Vladimir
Bortun: A década perdida da esquerda europeia
Com o
surgimento de novos projetos de esquerda — desde o recente triunfo de Mamdani
até a ascensão de um novo partido de esquerda na Grã-Bretanha — vale a pena
revisitar o “momento de esquerda” europeu da década de 2010. Há dez anos, as
expectativas eram altas. Embora o governo do SYRIZA tivesse acabado de ceder à
Troika, as esperanças ainda se concentravam em outros partidos de esquerda do
sul da Europa (Podemos, Bloco de Esquerda), em um Partido Trabalhista
revigorado no Reino Unido e no novo partido de Mélenchon na França. Dez anos
depois, no entanto, o neoliberalismo permanece firmemente estabelecido, cada
vez mais autoritário e abertamente belicista. Pior ainda, a extrema-direita se
consolidou como a principal adversária do centro político, apesar de sua
suposta ruptura com a ortodoxia neoliberal ser, em grande parte, ilusória. Como
chegamos a este ponto?
Durante
grande parte do período pós-Guerra Fria, a esquerda radical europeia permaneceu
marginalizada. O colapso do Bloco Oriental minou não apenas o socialismo de
Estado como modelo, mas a própria ideia de uma alternativa sistêmica ao
capitalismo. As décadas de 1990 e 2000 foram definidas pelo triunfo da
hegemonia neoliberal e pela erosão da consciência de classe. Nesse período, a
esquerda radical obteve uma média de apenas 6,6% dos votos nas eleições
nacionais. No entanto, a guinada neoliberal da social-democracia criou um vácuo
político. Do final da década de 1990 em diante, surgiram novas formações de
esquerda — Die Linke na Alemanha, o Parti de Gauche na
França, o SYRIZA na Grécia, o Bloco de Esquerda em
Portugal e, mais tarde, o Podemos na Espanha. Esses
partidos se posicionaram como alternativas tanto à social-democracia neoliberal
quanto aos partidos comunistas fossilizados, incapazes de se conectar com as
novas camadas ativistas moldadas pelo movimento antiglobalização.
A crise
da zona do euro na década de 2010 abriu caminho para esses partidos. Na Grécia,
Espanha e Portugal, a austeridade foi inicialmente imposta por governos de
centro-esquerda, resultando em ondas massivas de resistência popular. Embora os
sindicatos por vezes tenham desempenhado um papel, os protestos assumiram, em
grande parte, a forma de movimentos sociais de massa, desobediência civil e
redes de solidariedade popular. Alguns desses novos partidos, especialmente o
SYRIZA e o Podemos, conseguiram se inserir nesses movimentos e tornaram-se seus
veículos políticos. Em meados da década, com o arrefecimento da mobilização em
massa, a oportunidade eleitoral atingiu o seu auge. Só em 2015, o SYRIZA chegou
ao governo na Grécia, o Podemos e o Bloco alcançaram resultados históricos,
Jeremy Corbyn assumiu a liderança do Partido Trabalhista e Bernie Sanders
lançou uma campanha que revitalizou a social-democracia nos EUA. Antes de Trump
e do Brexit, parecia que a esquerda radical tinha tomado a iniciativa,
conseguindo inclusive impedir a entrada da extrema-direita nos parlamentos de
Espanha e Portugal.
Nenhuma
dessas forças, contudo, cumpriu sua promessa. A capitulação do SYRIZA à Troika
em julho de 2015 marcou um ponto de virada. Após desafiar brevemente a
austeridade, o governo aceitou um novo resgate financeiro, novos cortes e
extensas privatizações. Essas políticas abriram caminho para o retorno da
direita ao poder e a transformação do SYRIZA em um partido social-democrata
tradicional. Em Portugal, o apoio parlamentar prolongado do Bloco a um governo
de centro-esquerda teve pouca influência sobre as políticas efetivadas,
culminando em um colapso eleitoral e na ascensão do partido de extrema-direita
Chega. O Podemos seguiu um caminho semelhante ao entrar no governo com o PSOE,
perdendo seu perfil anti-establishment e permitindo que seu parceiro majoritário
reivindicasse o crédito por reformas modestas. Hoje, o Podemos está na parte
inferior das pesquisas, enquanto o Vox cresce de forma constante.
Apesar
da abertura histórica criada pela crise financeira, a esquerda radical não
conseguiu alterar a ordem neoliberal. As limitações objetivas eram reais:
sindicatos fracos, desenvolvimento desigual dentro da UE, uma classe
trabalhadora europeia fragmentada e, de fato, uma esquerda europeia
fragmentada. A consciência de classe recuperou-se parcialmente desde 1989, mas
permanece em grande parte reformista, hesitante em tirar conclusões sistêmicas
mesmo em meio à catástrofe climática, à guerra e à desigualdade crescente.
Décadas de domínio neoliberal continuam a moldar os horizontes políticos. Contudo,
esses obstáculos não eram imutáveis. A esquerda radical foi limitada pelas
circunstâncias, mas também fez suas próprias escolhas decisivas. Em diferentes
contextos nacionais, esses partidos compartilhavam características
programáticas, estratégicas e organizacionais comuns que explicam tanto sua
ascensão meteórica quanto seu declínio subsequente, ainda mais rápido.
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Do radicalismo ao reformismo
Ser
radical é atacar os problemas pela raiz — ou seja, pelo próprio capitalismo.
