sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Viagra eletrônico: dispositivo permite recuperar ereção em homens paraplégicos em resultado inédito

Uma pesquisa conduzida no Brasil conseguiu fazer com que homens que tiveram uma lesão na medula e perderam o movimento dos membros inferiores voltassem a ter ereções. O ‘viagra eletrônico’, um dispositivo que estimula as terminações nervosas, fez com que os homens com a lesão pudessem voltar a ter os impulsos de resposta ao estímulo sexual – um feito inédito.

➡️ O estudo está sendo feito com pacientes voluntários no laboratório de urologia da Faculdade de Medicina do ABC, que fica em Santo André. Foram acompanhados seis homens paraplégicos com lesão medular, todos com até 34 anos e com lesões ocorridas há mais de quatro anos.

O médico urologista Sidney Glina, responsável pelo estudo, explica que, nesse tipo de lesão, as conexões nervosas responsáveis pela ereção ficam interrompidas, e o impulso que deveria chegar ao pênis não é transmitido. Alguns até chegam a ter ereções de reflexo, mas não conseguem mantê-las durante a relação.

➡️ O chamado CaverSTIM, o "viagra eletrônico", funciona como se fosse um marcapasso e é um neurotransmissor em que os eletrodos são implantados por meio de cirurgia na região pélvica. Ao ser acionado o controle remoto, o estimulador entrega estímulos nos nervos que causam a ereção. (Entenda mais abaixo)

Após um ano de acompanhamento, cinco dos seis pacientes conseguiram retomar a ereção contínua e melhorar a qualidade de suas relações sexuais.

“É a primeira vez que conseguimos estimular um nervo ligado à ereção e ter resultado clínico”, afirma. “Já existe tecnologia para estimular a medula e controlar funções como o intestino, mas recuperar a via nervosa da ereção é algo totalmente novo. Isso abre caminho para outros tratamentos”, explica Sidney Glina, responsável pelo estudo.

➡️ Os resultados ainda estão sob análise para revisão por pares, mas a equipe considera o achado suficiente para expandir o estudo: o próximo passo é incluir 20 pacientes paraplégicos, com diferentes tipos e níveis de lesão medular.

Se os resultados se confirmarem, o dispositivo pode abrir uma nova fronteira na reabilitação sexual de pessoas com lesão medular — uma área que, até agora, tinha alternativas limitadas e pouco eficazes.

<><> O que é o ‘viagra eletrônico’

Hoje, a estimativa é de que 150 milhões de homens no mundo sejam afetados pela disfunção erétil.

O tratamento mais comum para disfunção erétil envolve o uso de medicamentos como Viagra ou Cialis. O problema é que, em 30% dos casos, os homens não respondem aos comprimidos e precisam recorrer a alternativas mais invasivas, como injeções penianas ou próteses.

🍆 Na prótese, dois cilindros são implantados ao longo do pênis, junto de uma bomba posicionada no saco escrotal. Para ter ereção, é necessário acionar manualmente o dispositivo no momento da relação.

O “viagra eletrônico” propõe uma abordagem diferente. Segundo o pesquisador responsável pelo desenvolvimento do equipamento, Rodrigo Araújo, que está atualmente nos Estados Unidos para uma nova etapa da pesquisa, a alternativa disponível hoje para os pacientes acaba quebrando o “clímax” na relação.

O dispositivo desenvolvido por ele, chamado CaverSTIM, propõe uma abordagem diferente: totalmente interno e sem partes aparentes, o CaverSTIM é ativado por um controle remoto que pode ser acionado discretamente.

Mais do que isso: ele não provoca uma ereção imediata, mas inicia o estímulo nervoso que permite que a ereção aconteça de forma fisiológica, conforme o estímulo sexual aumenta.

<><> Dispositivo recupera a ereção em 90% dos pacientes em estudo

A pesquisa com pacientes que usaram o “viagra eletrônico” — dispositivo criado por um brasileiro para tratar disfunção erétil — registrou 90% de eficácia na recuperação da ereção. O resultado, obtido em um estudo inicial com homens operados de câncer de próstata, abre um novo caminho para a reabilitação sexual após a cirurgia e para o tratamento da disfunção, que afeta mais de 150 milhões de homens no mundo.

