quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

"Trump ou é insano ou é um gangster", resume Jeffrey Sachs

O economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Columbia, reagiu com indignação ao conteúdo de uma carta atribuída ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual o mandatário reivindica “controle completo e total” sobre a Groenlândia e sugere que já não se sente obrigado a pensar “puramente” em paz. A avaliação de Sachs foi contundente: “Eu acho aterrorizante porque ou ele é insano ou ele não é insano. Nós não sabemos qual dos dois”. As declarações foram feitas em entrevista publicada no YouTube, em um programa dedicado a política internacional, no qual o tema central foi a escalada de tensões entre Washington e governos europeus.

No mesmo trecho, Sachs afirmou que, se o documento for verdadeiro e refletir a maneira como um presidente norte-americano está se comportando, a crise é mais profunda do que uma disputa diplomática. “Se isso é sério e é assim que um presidente fala, nós perdemos nosso país, nossa democracia, nosso sistema e nossa segurança”, disse, apontando para o que considera uma degradação institucional acelerada e perigosa, com efeitos que podem ultrapassar as fronteiras dos EUA.

<><> A carta sobre a Groenlândia e o choque com a Europa

A entrevista começa com a leitura da carta atribuída a Trump. No texto, o presidente afirma que a Dinamarca não poderia “proteger” a Groenlândia de supostas ameaças e sugere que a soberania sobre o território seria questionável, concluindo que “o mundo não é seguro” sem que os EUA tenham “controle completo e total” sobre a ilha.

Sachs disse considerar o episódio “selvagem”, “estranho” e incompatível com qualquer padrão institucional minimamente responsável. Para ele, a gravidade não está apenas na ameaça em si, mas na naturalização de um discurso que, na prática, trata a anexação de territórios como opção aceitável de política externa. Ele alertou que tratar esse tipo de postura como algo “normal” é um sinal de colapso moral e político.

<><> Tarifas, intimidação e a lógica do “vale tudo”

O entrevistador também menciona postagens atribuídas a Trump sobre aumento de tarifas contra países europeus e relaciona a agressividade comercial a uma percepção de força política em Washington após ações recentes no exterior. Sachs rebate a tese e afirma que o que está em curso não é estratégia, mas descontrole.

Ele insiste que esse rumo não representaria “a vontade do povo americano” nem do Congresso e não refletiria qualquer processo constitucional. Em seguida, usa uma expressão que atravessa toda a entrevista: “Isso é gangsterismo. E gangsterismo geralmente termina em tiroteios”. Na avaliação do economista, esse tipo de conduta tende a produzir escaladas perigosas, não soluções, porque substitui diplomacia e direito por coerção e ameaça.

Sachs também critica a fragilidade europeia diante da pressão norte-americana. Segundo ele, a Europa teria se tornado um “vassalo” dos Estados Unidos nas últimas décadas, perdendo capacidade de reação autônoma. Ainda assim, observa que governos europeus começam a sinalizar limites, citando manifestações que tratariam a Groenlândia como uma “linha vermelha” e afirmariam que a ideia de anexação não seria tolerada.

<><> Hipocrisia internacional e o precedente de Gaza

Um dos pontos centrais da entrevista é o debate sobre a incoerência do Ocidente ao defender princípios apenas quando lhe convém. O entrevistador questiona como governos europeus podem falar em soberania absoluta da Groenlândia, mas ao mesmo tempo apoiar ou tolerar operações e narrativas em outras regiões, abrindo espaço para que Washington avance sem freios.

Sachs concorda e afirma que a política externa dos EUA é “sem lei” há décadas, com a diferença de que, agora, o caráter agressivo estaria mais explícito e acelerado. Ele cita uma sequência de intervenções e operações para sustentar que a ausência de restrições legais não é novidade, mas que o atual momento teria ampliado a velocidade, a ostentação e a brutalidade do método.

