a liberdade e a regra espontânea do justo estariam presentes na vida comum. À associação entre os indivíduos conscientes dos seus direitos, se somaria o bloqueio do despotismo estatal, sempre: “para ser livre, é preciso ser capaz de conceber um empreendimento difícil (…); é preciso se habituar a uma existência plena de agitação, movimento e perigo; e a cada instante dirigir um olhar inquieto ao redor de si”. “Olhar o entorno”, como recomendou Norberto Bobbio bem mais de um século depois.

Na utopia de Ralph Waldo Emerson estava o chamamento à liberdade –como apelo confiante a um futuro construído pelo arrojo dos indivíduos decididos –, mas, na utopia de Alexis de Tocqueville, a subjetividade livre dos humanos vai construir a boa vida comunitária, sem precisar ser ordenada por um estado organizador que se vingasse poderia eliminar o que no futuro chamar-se-ia de sonho americano.

O revolucionário sardo, Antonio Gramsci (1891-1937) que via no campo da política o espaço da indeterminação e da contingência, confiava no “bom senso comum” erguido à condição de vontade coletiva.

Esta codificação da autoconfiança permitiria aos humanos, organizados na política, ganhar as opiniões da sociedade antes de assumir o poder de Estado, que seria iluminado por uma ordem da liberdade coletiva de todos: é a práxis de “viver livre”, na luz do estado orgânico unido e plural, que assume todos como iguais, para “uma vida livre” revolucionária e transformadora em movimento: ordem material da liberdade, igualdade e fraternidade” já esquecida pelo iluminismo. John Kennedy foi seu falso profeta, Donald Trump seu coveiro real.

As duas visões de mundo – de Emerson e Tocqueville – convergem, por isso mesmo, para um personagem contemporâneo num país em que se acelera a perda da ideia de nação como ficção da igualdade, que já depois da Segunda Guerra transformaria os Estados Unidos na grande Polícia da humanidade.

Finda a guerra do Vietnã, novos tempos de decadência fazem o desenho autoritário, internamente, que fortalece os EUA para a celebração comunitária do povo juridicamente formal, composto majoritariamente pelos brancos abonados e violentos. Diz Donald Trump: “eu faço porque eu posso”. Do outro lado do sonho ideal dos “pais fundadores” – de um poder americano, de glórias pessoais e tragédias coletivas – nasce o novo contraponto das utopias democráticas: misoginia, racismo e falsos deuses do dinheiro fictício e da prosperidade fictícia.

Uma pequena lente na literatura para, de forma minimalista, verificar os mundos que se chocam. O fim das ilusões está no personagem Rocky Rhodes, do romance As propriedades da sede, de Marianne Wiggins. Ele protege o seu rancho defendendo-o da drenagem promovida pelo Departamento de Águas de Los Angeles, que no auge do capitalismo industrial (antes da revolução infodigital) elimina os seus lençóis aquíferos.

Rocky é o tipo de homem-produto anteriormente confiante da Revolução Americana, que casa o “sonho” do domínio da natureza e de concórdia social, com o de afirmação da família, o que lembra tanto o transcendentalismo de Ralph Waldo Emerson, como o comunitarismo de Alexis de Tocqueville. “Azul mais escuro nas sombras, a sensação que imperava na água; água no vapor das velozes nuvens alongadas, baixas e planas, típicas das manhãs naquele vale, água no gelo azul das montanhas; água, água por toda parte, menos onde ele precisava”.

Leo Proudhammer, personagem negro mestiço, está no outro lado do sonho, que emergiu no livro clássico de James Baldwin, “Diz-me há quanto tempo partiu o comboio”. Surge ali, na voz de toda uma geração, o registro vivo do sonho avesso à nação oficial, cujas conexões com os brancos finos e intelectuais das classes ricas de Nova York, são construtores privilegiados de um novo mundo, ameaçado pelos edifícios escuros do Harlem. O país escravocrata se redesenha lentamente no sistema iluminista e contra seus limites: “O corredor era escuro, cheirava a comida, a fraldas fervidas, a homens e rapazes que ali mijavam às tantas da noite, a vinho azedo, a lixo putrefato. As paredes estavam cheias de informação que mal conseguiam ler e não sabiam como utilizar(…)”.