O estudo começou com pacientes submetidos à prostatectomia, cirurgia para retirada da próstata. Mesmo nos modelos robóticos mais modernos, o risco de desenvolver disfunção erétil é de cerca de 70%, porque os nervos responsáveis pela ereção podem ser danificados durante o procedimento.

🔎 Ao todo, dez homens receberam o dispositivo CaverSTIM, nome oficial do dispositivo, que funciona como um marcapasso: eletrodos são implantados cirurgicamente na região pélvica e, quando ativados por um controle remoto, enviam estímulos aos nervos cavernosos. A ideia era usar o equipamento como terapia após a cirurgia para reduzir a taxa de disfunção — hoje, mais regra do que exceção.

Segundo o estudo, nove dos dez pacientes voltaram a ter a vida sexual que tinham antes da cirurgia.

A maioria recuperou a potência da ereção cerca de dois meses após o procedimento, sem uso de medicamentos ou injeções. Eles foram acompanhados por um ano e, ao final desse período, já não precisavam mais dos estímulos enviados pelo aparelho.

“Esses pacientes retomaram a capacidade sexual que tinham antes da cirurgia, e poucos meses depois. Eles não precisaram nem de Viagra, nem de injeções. Hoje, caminhamos para um tratamento que reduz de 70% para 10% a chance de desenvolver disfunção após a retirada da próstata”, diz o pesquisador brasileiro Rodrigo Araújo.

A pesquisa agora entra em novas fases:

•        🍆 Início dos testes clínicos nos Estados Unidos, no Johns Hopkins Hospital, um dos centros médicos e científicos mais renomados do mundo.

•        🍆 Início do estudo pivotal (fase 3), com previsão de incluir até 150 pacientes.

•        🍆 Publicação de um novo artigo com resultados do uso do dispositivo em homens paraplégicos. Ao g1, a Faculdade de Medicina do ABC adiantou que cinco dos seis pacientes testados voltaram a ter ereções.

<><> Como o equipamento funciona

Atualmente, o tratamento mais comum para disfunção erétil envolve o uso de medicamentos como Viagra ou Cialis. O problema é que, em 30% dos casos, os homens não respondem aos comprimidos e precisam recorrer a alternativas mais invasivas, como injeções penianas ou próteses.

🍆 Na prótese, dois cilindros são implantados ao longo do pênis, junto de uma bomba posicionada no saco escrotal. Para ter ereção, é necessário acionar manualmente o dispositivo no momento da relação.

O “viagra eletrônico” propõe uma abordagem diferente. Totalmente interno e sem partes aparentes, o CaverSTIM é ativado por um controle remoto que pode ser acionado discretamente. Ele não provoca uma ereção imediata, mas inicia o estímulo nervoso que permite que a ereção aconteça de forma fisiológica, conforme o estímulo sexual aumenta.

O dispositivo pode ser usado de duas formas:

  • Como terapia temporária, como no caso dos pacientes operados da próstata, até que a função natural seja recuperada.
  • Como uso permanente, no caso de pacientes com lesão medular.

<><> Estudo com pacientes paraplégicos

Um segundo braço da pesquisa avaliou o uso do dispositivo em homens com lesão medular, um grupo para o qual a retomada da vida sexual é um grande desafio.

🍆 Nesse tipo de lesão, as conexões nervosas responsáveis pela ereção ficam interrompidas, e o impulso que deveria chegar ao pênis não é transmitido.

O urologista Sidney Glina, professor da Faculdade de Medicina do ABC e responsável por essa etapa no Brasil, explica que muitos desses pacientes apresentam ereções de reflexo, mas não conseguem mantê-las durante a relação.

Há um ano, seis homens com paraplegia — todos com até 34 anos e lesões ocorridas há mais de quatro anos — receberam o “viagra eletrônico” como parte de um protocolo experimental. Após o acompanhamento, cinco dos seis apresentaram melhora tanto na capacidade de ereção quanto na qualidade da relação sexual.

O estudo ainda será avaliado em revisão por pares, mas Glina destaca o caráter inédito da descoberta.

“É a primeira vez que conseguimos estimular um nervo ligado à ereção e ter resultado clínico”, afirma. “Já existe tecnologia para estimular a medula e controlar funções como o intestino, mas recuperar a via nervosa da ereção é algo totalmente novo. Isso abre caminho para outros tratamentos.”

 

Fonte: g1

 

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