Petrobras
coloca o Brasil na contramão da transição energética
O novo
plano de negócios da Petrobras evidencia uma escolha estratégica que coloca o
Brasil em rota oposta às necessárias e urgentes transformações globais da
transição energética. Ao manter a prioridade quase absoluta na expansão da
exploração e produção de petróleo e gás, ao mesmo tempo em que reduz os aportes
em energia eólica e solar, a estatal mantém o Brasil preso no passado. Embora a
empresa alegue que há excesso de oferta no sistema elétrico, essa justificativa
não responde ao essencial: desenvolver renováveis não é apenas gerar
eletricidade, mas criar infraestrutura, tecnologia, empregos e novas cadeias
produtivas capazes de sustentar o país no século XXI. Significa manter a
própria competitividade em um mercado no qual a descarbonização é uma tendência
inexorável.
A
escolha de priorizar o petróleo é ainda mais preocupante quando se observam os
riscos associados aos novos projetos. Estudos recentes mostram que 56% dos
novos campos de petróleo e gás do Brasil têm potencial para se tornarem ativos
encalhados, isto é, projetos que não se pagam em um cenário de queda da demanda
e de restrições climáticas mais severas. No caso da Petrobras, o alerta é ainda
mais grave: 86% dos empreendimentos planejados pela estatal carregam risco
elevado de não gerar retorno econômico. Em outras palavras, trata-se de uma
aposta bilionária que só se mostraria lucrativa em um futuro que depende do
fracasso das metas climáticas globais, exatamente o oposto do que o Brasil
defende internacionalmente.
Além
disso, o plano segue orientado para ampliar investimentos em áreas de alta
incerteza, como a foz do Amazonas. A região, celebrada como “nova fronteira”
pela indústria, envolve custos altos, riscos ambientais significativos e longos
prazos de maturação. Mesmo no cenário mais otimista, o retorno líquido para a
sociedade brasileira seria mínimo, ao passo que o risco de prejuízo –
econômico, ambiental e social – é substancial. A análise socioeconômica
desenvolvida com base em metodologias oficiais evidencia que, ao final de três
décadas, o país poderia registrar perdas bilionárias. O contraste com um
investimento equivalente em eletrificação é marcante: a mesma alocação de
recursos geraria ganhos muito superiores, empregos locais, dinamização
econômica e redução expressiva de emissões.
O
Brasil não se beneficia dos atuais planos de sua maior empresa também porque a
maior parte dos empregos, serviços e contratações gerados pela exploração de
petróleo ocorre fora do Brasil. Sondas, embarcações, engenharia especializada e
equipamentos são majoritariamente importados. Para a população de estados como
o Amapá, diretamente afetados pela perspectiva de exploração na Foz do
Amazonas, os benefícios concretos são quase inexistentes. Como já apontado por
análises públicas, a chamada “vitória” da Petrobras na região representa, na
prática, uma derrota econômica e socioambiental para toda a sociedade
brasileira, uma vez que as promessas de prosperidade local não se materializam
e os riscos vão além dos impactos sobre as comunidades amazônicas e à biodiversidade
da região.
A
incoerência entre o discurso do país em arenas internacionais e a prática
doméstica também se torna evidente. O Brasil tem se posicionado como liderança
climática e defensor do fim gradual dos combustíveis fósseis e abrir novas
frentes de exploração envia ao mundo uma mensagem contraditória. Enquanto
outras petrolíferas diversificam portfólios, reduzem risco regulatório e
aceleram a transição para energias limpas, a Petrobras concentra esforços em um
setor cujo horizonte econômico se estreita a cada ano. A narrativa de
“descarbonização das operações” tampouco resolve o problema. Tornar a extração
mais eficiente não altera o fato estrutural de que a maior parte das emissões
ocorre no uso final do produto, e não na sua produção.
O
Brasil possui vantagens incomparáveis para liderar uma transição baseada em
hidrogênio de baixo carbono, etanol de segunda geração, biometano, diesel verde
e SAF, (os chamados combustíveis sustentáveis de aviação, produzidos a partir
de matérias-primas renováveis e capazes de reduzir significativamente as
emissões do setor aéreo) áreas em que há conhecimento técnico acumulado e
capacidade industrial instalada. Também há grande potencial para verticalizar a
cadeia de renováveis, criando valor desde a geração de eletricidade até o
transporte rodoviário e os combustíveis de aviação. Ao abandonar ou reduzir
esse campo estratégico, a Petrobras renuncia à oportunidade de se posicionar
como empresa de energia do futuro e permanece limitada ao papel de exportadora
de um recurso que tende a perder valor.
