Café
e diabetes: o que a ciência revela sobre o impacto do cafezinho na glicemia
O café
está entre as bebidas mais consumidas no Brasil. Nesse contexto, para quem
convive com diabetes, a dúvida é comum: o café interfere no controle da glicose
no sangue?
De
forma geral, a ciência e a prática clínica indicam que o impacto do café na
glicemia tende a ser baixo, especialmente quando a bebida é consumida sem
açúcar. Ainda assim, especialistas alertam que a resposta pode variar conforme
dose, tipo de preparo e sensibilidade individual à cafeína.
Essa
avaliação também aparece na prática clínica. Durante entrevista ao
DiabetesCast, a nutricionista e educadora em diabetes Maristela Strufaldi, da
Sociedade Brasileira de Diabetes, explicou que não há motivo para exclusão
automática do café na rotina de quem vive com diabetes.
“A
cafeína pode causar um leve efeito na glicemia, mas é muito sutil. Portanto,
não existe recomendação de cortar o café para quem tem diabetes”, afirmou.
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Cafeína e glicemia: o que mostram os estudos clínicos
Do
ponto de vista científico, estudos experimentais indicam que a cafeína isolada
pode reduzir temporariamente a sensibilidade à insulina, o que pode resultar em
elevação discreta da glicose após refeições ricas em carboidratos.
Um
ensaio clínico publicado no Journal of Nutrition observou que pessoas com
diabetes tipo 2 apresentaram glicemia pós-prandial mais elevada quando
ingeriram cafeína antes de um teste de tolerância à glicose. No entanto, os
autores destacam que o efeito foi agudo e não representa, necessariamente, o
impacto do consumo habitual de café.
Nesse
sentido, sociedades médicas reforçam que resultados de curto prazo não devem
ser interpretados como contraindicação ao consumo da bebida.
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Consumo regular de café e risco metabólico
Quando
o olhar se volta para estudos de longo prazo, o cenário é diferente. Revisões
sistemáticas publicadas em revistas científicas de alto fator de impacto
mostram que o consumo habitual e moderado de café está associado a menor risco
de desenvolvimento do diabetes tipo 2.
Essas
associações aparecem tanto para café com cafeína quanto para o descafeinado.
Portanto, pesquisadores apontam que compostos bioativos do café, como os ácidos
clorogênicos e polifenóis, podem contribuir para efeitos metabólicos benéficos,
independentemente da cafeína.
Segundo
a American Diabetes Association, padrões alimentares saudáveis podem incluir o
café, desde que não haja adição excessiva de açúcar ou xaropes calóricos.
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O açúcar no café é o principal fator de impacto
Na
prática, o maior impacto glicêmico não vem do café, mas do açúcar adicionado à
bebida. Bebidas líquidas açucaradas elevam a glicose de forma mais rápida
justamente por não conterem fibras.
Durante
a entrevista, Maristela Strufaldi reforçou esse ponto ao explicar que o café
puro costuma ser bem tolerado pela maioria das pessoas com diabetes, enquanto o
açúcar é o principal responsável por picos glicêmicos.
“O
problema não é o café. O açúcar, sim, impacta a glicemia”, explicou.
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Por que algumas pessoas percebem aumento da glicose após o café
Mesmo
sem açúcar, algumas pessoas relatam elevação da glicemia após consumir café. No
entanto, isso não significa que a bebida seja a única responsável.
A
glicemia sofre influência de dezenas de fatores simultâneos. Qualidade do sono,
estresse, atividade física, infecções, esquema de medicação e ajuste da
insulina basal também interferem nos níveis de glicose. Além disso, a resposta
à cafeína varia de pessoa para pessoa, o que explica reações diferentes na
rotina.
Nesse
contexto, observar o próprio padrão glicêmico é fundamental para ajustes
individualizados.
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Evidências recentes em pessoas com diabetes tipo 2
Um
estudo observacional publicado em 2025 na revista Biomedicines acompanhou
adultos com diabetes tipo 2 e hipertensão por 12 meses. Durante o período, os
pesquisadores avaliaram consumo de café, controle glicêmico e marcadores
cardiovasculares.
