quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Democracia, pobreza, emigração: 7 fatos para desmontar as mentiras sobre a Venezuela

Os grandes meios de comunicação silenciam toda voz que dê apoio ao governo venezuelano e a seu presidente, Nicolás Maduro, sequestrado pelos EUA.

O assassinato de mais de 100 pessoas, cometido para executar esse sequestro, ou é censurado ou reduzido a um mero detalhe informativo. Enquanto isso, debates e entrevistas na televisão e no rádio, bem como artigos e reportagens da imprensa, justificam a barbárie, o terror e a destruição do direito internacional por parte do governo de Donald Trump.

A apologia ao terrorismo de Estado goza de tamanha impunidade graças à chuva fina de mentiras lançadas, durante anos, sobre a opinião pública internacional. Vejamos.

<><> A Venezuela é uma ditadura: falso

A Venezuela é o país com mais processos eleitorais do mundo: 32 durante o período do chavismo.

Nas eleições legislativas de maio, por exemplo, concorreram 54 forças políticas, com campanhas abertas e plena liberdade de expressão.

A Venezuela desenvolve um dos modelos de democracia mais participativos do mundo. Além das eleições convencionais, há quatro consultas populares anuais que, em cada comunidade, decidem diretamente os projetos e obras públicas que o Estado deve executar.

<><> O chavismo destruiu a economia: falso

Desde 2015, o governo dos EUA aplicou à Venezuela cerca de mil sanções econômicas, expropriou empresas públicas e congelou contas e ativos no exterior. Em 2019, o país havia perdido 99% de toda a renda em divisas, com uma queda de 70% do PIB. Nada mais parecido com uma guerra.

No entanto, após seis anos de hecatombe social, a Venezuela conseguiu construir novas alianças econômicas nacionais e internacionais e, desde 2022, a economia cresce a um ritmo de 6%, com conquistas palpáveis, como uma soberania alimentar quase total.

<><> A pobreza é culpa do governo: falso

Na primeira etapa da Revolução Bolivariana, com Hugo Chávez na presidência, a pobreza foi reduzida em 47%. A causa foram novas leis soberanas, como a Lei de Hidrocarbonetos, que deram ao Estado o controle real da renda petrolífera. Esses recursos passaram a financiar as chamadas “missões sociais” nas áreas de economia popular, moradia, educação, cultura e esporte, muitas delas em colaboração com Cuba.

No entanto, o bloqueio econômico destruiu os fundos petrolíferos que financiavam esses programas, provocando um aumento significativo da pobreza, a perda do valor dos salários e das aposentadorias, uma inflação gigantesca e a paralisação da economia.

<><> A oposição é perseguida: falso

A extrema-direita, liderada por María Corina Machado, optou pelo boicote na maioria dos processos eleitorais recentes.

Trata-se de uma oposição não democrática, que não apenas apoia as sanções e a invasão de seu país pelos EUA, como também organizou vários golpes de Estado e tentativas de magnicídio, além de incentivar a violência extrema nas ruas contra a ordem constitucional. Em 2024, essas ações causaram a morte de 27 policiais e militantes chavistas.

Sua violência e sua colaboração com uma potência inimiga — e não a simples expressão de “opiniões” — são a causa do encarceramento daqueles que são apresentados como “presos políticos”.

<><> Maduro roubou as eleições presidenciais: falso

Em julho de 2024, a oposição de ultradireita e os serviços de inteligência dos EUA orquestraram uma grande operação para roubar as eleições presidenciais: lançaram um amplo ciberataque que paralisou a apuração dos votos e, simultaneamente, divulgaram na imprensa mundial a mentira de sua vitória eleitoral.

Dias depois, o Tribunal Supremo de Justiça iniciou uma investigação e solicitou as atas eleitorais a todas as formações políticas. 38 partidos, de todas as correntes ideológicas, as apresentaram, exceto a Plataforma Unitária Democrática, de Edmundo González e María Corina Machado.

Atualmente, milhões de pessoas lotam as ruas da Venezuela em apoio a Maduro, sem um único ato de respaldo à intervenção dos EUA. O próprio Donald Trump afirmou que Machado “não tem apoio nem respeito” dentro da Venezuela. Então, como pôde dizer que seu grupo havia vencido as eleições?

<><> China e Cuba invadiram a Venezuela: falso

A China é um dos eixos centrais do ataque dos EUA contra a Venezuela. São os acordos de extração e venda de petróleo, utilizando o yuan — a moeda chinesa —, que Trump tenta destruir por todos os meios.

