quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

4 detalhes assustadores de como eram feitas as cirurgias dois séculos atrás

Ir ao hospital no início do século 19 era quase uma sentença de morte.

Aqueles que tinham dinheiro eram tratados e operados em suas casas. Por isso, quem tinha a má sorte de acabar na sala de cirurgia de um hospital como o St. Thomas, um dos mais antigos de Londres, tinha uma alta probabilidade de morrer vítima de uma infecção.

Neste hospital fica a Old Operating Theatre ("antiga sala de operações", em inglês), a mais antiga conservada em toda a Europa, que acaba de ser reaberta para visitação após três meses de reformas.

Em 1822, o local era um centro cirúrgico para mulheres. Hoje, ela funciona como museu de uma época em que ainda não se usava anestesia nem antissépticos e quando se acreditava que era o "miasma" - odor fétido dos solos e águas impuras - que causava as doenças.

Semanalmente, um funcionário do museu ocupa a antiga sala e explica aos visitantes, em detalhes, como as cirurgias eram feitas há 200 anos.

<><> 1. Operações-relâmpago

Dois a cada três pacientes que passavam pela sala de cirurgia nos anos 1800 morriam, de acordo com Miles.

O mais comum era que morressem por causa de infecções contraídas no pós-operatório, mas, para minimizar as possibilidades de morte por hemorragia, os cirurgiões da época operavam o mais rápido que conseguiam.

Uma cirurgia, do princípio ao fim, durava cerca de 10 a 15 minutos. Serrar um osso durante uma amputação podia tomar dois ou três minutos do tempo dos médicos - que ficavam mais famosos de acordo com a rapidez de seus procedimentos.

Amputações de membros usando torniquete eram algumas das operações mais frequentes, mas também se faziam outros procedimentos, como a extração de pedras na bexiga.

<><> 2. Sem anestesia

Em 1822 os pacientes sentiam uma dor inimaginável durante as operações, que eram feitas em uma pequena maca de madeira.

Naquela época, os pacientes mais ricos, atendidos pelos médicos em suas casas, tomavam álcool para diminuir a dor nos procedimentos.

No entanto, as mulheres que passavam pela Old Operating Theatre só recebiam um bastão revestido de couro para morder durante a cirurgia. Em alguns casos, os pacientes tinham os olhos vendados, mas, de modo geral, assistiam a tudo.

O éter só começou a ser usado como anestésico nos hospitais do Reino Unido em 1846. No ano seguinte, o clorofórmio também passou a ser usado para deixar os pacientes inconscientes.

<><> 3. Público de 200 pessoas

Assim como outras salas de cirurgia e de dissecação anatômica que existiam na época na Europa, esta tinha uma espécie de arquibancada e grades semicirculares para facilitar a visibilidade do público, que era composto principalmente por estudantes de medicina, aprendizes e assistentes dos cirurgiões.

Cerca de 200 pessoas se amontoavam para presenciar cada operação.

De acordo com as descrições de procedimentos cirúrgicos da época, havia muito barulhos e empurrões nas arquibancadas. Do fundo era possível ouvir gritos de "cabeças, cabeças!" para que os mais próximos da mesa de operações abrissem espaço.

Fumaça de tabaco também era comum no ambiente, explica Gareth Miles.

A presença e o posicionamento dos membros do público eram regulamentados e era comum em todas as salas de operações da época - no centro, ficavam o cirurgião e seus ajudantes, que seguravam o paciente para que não se movesse durante a cirurgia.

Ao redor da maca também ficavam outros cirurgiões do hospital e seus aprendizes, assim como quaisquer visitantes que o cirurgião principal permitisse.

Durante o século 19, na Old Operating Theatre, as mulheres só podiam ocupar a maca cirúrgica como pacientes. Sua presença no público não era permitida, porque se considerava que elas não eram fortes o suficiente para suportar as cenas.

Nas arquibancadas ficavam sentados, além dos estudantes, os aprendizes de outros hospitais, que iam observar novas técnicas e procedimentos, ou apenas o trabalho dos cirurgiões mais famosos.

<><> 4. Os instrumentos e as mãos eram lavados após as operações

Na época, médicos e cientistas acreditavam que as doenças contagiosas eram causadas pelo miasma - mau cheiro das ruas e dos rios, que se dissipava pelo ar -, e não por micro-organismos. Por isso, não se usava nenhum método antisséptico na sala de cirurgia.