Embora
tenham sido observadas associações com alguns parâmetros metabólicos, não foi
possível estabelecer relação causal direta entre o consumo de café e melhora ou
piora da glicemia. Portanto, os autores reforçam a necessidade de cautela na
interpretação dos dados.
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O que muda na rotina de quem convive com diabetes
Na
prática clínica, a orientação é equilibrada. Café sem açúcar pode fazer parte
da rotina. Ainda assim, é importante observar a resposta individual da glicose,
evitar excessos de cafeína e manter acompanhamento regular com a equipe de
saúde.
Como
resume Maristela Strufaldi, não há motivo para alarme. “Não é para ter
terrorismo. Quem convive com diabetes pode ficar com o seu cafezinho.”
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O que a ciência ainda precisa responder
Apesar
do grande volume de pesquisas, ainda faltam ensaios clínicos de longo prazo
focados exclusivamente em pessoas com diabetes, avaliando dose, tipo de preparo
e interação com medicamentos.
Enquanto
isso, a melhor estratégia segue sendo informação baseada em evidências, consumo
consciente e monitoramento individual da glicose.
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Arroz branco, pão francês e macarrão: quem tem diabetes
pode consumir esses alimentos?
Arroz
branco, pão francês e macarrão costumam ser apontados como vilões na
alimentação de quem convive com diabetes. No entanto, a exclusão total desses
alimentos nem sempre é necessária e, para muitas pessoas, também não é viável.
Nesse
cenário, o que realmente faz diferença não é apenas o tipo de alimento
consumido, mas a forma como ele entra no prato e se combina com outros grupos
alimentares.
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Por que o carboidrato impacta tanto a glicose
Todo
carboidrato consumido se transforma em glicose no sangue após a digestão. Por
isso, alimentos feitos com farinha ou grãos elevam a glicemia.
No
entanto, essa elevação não acontece da mesma forma em todas as situações. A
velocidade de absorção varia conforme o tipo de alimento e, principalmente,
conforme a presença de outros nutrientes na refeição.
“Quando
o carboidrato entra sozinho, o pico glicêmico costuma ser maior”, explica a
nutricionista e educadora em diabetes Juliana Baptista.
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A importância das combinações no prato
A
combinação de carboidrato com proteína e fibra reduz a velocidade de absorção
da glicose e ajuda a suavizar a curva glicêmica.
Segundo
Juliana, o tradicional arroz com feijão é um exemplo clássico dessa estratégia.
“O feijão oferece fibra e proteína, o que ajuda a diminuir o impacto glicêmico
do arroz”, afirma.
Além
disso, a inclusão de saladas e legumes acessíveis, como cenoura, tomate e
folhas, reforça esse efeito e contribui para um prato mais equilibrado.
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Pão francês exige mais atenção, mas não precisa ser proibido
O pão
francês tem baixo teor de fibras e rápida absorção. Por isso, tende a elevar a
glicose de forma mais intensa quando consumido isoladamente.
Ainda
assim, ele não precisa ser excluído da alimentação.
“O ideal é consumir o pão com alguma proteína, como ovo ou queijo, ou reduzir a
quantidade”, orienta Juliana Baptista.
Essa
estratégia ajuda a retardar a absorção do carboidrato e a evitar picos
glicêmicos mais acentuados, especialmente no café da manhã.
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Arroz e macarrão: quantidade e preparo fazem diferença
Porções
exageradas aumentam o risco de hiperglicemia, independentemente do alimento
escolhido. Além disso, o modo de preparo interfere diretamente no impacto
glicêmico.
Massas
muito cozidas, purês e alimentos mais processados tendem a ser absorvidos mais
rapidamente. Enquanto isso, versões menos processadas e combinadas com proteína
e fibra costumam provocar picos menores.
Portanto,
o controle não depende apenas do alimento em si, mas do contexto da refeição
como um todo.
Fonte:Um
Diabético.com

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