Cristiano
de Abreu: Avalanche de realidade afunda a extrema direita - é hora da esquerda
coordenar a narrativa política
O
Titanic da extrema direita afunda a olhos vistos, e neste momento de retumbante
fracasso político deste campo, as guerras narrativas surgem como deslizamento:
na derrota, os responsáveis por ela, culpam a falta de “radicalidade” do grupo,
como os militares japoneses que após Hiroshima escreviam que faltou um
“segundo” bombardeio a Pearl Harbour, ou os liberais argentinos do Plano
Cavallo, que reclamavam que não teriam “liberalizado” o bastante a Argentina,
antes da crise do argentinazo de 2001. As guerras narrativas seguirão, e
o nonsenso não terá limites: preparem-se! Mas o absurdo precisa ser
explicitado, pois o mundo é, cada vez mais, uma realidade complexa, e noções
mínimas de compreensões dos vetores econômicos, sociais, materiais, dessa
realidade, precisam ser entendidas para a construção de uma visão minimamente
realista. Pois é exatamente contra esse estudo mínimo para se entender a
realidade, que essa extrema direita dedica toda sua fúria odiosa contra
qualquer noção de verdade. E o decadente cantor em questão não é um pato cego
isolado: há muitos nessa condição.
Na
verdade, o colapso da realidade para essa extrema direita, vem da avalanche de
realidade hoje sobre sua narrativa fantasiosa. E nesse wishful thinking,
encantado e mítico, o dito cantor não está só: vários escritórios da Faria Lima
apostaram contra o Real a maior parte de 2025, TODAS as agências de
previsibilidade econômica apostaram desbragadamente contra o governo
brasileiro, desde 2023, para não falar da aposta dessa extrema direita em
arrancar do governo Trump sanções econômicas sem fim contra o Brasil: haja
visto a aposta demente de um deputado, Eduardo Bolsonaro, em se mudar para os
EUA para lutar por ataques (até militares!!! O que é ALTA TRAIÇÃO À PÁTRIA!!!!)
e sanções contra o país que paga (SEMPRE PAGOU) seu salário... Mas todas
essas apostas bizarras saíram pela culatra, e hoje o Sol da realidade derrete o
castelo de mentiras que fundamenta a cabeça dessa gente.
Lembro
uma vez conversando com uma amiga médica (nada de extrema direita), e
demonstrava a ela que o PT pegou o Brasil em 2003 como a 14° economia do mundo,
e a entregou em 6° colocação em 2010, pagou a dívida externa (nacionalizou-a),
de como tudo melhorou para todos, nos governos do PT.... E ouvi a resposta:
“você sabe que não é isso que as pessoas falam.” Pois é, as pessoas (imensa
parte delas...) não se pautam pela realidade, mas por subjetividades
manipuladas pelas redes, pelas mídias, que têm lado! Logo, no mínimo sinal de
ruído, “os problemas” de qualquer governo popular viram crises terminais (haja
visto o que fizeram com a honesta Dilma!), enquanto governantes corruptos e
ineptos podem deixar milhões sem água e luz, que NADA lhes atinge (vide: Tarcísio
e Nunes em SP...), pois são blindados por essa narrativa fantasmagórica.
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Política com História: RELEMBRAR É DAR SENTIDO AO PRESENTE!