No caso de Cuba, desde o ano 2000 existe um Convênio Integral de Cooperação com a Venezuela, paradigma da colaboração Sul-Sul. Cuba recebe petróleo e, em troca, fornece serviços, principalmente na área da saúde, em benefício de comunidades venezuelanas de menor renda.

Além disso, há cooperação em matéria de segurança: em 3 de janeiro, 32 militares cubanos que protegiam Maduro foram assassinados pelos EUA durante seu sequestro. Ainda assim, é totalmente falso que existam tropas cubanas na Venezuela. Se existissem, há muito tempo já teriam sido fotografadas pelos satélites estadunidenses.

<><> O governo provocou a saída de milhões do país: falso

Antes do bloqueio econômico, em pleno chavismo, a Venezuela era um país receptor de imigração — por exemplo, cerca de cinco milhões de colombianas e colombianos que fugiam da miséria e da violência. Contudo, o bloqueio dos EUA, assim como ocorreu em Cuba, fez com que milhões de pessoas fossem obrigadas a deixar o país em busca de uma vida melhor.

Assim como no caso cubano, a Casa Branca e os meios de comunicação a seu serviço construíram uma narrativa vitimista e falsa sobre pessoas “refugiadas”, “perseguidas” ou “fugidas” de seu país.

As migrações venezuelana e cubana são, sem dúvida, migrações forçadas — mas não por Caracas ou Havana, e sim por Washington. Ainda que, devido à guerra psicológica travada na mídia e nas redes, uma parte dessas pessoas esteja hoje aplaudindo o próprio algoz.

Um algoz que, por sinal, ainda… não venceu a guerra.

¨      Pepe Escobar denuncia saque de petróleo na Venezuela e uso de IA como arma contra analistas geopolíticos

Na edição mais recente do Pepe Café, no YouTube, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar articulou três temas que, segundo ele, “estão interligados em diversos aspectos”: Venezuela, Irã e a “praga” dos deepfakes de inteligência artificial usados para confundir audiências e atingir vozes independentes.

Ao iniciar a análise, Escobar afirmou que o foco central da ofensiva dos EUA não seria “democracia” nem “guerra às drogas”, mas energia e controle geoeconômico. “Todo mundo já sabia muito antes que isso não tinha nada a ver com um remix da guerra contra as drogas e que não tinha nada a ver com estabelecer democracia na Venezuela”, disse.

<><> “Sequestro” e petróleo no centro da crise venezuelana

Escobar sustentou que o objetivo maior, um “câmbio de regime”, não teria sido alcançado, embora ele descreva uma operação relâmpago que teria resultado no sequestro de um “presidente em exercício” e sua condução aos Estados Unidos. “O objetivo principal, que era um câmbio de regime, eles não conseguiram”, afirmou, antes de mencionar que as acusações seriam “absolutamente pífias”.

O analista também citou o advogado Barry Pollard, apresentado como “um dos advogados de Julian Assant”, para argumentar que eventuais acusações poderiam ser derrubadas em tribunal. No mesmo bloco, ele reforçou a tese de que tudo estaria “diretamente relacionada a petróleo”.

Na narrativa do programa, Washington não teria condições de “controlar” o país caribenho como sugerem versões difundidas na internet. Escobar ironizou a ideia de que, ao “quebrar a porcelana”, o agressor passa a “ser dono” dela e vira responsável pelo que acontecer. E foi além ao avaliar que uma invasão enfrentaria resistência duríssima. “Isso se transformaria em uma série de Vietnams e Afeganistãos superpostos”, disse, ao projetar reação popular “encarniçada”.

Ainda sobre petróleo, Escobar afirmou que “50 milhões de barris de petróleo” teriam sido “roubados literalmente da Venezuela” e que a venda desse volume beneficiaria “fundos americanos”, sob o discurso de que o dinheiro seria “redistribuída, entre aspas, em benefício do povo venezuelano”.

<><> Casa Branca, majors e a avaliação de “ininvestível”

No programa, Escobar relatou um encontro na Casa Branca com CEOs de grandes empresas de energia dos EUA, apontando que a própria indústria teria imposto um freio às expectativas de exploração imediata. “Especialmente o CEO da Exon Mobil” teria dito que, “na situação atual”, a Venezuela seria “ininvestível”.

Ele atribuiu isso a uma combinação de fatores, com destaque para sanções “muito barra pesada” por “mais de uma década, quase duas décadas”, que teriam afetado infraestrutura e cadeias de exportação. Também mencionou modernizações feitas por chineses para viabilizar exportações para a China e estimou um fluxo de “750.000” barris por dia, que classificou como limitado e pouco relevante para “desestabilizar a China”.

