Pedro
Benedito Maciel Neto: Uma ONU para chamar de sua
O
"novo órgão internacional de transição" para Gaza, proposto pelo
presidente do Império, terá como presidente vitalício o presidente
estadunidense Donald Trump. O que está por trás disso tudo?
A ideia
foi apoiada, inicialmente, pela ONU, como parte do plano de paz capitaneado
pelo principal algoz da Palestina, e vem provocando preocupação crescente à
medida que novos detalhes surgem. Não sei se a ONU e os países-membros estão
tão seguros do porvir.
Líderes
mundiais já receberam cartas com convite para integrar o Conselho da Paz de
Trump, dentre eles o presidente Lula.
O
primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, também foi convidado e
afirmou que dará ao convite a "devida consideração", e o Ministério
das Relações Exteriores da Tailândia informou ainda que está analisando os
detalhes da proposta. Lula ainda não se manifestou.
Entre
os que já aceitaram publicamente o convite estão: o primeiro-ministro da
Albânia, Edi Rama; o presidente da Argentina, Javier Milei; o primeiro-ministro
da Hungria, Viktor Orbán; o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev; o
presidente do Paraguai, Santiago Peña, mas sem pagar qualquer valor; e o
presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev.
O
secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã, Tô Lâm, também teria aceitado
o convite, enquanto o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, afirmou
estar "pronto para participar". Curiosamente, o primeiro-ministro do
Canadá, Mark Carney, aceitou integrar o conselho, mas disse que não pagará para
se tornar membro.
Não há
exigência para participar do Conselho da Paz de Trump; no entanto, os
interessados em se tornar membros permanentes, em vez de serem membros por
apenas três anos, teriam de pagar 1 bilhão de dólares, dinheiro que ajudaria a
financiar a reconstrução de Gaza.
O
conselho, criado, a meu juízo, para dar fim à ONU e a toda a ordem do
pós-guerra, terá Trump presidindo vitaliciamente, mesmo que deixe a Presidência
dos EUA, e poderá, como se especula, ser ampliado futuramente para tratar de
outros conflitos.
Na
carta-convite, Trump afirma que o conselho vai "embarcar em uma nova e
ousada abordagem para resolver conflitos globais", ou seja, Trump se
coloca como uma espécie de imperador do planeta e dá de ombros para a ONU, pois
busca enfraquecer o Conselho de Segurança da ONU, atualmente responsável por
mediação de paz, operações de manutenção da paz e sanções internacionais.
A
ideia, conforme publicou a BBC, fonte da pesquisa para este artigo, causa
desconforto a líderes como o presidente da França, Emmanuel Macron, pois há
risco de substituir o atual sistema da ONU, ficando claro que Gaza pode ser o
começo, mas não é o fim do conselho, na visão do governo Trump.
O
governo Trump já vem reduzindo os recursos dos EUA destinados à ONU; além
disso, os vetos dos EUA impediram o Conselho de Segurança de adotar medidas
para pôr fim à guerra em Gaza e, mais recentemente, assinou um memorando
retirando os EUA de 31 entidades da ONU que, segundo ele, "operam em
desacordo com os interesses nacionais dos EUA".
Além do
Conselho de Paz, foram anunciados dois conselhos executivos subordinados: (a)
o Founding Executive Board (Conselho Executivo Fundador), com
foco de alto nível em investimentos e diplomacia; e (b) o Gaza
Executive Board (Conselho Executivo de Gaza), responsável por
supervisionar todo o trabalho em campo do Comitê Nacional para a Administração
de Gaza, um grupo de tecnocratas encarregado da governança temporária e da
reconstrução do território.
A Casa
Branca afirmou que os integrantes desses conselhos atuarão para garantir
"governança eficaz e a prestação de serviços de excelência que promovam a
paz, estabilidade e prosperidade para o povo de Gaza".
Segundo
a Casa Branca, Trump presidirá o "Conselho Executivo Fundador" de
sete membros, ligados direta ou indiretamente a Trump, que conduziria Gaza à
sua próxima fase de reconstrução.
O
grave: não há palestinos em nenhum dos dois conselhos executivos.
Há um
israelense no Conselho Executivo de Gaza: o bilionário do setor imobiliário
Yakir Gabay, nascido em Israel e atualmente radicado no Chipre. O conselho,
porém, também inclui políticos de alto escalão de países como Catar e Turquia,
críticos da condução da guerra de Israel na Faixa de Gaza.
Nem o
mundo político de Israel está muito satisfeito, pois há quem afirme que o país
foi excluído das discussões sobre a composição dos conselhos executivos, e o
líder da oposição israelense, Yair Lapid, classificou o anúncio como um
"fracasso diplomático para Israel".