As
mentiras dessa extrema direita estão agora nuas sob o Sol, onde morrem como
vampiros sob a luz solar. Mas as pessoas, nas redes, vivem em presentes
constantes, que lhes retiram qualquer dimensão de continuidade histórica, de
construção sistêmica: a mídia, e as redes sociais, assim fazem loucamente com
todos, mas essas mesmas pessoas estão sufocadas por esse presente amnésico! É
preciso que as forças populares façam suas campanhas com uma boa dose de
história!!!! RELEMBRAR É DAR SENTIDO! E as pessoas estão precisando desse
sentido, para ver o gelo do ódio, e da burrice, dessa extrema direita derreter
ao Sol. O momento de iluminação é uma felicidade, que não pode ser
desperdiçada: o Brasil ganhou a nomeação das Olimpíadas e Copa, encontrou o
petróleo do Pré-Sal, numa onda de alegria entre 2008/2010... Mas este solar
momento foi violentado na sequência. Hoje abre-se uma janela de diálogo, uma
vez que o outro lado não tem argumentos nem para soluçar, e a forma de
transformar esse derretimento da extrema direita numa janela de diálogo com o
centro expandido, é forçar a aceitação de ARGUMENTOS FACTUAIS. Não dá para
discutir com “eu acho” sobre temas que já têm um acúmulo de argumentação
racional. A sra Patrícia Abravanel respondeu, ao ato de fidelidade do cantor
com o campo político em decomposição que ele segue defendendo, com sua
racionalidade econômica: meu pai me ensinou a articular com todos os
governos... Ponto! Mas a esquerda precisa da história neste momento: o Silvio
Santos foi apoiador do golpe de 2016 e do Temer sim! Em quadros até em que a
senilidade física do empresário/apresentador se imiscuía com a podridão do
momento golpista de forma bizarra... até curiosa. Agora a herdeira, nascida em
berço de ouro, segue fiel ao caminho vitorioso, pouco importa opiniões
pessoais, enquanto o cantor que nasceu pobre e enriqueceu, segue fiel ao campo
político que chuta a escada da melhora econômica aos outros pobres, que ele
como vindo da pobreza, tanto odeia... O auto ódio dele é constrangedor.
Neste
momento de confusão na direita, que a esquerda seja fiel e ao mesmo tempo
pragmática: neste colapso narrativo da extrema direita, é preciso que o campo
progressista imponha os campos do debate político aceitável:
-
Defender sanções, e ATÉ INTERVENÇÕES MILITARES de potência estrangeira no
Brasil É CRIME DE ALTA TRAIÇÃO, NÃO É ACEITÁVEL;
-Defender
legislar por interesses setoriais, para gerar anistia sonsa aos golpistas, e
assim permitir minoração de penas aleatórias a quem quer que seja, NÃO É
ACEITÁVEL;
-Fazer
campanha contra a instituição STF, e defender punições aleatórias e pessoais a
ministros que trabalham dentro dos marcos da defesa da Constituição (que é a
obrigação dos ministros do STF!), NÃO É ACEITÁVEL;
-
Atacar INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS NÃO É ACEITÁVEL;
-Atacar
a economia nacional (como foi feita pela lava-jato) NÃO É ACEITÁVEL.
É
preciso que o campo progressista faça uma ampla campanha de educação política,
trazendo todas as forças que querem participar, para dentro de um quadro de
racionalidade operacional que determina o que é aceitável e o que não é. É
preciso criar as bases de uma campanha para um Congresso sintonizado com o
Povo, logo, com um patriotismo popular mínimo, coisa que a extrema direita
bolsonarista comprovou não ter de forma alguma: a camisa da seleção para eles é
a senha para lutar contra o próprio país, como o cantorzinho sertanejo que,
desafinado com sua história de vida, tem nojo de sua própria origem, de seu
passado, de si mesmo... O auto ódio contra o Brasil da extrema direita tem que
ser RADICALMENTE EXPLORADO PELA ESQUERDA: no Brasil só é patriota quem é do
campo progressista. Ponto!
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Campanha de 2026: educação política com História, Instituições, e patriotismo
popular, contra a loucura suicidária dos amnésicos impatriotas da extrema
direita
Os
progressistas do Brasil necessitam reverter, e minimizar, o quadro de loucura
que a extrema direita escancarou desde 2013, e para isso é preciso definir o
que é inaceitável. E o ponto mais central e evidente é o do impatriotismo
rastejante dos Bolsonaros: que vendem suas candidaturas, seus mandatos, seu
país... É preciso impor limites ao que é aceitável politicamente, e dialogar
com o bom senso popular, usando a HISTÓRIA. Sair da matrix do golpe é defender
instituições, e qualquer um que estude o Institucionalismo sabe que não há
respeito às Instituições sem conhecimento histórico. O Judiciário é uma
instituição fundamental.
