Supremo
está atento ao avanço da extrema-direita
Ao
lembrar que Corte foi uma barreira ao golpe de Estado tentado por Bolsonaro,
carta de Fachin explicita que os ministros acompanham o movimento dos políticos
ligados ao ex-presidente para fazer maioria no Senado na próxima eleição...
Atento
à renovação de dois terços do Senado nas próximas eleições, o presidente do
Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, tem se movimentado para
estabelecer o diálogo entre os Poderes e reforçar a posição do Judiciário. Isso
foi explicitado, na semana passada, pela nota em defesa da atuação da Corte e
da condução do ministro Dias Toffoli na investigação sobre o Banco Master. Além
dos recados embutidos no documento, relembrou a atuação do STF na ação penal da
tentativa de golpe de Estado, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e
seus aliados à prisão.
Um dos
recados é relacionado ao respeito à institucionalidade. Sobre isso, Fachin
advertiu: o tribunal não se curvará a ameaças ou intimidações — e que
tentativas de desmoralização da instituição representam ataques à democracia e
ao Estado de Direito. "O Supremo age por mandato constitucional, e nenhuma
pressão política, corporativa ou midiática pode revogar esse papel. Defender o
STF é defender as regras do jogo democrático e evitar que a força bruta
substitua o direito. A crítica é legítima e mesmo necessária. Não obstante, a
história é implacável com aqueles que tentam destruir instituições para
proteger interesses escusos ou projetos de poder; e o STF não permitirá que
isso aconteça", frisou.
Fachin
foi além. Afirmou que o Supremo "fez muito no Brasil em defesa do Estado
de direito democrático; fará ainda mais" e que "todas as instituições
podem e devem ser aperfeiçoadas, isso sempre, mas jamais destruídas. Quem
almeja substituir a ousada pedagogia da prudência pelo irresponsável
primitivismo da pancada errou de endereço".
Os
trechos são entendidos nos bastidores como um aceno, sobretudo, ao Palácio do
Planalto. Isso porque tanto no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
quanto no STF, há a certeza de que se a extrema-direita fizer uma maioria
segura no Senado — Casa responsável por abrir e votar processos de impeachment
dos integrantes da Corte —, os ataques ao Judiciário e o cerceamento das
atividades do Supremo se intensificarão. Até agora, os representantes do
bolsonarismo apresentaram 41 solicitações de cassação de Alexandre de Moraes,
nove de Gilmar Mendes e seis de Flávio Dino — além de quatro de Dias Toffol;
três de Cármen Lúcia e uma para Edson Fachin e para Luiz Fux. Só Nunes Marques
e André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro quando presidente da
República, são poupados.
O
Palácio, porém, parece atento à ameaça do avanço da extrema-direita. Na semana
passada, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann,
confirmou que deve disputar uma vaga para o Senado pelo Paraná nas eleições. O
plano era a reeleição à Câmara dos Deputados, mas mudou para atender pedido de
Lula, que busca nomes fortes para se contraporem ao bolsonarismo — que tem
alguns pré-candidatos declarados, como o hoje deputado federal por Goiás
Gustavo Gayer (PL); o filho 02 de Bolsonaro, Carlos, que deixou o mandato de
verador no Rio de Janeiro para tentar o Senado por Santa Catarina; além da
possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis,
ambas do PL, disputarem pelo Distrito Federal.
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Estratégia
Nos
bastidores, analisa-se a carta de Fachin como a ponta visível da estratégia de
preservação do STF. Isso porque, se, por um lado, reforça para o público
externo a defesa da institucionalidade ao também apoiar publicamente o ministro
Dias Toffoli — cuja condução do inquérito do Banco Master tem sido contestada
—, no plano interno ele tenta construir o consenso sobre um código de conduta
para os integrantes de tribunais superiores. O presidente do Supremo antecipou
o retorno das férias também por isso: intensificar as conversas com os pares
sobre as regras.
