Eric
Blanc: A tradição socialista inspirou Martin Luther King
uase
todos à esquerda no espectro político entendem que Martin Luther King Jr. era
mais radical do que a versão branda e limitada ao discurso “Eu tenho um sonho”
com a qual o senso comum está familiarizado.
Martin
Luther King Jr. foi um político radical que passou seus últimos anos se opondo
ao militarismo, denunciando o capitalismo e exigindo uma redistribuição
econômica massiva. É por isso que a definição de socialismo preferida de Zohran
Mamdani tem sido citar King: “Chame de
democracia ou chame de socialismo, mas deve haver uma melhor distribuição de
riqueza neste país para todos os filhos de Deus.”
No
entanto, mesmo muitos dos relatos mais simpáticos sobre o “King radical” ainda
se apegam a um conto de fadas estadunidense conhecido: o Grande Homem que
simplesmente tinha isso dentro de si — nascido com valor moral, concebido dessa
forma e, então, convertido em condutor da história pela pura força do carisma.
Essa
história está errada de uma forma específica que é relevante para a esquerda
atual. O radicalismo de King não era um atributo individual. Era o resultado de
um aprendizado dentro de uma tradição organizada — uma rede de socialistas,
radicais trabalhistas e educadores do movimento que realizavam o trabalho pouco
glamoroso de formar líderes, construir instituições, redigir documentos, cuidar
da logística, ensinar estratégia e conectar as demandas pelos direitos civis à
política de classe do dia a dia.
É
lamentável que esse legado institucional tenha sido apagado com tanto sucesso
que as pessoas podem acabar pensando que King inventou sua própria política
isoladamente. Na realidade, ele surgiu dentro de uma rede de organizadores
socialistas e “escolas de movimento” que tratavam a justiça racial e a justiça
econômica como temas inseparáveis — e, crucialmente,
tratavam a organização como uma arte que podia ser ensinada.
Parte
do que torna o apagamento tão eficaz é um mito concomitante: o de que os
primeiros socialistas estadunidenses — especialmente aqueles associados ao
antigo Partido Socialista — “ignoraram a questão racial”, ponto final, e,
portanto, não poderiam ter contribuído para semear a política de massas da luta
pela liberdade negra. Há um fundo de verdade nisso (a história inclui episódios
de racismo e marginalização vergonhosos), mas também é uma caricatura que
transforma uma tradição complexa em um espantalho — e, convenientemente, torna
mais fácil fingir que o socialismo e o antirracismo só se encontraram na década
de 1960 como uma espécie de feliz acaso. Na realidade, o movimento socialista
estadunidense — incluindo ex-racistas como Victor Berger — após 1917,
atacou veementemente a supremacia branca e o imperialismo, em vez de se
acomodar a eles, estabelecendo um legado organizado que passou a desempenhar um
papel central na política de Martin Luther King Jr.
Este
argumento não visa diminuir o heroísmo ou a capacidade de ação de King. Ele foi
extraordinário. Mas, se nos importamos com o tipo de política que ele praticou
— organização de massas, disciplina de movimento e socialismo —, precisamos
prestar atenção à estrutura que a tornou possível.
<><> Myles Horton e a Highlander School
Étentador
tratar o boicote aos ônibus de Montgomery em 1955 como o nascimento instantâneo
do movimento moderno pelos direitos civis — uma mulher corajosa se recusa a
ficar em pé, um jovem pastor faz um discurso, a história muda. Mas o boicote
teve sucesso porque se baseou em anos de organização: redes da NAACP,
infraestrutura da igreja, disciplina semelhante à dos trabalhadores e educação
política.
Rosa
Parks é frequentemente reduzida a um símbolo — costureira discreta, pés
cansados, desafio espontâneo. Mas Parks era uma organizadora séria, uma
estudiosa da estratégia de movimentos e uma pessoa imersa nas tradições do
radicalismo inter-racial e da solidariedade classista dos trabalhadores. Sua
decisão de sentar-se na frente do ônibus em dezembro de 1955 não surgiu do
nada. Ela foi fruto de treinamento, construção de relacionamentos e formação
política — incluindo sua relação com uma das instituições de movimentos mais
importantes do século XX: a Highlander Folk School.
A
Highlander, sediada no Tennessee, foi um centro de treinamento radical surgido
da esquerda trabalhista da década de 1930. Seu fundador, o socialista Myles
Horton, a via como um lugar dedicado à construção do poder de baixo para cima —
primeiro no movimento trabalhista e, posteriormente, na luta pela liberdade no
Sul dos Estados Unidos.
Myles
Horton surgiu de uma realidade onde o socialismo era uma corrente prática na
vida da classe trabalhadora. Horton estudou com o socialista cristão Reinhold
Niebuhr e, em sua autobiografia, descreve ter
aprendido política com pessoas como “o velho socialista, Joe Kelley Stockton”,
um amigo de Eugene Debs que tornou o socialismo tangível por meio de sua vida
generosa e de sua prática política classista acirrada.
