quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Neurologistas listam 4 hábitos que ajudam a reduzir o risco de AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, interrompendo a circulação em áreas essenciais. Mais comum entre homens, o derrame está entre as principais causas de morte, incapacidade e internações no mundo e, apenas em 2025, provocou uma morte a cada sete minutos no Brasil.

Diante desse cenário, especialistas ouvidos pelo Metrópoles reforçam que a prevenção começa no dia a dia, com hábitos capazes de proteger o coração e o cérebro ao mesmo tempo. Confira:

<><> 1 – Controlar doenças que afetam a circulação

Manter sob controle condições como hipertensão, diabetes e colesterol alto é uma das estratégias mais importantes para prevenir o AVC. Essas doenças, quando mal cuidadas, provocam desgaste progressivo das artérias e aumentam tanto o risco de entupimento quanto de rompimento dos vasos cerebrais.

Consultas regulares ao médico especialista e adesão ao tratamento ajudam a evitar complicações silenciosas ao longo dos anos.

“Quando tratamos corretamente hipertensão, diabetes e colesterol, diminuímos de forma expressiva o desgaste dos vasos cerebrais ao longo dos anos, evitando tanto o entupimento quanto o rompimento das artérias”, explica o neurologista Bruno Diógenes Iepsen, porta-voz da Associação Brasileira de Alzheimer.

<><> 2 – Alimentação equilibrada

A alimentação exerce papel central na proteção dos vasos sanguíneos. Dietas ricas em frutas, verduras, legumes e fibras, associadas à redução do consumo de sal e ultraprocessados, ajudam a manter a glicose e o colesterol em níveis adequados.

Esse cuidado reduz a formação de placas de gordura nas artérias, um dos principais gatilhos do AVC isquêmico.

>>> 3 – Manter uma rotina ativa

A prática regular de atividade física também é essencial. Pelo menos 150 minutos de exercícios por semana contribuem para estabilizar a pressão arterial, controlar o peso e melhorar o funcionamento do coração, além de favorecer o controle metabólico como um todo.

“O hábito de se exercitar regularmente contribui para prevenir doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e condições inflamatórias, além de melhorar a

>>>4 – Gerenciar o estresse

O estresse crônico e noites mal dormidas tendem a elevar a pressão arterial, desregular hormônios e dificultar a manutenção de uma rotina saudável. Cuidar da saúde mental também é parte da prevenção e contribui para a adesão a tratamentos e hábitos de longo prazo.

<><> Sinais de AVC que exigem atendimento imediato

Mesmo com prevenção, reconhecer rapidamente os sintomas é fundamental. O AVC costuma se manifestar de forma súbita e qualquer atraso no atendimento pode resultar em sequelas permanentes.

Entre os sinais mais comuns estão alteração na simetria do rosto, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender palavras, visão dupla, perda repentina de parte do campo visual e tontura intensa sem causa aparente.

“Muita gente tenta esperar para ver se o sintoma melhora, mas esse intervalo pode custar funções importantes do cérebro. O ideal é acionar o serviço de emergência assim que qualquer sinal aparecer”, afirma  o neurologista e neuroimunologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas.

•        Neurocirurgião vascular aponta o principal fator de risco para o AVC

Considerado uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil, o acidente vascular cerebral (AVC) decorre da interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro, resultando em danos nas células do órgão. Conforme artigo publicado na Revista Brasileira de Implantologia e Ciências da Saúde, foram registradas mais de 174 mil mortes pela doença no país no período de 2019 a 2023.

De acordo com o neurocirurgião vascular Victor Hugo Espíndola Ala, entre todos os fatores de risco para o AVC, “a hipertensão arterial é, sem dúvida, o mais perigoso“. “A pressão alta faz o sangue bater com mais força nas paredes dos vasos, e isso vai fragilizando essas estruturas ao longo dos anos”, explica. O médico esclarece que esses tubos são mais delicados no cérebro, motivo para o impacto ser “ainda maior”.

No AVC, há a interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro

O especialista complementa que um vaso sanguíneo enfraquecido pode romper e causar um acidente vascular cerebral hemorrágico. “Isso costuma ser grave. E, mesmo quando não rompe, a pressão alta provoca microlesões repetidas que favorecem o entupimento futuro, levando ao AVC isquêmico”, acrescenta o neurocirurgião.

O médico detalha sobre a hipertensão ser quase sempre “silenciosa”, o que é um problema: “Muitas pessoas só descobrem quando a complicação aparece. Controlar a pressão, medindo-a regularmente e tratando corretamente é uma das medidas mais efetivas que existe na neurologia”, frisa o expert em AVC e doenças vasculares no cérebro.

“Se a população levasse a hipertensão a sério, evitaríamos a maior parte dos casos de AVC que chegam aos hospitais todos os dias”, pontua Victor Hugo. Em 2023, a Organização Mundial do AVC divulgou um estudo com a estimativa de que o número de mortes pela doença no mundo poderá aumentar 50% e atingir quase 10 milhões de pessoas até 2050.

•        Cardiologista ensina como saber se você está tendo um AVC

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais emergências médicas. Acontece quando o fluxo de sangue para uma área do cérebro é interrompido ou quando há sangramento interno.

Em segundos, as células cerebrais passam a sofrer por falta de oxigênio, o que pode gerar sequelas graves ou até levar à morte. Por isso, a rapidez no reconhecimento e no atendimento é determinante para salvar vidas e preservar funções como fala, movimento e visão.

