Neurologistas
listam 4 hábitos que ajudam a reduzir o risco de AVC
O
acidente vascular cerebral (AVC) acontece quando vasos que levam sangue ao
cérebro entopem ou se rompem, interrompendo a circulação em áreas essenciais.
Mais comum entre homens, o derrame está entre as principais causas de morte,
incapacidade e internações no mundo e, apenas em 2025, provocou uma morte a
cada sete minutos no Brasil.
Diante
desse cenário, especialistas ouvidos pelo Metrópoles reforçam que a prevenção
começa no dia a dia, com hábitos capazes de proteger o coração e o cérebro ao
mesmo tempo. Confira:
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1 – Controlar doenças que afetam a circulação
Manter
sob controle condições como hipertensão, diabetes e colesterol alto é uma das
estratégias mais importantes para prevenir o AVC. Essas doenças, quando mal
cuidadas, provocam desgaste progressivo das artérias e aumentam tanto o risco
de entupimento quanto de rompimento dos vasos cerebrais.
Consultas
regulares ao médico especialista e adesão ao tratamento ajudam a evitar
complicações silenciosas ao longo dos anos.
“Quando
tratamos corretamente hipertensão, diabetes e colesterol, diminuímos de forma
expressiva o desgaste dos vasos cerebrais ao longo dos anos, evitando tanto o
entupimento quanto o rompimento das artérias”, explica o neurologista Bruno
Diógenes Iepsen, porta-voz da Associação Brasileira de Alzheimer.
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2 – Alimentação equilibrada
A
alimentação exerce papel central na proteção dos vasos sanguíneos. Dietas ricas
em frutas, verduras, legumes e fibras, associadas à redução do consumo de sal e
ultraprocessados, ajudam a manter a glicose e o colesterol em níveis adequados.
Esse
cuidado reduz a formação de placas de gordura nas artérias, um dos principais
gatilhos do AVC isquêmico.
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3 – Manter uma rotina ativa
A
prática regular de atividade física também é essencial. Pelo menos 150 minutos
de exercícios por semana contribuem para estabilizar a pressão arterial,
controlar o peso e melhorar o funcionamento do coração, além de favorecer o
controle metabólico como um todo.
“O
hábito de se exercitar regularmente contribui para prevenir doenças como
hipertensão, diabetes, obesidade e condições inflamatórias, além de melhorar a
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– Gerenciar o estresse
O
estresse crônico e noites mal dormidas tendem a elevar a pressão arterial,
desregular hormônios e dificultar a manutenção de uma rotina saudável. Cuidar
da saúde mental também é parte da prevenção e contribui para a adesão a
tratamentos e hábitos de longo prazo.
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Sinais de AVC que exigem atendimento imediato
Mesmo
com prevenção, reconhecer rapidamente os sintomas é fundamental. O AVC costuma
se manifestar de forma súbita e qualquer atraso no atendimento pode resultar em
sequelas permanentes.
Entre
os sinais mais comuns estão alteração na simetria do rosto, fraqueza ou
dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender palavras,
visão dupla, perda repentina de parte do campo visual e tontura intensa sem
causa aparente.
“Muita
gente tenta esperar para ver se o sintoma melhora, mas esse intervalo pode
custar funções importantes do cérebro. O ideal é acionar o serviço de
emergência assim que qualquer sinal aparecer”, afirma o neurologista e neuroimunologista Thiago
Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas.
• Neurocirurgião vascular aponta o
principal fator de risco para o AVC
Considerado
uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil, o acidente
vascular cerebral (AVC) decorre da interrupção do fluxo sanguíneo para uma área
do cérebro, resultando em danos nas células do órgão. Conforme artigo publicado
na Revista Brasileira de Implantologia e Ciências da Saúde, foram registradas
mais de 174 mil mortes pela doença no país no período de 2019 a 2023.
De
acordo com o neurocirurgião vascular Victor Hugo Espíndola Ala, entre todos os
fatores de risco para o AVC, “a hipertensão arterial é, sem dúvida, o mais
perigoso“. “A pressão alta faz o sangue bater com mais força nas paredes dos
vasos, e isso vai fragilizando essas estruturas ao longo dos anos”, explica. O
médico esclarece que esses tubos são mais delicados no cérebro, motivo para o
impacto ser “ainda maior”.
No AVC,
há a interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro
O
especialista complementa que um vaso sanguíneo enfraquecido pode romper e
causar um acidente vascular cerebral hemorrágico. “Isso costuma ser grave. E,
mesmo quando não rompe, a pressão alta provoca microlesões repetidas que
favorecem o entupimento futuro, levando ao AVC isquêmico”, acrescenta o
neurocirurgião.
O
médico detalha sobre a hipertensão ser quase sempre “silenciosa”, o que é um
problema: “Muitas pessoas só descobrem quando a complicação aparece. Controlar
a pressão, medindo-a regularmente e tratando corretamente é uma das medidas
mais efetivas que existe na neurologia”, frisa o expert em AVC e doenças
vasculares no cérebro.
“Se a
população levasse a hipertensão a sério, evitaríamos a maior parte dos casos de
AVC que chegam aos hospitais todos os dias”, pontua Victor Hugo. Em 2023, a
Organização Mundial do AVC divulgou um estudo com a estimativa de que o número
de mortes pela doença no mundo poderá aumentar 50% e atingir quase 10 milhões
de pessoas até 2050.