Para o
professor de direito constitucional e eleitoral Clever Vasconcelos, do Ibmec
Brasília, a criação de um código de conduta serviria para resolver situações
relacionadas à atuação dos magistrados fora da Corte. "O modelo mais
adequado é a investidura de ministros mais ligados às carreiras públicas, como
magistratura de carreira, membros do Ministério Público, advogados ou
professores na área do direito constitucional com comprovada relevância no
cenário nacional", defende.
O
advogado José Gutembergue de Sousa avalia que a criação de um código de conduta
pode ser um bom ponto de partida para reduzir a onda de críticas, mas não
encerra a questão. "Essa crise do STF deve ser contextualizada com o atual
cenário político nacional, com o fenômeno da polarização perniciosa, com as
crises das democracias, com o fenômeno mundial da expansão do Poder Judiciário
e das Corte Constitucionais. Esse não é um problema brasileiro", salienta.
O
presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Rondônia, Márcio
Nogueira, aponta que suspeitas de condutas antiéticas que comprometam a
dignidade do cargo podem fundamentar questionamentos institucionais. "Na
prática, porém, os mecanismos de responsabilização de ministros do STF são
restritos e de difícil acionamento", ressalta.
O
advogado Francisco Braga partilha do mesmo entendimento. "Especificamente
para o inquérito (do Master), o Código de Processo Penal prevê no art. 107 que
não cabe alegação de suspeição da autoridade que o conduz. Mas esse dispositivo
também diz que a própria autoridade deve se declarar suspeita quando houver
motivo para isso. No fim das contas, acaba sendo muito difícil exercer algum
tipo de controle, já há muita subjetividade. O afastamento das investigações
depende da vontade de própria autoridade suspeita", observa.
Os
bolsonaristas alegam conflito de interesse na atuação de Toffoli sobre o
Master. Mas os afastamentos em razão de suspeição são orientados pelas regras
gerais e, também, lastreadas por questões de foro íntimo, em que o próprio
ministro pode se afastar do processo. "Mas nos casos de impedimento e
suspeição, as partes podem arguir, com o ônus de provar a alegação. Só que é
importante observar as restrições que o próprio STF criou ao longo dos
anos", explica o advogado Thiago Pádua.
O
jurista aponta que questões éticas não determinam afastamento de processos em
razão de suspeição ou impedimento. A suspeição de ministros do STF está
prevista nos artigos 144 e 145 do Código de Processo Civil (CPC) e no Regimento
Interno da Corte.
"Conflitos
de interesse podem fundamentar a suspeição ou o impedimento processual, mas
falta de ética, por si só, não gera automaticamente afastamento nem nulidade de
decisões. Condutas éticas inadequadas podem, em tese, ensejar responsabilização
político-constitucional, nos termos da Lei 1.079/50, por meio de processo de
crime de responsabilidade, cuja competência para instauração é do Congresso,
com julgamento pelo Senado. Trata-se, portanto, de uma esfera política e
institucional, distinta da esfera processual-jurisdicional", explica o
constitucionalista Leonardo Morais Pinheiro.
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Premissas
A
suspeição ocorre quando fica provado que o magistrado tem interesse no
julgamento; é amigo íntimo ou inimigo de alguma das partes; quando recebeu
benefício, aconselhou ou financiou uma das partes ou quando tem relação pessoal
que comprometa a imparcialidade. Essas regras valem para ministros do STF e
estão previstas no CPC.
Um
ministro pode ser afastado por decisão voluntária e autodeclaração de
suspeição; pela mobilização da arguição de suspeição por uma das partes (que
deve formalmente indicá-la, para análise do próprio STF) ou pelo reconhecimento
do Supremo. Em qualquer dos casos, ele sai do processo, mas não da Corte.
"Além
desse instrumento normativo, a suspeição também está prevista na Lei Orgânica
da Magistratura (Loman), que se aplica a todos os magistrados, inclusive
ministros de tribunais superiores e por meio da qual se reforça a necessidade
de imparcialidade, independência, decoro e conduta ilibada na vida pública e
privada. Diferentemente do CPC, que determina o afastamento do caso, a Loman
não tem mecanismos automáticos de afastamento por 'falta de ética'",
ressalta o professor de direito penal do Ibmec Brasília Tédney Moreira.