O PT é
a maior instituição político partidária do quadro político brasileiro, e
precisa ser respeitado, nunca difamado! O Partido Comunista é uma instituição
mais que centenária no Brasil, que está na base do SUS, do direito à liberdade
de culto, e de tantas conquistas civilizatórias do Brasil: tem que ser
respeitado! Eis aqui um singelo, e pragmático, plano para os progressistas
pegarem a régua e o compasso do momento político, para uma campanha popular:
trabalhar pela educação política, pegando para a esquerda as bandeiras do
INSTITUCIONALISMO e do PATRIOTISMO, pelo uso da HISTÓRIA.
Os
políticos que querem reinventar a roda todo ano, estão apenas atrasando o
progresso do Povo, que já tem muita luta acumulada para perder tempo com
revoltadinhos sem memória: a amnésia coletiva, que mídia e as redes digitais
das Big Tech difundem, e a extrema direita vocaliza no Congresso, é um
instrumento de deseducação, de antipolítica, que os progressistas precisamos
rebater, e destruir com a HISTÓRIA. RELEMBRAR É DAR SENTIDO ao PRESENTE, e
LIBERTAR O POVO DA PRISÃO DA AMNÉSIA HISTÓRICA! SÓ PODE ESTAR NO
CONGRESSO QUEM RELEMBRA NOSSA HISTÓRIA NACIONAL, E HONRA SEUS DESDOBRAMENTOS:
UM CONGRESSO DO POVO É FEITO POR PARLAMENTARES QUE RECONHECEM A HISTÓRIA DE
LUTAS DESSE POVO.
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Geopolítica, extrema direita e a crise da ordem
internacional. Por Maria Luiza Falcão
O ano
de 2025 se encerrou sem síntese e sem alívio. Não há resoluções, apenas
adiamentos; não há estabilidade, apenas contenção provisória do caos. O mundo
chega ao fim do ano em estado de suspensão permanente, marcado por conflitos
não resolvidos, instituições enfraquecidas e uma reorganização profunda e
perigosa do poder global. A ilusão de normalidade é mantida à custa de exceções
contínuas. O sistema internacional já não funciona como ordem: funciona como
improvisação.
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A ascensão da direita e a corrosão deliberada da democracia
O
avanço das direitas radicais e autoritárias consolida-se como um dos traços
mais inquietantes de 2025. Trata-se de um fenômeno global, com variações
nacionais, mas com um núcleo comum: desprezo pelas instituições democráticas,
ataque sistemático à imprensa, às universidades e à ciência, criminalização de
minorias e recusa explícita do pluralismo político. Na América do Sul, esse
movimento assume contornos particularmente regressivos. A experiência argentina
sob Javier Milei, o avanço da extrema direita no Chile, a persistência do
bolsonarismo no Brasil e a instabilidade política crônica em outros países da
região revelam uma direita que já não busca governar dentro da democracia
liberal, mas tensioná-la até seus limites. Explora frustrações reais — estagnação,
insegurança, desigualdade —, mas oferece como resposta o autoritarismo, o
desmonte do Estado e a submissão irrestrita ao mercado financeiro. Não há
projeto nacional nem estratégia de desenvolvimento.
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Conflitos administrados, violência normalizada
Os
grandes conflitos de 2025 não caminham para a paz; caminham para a
normalização. A guerra na Ucrânia permanece num impasse destrutivo, sustentado
por cálculos geopolíticos que já pouco dialogam com qualquer horizonte de
reconstrução. O Oriente Médio segue em combustão lenta, com crises humanitárias
recorrentes, direito internacional seletivo e a banalização da morte civil de
populações inteiras. O traço comum é claro: os conflitos não são resolvidos
porque resolvê-los exigiria mediação, instituições eficazes e compromisso
político internacional — exatamente o que falta. A guerra torna-se
administrável, e o sofrimento, estatística.