O fato
é que, além da morte de mais de 70 mil palestinos, cerca de 80% dos edifícios
em Gaza foram destruídos ou danificados, gerando 60 milhões de toneladas de
escombros, segundo estimativas da ONU. Famílias deslocadas também enfrentam
baixas temperaturas do inverno, abrigo limitado e escassez de alimentos, sendo
certo que Israel continua impondo restrições ao trabalho de ajuda e o
cessar-fogo é uma ficção, pois o Hamas só aceitará se desarmar como parte de um
acordo mais amplo que estabeleça um Estado palestino, e Israel, por seu lado,
mantém tropas terrestres controlando a maior parte da Faixa de Gaza e disse que
só se retirará se o Hamas se desarmar.
O
conselho de paz de Trump, a meu juízo, é parte da visão imperial desabrida de
Trump e de seu governo, e a paz válida só existirá se for lucrativa [para
eles]. Apesar de todos os senões, eu penso que Lula deveria aceitar o convite,
pagar o 1 bilhão de dólares e ser a voz da razão e o fiscal da sanidade no tal
conselho, que, gostemos ou não, será criado e terá suas ações ampliadas sob a
presidência de um bilionário, pedófilo e, segundo sua sobrinha, um “narcisista
mentiroso e sociopata” (em seu livro de memórias lançado em 2020,
intitulado Too Much and Never Enough: How My Family Created the World's
Most Dangerous Man — em tradução livre: Demais e Nunca
Suficiente: Como Minha Família Criou o Homem Mais Perigoso do Mundo).
Essas
são as reflexões.
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A Privatização Imperial da ONU. Por Marcelo Zeo
Apesar
do fator catastrófico e desestabilizante chamado Trump, ´é evidente que o
Brasil deve procurar manter boas relações com os EUA. Afinal, relações
diplomáticas são mantidas entre Estados, entre países; não entre governos
específicos.
Mas o
Brasil não pode renunciar a seus próprios interesses ou, pior, prejudicá-los,
simplesmente para atender a desejos e ambições de outros governantes, que podem
ser nocivos à ordem mundial.
Esse me
parece o caso do convite feito por Trump ao Brasil para participar do seu
“Board of Peace” (Conselho da Paz).
Embora
tal Conselho tivesse sido anunciado, inicialmente, para fazer parte, numa
segunda etapa, do plano de paz em Gaza, seu escopo e seus objetivos vão
muito além de Gaza.
Na
realidade, o texto constitutivo do referido Conselho não menciona, uma única
vez sequer, a questão de Gaza.
A Carta
Constitutiva do Conselho define seus objetivos da seguinte forma:
CAPÍTULO
I - OBJETIVOS E FUNÇÕES
O
Conselho da Paz é uma organização internacional que busca promover a
estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e assegurar uma paz
duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos. O Conselho da Paz
deverá desempenhar funções de consolidação da paz em conformidade com o direito
internacional e conforme aprovado por esta Carta, incluindo o desenvolvimento e
a disseminação de melhores práticas que possam ser aplicadas por todas as
nações e comunidades que buscam a paz.
Fica
claro, portanto, que o Conselho da Paz pretende ser uma organização
internacional permanente, a qual deverá atuar em todo planeta, em qualquer área
que venha a ser considerada em conflito ou ameaçada de sofrer conflitos.
Apesar
disso, o Conselho seria, por assim dizer, um clube de países selecionados por
Trump; não uma instituição verdadeiramente multilateral.
Assim,
o artigo 2 do seu texto constitutivo tem a seguinte redação:
Artigo
2.1: Estados-Membros
A
participação no Conselho de Paz é limitada aos Estados convidados pelo
Presidente (leia- se Trump) e inicia-se após a notificação de que o Estado
consentiu em ficar vinculado a esta Carta, de acordo com o Capítulo XI.
A
Somália, com certeza, não será convidada. Dos mais de 190 países do mundo,
apenas 60 foram selecionados por Trump.
Além
disso, há uma distinção clara entre os membros do Conselho, conforme a sua
disposição ou não de pagar US$ 1 bilhão para Trump.
Com
efeito, a alínea (c) do parágrafo 2.2 do texto constitutivo está redigida da
seguinte forma:
(c)
Cada Estado-Membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da
entrada em vigor desta Carta, sujeito a renovação pelo Presidente. O
mandato de três anos não se aplicará aos Estados-Membros que contribuírem com
mais de US$ 1.000.000.000 em fundos em espécie para o Conselho de Paz no
primeiro ano de entrada em vigor da Carta.
Ou
seja, quem pagar torna-se membro permanente. Que não conseguir pagar é membro
por 3 anos, podendo ser reintroduzido ao “clube” pela vontade do Presidente
(Trump).
Com
respeito às tomadas de decisão, a coisa piora. E muito.