• Toda a velha direita depende do chefão
presidiário. Por Moisés Mendes
Damares
briga com Malafaia, que briga com Flávio, que briga com Tarcísio, que briga com
Eduardo, que briga com todo mundo. É preciso mais do que um ringue para todas
as desavenças da extrema direita.
Mas
mesmo assim o bolsonarismo é o que ainda sustenta a perspectiva eleitoral de
toda a direita. As figuras em conflito do bolsonarismo conseguem brigar entre
si, sem que isso desestruture a direita toda.
Os
conflitos são incapazes de tirar do bolsonarismo o protagonismo eleitoral
dentro da direita. Porque não há, fora dessa turma, alternativas eleitorais
viáveis, considerando-se a velha direita que se move em torno dos interesses de
Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e Gilberto Kassab.
Nenhum
deles, donos da direita pré-Bolsonaro, sobreviveria uma semana sem o
bolsonarismo. Mesmo que o bolsonarismo esteja em guerra. São deles, dos
herdeiros de Bolsonaro, as melhores opções da direita para a eleição.
Flávio,
Tarcísio e Michelle têm o que Zema, Caiado, Ratinho, Leite e outros menos
votados não têm. A direita antiga não tem eleitores suficientes para se
habilitar a enfrentar Lula. Quem tem é o bolsonarismo.
O
bombardeio contra Flávio, liderado por Malafaia e Michelle, e os vacilos de
Tarcísio são insuficientes para enfraquecer a direita. O direitista antigo, que
passou suas convicções aos filhos e netos, da velha Arena ao PSDB, espera agora
por Flávio ou por Tarcísio e, se for preciso, por Michelle.
Em
outras épocas, quando a velha direita era recatada, esse centro-direitista se
esforçaria para fortalecer Simone Tebet, Romeu Zema, Ratinho e até Eduardo
Leite. Mas não agora. Agora, não dá mais para brincar. Para vencer Lula, que
seja qualquer um que possa enfrentá-lo.
A velha
direita tapa o nariz e vai de Flávio ou Tarcísio, como mostram as pesquisas.
Flávio é o que arranca melhor, no primeiro turno das amostragens de
Genial/Quaest e Atlas.
O filho
sai na frente, bem melhor do que Tarcísio, porque ele é o ungido pelo pai e o
mais conectado com o bolsonarismo. Mas o governador consegue alcançá-lo no
segundo turno, nos cenários em que Lula enfrenta cada um deles.
Na
pesquisa Atlas, Flávio e Tarcísio conseguem 45% contra 49% de Lula. Na
Genial/Quaest de 14 de janeiro, Lula ficou com 45% contra Flávio, que obtém
38%, e com 44% contra Tarcísio, com 39%.
Zema,
Caiado e Ratinho inexistem no momento como nomes capazes de fazer frente a
Lula. Consagrou-se, mesmo que a eleição esteja longe, que só alguém da copa e
da cozinha do bolsonarismo pode se meter com Lula.
Tarcísio
é o CEO vacilão e Flávio tem uma das maiores fichas corridas da direita, por
todo tipo de crime. Mas são eles, Michelle e mais ninguém. Nada abala a extrema
direita como alicerce da direita. Não há antilulismo sem o suporte do
bolsonarismo.
Tentaram
mas não conseguiram se livrar de Bolsonaro para seguir em frente sem o fardo. O
preso exerce mais influência para a montagem do cenário de enfrentamento de
Lula do que todos os líderes da direita juntos.
Toda a
velha direita depende hoje da unção de um presidiário adoentado, sem condições
mentais para desmontar uma tornozeleira e que tropeça no tapete ao sair da cama
para tomar um copo d’água.
• “A eleição será a disputa entre a
verdade e a mentira”, afirma Maria do Rosário
Em
entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, a deputada federal Maria do
Rosário (PT-RS) afirmou que a eleição de 2026 será marcada por uma disputa
direta entre fatos e desinformação, com forte atuação da extrema-direita nas
redes sociais.