O que fez Zohran Mamdani para furar a história contemporânea, diluir bloqueios e costurar mensagens, a partir das escutas dos coletivos que multiplicaram demandas de grupos vulneráveis e atuantes? Qual a linguagem que criou linhas horizontais no tempo real e expressou, não somente as necessidades concretas deste verdadeiro “partido novo tipo”, mas também elevou as emoções a uma política de sentimentos e ambições possíveis?

É a linguagem que vai – para Zohran Mamdani – valorizando as gentes na melhor natureza dos seus instintos coletivos de comunhão, legitimando e configurando – sem a verticalidade dos partidos do século passado – o povo real que decide: Zohran Mamdani pode nos frustrar no futuro, mas hoje reorganizou as nossas utopias.

No Brasil das últimas informações sobre os episódios no Congresso e no Senado, que circularam na manhã de 11 de dezembro, ficou demonstrado que a direita mais conservadora e fisiológica – aliada à extrema direita de caráter fascista – aprendeu mais com Antonio Gramsci do que a própria esquerda.

Entenderam o que é a “guerra de posição”, com casamatas e trincheiras, e a “guerra de movimento”, que acelera tempo e espaço, em tempos de enfrentamento. Acordos velados nas mesas e nos escaninhos da Câmara e do Congresso – somados ao cerco de boa parte da imprensa e de uma parte das redes – conseguiram erguer casamatas e trincheiras para proteger o Estado, também cercado pelo crime e pelas milícias, cujos mandatos no Congresso tramam a “anistia” na sequência do golpe continuado.

Este Congresso, que não é pior do que o Congresso americano, ao “reformar” e tornar sem efetividade total uma sentença do Supremo Tribunal Federal, que eliminou da política imediatamente o ídolo doente, tende agora a purificá-lo. A ironia foi que, enquanto no Brasil a Câmara reduzia a legitimidade do STF como “guardião” da Constituição, ao mesmo tempo – em Nova Iorque – foi refeita a memória mitigada de Emerson e Tocqueville, alheios aos impactos do escravismo colonial do “Made in USA”.

A eleição de Zoran Mandani, como Prefeito de Nova York, em 4 de novembro de 2025, aos 34 anos, muçulmano de esquerda, crítico radical do capitalismo trumpista e defensor de um sistema de subsídios alimentares para os mais pobres; defensor dos direitos dos imigrantes de todas as origens e apoiador irrestrito dos direitos humanos, é a principal novidade política da era Trump. A dimensão de tal vitória ainda não foi compreendida de todo, mas já apresenta alguns fundamentos para o futuro.

Zoran desafiou a tradição taticista – que ingressa e sai do repertório das esquerdas desde o século passado – transformando o sincericídio em estratégia vitoriosa. No oceano de desumanidades que banha a “maior democracia do mundo” surgiu a palavra certa, como uma premissa, não como predicado manipulado. E acertou o coração das pessoas que, de massa informe, passaram a ser um conjunto de indivíduos conscientes com propósitos comuns.

Primeira hipótese: será que a concentração de ódios represados, exclusões intermináveis, guerras semeadas pelo keinesianismo militar do liberalismo sem freios, fundiu em definitivo, tática e estratégia, defesa e ataque, culpa e glória, numa vasta parcela do povo americano? Penso, provisoriamente, que sim.

Uma segunda hipótese. Esta vitória improvável, que circulou no mundo inteiro sem que as mais brilhantes das análises tenham conseguido desvendá-la por inteiro, no conjunto dos seus fenômenos tem acertos eleitorais e escolhas programáticas, mas será duradoura? Ninguém sabe, mas foi a vitória que obrigou Donald Trump a colocar, ao seu lado e em pé, um iluminista muçulmano – ousado e livre – autoconfiante para voar no cenário político dos americanos comunitários, refazendo o seu sonho na decadência iluminista “real”.