A
verticalização dessa cadeia, da geração renovável ao uso final, representa uma
das oportunidades mais promissoras para o país porque captura valor em todas as
etapas do processo, e não apenas na produção de energia bruta. Isso significa
integrar desde a fabricação de equipamentos, a produção de biocombustíveis e
hidrogênio, o desenvolvimento de infraestrutura de abastecimento e transporte,
até a oferta de serviços energéticos para indústrias, mobilidade aérea,
transporte pesado e centros urbanos. Ao internalizar essas etapas, o Brasil
reduz dependências externas, fortalece sua base tecnológica, cria empregos
qualificados e abre espaço para novas cadeias produtivas, como a de
combustíveis sustentáveis e de soluções logísticas de baixo carbono. Em vez de
exportar apenas eletricidade, o país poderia exportar tecnologia, produtos de
maior valor agregado e serviços especializados, uma mudança estrutural capaz de
posicioná-lo como protagonista da transição energética global e de consolidar a
Petrobras como uma empresa de soluções energéticas, não apenas uma produtora de
petróleo.
Insistir
no petróleo significa apostar no curto prazo e ignorar os custos que recairão,
inevitavelmente, sobre a sociedade brasileira. São custos climáticos,
econômicos, reputacionais e territoriais. A expansão sobre áreas sensíveis da
Amazônia, especialmente em regiões onde um único acidente pode comprometer
ecossistemas inteiros, agrava ainda mais esse quadro. Com margens de incerteza
tão elevadas, insistir na exploração de novas fronteiras não representa
segurança energética: representa insegurança socioambiental combinada com
instabilidade econômica de longo prazo.
O país
está diante de uma escolha clara. Continuar expandindo combustíveis fósseis
significa manter-se preso ao passado, perder competitividade e incorrer em
riscos econômicos, ambientais e sociais desnecessários. Investir com ambição em
energias renováveis e em combustíveis de baixo carbono é a chance de o Brasil
cumprir seu destino e, gigante pela própria natureza, liderar a economia que
está se tornando dominante no mundo.
• Como o lobby do carvão freia transição
energética no Brasil
O
Projeto de Lei 1.371, de 2025, que pretende prorrogar a contratação de usinas
termelétricas movidas a carvão até 2050, evidencia a influência do lobby desse
combustível fóssil no Congresso Nacional. O arquivo, protocolado às 14h18min em
1° de abril pelo deputado Afonso Hamm (PP-RS), havia sido criado às 11h57 no
computador de Fernando Luiz Zancan, presidente da Associação Brasileira do
Carbono Sustentável (ABCS).
Zancan
confirmou à DW que ajudou a elaborar o projeto. "Sim, [o texto] vem para
cá, a gente analisa, contribui. Não tem nada a esconder quanto a isso",
afirmou. "O papel da associação é levar a informação e criar as condições
para que tenha legislações que venham ajudar o nosso segmento, as nossas
regiões a continuar gerando emprego e renda."
Para o
Gerente de Transição Energética do Instituto Internacional Arayara, John
Wurdig, Zancan é o grande estrategista e lobista para construir políticas
públicas para o setor de carvão disfarçadas de transição energética. "Mas
são leis pró-carvão", avaliou, classificando sua participação no projeto
de lei como "inadmissível".
O mesmo
texto protocolado por Hamm foi apresentado no dia 15 de julho pelo senador
Esperidião Amin (PP-SC) como emenda à Medida Provisória do Setor Elétrico, cujo
objetivo é modernizar o setor e diminuir as tarifas. Foi aprovada com uma
mudança: em vez de 2050, os contratos serão prorrogados até 2040. Hamm e Amin
não responderam aos questionamentos da DW.
A
prorrogação das térmicas a carvão já havia sido aprovada em uma lei voltada
para a energia eólica em alto mar. Em janeiro, no entanto, o governo de Luiz
Inácio Lula da Silva a vetou. Argumentou que contrariava o interesse público,
por aumentar os custos da tarifa e ser incompatível com as metas climáticas, já
que essas usinas estão entre as maiores emissoras de gases do efeito estufa.
Dois
dias após o fim da COP30 , em Belém, onde defendeu um mapa do caminho para o
fim dos combustíveis fósseis , o governo mudou de ideia. No dia 24 de novembro,
vetou diversos dispositivos da MP do Setor Elétrico: não a do carvão.
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IPCC e o governo Bolsonaro
O uso
do carvão tem uma trincheira bem demarcada. Representando quase 2% da geração
elétrica nacional, seus defensores afirmam que a prorrogação dos contratos traz
segurança energética e preserva empregos, garantindo tempo para uma transição
energética gradual. Os críticos, por sua vez, destacam a alta emissão de gases
de efeito estufa, a poluição e os subsídios bilionários destinados ao setor.