O sangue das operações era recolhido em uma caixa de madeira com serragem ou areia, e os cirurgiões e seus assistentes só lavavam as mãos depois das operações, e não antes.

Da mesma forma, segundo Gareth Miles, os instrumentos cirúrgicos não eram limpos ou esterilizados antes de um procedimento, como são hoje. E as vendas eram reutilizadas nos pacientes.

Os jalecos manchados de sangue eram considerados uma espécie de medalha de honra para os cirurgiões, que, além de tudo, chegavam à sala de cirurgia vestindo as roupas com as quais tinham vindo das ruas. As mesmas ruas por onde, teoricamente, se espalhava o miasma.

•        As práticas médicas do Egito Antigo que são usadas até hoje

A medicina no Egito Antigo estava inevitavelmente misturada com a magia. Na época, não havia uma linha clara que demarcasse os limites entre a ciência e a religião.

Com frequência, acreditava-se que as doenças haviam sido enviadas pelos deuses como uma espécie de castigo ou que eram espíritos maus que estavam no corpo da pessoa e tinham de ser expulsos por meio de rituais, feitiços e amuletos.

Mas tudo isso era conjugado com uma medicina bastante prática - e alguns dos métodos utilizados na época sobreviveram ao passar do tempo.

Ainda que suspeite-se que muito conhecimento tenha se perdido com infortúnios como o desaparecimento da Biblioteca Real de Alexandria, sabe-se que a rica cultura egípcia, que floresceu por mais de 3 mil anos antes de Cristo, era muito avançada.

Ainda assim, não deixa de ser surpreendente o que sabiam no campo da Medicina, como por exemplo:

<><> Cirurgia

Os egípcios antigos aprenderam muito sobre a anatomia humana graças à tradição de mumificação. Ao preparar os mortos para sua viagem rumo ao além, podiam analisar as partes do corpo e associá-las com as doenças que a pessoa havia contraído em vida.

Isso permitiu que entendessem o suficiente do assunto para fazer cirurgias, sinais das quais podem ser encontrados nas múmias, desde a perfuração de crânios até a remoção de tumores.

<><> Tratamentos dentários

Por mais que se esforçassem em limpar e moer bem os grãos para fazer farinha, restavam pequenos pedaços de pedras na comida, assim como um pouco de areia do deserto. Isso desgastava os dentes e podia levar ao surgimento de buracos e infecções.

No Papiro Ebers, um dos tratados médicos mais antigos conhecidos, há várias receitas de preenchimentos e bálsamos. Uma delas descreve como tratar um "dente que coça até a abertura da pele": uma parte de cominho, outra de resina de incenso e uma de fruta.

Algumas receitas incluíam mel, que é antiséptico. Em outros casos, simplesmente tapavam os buracos com linho.

<><> Próteses

Os egípcios antigos precisavam de próteses tanto para os vivos quanto para os mortos - e talvez fossem até mais importantes para os mortos. Acreditava-se que, para enviar o corpo para o além, este deveria estar inteiro, daí a importância da mumificação e de completar o que faltasse antes da viagem final.

Mas também serviam para as pessoas vivas. A prótese de dedo na foto acima foi usada por uma mulher e é a mais antiga conhecida.

<><> Circuncisão

A circuncisão é praticada ao longo da história por várias sociedades por razões médicas e/ou religiosas. No Egito Antigo, era bastante comum, tanto que o pênis não circuncisado era visto como algo curioso.

Há escritos descrevendo a fascinação dos soldados egípcios com os pênis dos povos líbios que haviam conquistado. Eles contam, com frequência, que essas pessoas eram levadas para casa pelos egípcios para que seus conhecidos pudessem ver suas partes íntimas.

<><> Sistema médico controlado pelo governo

O acesso ao cuidado médico era controlado de perto pelo governo no Egito Antigo. Havia institutos que treinavam os médicos, que eram educados segundo um currículo específico. Esses locais também recebiam pacientes e os tratavam.

Havia manuais médicos, como o já mencionado Papiro Ebers, no quais eram registrados doenças e tratamentos. Além disso, há descrições de acampamentos médicos instalados próximos de canteiros de obras para atender os operários que sofriam acidentes.

Ainda há indícios de que, se o acidente ocorria no trabalho e a pessoa não podia trabalhar por causa disso, o operário recebia um pagamento durante o período de enfermidade.

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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