Nesse contexto, ele menciona Gaza como exemplo extremo, afirmando que houve uma “operação genocida” diante dos olhos do mundo e que os EUA teriam financiado, armado e apoiado diplomaticamente a ofensiva, com conivência europeia. Para Sachs, quando violações graves são relativizadas em outras situações, fica mais difícil sustentar, depois, um discurso de princípios quando o alvo passa a ser um aliado ou um território europeu.

<><> O “Conselho da Paz” e a distopia do assento pago

A entrevista aborda ainda a proposta de um “Board of Peace”, descrita durante a conversa a partir de uma reportagem mencionada no programa. O apresentador lê detalhes de um rascunho que sugeriria contribuições bilionárias de países para garantir assentos e uma estrutura na qual Trump atuaria como presidente do órgão, com poder de aprovação sobre decisões.

Sachs reage com ironia e indignação. “Se George Orwell tivesse escrito isso, você acharia levemente engraçado”, afirma, antes de classificar a proposta como “triste” e “patética”. Ele diz que a iniciativa, além de absurda, nasce de um ambiente de coerção, pressão e barganha e não teria condições de substituir organismos internacionais.

Para o economista, há “adultos” e lideranças no mundo que entendem que esse tipo de projeto não se sustenta, embora ele reconheça que, por algum tempo, iniciativas dessa natureza podem produzir ruído, medo e riscos reais. O perigo, segundo ele, é o período em que a intimidação funciona, ampliando instabilidade e aproximando crises de pontos de não retorno.

<><> Um efeito colateral: a aceleração do mundo multipolar

Apesar do tom sombrio, Sachs afirma que a postura errática e agressiva de Washington pode provocar uma reação global na direção contrária, estimulando alianças regionais e acordos que reduzam dependência dos EUA e fortaleçam alternativas. Ele menciona conversas diplomáticas em várias regiões e cita os BRICS como parte dessa reorganização.

Na visão do professor, o comportamento imprevisível do governo norte-americano empurra países a buscar estabilidade, sobretudo em um mundo nuclear, no qual decisões impulsivas podem ter consequências catastróficas. Ele critica a ideia de que bravatas, ameaças e ações espetaculosas significariam força real e sustenta que isso não aumenta segurança nem prosperidade para a população dos EUA, mas sim amplia o risco para todos.

Ao fim, a entrevista deixa uma mensagem clara: se o presidente dos EUA fala e age como se não existissem leis, tratados e limites, a crise deixa de ser apenas diplomática. Para Sachs, trata-se de um colapso político e moral que, se não for contido, pode abrir uma fase de turbulência global, com impactos diretos sobre a paz e a segurança internacional.

<><> Recuo se torna a marca da diplomacia de Trump

 Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, recuou da retórica de anexar ou invadir a Groenlândia depois de semanas de ameaças que elevaram a tensão com governos europeus e intensificaram a percepção de instabilidade na política externa de Washington. As informações foram publicadas pela Bloomberg em uma newsletter na quarta-feira.

De acordo com a Bloomberg, o recuo incluiu a desistência de falar em uso da força e também uma retirada das tarifas prometidas contra países europeus que se opunham às ambições territoriais do presidente. Mesmo assim, Trump insistiu que ainda deseja a Groenlândia e mencionou a existência de uma “estrutura de um futuro acordo”, sem apresentar detalhes.

<><> A diplomacia do recuo e o cálculo dos mercados

A Bloomberg descreveu que, ao longo do ano passado, ganhou notoriedade em Wall Street uma aposta conhecida por um acrônimo popularizado no mercado, baseada na ideia de que ameaças comerciais e pressões públicas do presidente acabariam, com frequência, em recuos acompanhados de declarações de vitória. Segundo o boletim, embora tenham crescido dúvidas recentes sobre essa dinâmica, o movimento da quarta-feira reacendeu a leitura de que Trump pode voltar a optar por desescalar quando enfrenta resistência coordenada.

O episódio da Groenlândia, porém, vai além da reação imediata dos mercados. Ao lançar mão de ameaças e, em seguida, recuar, a Casa Branca produz um ciclo de tensão que desgasta alianças e normaliza a política do ultimato. Mesmo quando a escalada é interrompida, fica a mensagem de que princípios de soberania podem ser tratados como moeda de troca, com impactos sobre confiança diplomática, previsibilidade econômica e estabilidade regional.