• Cardiologista ensina como saber se você
está tendo um AVC
O
acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais emergências médicas.
Acontece quando o fluxo de sangue para uma área do cérebro é interrompido ou
quando há sangramento interno.
Em
segundos, as células cerebrais passam a sofrer por falta de oxigênio, o que
pode gerar sequelas graves ou até levar à morte. Por isso, a rapidez no
reconhecimento e no atendimento é determinante para salvar vidas e preservar
funções como fala, movimento e visão.
Para
facilitar a identificação dos sintomas, o Ministério da Saúde e a Sociedade
Brasileira de AVC (SBAVC) adotam duas estratégias simples e complementares: o
protocolo internacional FAST e a sigla SAMU, adaptada ao público brasileiro.
Ambos reforçam que os sinais do AVC costumam surgir de repente, em alguém que
estava aparentemente bem instantes antes.
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Teste SAMU
O teste
pode ser feito por qualquer pessoa ao notar algo errado. Basta seguir os
seguintes passos:
S de
Sorriso: peça para a pessoa sorrir; observe se um lado do rosto fica torto ou
caído.
A de
Abraço: peça para levantar os dois braços; se um deles cair, há perda de força.
M de
Música/Mensagem: peça para cantar ou repetir uma frase simples; repare se a
fala fica enrolada, lenta ou incompreensível.
U de
Urgência: se qualquer um desses sinais aparecer, ligue imediatamente para o
SAMU (192).
No AVC,
cada minuto de espera significa tecido cerebral perdido. Vale lembrar que
qualquer um desses sintomas — mesmo isolados — deve ser tratado como
emergência. Para auxiliar na identificação rápida, estes são outros sinais de
alerta que podem surgir de repente:
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Sintomas que podem indicar um AVC
# Perda
repentina da visão, especialmente em um olho.
# Visão
dupla ou embaçada.
#
Tontura súbita intensa, com dificuldade para andar.
# Perda
de equilíbrio ou sensação de “pernas bambas”.
#vDor
de cabeça intensa e abrupta, muito diferente das habituais.
#
Confusão mental repentina, dificuldade de entender ou reagir.
#
Formigamento súbito, especialmente se acompanhado de outros sinais.
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Principais causas e fatores de risco do AVC
A
cardiologista Luciana Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, destaca
que as doenças do coração têm papel importante no desenvolvimento do AVC,
sobretudo entre idosos.
“As
doenças cardíacas, como arritmia, alterações da contratilidade do coração
(mudanças na força com que se contrai) e formação de placas de gordura nas
artérias, estão relacionadas com as principais causas de acidente vascular
cerebral em idoso”, afirma.
Ela
explica que esses problemas podem comprometer artérias do coração, do cérebro
ou do pescoço, além de se somarem a fatores de risco como diabetes,
hipertensão, colesterol elevado, obesidade e tabagismo. “Essas outras doenças,
que são fatores de risco para as doenças cerebrovasculares, também estão
envolvidas no desenvolvimento do AVC”, reforça.
A
hipertensão merece atenção especial. “A pressão alta descontrolada pode causar
tanto o AVC isquêmico quanto o hemorrágico. É importante que o paciente
mantenha a pressão sempre controlada e procure atendimento imediato se
aparecerem sintomas neurológicos”, alerta Luciana.
O
acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura
ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por
pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico.
Muitos
sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como:
dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo,
paralisia e perda súbita da fala
O
derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte
dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para
melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas
Na
maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é
possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais
causas
Tabagismo
e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em
vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3
vezes na semana e não fumar
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Por que esses sinais são tão perigosos?
O
neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz, explica que
o AVC costuma surgir sem aviso. “Nos primeiros minutos, o AVC se manifesta de
forma súbita. É aquela sensação de que ‘algo desligou’ no corpo”, descreve.
O
especialista alerta que o tempo de reação é crucial. Nos primeiros 60 a 90
minutos, as chances de reverter completamente os sintomas são maiores. “Depois
desse tempo, o risco de sequelas cresce muito rápido”, afirma.
A
janela para tratamentos mais eficazes começa a se fechar entre 3 e 4,5 horas
após o início dos sintomas. Além disso, Flávio lembra que até sintomas leves
podem ser um alerta real.
“Quando
o sintoma começa de repente, mesmo que seja leve, deve ser levado a sério. É
muito melhor errar pelo excesso de cuidado”, orienta.
Mesmo
com sintomas claros, a confirmação do AVC depende da avaliação médica e de
exames de imagem. A cardiologista Luciana Barbosa enfatiza que a tomografia
pode, no início, não mostrar alterações, mas isso não descarta o diagnóstico.
“O
principal exame é o clínico. Mesmo com tomografia normal no início, não
descartamos AVC, porque as alterações podem ainda não ter aparecido”, pontua.
Existem
tratamentos que podem desobstruir artérias e reduzir sequelas, desde que
iniciados rapidamente. Por isso, reconhecer os sinais, usar o protocolo SAMU e
acionar o socorro imediatamente pode salvar vidas e preservar o funcionamento
cerebral.
Fonte:
Metrópoles

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