Segundo
Maria do Rosário, a eleição exigirá engajamento ativo da sociedade para
enfrentar a propagação de mentiras. “A eleição será a disputa entre a verdade e
a mentira”, afirmou, ao destacar que a desinformação segue sendo um instrumento
central do bolsonarismo.
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Governo Lula e comparação de projetos
Durante
a entrevista, a deputada defendeu que o governo Lula apresente de forma clara
os resultados alcançados desde 2023. Para ela, a comparação entre projetos de
país será decisiva. “Nós vamos comparar os três anos do Lula com o período de
Temer e Bolsonaro”, disse.
Maria
do Rosário citou como exemplos a retomada do pleno emprego, o crescimento da
massa salarial e a recuperação de políticas públicas desmontadas nos governos
anteriores. “A vida melhora quando tem pleno emprego, quando a massa salarial
melhora”, afirmou, ao defender que os avanços econômicos precisam ser
traduzidos em comunicação direta com a população.
Ela
também destacou medidas adotadas nas áreas de educação e saúde, como a
recomposição do orçamento das universidades e institutos federais, a
valorização do magistério e programas como o Mais Professores e o Mais
Especialidades. Segundo a deputada, essas ações demonstram um governo voltado à
melhoria concreta das condições de vida.
Maria
do Rosário ressaltou ainda o papel do governo federal na reconstrução do Rio
Grande do Sul após as enchentes. Segundo ela, o presidente Lula teve atuação
decisiva ao criar políticas específicas para recuperar moradias, infraestrutura
e empregos. “Se há alguém para quem o Rio Grande do Sul deva agradecer, é o
presidente Lula”, afirmou.
A
deputada destacou a entrega de mais de 1.200 moradias do programa Minha Casa
Minha Vida na cidade do Rio Grande, com infraestrutura adequada, acessibilidade
e equipamentos públicos no entorno. Para ela, o programa representa dignidade,
estabilidade e justiça social para famílias que passaram anos aguardando a
conclusão das obras.
Além
disso, citou a retomada do polo naval e os investimentos no Porto de Rio
Grande, com geração de empregos diretos e indiretos. Segundo Maria do Rosário,
o desmonte ocorrido nos governos Temer e Bolsonaro levou à paralisação
econômica da região, agora revertida com novos contratos e investimentos
públicos.
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Bolsonaro preso
Ao
comentar as reações da extrema-direita à condenação de Jair Bolsonaro, Maria do
Rosário criticou o que classificou como oportunismo político. “Não há qualquer
violação aos direitos humanos de Bolsonaro”, afirmou, ao rebater pedidos de
inspeção e denúncias feitas por aliados do ex-presidente.
Segundo
a deputada, Bolsonaro foi condenado em um processo judicial regular, com
direito à ampla defesa e baseado em provas. “Ele foi submetido a um julgamento
com contraditório, com direito de defesa, com provas, não foram sobre
especulações”, disse.
Maria
do Rosário também destacou a contradição do discurso bolsonarista, que
historicamente defendeu políticas de encarceramento em massa e punições
violentas. “Esse é o modelo que os bolsonaristas sustentam e dependem”,
afirmou, ao lembrar que as mesmas lideranças que hoje invocam direitos humanos
sempre defenderam a repressão contra jovens pobres e periféricos.
Ao
analisar o cenário eleitoral no Rio Grande do Sul, a deputada defendeu a
construção de uma frente ampla para enfrentar a extrema-direita. “O palanque
terá que ter frente ampla”, disse, ressaltando a força do PT no estado e a
apresentação de candidaturas alinhadas ao projeto do governo Lula.
Maria
do Rosário alertou que a disputa eleitoral não se dará apenas no Executivo, mas
também no Congresso Nacional. Para ela, é fundamental eleger parlamentares
comprometidos com a democracia. “As pessoas precisam compreender a importância
de um voto consciente e coerente com aquilo que querem para o Brasil”, afirmou.
Fonte:
Correio Braziliense/Brasil 247

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