Em 9 de
agosto de 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC)
divulgou um relatório contundente, mostrando que as mudanças climáticas tinham
impactos irreversíveis. Eram impulsionadas, principalmente, pela emissão de
gases do efeito estufa dos combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás
natural. No mesmo dia, o governo de Jair Bolsonaro divulgou os detalhes do
Programa Para Uso Sustentável do Carvão Mineral Nacional .
"Os
objetivos são contribuir com o desenvolvimento regional, com a segurança
energética e com a recuperação ambiental no que diz respeito aos rejeitos da
queima de carvão e geração de drenagem ácida", diz um trecho do documento.
O programa previa o uso do combustível fóssil até 2050, prazo final assumido
pelo Brasil para a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa, que
causam o aquecimento global .
Na
esteira desse projeto, foi aprovada a lei 14.299, em 5 de janeiro de 2022, que
instituiu o Programa de Transição Energética Justa (TEJ). A norma, porém,
contemplou apenas a região carbonífera de Santa Catarina, garantindo a extensão
do contrato do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda (CTJL), em Capivari de
Baixo, que se encerraria em 2025.
Antes
da sanção da norma, a Engie Brasil, então proprietária do complexo, havia
anunciado a possibilidade de fechá-lo, já que a empresa tinha uma diretriz para
focar nas renováveis. Cerca de três meses antes da aprovação da lei, fruto da
mobilização de políticos, empresários e trabalhadores, as usinas foram vendidas
para a Diamante Geração de Energia.
Segundo
Zancan, à época houve tentativa de incluir também benefícios ao Rio Grande do
Sul e ao Paraná, os outros dois estados que mineram o carvão, mas o governo não
teria aceitado a proposta.
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As eólicas e o carvão
Duas
usinas termelétricas a carvão na região Sul ficaram fora da lei: Candiota 3, no
Rio Grande do Sul, e Figueira, no Paraná. A primeira pertence à Âmbar Energia,
do grupo J&F; a segunda, à Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel)
– que solicitou a devolução da outorga.
Em
dezembro de 2024, o Congresso aprovou a Lei nº 15.097/2025, regulamentando a
energia eólica offshore, ou seja, em alto mar. Mas os parlamentares inseriram
na norma um jabuti, como se chamam os artigos estranhos a um projeto: a
obrigação de contratação de usinas termelétricas a carvão até 2050.
Em
janeiro deste ano, Lula aprovou a lei, mas vetou o trecho do carvão. "Mas
ali a causa do veto não foi o carvão. A causa foi a questão do gás",
afirmou Zancan à DW.
Embora
o governo tenha vetado a obrigação de contratação de termelétricas a gás, a
justificativa também citou o carvão e o impacto do seu uso nas tarifas de
energia. Segundo dados do subsidiômetro da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), os subsídios ao carvão giram na casa de R$ 1 bilhão por ano. Esses
recursos são pagos por todos os brasileiros na conta de luz, por meio da Conta
de Desenvolvimento Energético (CDE).
Mas o
veto também focou na questão climática. "Ademais, as contratações de
usinas de fontes fósseis não são compatíveis com os compromissos internacionais
assumidos pelo país, bem como com as políticas públicas voltadas à transição
energética, à mitigação das mudanças climáticas e à descarbonização da matriz
energética brasileira."
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Divisão no governo
Meses
depois do veto, a sanção ao dispositivo do carvão na MP do Setor Elétrico,
convertida na Lei 15.269, mostra que a trincheira entre defensores e críticos
ao carvão também está no governo. Um dia antes do anúncio, o Ministro de Minas
e Energia, Alexandre Silveira, afirmou no Roda Viva que o país ainda precisa de
fontes como a do carvão para dar segurança ao sistema.
Já o
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) havia pedido diversos
vetos, inclusive ao carvão mineral, "a fonte de energia mais intensiva de
carbono". O ministério salientou ainda que a medida contraria a Política
Nacional de Mudança do Clima, a Política Nacional de Qualidade do Ar e
compromete as metas brasileiras de neutralidade climática até 2050 assumidas em
acordos internacionais e estabelecidas no Plano Clima.
Para
John Wurdig, da Arayara, a aprovação da lei é uma vitória do lobby da ABCS e da
Âmbar Energia, principal beneficiada por causa do novo contrato de Candiota 3.
Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), a usina tem pelo menos 12 multas por danos ambientais,
somando mais de R$ 125 milhões que ainda não foram pagos.