<><> Dinamarca fecha a porta e rejeita qualquer base para negociação

Se Trump tentou reposicionar sua ofensiva como uma transição para uma saída “negociada”, a resposta de Copenhague foi direta. A Bloomberg informou que o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, rejeitou qualquer conversa sobre uma tomada do território e disse que seu governo não aceita negociações que violem princípios fundamentais.

Rasmussen afirmou, em Copenhague: “Não entraremos em nenhuma negociação com base na renúncia de princípios fundamentais”. Em seguida, reforçou: “Isso é algo que nunca faremos”. A posição dinamarquesa evidencia que a tentativa de Trump de transformar pressão em resultado encontra limites quando envolve soberania e quando há reação política clara no bloco europeu.

<><> Davos, dívida e o alerta sobre o custo da instabilidade

A newsletter da Bloomberg também conectou o clima geopolítico a preocupações econômicas expressas no Fórum Econômico Mundial, em Davos. O fundador da gestora Citadel, Ken Griffin, comentou que a venda intensa de títulos do governo japonês na semana deveria servir como um alerta a políticos dos Estados Unidos para a situação fiscal do país.

Segundo a Bloomberg, Griffin declarou: “Os vigilantes dos títulos podem aparecer e cobrar seu preço”. Ele acrescentou: “O que aconteceu no Japão é uma mensagem muito importante para a Câmara e para o Senado: vocês precisam colocar as contas públicas em ordem”. O boletim lembrou ainda que o Congresso, controlado por republicanos, aprovou no último verão uma ampla lei tributária e de gastos buscada por Trump, que, em grande medida por cortes de impostos para empresas e ricos, colocou os Estados Unidos em rota de endividamento elevado.

No pano de fundo, a diplomacia do recuo também vira variável econômica. Quando ameaças comerciais e disputas internacionais se somam a fragilidades fiscais, cresce a volatilidade, sobem prêmios de risco e a política externa passa a ser precificada como fator de instabilidade estrutural.

<><> Imigração, disputas judiciais e o limite das instituições

A Bloomberg relatou ainda que a agência federal de imigração dos Estados Unidos intensificou ações em um estado governado por democratas, desta vez com foco em imigrantes somalis no Maine. Autoridades locais em cidades como Portland e Lewiston disseram ter recebido relatos de maior presença de agentes nas ruas. O prefeito de Portland, Mark Dion, afirmou que, até o momento, as ações parecem direcionadas a pessoas previamente identificadas, e não a patrulhamento em massa de bairros.

O boletim informou também que o governo Trump obteve uma trégua temporária em uma disputa judicial sobre táticas dessa agência em Minnesota, enquanto uma corte de apelação suspendeu uma decisão que restringia interferências de agentes em protestos, apontadas como violações de direitos constitucionais.

No campo institucional, a Bloomberg destacou sinais de contenção quando o assunto envolve o banco central dos Estados Unidos. Os ministros da Suprema Corte sugeriram preocupação com a tentativa de Trump de demitir a diretora Lisa Cook, em meio a acusações de fraude hipotecária descritas como não comprovadas. Segundo a Bloomberg, o ministro Brett Kavanaugh avaliou que a posição defendida pelo presidente “enfraqueceria, se não destruísse, a independência do banco central”. Já a ministra Amy Coney Barrett questionou se o risco para os mercados financeiros seria motivo para “cautela da nossa parte”.

<><> Confronto interno e a política do bloqueio

A Bloomberg também registrou um episódio envolvendo o governador da Califórnia, Gavin Newsom, frequentemente apontado como possível nome forte do Partido Democrata para a eleição presidencial de 2028. Newsom afirmou que foi impedido de entrar em um evento paralelo do Fórum Econômico Mundial após pressão do governo federal.