Para facilitar a identificação dos sintomas, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC) adotam duas estratégias simples e complementares: o protocolo internacional FAST e a sigla SAMU, adaptada ao público brasileiro. Ambos reforçam que os sinais do AVC costumam surgir de repente, em alguém que estava aparentemente bem instantes antes.

<><> Teste SAMU

O teste pode ser feito por qualquer pessoa ao notar algo errado. Basta seguir os seguintes passos:

S de Sorriso: peça para a pessoa sorrir; observe se um lado do rosto fica torto ou caído.

A de Abraço: peça para levantar os dois braços; se um deles cair, há perda de força.

M de Música/Mensagem: peça para cantar ou repetir uma frase simples; repare se a fala fica enrolada, lenta ou incompreensível.

U de Urgência: se qualquer um desses sinais aparecer, ligue imediatamente para o SAMU (192).

No AVC, cada minuto de espera significa tecido cerebral perdido. Vale lembrar que qualquer um desses sintomas — mesmo isolados — deve ser tratado como emergência. Para auxiliar na identificação rápida, estes são outros sinais de alerta que podem surgir de repente:

<><> Sintomas que podem indicar um AVC

# Perda repentina da visão, especialmente em um olho.

# Visão dupla ou embaçada.

# Tontura súbita intensa, com dificuldade para andar.

# Perda de equilíbrio ou sensação de “pernas bambas”.

#vDor de cabeça intensa e abrupta, muito diferente das habituais.

# Confusão mental repentina, dificuldade de entender ou reagir.

# Formigamento súbito, especialmente se acompanhado de outros sinais.

<><> Principais causas e fatores de risco do AVC

A cardiologista Luciana Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, destaca que as doenças do coração têm papel importante no desenvolvimento do AVC, sobretudo entre idosos.

“As doenças cardíacas, como arritmia, alterações da contratilidade do coração (mudanças na força com que se contrai) e formação de placas de gordura nas artérias, estão relacionadas com as principais causas de acidente vascular cerebral em idoso”, afirma.

Ela explica que esses problemas podem comprometer artérias do coração, do cérebro ou do pescoço, além de se somarem a fatores de risco como diabetes, hipertensão, colesterol elevado, obesidade e tabagismo. “Essas outras doenças, que são fatores de risco para as doenças cerebrovasculares, também estão envolvidas no desenvolvimento do AVC”, reforça.

A hipertensão merece atenção especial. “A pressão alta descontrolada pode causar tanto o AVC isquêmico quanto o hemorrágico. É importante que o paciente mantenha a pressão sempre controlada e procure atendimento imediato se aparecerem sintomas neurológicos”, alerta Luciana.

O acidente pode ocorrer por diversos motivos, como acúmulos de placas de gordura ou formação de um coágulo – que dão origem ao AVC isquêmico –, sangramento por pressão alta e até ruptura de um aneurisma – causando o AVC hemorrágico.

Muitos sintomas são comuns aos acidentes vasculares isquêmicos e hemorrágicos, como: dor de cabeça muito forte, fraqueza ou dormência em alguma parte do corpo, paralisia e perda súbita da fala

O derrame cerebral não tem cura, entretanto, pode ser prevenido em grande parte dos casos. Quando isso acontece, é possível investir em tratamentos para melhora do quadro e em reabilitação para diminuir o risco de sequelas

Na maioria das vezes, acontece em pessoas acima dos 50 anos, entretanto, também é possível acometer jovens. A doença pode acontecer devido a cinco principais causas

Tabagismo e má alimentação: é importante adotar uma dieta mais saudável, rica em vegetais, frutas e carne magra, além de praticar atividade física pelo menos 3 vezes na semana e não fumar

<><> Por que esses sinais são tão perigosos?

O neurologista Flávio Sekeff Sallem, do Hospital Japonês Santa Cruz, explica que o AVC costuma surgir sem aviso. “Nos primeiros minutos, o AVC se manifesta de forma súbita. É aquela sensação de que ‘algo desligou’ no corpo”, descreve.

O especialista alerta que o tempo de reação é crucial. Nos primeiros 60 a 90 minutos, as chances de reverter completamente os sintomas são maiores. “Depois desse tempo, o risco de sequelas cresce muito rápido”, afirma.

A janela para tratamentos mais eficazes começa a se fechar entre 3 e 4,5 horas após o início dos sintomas. Além disso, Flávio lembra que até sintomas leves podem ser um alerta real.

“Quando o sintoma começa de repente, mesmo que seja leve, deve ser levado a sério. É muito melhor errar pelo excesso de cuidado”, orienta.

Mesmo com sintomas claros, a confirmação do AVC depende da avaliação médica e de exames de imagem. A cardiologista Luciana Barbosa enfatiza que a tomografia pode, no início, não mostrar alterações, mas isso não descarta o diagnóstico.

“O principal exame é o clínico. Mesmo com tomografia normal no início, não descartamos AVC, porque as alterações podem ainda não ter aparecido”, pontua.

Existem tratamentos que podem desobstruir artérias e reduzir sequelas, desde que iniciados rapidamente. Por isso, reconhecer os sinais, usar o protocolo SAMU e acionar o socorro imediatamente pode salvar vidas e preservar o funcionamento cerebral.

 

Fonte: Metrópoles

 

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