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Estados Unidos sob Trump: poder sem liderança
O
retorno de Donald Trump à Casa Branca acelera o declínio qualitativo da
hegemonia norte-americana. Os Estados Unidos seguem sendo uma potência central,
mas já não exercem liderança estabilizadora. O unilateralismo, o desprezo por
alianças históricas, o ataque a organismos multilaterais e a instrumentalização
da política externa para consumo doméstico corroem a credibilidade do país. A
doutrina “America First”, agora mais agressiva, produz um efeito
paradoxal: ao tentar reafirmar poder, Washington enfraquece as bases da ordem
que sustentou sua própria centralidade desde 1945. O resultado é um mundo mais
inseguro, mais fragmentado e menos disposto a seguir qualquer liderança vinda
de um país que já não respeita as regras que criou.
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Europa: relevância sem direção
A
Europa encerra 2025 politicamente frágil e estrategicamente desnorteada.
Pressionada por baixo crescimento, conflitos sociais, crise migratória e avanço
da extrema direita, a União Europeia revela dificuldades crescentes para agir
como ator geopolítico autônomo. A dependência militar, a hesitação diplomática
e a incapacidade de formular respostas coordenadas aos desafios tecnológicos e
produtivos expõem um continente que reage aos acontecimentos, mas já não os
molda. A Europa permanece relevante, mas seu peso político não acompanha sua
memória histórica.
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China: estabilidade como ativo geopolítico
Em
contraste com a instabilidade ocidental, a China encerra 2025 avançando de
forma silenciosa, planejada e estratégica. O fortalecimento do mercado interno,
o investimento contínuo em inovação, a reorganização das cadeias produtivas e a
ampliação de sua presença diplomática no Sul Global consolidam sua posição como
pilar central da nova configuração internacional. A China não se apresenta como
salvadora da ordem global, mas como potência previsível num mundo imprevisível.
Em um sistema internacional marcado por improviso, a capacidade de planejar se
tornou poder.
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O colapso funcional das instituições multilaterais
Talvez
o sinal mais grave do encerramento de 2025 seja o esvaziamento prático das
instituições multilaterais. A Organização das Nações Unidas mostra-se incapaz
de conter conflitos ou impor o direito internacional de forma consistente. O
Conselho de Segurança opera paralisado, refém de vetos e seletividades
políticas. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial seguem ativos, mas
cada vez mais distantes das necessidades reais do desenvolvimento, presos a
condicionalidades que perderam legitimidade e eficácia. A Organização Mundial
do Comércio permanece praticamente imobilizada, incapaz de arbitrar disputas
num mundo em que o comércio foi capturado pela lógica da segurança nacional. Essas
instituições não colapsaram formalmente, mas funcionam abaixo do limiar
histórico para o qual foram criadas. O multilateralismo sobrevive mais como
retórica do que como instrumento real de governança.
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Um mundo multipolar sem árbitro — e sem consenso
O saldo
de 2025 é inequívoco: o mundo tornou-se multipolar, mas sem mecanismos de
coordenação compatíveis com essa realidade. A hegemonia norte-americana
enfraquece sem ser substituída; a Europa hesita; a China avança; potências
regionais testam limites; e a extrema direita ocupa o vazio político deixado
pela crise do liberalismo. Nesse contexto, a democracia deixa de ser um terreno
minimamente compartilhado e passa a ser objeto de disputa aberta. Já não há
acordo básico sobre regras do jogo, limites institucionais ou sobre o papel do
Estado na mediação de conflitos sociais. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento
deixa de ser tratado como um problema técnico, resolvível por ajustes
macroeconômicos ou fórmulas padronizadas, e volta a ser uma questão
eminentemente política. Decidir como crescer, quem se beneficia do crescimento
e quais custos sociais e ambientais são aceitáveis implica escolhas de poder,
interesses e valores. É exatamente nesse terreno — o da decisão política sobre
o futuro — que se reorganizam as tensões centrais do mundo contemporâneo.