Uma terceira e mais radical das hipóteses: o “jeito” de pensar dos muçulmanos em contato com a democracia política e aquilo que o iluminismo tem de libertador, está gerando uma nova cultura política contra a degradação da democracia americana? Nas antinomias de Emerson e Tocqueville sobrevive a humildade rebelde dos estranhos: com novas condutas de vida comum e civilidade democrática liberal.

O neofascismo trumpista e o espírito colonial-imperial americano, que dele emerge, está sendo testado pelo que resta de sentido na revolução americana, em oposição ao que resta da Ku Klux Klan, já submetida a testes de validade, desde o fim da guerra do Vietnã. Melhores tempos ásperos nos esperam? As contingências e as indeterminações da política, como diria o Sardo, é que vão responder se esta possibilidade existe ou não, mas elas aí estão a nossa frente, refinadas e agudas como um punhal mouro. E espessas como “um oceano de couro”, como disse Neruda, no rosto seco dos muros de Castela.

¨      Trump triplica auxílio para retorno voluntário de migrantes

O governo dos Estados Unidos triplicou o auxílio oferecido a imigrantes que optarem por deixar voluntariamente o país, elevando o valor da assistência financeira para 3 mil dólares (R$ 16 mil), informou o Departamento de Segurança Interna (DHS) nesta segunda-feira (22/12).

O auxílio será concedido a pessoas em situação irregular nos EUA que se inscreverem para autodeportação até o final do ano, afirmou o DHS. A oferta inclui uma passagem aérea de volta ao país de origem.

"Imigrantes ilegais devem aproveitar esta oportunidade e se autodeportar, pois, caso contrário, nós os encontraremos, os prenderemos e eles nunca mais retornarão", declarou a secretária do DHS, Kristi Noem, em comunicado.

Em março, o governo do presidente Donald Trump lançou uma nova versão do aplicativo chamado CBP Home para facilitar a autodeportação. O aplicativo, anteriormente chamado CBP One, foi usado pelo antecessor de Trump, Joe Biden, para permitir que imigrantes entrassem legalmente nos EUA.

Em maio, o DHS afirmou que o custo médio para prender, deter e deportar alguém sem status legal era de cerca de 17 mil dólares.

<><> Repressão deve aumentar em 2026

O presidente Trump, que assumiu o cargo em janeiro prometendo níveis recordes de deportações, intensificou a repressão à imigração. Embora tenha prometido remover um milhão de imigrantes por ano, seu governo deportou cerca de 622 mil imigrantes em 2025.

O governo prepara uma ofensiva ainda mais agressiva contra a imigração para o ano que vem, com bilhões de dólares em novos recursos. Autoridades americanas planejam contratar milhares de agentes de imigração, abrir novos centros de detenção e firmar parcerias com empresas externas para rastrear pessoas sem status legal.

Entre outras ações, as medidas incluem a realização de mais batidas policiais em locais de trabalho.

Trump já enviou agentes de imigração para as principais cidades dos EUA, onde eles invadiram bairros e entraram em confronto com moradores. Embora agentes federais tenham realizado algumas batidas de grande repercussão em empresas este ano, eles evitaram em grande parte invadir fazendas, fábricas e outras setores que são economicamente importantes, mas que empregam imigrantes sem status legal.

O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha de Fronteiras receberão 170 bilhões de dólares em fundos adicionais até setembro de 2029, após o Congresso aprovar um pacote de gastos massivo em julho. Hoje, os seus orçamentos anuais existentes giram em torno de 19 bilhões.

<><> Impopularidade das ações anti-imigração

Os planos de deportação ampliados ocorrem apesar dos crescentes sinais de reação política às vésperas das eleições de meio de mandato do próximo ano.

Miami, uma das cidades mais afetadas pela repressão de Trump devido à sua grande população imigrante, elegeu na semana passada o primeiro prefeito democrata em quase três décadas. O candidato eleito afirma ser esta, em parte, uma reação ao presidente.