De
fato, a alínea (e) do artigo 3.1 do texto constitutivo do Conselho afirma o
seguinte:
(e)
As decisões serão tomadas por maioria dos Estados-Membros presentes e
votantes, sujeitas à aprovação do Presidente, que poderá também votar na
sua qualidade de Presidente em caso de empate.
Ou
seja, o Presidente do Conselho (Trump) teria o poder unilateral e exclusivo de
vetar quaisquer decisões que venham a ser tomadas pelo seu “clube”.
No
Conselho de Segurança da ONU, já muito criticado por isso, cinco países têm
direito ao veto: EUA, Reino Unido, França, China e Rússia. O Brasil luta, há
muito tempo, para que esse Conselho, que reflete, de forma arcaica, a realidade
geopolítica do pós-Segunda Guerra Mundial, seja consideravelmente ampliado e
revisto.
Imagina
entrar para uma organização internacional que pretende ser uma espécie de
sucedâneo do Conselho de Segurança da ONU, na qual apenas um país (os EUA) tem
direito a vetar quaisquer decisões.
Não
bastasse, pelo texto divulgado, o Presidente do Conselho (Trump) designará, de
forma pessoal, o seu sucessor. Nada de eleições.
O texto
constitutivo do Conselho também estipula que não serão admitidas quisquer
reservas às suas cláusulas. É, portanto, um acordo “tudo ou nada”. Desse modo,
não há espaços para negociar a adesão ao Conselho com certas condicionalidades.
A bem
da verdade, com sua proposta do Conselho de Paz, está tentando construir uma
estrutura paralela à ONU e ao seu Conselho de Segurança.
O
próprio Trump deixou isso claro quando afirmou, em 20 de janeiro de 2026 que
"as Nações Unidas nunca me ajudaram" e que a criação do
"Conselho da Paz" "poderia" substituir a ONU.
A maior
parte dos especialistas em direito internacional público afirma que Trump
tenta, de fato, transformar a organização em uma alternativa ao Conselho de
Segurança das Nações Unidas, onde somente ele deteria o poder de veto,
avaliação com a qual, evidentemente, concordo, após analisar sua carta
constitutiva.
O
Conselho da Paz de Trump seria uma espécie de “ONU pessoal de Trump”, resultado
de uma privatização imperial das funções que essa instituição e seu Conselho de
Segurança deveriam exercer.
Por
conseguinte, o Conselho de Paz de Trump é o exato oposto do que poderia ser uma
verdadeira instituição multilateral, aderente aos princípios do direito
internacional público.
O
Brasil, que é um decidido defensor do multilateralismo, da multipolaridade e da
paz não pode aderir a esse disparate unilateralista, o qual só tornará a ordem
mundial mais instável e conflituosa.
Ruim
com a ONU; pior sem a ONU. E muito pior ainda com o Conselho da “Paz” de Trump.
¨
EUA atuam fora da lei desde a criação da CIA, diz Jeffrey
Sachs
O
economista Jeffrey Sachs afirmou que os Estados Unidos passaram a atuar “fora
da lei” no cenário internacional desde a criação da CIA, em 1947, e disse que a
escalada recente de ameaças e intimidações atribuídas ao governo de Donald
Trump, atual presidente dos EUA, é apenas mais um capítulo de uma trajetória
marcada por guerras, golpes e operações de mudança de regime.
As
declarações foram feitas em entrevista ao programa Judging Freedom,
apresentado pelo juiz Andrew Napolitano, em edição exibida no YouTube em 21 de
janeiro de 2026. No diálogo, Sachs comenta o que chamou de “diplomacia por
insulto” e reage a trechos de uma mensagem atribuída a Trump que envolve a
Groenlândia e pressões sobre países europeus.
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“Não há autoridade legal”: ruptura com a Carta da ONU e o “direito do mais
forte”
Provocado
por Napolitano sobre que base jurídica permitiria a um chefe de Estado exigir a
remoção do líder de outro país que não represente ameaça à segurança nacional,
Sachs respondeu de modo categórico: “Nenhuma”. Em seguida, lembrou
que a Carta das Nações Unidas veda o uso da força — ou a ameaça do uso da força
— contra outros países e afirmou que o atual governo em Washington teria
rompido com esse princípio.
“Temos
um tratado, a Carta da ONU, que explicitamente rejeita o uso da força ou a
ameaça do uso da força contra outro país. Esse é o cerne do direito
internacional, que, claro, nosso presidente repudiou completa e explicitamente”, disse. Para Sachs,
a lógica que se impõe é a do “mais forte”, como se os EUA não estivessem
“vinculados” a normas, tratados ou padrões mínimos de decência institucional.
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A mensagem atribuída a Trump e a Groenlândia como instrumento de chantagem
Na
entrevista, Napolitano exibe um texto apresentado como um e-mail de Trump ao
primeiro-ministro da Noruega, Jonas, e lê o trecho inicial: “Querido
Jonas, considerando que seu país decidiu não me dar o Prêmio Nobel da Paz por
ter parado oito guerras ou mais, não sinto mais obrigação de pensar na paz”.