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América Latina e Brasil: entre a regressão autoritária e a disputa pelo futuro
Para a
América Latina, o encerramento de 2025 não é apenas o retrato de um mundo em
crise; é um teste histórico. A região volta a ser pressionada a escolher entre
dois caminhos conhecidos: submeter-se novamente a projetos regressivos,
financeirizados e autoritários, ou disputar um novo ciclo de desenvolvimento
soberano, democrático e socialmente orientado. A direita latino-americana
apresenta-se como “antissistema”, mas governa para o sistema mais concentrador
e excludente que existe: o do rentismo financeiro, da desindustrialização e da
destruição do Estado. Onde chega ao poder, desmonta políticas sociais, entrega
patrimônio público e criminaliza a política. Não oferece crescimento
sustentável nem inclusão. Oferece ajuste permanente e conflito social. Na
verdade, não há neutralidade possível. A América Latina não fracassou por
excesso de Estado, direitos ou democracia. Fracassou sempre que renunciou a
planejamento, política industrial, soberania financeira e integração regional.
Fracassou quando aceitou que desenvolvimento fosse sinônimo de exportar commodities e
remunerar capitais voláteis. Fracassou quando naturalizou a desigualdade.
O
Brasil ocupa posição estratégica nessa encruzilhada. Ou lidera um projeto de
reconstrução produtiva, social e ambiental, ou será arrastado para a periferia
ampliada de um mundo fragmentado. Democracia sem desenvolvimento é frágil;
desenvolvimento sem democracia é regressão. A extrema direita avança exatamente
onde o Estado se ausenta e onde a política abdica de disputar o sentido do
progresso.
Encerrar
2025 não é um exercício de retrospectiva neutra. É reconhecer que o sistema
internacional entrou em uma fase de transição prolongada, marcada por
instabilidade estrutural, competição entre projetos e enfraquecimento
deliberado das regras que organizaram o mundo no pós-guerra. A fragmentação da
ordem global, o esvaziamento das instituições multilaterais e a ascensão de
forças autoritárias não são fenômenos desconectados: são partes de um mesmo
processo de reorganização do poder em escala mundial. Para a América Latina,
essa conjuntura impõe escolhas difíceis e inadiáveis. A região volta a ser
pressionada a aceitar um lugar subordinado na economia global, baseado na
reprimarização produtiva, na financeirização e na contenção permanente de
direitos sociais. A experiência recente demonstra que esse caminho não produz
estabilidade, nem crescimento sustentado, nem coesão social. Produz
desigualdade, vulnerabilidade externa e ciclos recorrentes de crise política.
O
Brasil ocupa posição central nessa encruzilhada. Pela dimensão de sua economia,
pela complexidade de sua estrutura produtiva e por seu papel no Sul Global, o
país não pode limitar-se a administrar desequilíbrios. A defesa da democracia,
neste contexto, não se resume à preservação de procedimentos eleitorais, mas
exige capacidade efetiva de formular projetos nacionais de desenvolvimento,
reduzir desigualdades, gerar emprego e reconstruir a confiança social. Sem
isso, a democracia torna-se frágil e exposta ao avanço de soluções
autoritárias. Do ponto de vista da economia política, não há espaço para
ilusões tecnocráticas. Desenvolvimento não é resultado automático de mercados
desregulados nem de ajustes fiscais permanentes. É produto de escolhas
políticas, de planejamento, de coordenação entre Estado e sociedade e de um
projeto nacional capaz de articular crescimento econômico, inclusão social e
sustentabilidade ambiental.
O mundo
que emerge após 2025 será mais competitivo, menos tolerante a improvisações e
menos generoso com países que abdicarem de sua capacidade de decisão. Para o
Brasil e para a América Latina, soberania, desenvolvimento e democracia deixam
de ser categorias abstratas e passam a definir a própria possibilidade de
futuro. Não se trata de retórica, mas de sobrevivência histórica em um sistema
internacional cada vez mais instável e desigual.
Fonte:
Brasil 247

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