Outras eleições locais e pesquisas sugerem uma crescente preocupação entre os eleitores receosos com táticas agressivas de repressão à imigração.

A taxa de aprovação geral de Trump em relação à política de imigração caiu de 50% em março, antes de o republicano lançar medidas repressivas em várias grandes cidades dos EUA, para 41% em meados de dezembro.

¨      Países ricos freiam imigração apesar da falta de mão de obra

Um relatório divulgado no mês passado mostrou que a migração de trabalhadores está caindo globalmente, apesar de as sociedades envelhecidas nos países ricos se verem confrontadas com uma crescente escassez de mão de obra.

Esse declínio global começou bem antes da reeleição do presidente Donald Trump, que fez sua campanha eleitoral em 2024 com a promessa de restringir drasticamente a imigração.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que monitora as políticas econômicas e sociais globais, a migração relacionada ao trabalho para seus 38 países membros caiu mais de um quinto em 2024 (21%).

Essa queda foi impulsionada menos pela demanda do que pela crescente oposição política à imigração e por regimes de vistos mais rigorosos em países de economias avançadas, constatou o relatório Perspectivas da Migração Internacional 2025. Em contraste, a migração temporária para trabalhar continuou aumentando.

<>< Declínio impulsionado por dois países

A maior parte do declínio mundial na migração laboral permanente foi impulsionada por mudanças nas políticas de dois países: o Reino Unido e a Nova Zelândia .

Na Nova Zelândia, a queda esteve ligada ao fim de um programa de residência pós-pandemia que permitiu a mais de 200 mil imigrantes temporários e seus dependentes se estabelecerem de forma permanente. Esse programa se encerrou em julho de 2022.

No caso do Reino Unido, após o Brexit , o governo local reformou o visto para trabalhadores da saúde e assistência social, restringindo os critérios de elegibilidade dos empregadores e proibindo a entrada de dependentes, o que resultou numa forte redução nos pedidos de visto.

A OCDE destacou justamente a área da saúde como um setor onde restrições desse tipo podem agravar a escassez de mão de obra.

A especialista em migração Seeta Sharma, que assessorou as Nações Unidas e o governo da Índia, alerta que as reformas feitas pelo Reino Unido, incluindo também uma medida para restringir os critérios de elegibilidade para estudantes internacionais que desejam trabalhar após a formatura, podem ser contraproducentes para o país.

"É a transição dos estudos para o trabalho que está sendo restringida", explica Sharma. "Se isso acontece, as inscrições diminuem, pois os indianos, por exemplo, não vão mais gastar grandes somas em educação no exterior se não houver um retorno claro do investimento."

<><> Políticas de governo

No caso dos Estados Unidos, limites mais rígidos para os vistos H-1B (o principal programa que permite a profissionais estrangeiros de áreas como tecnologia, engenharia e medicina trabalharem no país) foram introduzidos durante o governo do presidente Joe Biden.

Desde então, Trump aumentou substancialmente o custo do visto para os empregadores , de entre 2 mil e 5 mil dólares para 100 mil dólares. A agenda política do republicano, de um modo mais amplo, tem se concentrado em limitar as vias de imigração permanente.

Austrália , por sua vez, elevou os limites salariais para vistos de trabalho qualificado, enquanto o Canadá ajustou as vias de imigração para trabalhadores temporários, contribuindo também para o declínio mais amplo na imigração relacionada a empregos.

Os países nórdicos também registraram grandes quedas, com a Finlândia tendo uma queda de 36% em comparação com 2023.

Na Alemanha , as políticas de imigração mais rígidas do ex-chanceler federal Olaf Scholz contribuíram para uma queda de 12% nos fluxos de imigração permanente em 2024, quando 586 mil trabalhadores estrangeiros entraram no país. O número de pessoas que chegaram com vistos de trabalho foi 32% menor do que no ano anterior. Essas reformas foram ampliadas pelo governo do novo chanceler federal, Friedrich Merz .