O texto prossegue com menção à Groenlândia e com a alegação de que a Dinamarca
não seria capaz de “proteger aquela terra” de Rússia ou China.
Sachs
reage apontando que o episódio reforça o caráter errático e agressivo da
política externa do governo norte-americano. Ele diz que o mundo já sabia que
os EUA “cronicamente” se envolvem em derrubadas de governos e guerras com
pretextos falsos e que Trump é um presidente dado a ameaças repetidas. O que
teria mudado, segundo ele, é a percepção de que há algo além do padrão
histórico: “algo rachou?”, questiona, sugerindo que as últimas
semanas teriam sido “completamente descontroladas”, com bravatas, tarifas
“selvagens” e insistência em dizer que “a Groenlândia é nossa”.
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“Gângster internacional”: reação britânica e a crítica à hipocrisia europeia
Napolitano
também reproduz a fala de um parlamentar britânico, exibida na Câmara dos
Comuns, que acusa Trump de agir como “um gângster internacional”,
dizendo que o presidente ameaça a soberania de aliados, flerta com o fim da
OTAN e tenta impor tarifas “ultrajantes” à Europa para “colocar as mãos na
Groenlândia”.
Sachs
afirma concordar “em substância” que a conduta é “repulsiva” e “grotesca”, mas
faz um ataque frontal ao comportamento de governos europeus nas últimas
décadas. Para ele, parte da Europa só se mobilizou agora porque a pressão
passou a ser dirigida ao próprio continente. “O que energizou os
europeus é que se virou contra eles”, afirma, lembrando que muitos
permaneceram silenciosos diante de episódios que ele aponta como violações
graves quando as vítimas eram outros países.
O
economista dá um exemplo pessoal: relata ter presenciado uma reunião no
Conselho de Segurança da ONU após um bombardeio ao Irã, quando, segundo ele, a
representação da Dinamarca teria cobrado “moderação” dos iranianos sem sequer
mencionar que o país havia sido atacado. Na sequência, Sachs diz ter
questionado a embaixadora, que teria se recusado a ouvir a crítica. A conclusão
do economista é que a indignação europeia, em muitos casos, teria sido seletiva
e tardia.
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“Desde 1947”: Sachs liga a crise atual a décadas de intervenções e golpes
Ao
ampliar o quadro histórico, Sachs afirma que o comportamento “sem lei” dos EUA
não começou agora. Ele aponta 1947 — ano de criação da CIA — como marco de uma
era de “dezenas e dezenas” de guerras ilegais, golpes, assassinatos e operações
de mudança de regime, que, segundo ele, se prolongaram até o presente.
Na
avaliação do economista, não deveria ter sido necessária uma ameaça contra a
Dinamarca para que a Europa refletisse sobre essa trajetória. O episódio da
Groenlândia, diz, apenas evidencia o que ele entende como uma continuidade
estrutural: o recurso à intimidação como instrumento de política externa, com
custos crescentes para a estabilidade global.
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“A ameaça à Groenlândia não é Rússia nem China”, afirma economista
Sachs
insiste que a narrativa de que a Groenlândia estaria sob risco de Rússia ou
China seria uma “confabulação”. “A Groenlândia não está sob ameaça
alguma da Rússia, da China ou de qualquer outra pessoa. Isso é completamente
inventado”, declarou. Para ele, o impulso de Trump teria menos relação com
segurança e mais com ambição e vaidade, chegando a comparar o comportamento do
presidente ao de uma criança “com ciúmes” do tamanho territorial da Rússia e de
sua costa no Ártico.
Ele
também sugere que o principal freio recente pode ter sido o mercado financeiro,
não instituições políticas: especula que a queda do mercado teria levado Trump
a moderar o discurso, e insinua que a riqueza pessoal do presidente seria o
último “guarda-corpo” real.
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Europa precisa de política externa própria, diz Sachs
No
trecho final da entrevista, Sachs defende que a Europa construa uma política
externa independente e menos subordinada a Washington. Ele afirma ter alertado
o Parlamento Europeu, em fevereiro de 2025, de que o continente poderia
enfrentar “ameaça de invasão” vinda dos EUA — e diz que a crise atual confirma
a necessidade de uma estratégia própria, com diplomacia “real” e menos
hipocrisia.
Para o
economista, o caso da Groenlândia é um sintoma de um ambiente internacional
cada vez mais perigoso, no qual o unilateralismo volta a testar os limites do
sistema multilateral. A lição, em seu entendimento, é clara: quem aceita a
lógica da força quando ela atinge terceiros pode acabar descobrindo tarde
demais que também se tornou alvo.
Fonte:
Brasil 247

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