De acordo com o boletim, o gabinete do governador alegou que os organizadores, sob pressão de autoridades de Washington, restringiram sua entrada na área do evento. Em resposta, uma porta-voz do governo Trump atacou Newsom com linguagem ofensiva, segundo a Bloomberg, num episódio que reforça a prática de c<><> onfronto permanente contra adversários internos.

Crise como método e recuo como assinatura

Ao recuar do uso da força contra a Groenlândia e desistir de tarifas prometidas contra europeus, Trump reduziu, por ora, o risco de uma escalada diplomática imediata. Mas, ao manter a ambição territorial e apresentar apenas uma vaga “estrutura” de acordo, sem qualquer base aceita pela Dinamarca, o presidente prolonga a incerteza e deixa aberta a possibilidade de novas rodadas de pressão.

O padrão descrito pela Bloomberg indica que o recuo não encerra a crise: ele apenas desloca o conflito para o próximo capítulo. E, a cada ciclo de ameaça e retirada, a política externa dos Estados Unidos paga um preço acumulado em credibilidade, confiança e previsibilidade, enquanto aliados e mercados tentam se ajustar a uma diplomacia em que o recuo se tornou marca registrada.

¨      Sachs denuncia “embriaguez de poder” em Washington e diz que big tech “comprou a Casa Branca”

Em entrevista exclusiva concedida ao The Indian Express, o economista Jeffrey Sachs fez uma crítica dura ao atual momento da política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump, atual presidente dos EUA, descrevendo uma “loucura” recente marcada por decretos, ataques e decisões concentradas em um círculo restrito de poder.

Sachs afirmou que a Casa Branca vive uma combinação explosiva de personalismo, dinheiro e influência tecnológica, e resumiu de forma direta o que enxerga como o novo centro do comando político em Washington: “Esta é uma Casa Branca dominada pela tecnologia” e “Eles compraram a Casa Branca”.

<><> “Uma pequena turma que acha que manda no mundo”

Ao comentar declarações do secretário de Comércio em um podcast ligado ao ecossistema de bilionários do Vale do Silício, Sachs disse que a postura “casual” e arrogante é sintoma de um ambiente em que autoridades se sentem acima de qualquer freio institucional.

“Ele não precisa ter cuidado. Eu comando o mundo. Estou com meus amigos e nós somos o pequeno grupo que manda no mundo”, afirmou, ao descrever a mentalidade que, segundo ele, passou a orientar o governo.

Sachs também apontou que, na visão dele, os Estados Unidos estão testando limites internos e externos: “Eles estão testando todos os limites para ver se ainda restam limites”.

<><> Decretos, emergências e o enfraquecimento do controle constitucional

Na leitura do economista, o esvaziamento de controles constitucionais sobre a política externa vem de décadas, com um ponto de inflexão no pós-guerra, mas teria atingido um patamar extremo com Trump.

Sachs afirmou que o país passou a funcionar por “decreto presidencial” e criticou o uso recorrente de poderes de emergência: as ordens “começam com ‘pelos poderes a mim conferidos como presidente dos Estados Unidos’ e invocando poderes de emergência”, disse, em referência ao mecanismo usado para impor medidas econômicas.

Ele descreveu o Congresso como “submisso” e afirmou que o cenário atual escancara “o colapso de qualquer governança sistemática” no país.

<><> “Complexo militar-industrial digital” e vigilância total

Sachs disse que a antiga engrenagem do complexo militar-industrial ganhou um novo eixo, com a ascensão da inteligência artificial e de plataformas digitais no centro da guerra e da segurança.

“Agora temos um complexo militar-industrial digital”, afirmou. Ele citou o papel de empresas e figuras do setor, mencionando o uso de tecnologias para vigilância e guerra, e definiu o momento como uma concentração sem precedentes de poder econômico, tecnológico e político.

Na mesma linha, alertou para a extensão do monitoramento cotidiano: “Eles observam cada tecla que digitamos e escutam cada palavra que dizemos, seja pelo relógio, seja pelo telefone”.