O
projeto Highlander, lançado com apoio financeiro de Niebuhr e do Partido
Socialista, não foi concebido para produzir líderes carismáticos, mas sim para
desenvolver capacidade coletiva — para ensinar pessoas comuns a analisar suas
condições, dialogar entre si, superando divisões, e agir em conjunto.
Como
disse Horton, o método Highlander existia para que as pessoas não esperassem
por “algum decreto governamental ou algum Messias” para melhorar suas vidas.
Sua pedagogia radicalmente democrática insistia que “os melhores professores
dos pobres e trabalhadores são os próprios pobres” e que o objetivo não era a
adaptação a uma sociedade injusta, mas sim a sua transformação.
E
embora muitas vezes seja esquecido hoje em dia, o DNA político inicial da
Highlander era explicitamente socialista. Em um apelo para arrecadação de
fundos, Horton descreveu o objetivo da Highlander como “educação para uma
sociedade socialista” e deixou claros os compromissos da escola: ela existia
“para ajudar a criar uma nova ordem social”.
Inicialmente,
a escola tinha um foco fortemente voltado para o trabalho — principalmente
trabalhadores brancos das indústrias têxteis e da mineração nas montanhas —,
mas Horton e sua equipe passaram a lutar por justiça racial ao confrontarem o
sistema de governo central do Sul. Horton buscou o apoio de líderes
trabalhistas negros na década de 1940 e, na década de 1950, redirecionando o
foco da Highlander “completamente” para a luta contra a segregação.
<><>
Rosa Parks e Montgomery
Arelação
de Rosa Parks com a Highlander é um daqueles fios condutores que são cortados
da história porque complicam o mito do herói. Parks não se envolveu na
resistência apenas por instinto. Ela se preparou.
O pilar
do movimento em Montgomery, o líder sindical negro E.D. Nixon, insistia que a
desobediência civil eficaz exigia “planejamento cuidadoso” e “um núcleo de
liderança bem treinado e disciplinado”. Essa era a lógica que lhe fora ensinada
em Highlander: primeiro a organização, depois a desordem. Assim, Nixon
providenciou para que Parks e outros ativistas negros locais frequentassem a
escola em agosto de 1955 para um treinamento multirracial intensivo de duas
semanas. Parks recordou mais tarde:
Na
Highlander, descobri pela primeira vez na minha vida adulta que poderíamos ter
uma sociedade unificada, que existia algo como pessoas de diferentes raças e
origens reunindo-se em formações e vivendo juntas em paz e harmonia. Era um
lugar do qual eu relutava muito em partir. Ali, encontrei a força para
perseverar na minha luta pela liberdade, não apenas para os negros, mas para
todos os povos oprimidos.
O
boicote subsequente de Montgomery é importante aqui não apenas porque
impulsionou King, ainda desconhecido então, à liderança nacional, mas também
porque representou o primeiro grande avanço do modelo de ação de massa do
movimento moderno pelos direitos civis: disciplina coletiva contínua, pressão
econômica e confronto moral com o poder segregacionista de Jim Crow.
Transformou a luta de batalhas judiciais em uma insurgência social. Os talentos
de King — sua voz, sua firmeza mesmo sob pressão, sua capacidade de enquadrar a
luta em termos morais e democráticos — eram reais. Mas o movimento ao seu redor
também o ensinava que tipo de líder ele precisava ser.
Esse
ensinamento vinha de pessoas que já sabiam como se organizar. E um número
surpreendente dessas pessoas provinha de tradições socialistas e trabalhistas.
<><>
Bayard Rustin
Se você
quiser apontar uma única figura que ajudou a transformar King de um líder local
talentoso no organizador de um movimento nacional, Bayard Rustin é difícil de
superar. Rustin tratava a organização de massas não violenta como uma
ferramenta de empoderamento. Era algo para o qual você treinava e praticava,
organizava e executava com precisão.
Rustin
é por vezes lembrado como o homem por trás da Marcha sobre Washington de 1963.
Isso é verdade — mas não lhe faz justiça. Rustin não era apenas um organizador
de eventos. Era um estrategista com décadas de experiência política na formação
de coligações trabalhistas, na não-violência gandhiana e na construção de
estrutura e disciplina. Era também um socialista convicto. Como afirmou num relatório de 1958 sobre a sua
recente viagem ao estrangeiro: “O problema na Europa — tal como nos Estados
Unidos — é a ausência de um movimento socialista vivaz.”
Rustin
também ajudou a moldar a visão intelectual e estratégica de Montgomery. Ele
constantemente incentivava King e outros líderes a pensarem em uma perspectiva
mais ampla: não tratar o boicote como uma disputa local, mas sim como um
modelo. Não tratar a segregação como um “problema do Sul”, mas sim como uma
crise nacional da democracia. E não separar os direitos civis dos direitos
econômicos.