A
Justiça Federal chegou a suspender a licença em primeira instância, mas a
segunda instância a revogou. A Âmbar Energia não respondeu aos pedidos de
informações da DW.
Wurdig
criticou também a falta de qualquer menção na lei aos trabalhadores e aos
passivos ambientais. "O trabalhador foi usado como massa de manobra, como
cortina de fumaça desse carvão queimado."
• Artigo analisa exposição de comunidades
pesqueiras a derramamento de petróleo
Os
impactos do derramamento de petróleo ocorrido em 2019 sobre a saúde e as
condições de vida das comunidades da pesca artesanal no Nordeste são analisados
em um estudo desenvolvido pela Fiocruz, em parceria com a Universidade Federal
da Bahia (UFBA) e outras instituições de pesquisa e movimentos sociais. Foi o
maior derramamento de petróleo ocorrido no Brasil e atingiu o litoral de 11
estados. Somente em Pernambuco foram recolhidas mais de 5 mil toneladas do
produto. Um artigo publicado esta semana traz novas conclusões acerca desse
desastre-crime.
Os
resultados fazem parte da pesquisa Desastre do petróleo e saúde do povo das
águas, coordenada pelas pesquisadoras Idê Gurgel e Mariana Olívia, da Fiocruz
Pernambuco, e realizada em articulação com o Conselho Pastoral dos Pescadores e
Pescadoras (CPP), a Articulação Nacional das Pescadoras (ANP) e o Fórum Suape –
Espaço Socioambiental. O estudo investiga os danos ambientais, sociais e à
saúde provocados pelo derramamento que atingiu toda a costa nordestina, com
efeitos mais intensos sobre populações que dependem diretamente da pesca para
sua subsistência.
Segundo
José Erivaldo Gonçalves, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz Pernambuco e
coordenador de campo da pesquisa, o Laboratório de Saúde, Ambiente e Trabalho
(Lasat) da instituição se mobilizou para compreender de que forma a exposição
ao petróleo afetou a reprodução social e a saúde dessas comunidades. “O
desastre não pode ser analisado de forma isolada, pois se soma a um conjunto de
vulnerabilidades históricas que já marcam o modo de vida da pesca artesanal”,
afirma.
A
pesquisa contou com a contribuição direta da UFBA, especialmente no desenho
metodológico e nas análises estatísticas. A parceria foi estabelecida a partir
das articulações com as pesquisadoras Rita Rego, da Faculdade de Medicina, e
Verônica Cadena, do Departamento de Estatística da universidade. Essa
colaboração teve início durante a aplicação do inquérito epidemiológico no
estado da Bahia, período em que foram alinhados os procedimentos de campo e os
instrumentos de coleta de dados.
O
questionário aplicado em Pernambuco, por exemplo, foi baseado em um instrumento
previamente validado pelo grupo de pesquisa da UFBA. De acordo com José
Erivaldo, a utilização de metodologias semelhantes possibilita análises
comparativas entre os impactos da exposição ao petróleo nos diferentes
territórios do litoral nordestino.
O
estudo também aponta que muitos pescadores e pescadoras participaram
voluntariamente das ações de limpeza do petróleo nos territórios atingidos.
Essas atividades ocorreram, em grande parte, sem treinamento adequado ou uso de
equipamentos de proteção individual, o que ampliou os riscos à saúde. “Foram os
próprios pescadores que iniciaram a contenção e a retirada do óleo em praias,
manguezais e rios, em um contexto de ausência de orientações e proteção”,
destaca o pesquisador.
Além da
exposição direta ao petróleo, as comunidades enfrentaram outros desafios, como
dificuldades de acesso a serviços de saúde preparados para reconhecer e atender
casos de intoxicação relacionados à atividade pesqueira. Esse cenário foi
agravado pela pandemia de Covid-19, que aprofundou as fragilidades sociais e
sanitárias já existentes nos territórios.
A
partir dos resultados obtidos, novos estudos estão em desenvolvimento para
investigar a associação entre os níveis de exposição ao petróleo e sintomas de
saúde autorrelatados, como alterações respiratórias e neurológicas, observadas
entre um e três meses após o desastre. A expectativa é que esses dados
contribuam para a formulação de políticas públicas voltadas ao monitoramento e
ao acompanhamento da saúde das comunidades da pesca artesanal, além da
estruturação de redes de resposta para futuros vazamentos e desastres
envolvendo petróleo no litoral do Nordeste brasileiro.
O
estudo contou com o financiamento do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à
Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) e do Programa Fiocruz de
Fomento à Inovação – Inova Fiocruz.
Fonte:
Por Ricardo Fujii, no Le Monde/ DW Brasil/Fiocruz Pernambuco

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