<><> Venezuela: “Eu não sequestraria presidentes de outros países”

Ao falar sobre a Venezuela, Sachs condenou explicitamente ações unilaterais e a lógica de intervenção. Questionado sobre um cenário em que um líder venezuelano fosse mantido sob controle dos EUA, foi taxativo: “Eu certamente não manteria presidentes, eu não sequestraria presidentes de outros países”.

Ele afirmou rejeitar a divisão do mundo entre “democracias e autocracias” como justificativa para intervenções e disse que qualquer ação desse tipo deveria passar pelo Conselho de Segurança da ONU: “Se há realmente um problema… vá ao Conselho de Segurança da ONU e obtenha um acordo das grandes potências”.

Sachs descreveu como “chocante” a banalização do uso da força e criticou o abandono de justificativas humanitárias: “Aqui é só bravata”, disse, ao sustentar que a retórica muda ao sabor do momento.

<><> Sanções como arma: “Os EUA destruíram deliberadamente a economia venezuelana”

Sachs atribuiu a disparada do mercado venezuelano à expectativa de redução de sanções e ao poder de Washington de “colocar pressão” e “tirar pressão” conforme interesses políticos.

“De 2015 em diante, mas especialmente de 2017 em diante, os EUA destruíram deliberadamente a economia venezuelana”, afirmou. Segundo ele, como o petróleo era “a única exportação de valor”, tornou-se “cirurgicamente possível destruir toda a economia destruindo o setor petrolífero”.

Ele citou a queda acentuada da produção e resumiu o efeito: “Eles esmagaram a economia”. Na leitura do economista, o mercado reage porque acredita que “pode haver sobrevivência de novo” se o isolamento for revertido.

<><> “A OTAN é uma adaga apontada para a Rússia”

Em outro trecho, Sachs defendeu uma mudança radical na arquitetura de segurança europeia. “Eu acabaria com a OTAN”, declarou, argumentando que, após 1991, a aliança passou a operar como instrumento de expansão e pressão sobre a Rússia.

Ele disse que houve promessas não cumpridas sobre a expansão para o Leste e vinculou essa dinâmica à escalada que desembocou na guerra na Ucrânia. Para o economista, o caminho deveria ser outro: um arranjo de segurança coletiva envolvendo União Europeia e Rússia, com dissuasão nuclear, mas sem a lógica permanente de confronto.

<><> Dólar, BRICS e “desdolarização” como resposta à “arma financeira”

Sachs também contestou a ideia de que o dólar seria “impenetrável”. “Completamente errado”, afirmou, dizendo acreditar que, em uma década, o renminbi terá participação relevante nas transações globais.

Ele criticou a “armamentização” do dólar e afirmou que é “tolo” manter transações na moeda americana quando ela é usada para “segurar o resto do mundo pelo pescoço”. Por isso, defendeu que países do BRICS ampliem rotinas de compensação fora do dólar.

Para Sachs, a discussão não é de “confiança”, mas de soberania e estabilidade: “A Índia deveria dizer: precisamos de relações maduras de superpotência com a China, estáveis, para que os Estados Unidos não nos dividam e conquistem e não nos intimidem”.

<><> ONU, “esferas de segurança” e a recusa em aceitar a “tragédia”

Embora reconheça a descrença generalizada, Sachs insistiu que abandonar a ONU seria um caminho “devastador”. “Não podemos aceitar a tragédia”, disse, ao defender um esforço para preservar o sistema internacional antes que o mundo recaia em guerra aberta.

Ele propôs três pilares: “esferas de segurança” (grandes potências fora do “quintal” umas das outras), uma política de “boa vizinhança” e a reconstrução do papel da ONU.

No diagnóstico do economista, a era imperial ocidental acabou, mas a transição está instável. E, para ele, o que se vê hoje em Washington é perigoso justamente por combinar arrogância, poder tecnológico e decisões sem controle: “Os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que precisam”, citou, lembrando a frase clássica atribuída à lógica de dominação — e advertindo que a história mostra como esse tipo de soberba termina mal.

 

Fonte: Brasil 247

 

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