Esse
último ponto é crucial. A política de Rustin surgiu de uma tradição socialista
que entendia o racismo como indissociável da economia política. Ele foi
implacável em sua busca por ascender ao poder através da política majoritária
da classe trabalhadora, partindo do protesto.
Foi
também nesse contexto que a própria vida de Rustin moldou seus compromissos
políticos. Ele viveu como um homem abertamente gay em um mundo de movimentos
sociais frequentemente hostil à homossexualidade. Sobreviveu à repressão, à
marginalização e à vigilância. Essas experiências aguçaram sua convicção de que
a pureza moral não basta. É preciso uma organização forte o suficiente para
vencer.
King
absorveu muito disso. O “estilo King” que as pessoas agora admiram — clareza
moral combinada com organização disciplinada e ampla política de coalizão — não
veio apenas do púlpito.
<><>
A. Philip Randolph
Se
Rustin ajudou a profissionalizar a estratégia, A. Philip Randolph ajudou a
definir a relação do movimento com o mundo do trabalho e a justiça econômica.
Randolph
tornou-se um líder do Partido Socialista em um Harlem que fundia a luta de
classes com uma política de liberdade negra. Em Nova York, ele e seu
colaborador Chandler Owen tentaram organizar sindicatos, foram demitidos por
dizerem a verdade sobre os baixos salários e, com o apoio do jornal
judaico de esquerda Forward, lançaram o Messenger em
1917, que anunciaram como “A única revista negra radical da América”.
O
socialismo de Randolph era uma forma de interpretar o poder e de construí-lo.
Ele acreditava que a liberdade dos negros não poderia ser conquistada apenas
por meio de vitórias nos tribunais ou persuasão moral, porque a segregação
estava ancorada na dominação material: empregos controlados pelos patrões,
moradia controlada pelos proprietários e a política controlada por aqueles que
detinham o poder econômico. Essa convicção o impulsionou para o terreno mais
árduo da vida estadunidense — as lutas trabalhistas dos negros — e para a
crença de que a democracia exigia poder econômico para os trabalhadores.
A Irmandade dos
Porteiros de Vagões-Dormitório de Randolph não foi apenas um
sindicato bem-sucedido — fundado em 1925 para organizar os milhares de homens
negros que trabalhavam como carregadores da Pullman nas ferrovias, foi o
primeiro grande sindicato liderado por negros a obter uma carta constitutiva da
Federação Estadunidense do Trabalho. Tornou-se um campo de treinamento para uma
geração de organizadores negros da classe trabalhadora — incluindo E.D. Nixon
em Montgomery — que entenderam como pressionar instituições, negociar coletivamente
e construir organizações duradouras.
Randolph
também foi pioneiro em uma tática que definiria a era dos direitos civis: a
ameaça de ações em massa como forma de pressão. Sua proposta de Marcha sobre
Washington em 1941 — com o objetivo de forçar uma ação federal contra a
discriminação nas indústrias de defesa — foi um modelo de uso da mobilização
para obter concessões. Mostrou que não era preciso esperar por boa vontade. Era
possível forçar a mudança.
Em
1963, essa tradição de Randolph culminou na Marcha sobre Washington por
Empregos e Liberdade, um evento que muitas vezes é suavizado a ponto de se
tornar uma lembrança nostálgica de um discurso sobre um sonho. Mas a própria
essência da marcha era uma declaração: empregos e liberdade.
Não apenas direitos no papel, mas reivindicações econômicas palpáveis.
E a
linguagem de Randolph era militante em sua insistência em seguir em frente.
Randolph declarou: “Esta marcha não será interrompida. Ela continuará.” Essa
frase foi um aviso ao establishment político de que o movimento se
intensificaria até que suas demandas fossem atendidas.
<><>
Stanley Levison
Stanley
Levison pode ser o menos conhecido dos principais conselheiros socialistas de
King, mas seu impacto não foi menos significativo. Levison — apresentado a
King por Bayard Rustin durante o boicote aos ônibus de Montgomery — era um rico
empresário e advogado judeu com um profundo passado marxista, alguém que o
governo considerava um contaminador perigoso. De fato, ele era “um esquerdista
convicto” e “um marxista de sangue quente” até romper formalmente os laços com
o Partido Comunista em 1956.
Como observa seu biógrafo,
Levison realizou grande parte do trabalho de bastidores que tornou possível a
obra de King. Levison “aconselhou, angariou fundos, escreveu artigos e
discursos para, cuidou da contabilidade e, muitas vezes, salvou King de
problemas financeiros” de 1955 a 1968.