Escobar afirmou ainda que, para o país retomar patamares anteriores de exportação, seriam necessários “16 anos” e “183 bilhões de dólares”, com horizonte “até 2040”. O ponto, para ele, é que o cálculo econômico das majors não fecha, o que deixaria o projeto de apropriação energética politicamente ruidoso, mas operacionalmente travado.

<><> Petrodólar, BRICS e o pano de fundo geoeconômico

O eixo estruturante da leitura apresentada no Pepe Café foi o petrodólar. Escobar classificou a ofensiva contra a Venezuela como “um ataque desesperado para retardar a queda do petrodólar”, sustentando que o império buscaria garantir que transações de energia sigam denominadas em dólares.

“É absolutamente vetado do ponto de vista do império de que essas transações sejam em outras moedas”, disse, citando o avanço do “petro yuan” e conectando o tema às experiências discutidas no âmbito dos BRICS. Ele mencionou iniciativas como “Bricks Bridge”, “The Unit” e o sistema chinês “CIPS”, e afirmou ter incorporado “insightes” de Michael Hudson e de Paulo Nogueira Batista.

<><> Irã, sanções e risco de escalada sob Donald Trump

Ao ligar Venezuela e Irã no mesmo tabuleiro, Escobar afirmou que os EUA tentariam “neutralizar o Irã como uma fonte de petróleo e de gás” que comercializa energia “fora do domínio do petrodólar”. Ele atribuiu esse movimento a sucessivos governos, com ênfase em administrações republicanas, e citou explicitamente “Trump 2.0”. No contexto atual, Donald Trump é o presidente dos Estados Unidos.

Escobar descreveu o Irã como “um estado soberano agora armado até os dentes” e afirmou que Teerã teria apoio “de Rússia e de China”. Também levantou a hipótese de novos ataques e disse que haveria “uma lista enorme de alvos” que “já saiu do Pentágono e está na mesa de Trump”, avaliando o cenário como “extremamente perigoso” pela imprevisibilidade decisória.

Ele afirmou que “não haverá um ataque imediato” naquele momento, mas cravou: “Haverá um ataque”. E acrescentou que o presidente poderia “acordar de mau humor e resolver um ataque contra o Irã, passando por cima de tudo”, citando inclusive a tensão com o Congresso sobre autorização para bombardeios.

<><> “Guerra cognitiva” e deepfakes como método de censura

A terceira perna do programa foi o alerta sobre o uso de deepfakes de inteligência artificial para atingir um “pequeno grupo de analistas independentes”. Escobar disse ser um dos alvos e citou outros nomes, como John Mearsheimer, Jeffrey Sachs e Yanis Varoufakis, além de mencionar Paulo Nogueira Batista Jr.. “No meu caso também que tá completamente fora de controle”, afirmou.

Segundo ele, a proliferação de vídeos falsos operaria como “um novo método de censura”, porque “confunde completamente o público”. Escobar relatou um padrão recorrente de comentários: “É você mesmo ou não?”. E sustentou que isso “corrói a confiança” na produção independente de informação, com impacto direto na esfera pública.

Escobar acusou o YouTube de não agir para remover o material e defendeu que, ao detectar um deepfake, a plataforma deveria sinalizar de forma “bastante clara” que se trata de falsificação. Para ele, há um incentivo econômico por trás. “Do ponto de vista de Google e do YouTube, quanto mais canais, quanto mais streams, quanto mais anúncio, quanto mais dinheiro”, disse, citando a “lógica do turbocapitalismo”.

Ele também caracterizou a disseminação como “uma operação psicológica extremamente sofisticada”, que “está destruindo o senso comunitário” e “a confiança entre produtores de informação” e suas audiências. “Pode levar à morte total da internet”, afirmou, ao descrever um cenário em que o público perde a capacidade de distinguir o real do fabricado.

<><> Internet, instabilidade e a disputa pela verdade

No fechamento do programa, Escobar conectou a guerra de narrativas aos episódios recentes envolvendo o Irã e à circulação de desinformação em larga escala. Para ele, técnicas de saturação informacional e excesso de conteúdo falso empurram sociedades para um terreno em que “a destruição da verdade” e “a destruição dos fatos reais” fragilizam processos democráticos.

“O tema principal é guerra cognitiva”, disse, ao defender que o Sul Global, incluindo o Brasil, precisa ficar “extremamente alerta” diante de uma disputa que, em sua visão, combina pressão militar, coerção financeira e manipulação algorítmica.

No final, ele pediu que o público se inscreva “no verdadeiro Pep Café” e atacou os responsáveis pelas falsificações. “Vocês são patéticos, absolutamente patéticos”, afirmou.

 

Fonte: Por José Manzaneda, para Cubainformación.tv/Brasil 247

 

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