O professor de economia Herbert Brücker, da Universidade Humboldt de Berlim, diz que esse declínio cria problemas para a economia alemã. "Nós precisamos da migração para substituir os trabalhadores que se aposentam. Sem ela, não conseguimos manter a oferta de mão de obra estável."

<><> Alta demanda por trabalhadores na UE

Em toda a União Europeia (UE), cerca de dois terços dos empregos criados entre 2019 e 2023 foram preenchidos por cidadãos de países de fora do bloco europeu, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o que destaca a dependência da Europa da mão de obra externa.

Globalmente havia 167,7 milhões de trabalhadores migrantes em 2022, segundo estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Isso representava 4,7% da força de trabalho global total. Mais de dois terços deles, ou 114,7 milhões, viviam em países de alta renda.

Apesar da queda em 2024, a migração global relacionada ao trabalho permanece acima dos níveis pré-pandemia de covid-19. O que o relatório da OCDE revela é como esses fluxos podem ser abruptamente interrompidos por decisões políticas, baseadas em temores sociais sobre a imigração ilegal e não na real demanda econômica, que permanece em níveis elevados.

A agenda do segundo mandato de Trump amplificou essa dinâmica, com decretos executivos para restringir a imigração legal e ilegal. O governo Trump argumenta que essas medidas são necessárias para proteger os trabalhadores americanos.

<><> Opção pelo trabalhador temporário

Já a migração laboral temporária ou sazonal manteve-se estável em 2024, mesmo com a diminuição dos fluxos permanentes, de acordo com o relatório da OCDE.

Isso reflete a opção de governos dos países ricos por programas de curto prazo que podem ser expandidos ou reduzidos conforme a necessidade. "A ideia é: 'Vamos trazer pessoas quando quisermos e fechar as portas quando não quisermos. Só não vamos ter essa gente 'diferente' em nosso país para sempre'", critica Sharma.

Os programas de trabalhadores sazonais e temporários estavam com alta demanda na Austrália, na Europa e na América do Norte, onde empregadores nos setores agrícola, de cuidados e de construção preencheram lacunas em sua força de trabalho com eles.

A OCDE observa que os programas de migração temporária também estão cada vez mais sendo utilizados pelo setor de tecnologia e outros altamente qualificados.

<><> Dificuldades para a integração

Além de tentar atrair mais trabalhadores estrangeiros, a OCDE instou as economias avançadas a integrá-los melhor ao mercado de trabalho. Entre as medidas essenciais sugeridas estão os cursos de idiomas e o acesso a serviços sociais, juntamente com o reconhecimento das qualificações obtidas nos países de origem. Muitas vezes, os imigrantes são empregados em trabalhos de qualificação abaixo da sua formação.

Brücker, que é pesquisador de migração no Instituto Alemão de Pesquisas sobre Emprego (IAB), observa que as reformas destinadas a tornar a maior economia da Europa mais atraente para trabalhadores estrangeiros não funcionaram devido a processos lentos e à burocracia.

"O reconhecimento de diplomas e treinamento profissional leva anos e isso dificulta a vinda de trabalhadores qualificados", diz. O resultado é que a Alemanha tem hoje um déficit de cerca de 3 milhões de trabalhadores.

A OCDE também insta os governos a criar caminhos mais claros para que trabalhadores migrantes temporários façam a transição para o status de permanentes, garantindo que suas habilidades sejam totalmente utilizadas e reduzindo a escassez de mão de obra.

Embora Trump frequentemente fale positivamente sobre a necessidade de imigração baseada em competência, o primeiro ano do seu segundo mandato foi marcado por esforços para desmantelar essas vias.

Sharma observa que a retórica frequentemente raivosa de Trump e outros líderes de direita sobre imigração envia "ondas de choque" e molda percepções em outros países. "A história que está sendo contada é que este é um país hostil, onde é difícil conseguir um emprego. Essas narrativas desempenham um papel enorme nos movimentos migratórios", diz Sharma.

 

Fonte: A Terra é Redonda/DW Brasil

 

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