Isso
não significa que Levison “criou” King, mas que King atuava dentro de um
sistema de apoio construído por organizadores experientes e intelectuais
radicais — exatamente o tipo de sistema que as histórias sobre grandes homens
apagam.
Levison
também moldou a mensagem de King de maneiras importantes, especialmente em
relação à classe social. Como King afirmou em seu livro sobre Montgomery, o
movimento operário “deve concentrar suas poderosas forças em levar a
emancipação econômica a brancos e negros, organizando-os juntos em busca da
igualdade social”. A posição política de Levison foi crucial nesse contexto.
Ele era um marxista com fortes laços com o radicalismo operário, alguém que via
a estrutura econômica como a chave para a hierarquia racial. E ele ajudou King
a articular essa ligação em uma linguagem pública.
Levison
também trouxe um tipo de disciplina ética que ajudou a moldar as escolhas de
King. Quando King considerou uma lucrativa turnê de palestras, Levison
respondeu rispidamente: “Você não pode fazer isso”, e quando King perguntou por
quê, Levison respondeu: “Porque o tipo de pessoa para quem você estará pregando
sobre não violência é pobre demais para pagar por suas palestras”. King
concordou prontamente. É um pequeno detalhe, mas ressalta como a virtude
pessoal emergiu da disciplina política — uma disciplina enraizada na cultura do
movimento socialista.
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Uma história esquecida
Se essa
tradição socialista era tão importante, por que está tão ausente do imaginário
popular?
Uma
resposta é a repressão. Levison, Rustin e outros foram alvos do FBI e de
políticos que acreditavam que os direitos civis poderiam ser desacreditados por
sua associação com o socialismo. J. Edgar Hoover tratou Levison como “Sr. X”,
uma figura comunista supostamente infiltrada no círculo de King.
Outra
resposta reside na cultura política estadunidense. Muitas pessoas se sentem
confortáveis acreditando que a
mudança vem de indivíduos excepcionais, e
não de organizações. Isso reduz a história
a biografias. Permite admirar King sem questionar que tipo de aparato coletivo é
necessário para produzir mais líderes como ele e
conquistar mudanças reais.
E
então, há o mito sobre os primeiros socialistas e a questão racial: a ideia de
que o socialismo é inerentemente cego ao racismo, o que facilita tratar a
influência socialista sobre King como irrelevante ou acidental. Houveram fracassos
e concessões reais em toda a esquerda socialista branca e trabalhista. Mas
também houve contribuições profundas — as carreiras de Randolph e Rustin sendo
um dos exemplos mais óbvios. E suas posições políticas vieram diretamente do
Partido Socialista, que havia dado uma guinada antirracista
acentuada após a Primeira Guerra Mundial.
A
questão é que o movimento de King foi construído dentro de um ecossistema de
esquerda mais amplo que tratava a justiça racial e a justiça econômica como
questões inseparáveis. Nada disso reduz King a um fantoche. Pelo contrário. A
grandeza de King não residia apenas no fato de ter conselheiros. Resistia em
sua capacidade de ouvir, aprender e evoluir. Muitos líderes resistem a esse
tipo de aprendizado. King o buscava ativamente.
Ele
também optou, repetidas vezes, por aceitar os riscos inerentes a esses
relacionamentos. Manter-se próximo de Rustin e Levison — ambos alvos de intensa
repressão — não era seguro. Não era politicamente conveniente. King fez isso
porque reconhecia que os movimentos precisam de pensadores, estrategistas e
construtores, não apenas de pregadores.
A
história do radicalismo de King não é a história de um gênio solitário. É a
história de um líder talentoso que se uniu a uma tradição — e ajudou a levar
seus melhores instintos a uma escala nacional.
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Heróis não solitários
Vivemos
num momento em que Donald Trump ajudou a levar os Estados Unidos de volta a
alguns de seus piores legados de racismo, exclusão e oligarquismo. Nesse
contexto, a lição correta de King é que a clareza moral precisa ser combinada
com organização, influência popular e demandas materiais.
A ideia
mais perigosa de King nunca foi simplesmente que o racismo é errado. Era que a
democracia exige redistribuição — o que ele e seu círculo cada vez mais
enquadravam como uma espécie de socialismo na prática: construir uma sociedade
onde os trabalhadores tenham poder, onde os direitos sejam reais porque estejam
respaldados pela segurança econômica e onde a luta contra o racismo seja
inseparável da luta por uma vida melhor para todos os trabalhadores.
Essa
visão não surgiu apenas de King. Ela foi moldada e aprimorada por uma tradição
socialista mais ampla — por meio de figuras como Bayard Rustin, A. Philip
Randolph, Myles Horton, Rosa Parks e Stanley Levison — que o ensinaram a se
organizar, a pensar estruturalmente e a conectar a luta pela dignidade à luta
pela liberdade material para todos.
Fonte: Tradução
Pedro Silva, em Jacobin Brasil

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