Nessa perspectiva, a esquerda radical da década de 2010 foi radical em sua
origem. Esses partidos emergiram de tradições comunistas não stalinistas: o
Bloco, das correntes trotskista, maoísta e eurocomunista; o SYRIZA, de uma
coalizão centrada nos Sinaspismos eurocomunistas; e o Podemos,
de uma mistura de intelectuais populistas de esquerda, trotskistas e
ativistas dos Indignados. Com o tempo, porém, seus programas
foram sendo moderados progressivamente. Os primeiros apelos do SYRIZA pela
nacionalização deram lugar, em 2015, a uma plataforma social-democrata limitada à
oposição à austeridade e à restauração do Estado de bem-estar social, sem
sequer questionar a permanência da Grécia na zona do euro. Essa recusa em
cogitar uma ruptura com a união monetária enfraqueceu fatalmente a posição
negocial do SYRIZA e refletiu uma perspectiva
neorreformista mais
ampla: a tentativa de apaziguar o capitalismo neoliberal por meio da
representação, em vez do confronto.
Os
defensores dessa abordagem argumentavam que a saída da zona do euro teria sido
catastrófica. Ao fazer isso, simplesmente reproduziam a lógica do TINA (“não há
alternativa”, “There Is No Alternative”, em inglês) e pressupunham um
equilíbrio estático das forças de classe. No entanto, o referendo do
Oxi demonstrou
momentaneamente o potencial para uma mudança radical, caso o governo tivesse
optado por mobilizar sua base e implementar medidas como controle de capitais,
nacionalização de bancos e política industrial liderada pelo Estado. Essa
alternativa nunca foi seriamente considerada, porque o SYRIZA já havia
abandonado qualquer programa de transição para além do capitalismo.
O Bloco
seguiu um caminho semelhante. Focado principalmente na defesa do Estado de
bem-estar social, apoiou por duas vezes um governo social-democrata sem
apresentar uma alternativa socialista crível. Quando retirou o apoio em 2022,
era indistinguível do status quo e pagou o preço eleitoral. A trajetória de
moderação do Podemos foi ainda mais rápida: abraçando
abertamente uma
agenda neokeynesiana e social-democrata, conseguiu reformas limitadas no
governo, que sendo politicamente capitalizadas pelo PSOE. Essa moderação
programática foi impulsionada pelo eleitoralismo. Na busca pela
“elegibilidade”, esses partidos se limitaram a ressuscitar elementos do
keynesianismo do pós-guerra — impostos mais altos, bem-estar social, serviços
públicos — combinados com políticas culturais progressistas. Mas as condições
que outrora permitiram tais reformas dentro do capitalismo já não existem. Na
policrise atual, o neorreformismo não leva à reforma, mas à adaptação e
eventual absorção pelo status quo.
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Das ruas às instituições
Aascensão
da esquerda neorreformista dependeu não apenas de programas anti-austeridade,
mas também de seu engajamento precoce com os movimentos de massa. SYRIZA, Bloco
e Podemos atuaram inicialmente como partidos-movimento, convertendo a
resistência social em capital político. Os laços estreitos do SYRIZA com os
movimentos sociais gregos possibilitaram sua ascensão meteórica em 2012, quando
substituiu o PASOK como o principal partido de esquerda. Contudo, esse sucesso
gerou complacência. Com o declínio da mobilização social, o partido voltou-se
decisivamente para a política parlamentar, negligenciando as forças populares
que o impulsionaram inicialmente. Essa virada institucional culminou na
dependência do SYRIZA em negociações de alto nível com a Troika. O
referendo do Oxi poderia ter marcado um retorno à
mobilização de massas e um desafio à austeridade em toda a Europa. Em vez
disso, permaneceu uma manobra tática dentro de uma estratégia geral que se
manteve dentro dos limites da democracia capitalista. O partido perdeu porque
optou por jogar um jogo cujas regras haviam sido definidas por seus
adversários. A fixação do Bloco no parlamento durante os anos em que apoiou um
governo minoritário corroeu de forma semelhante a sua presença popular. O
Podemos institucionalizou-se ainda mais rapidamente, proclamando explicitamente
uma mudança da mobilização para as instituições no primeiro ano após a sua
fundação. Durante a crise catalã de 2017, limitou-se ao reformismo
constitucional enquanto os protestos em massa se desenrolavam nas ruas.
A nível
europeu, o institucionalismo era ainda mais acentuado. A cooperação
transnacional era mínima, limitando-se a gestos simbólicos e a uma fraca
coordenação no Parlamento Europeu. Mesmo durante o confronto do SYRIZA com a
Troika, não houve qualquer esforço sério para construir uma frente pan-europeia
contra a austeridade. A oportunidade de revitalizar o internacionalismo de
esquerda foi desperdiçada, deixando a esquerda radical europeia atual mais fragmentada do
que nunca no
período pós-1989.
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Organização interna
A moderação
programática e a institucionalização estratégica refletiram-se internamente.
Partidos que começaram como pluralistas e democráticos gradualmente se
burocratizaram, muitas vezes para suprimir a dissidência interna diante da
moderação programática e estratégica. A transformação do SYRIZA de uma
coligação em um partido unitário fazia sentido, mas assumiu a forma de
concentração de poder no topo, desempoderando a base. A entrada no governo
acelerou esse processo, abrindo caminho para carreiristas e uma constante
guinada à direita. A eventual, ainda que efêmera, eleição de um ex-banqueiro do
Goldman Sachs como
líder simbolizou a degeneração do partido. Bloco e Podemos seguiram caminhos
semelhantes. As organizações fundadoras do Bloco dissolveram-se num aparato
rigidamente controlado, enquanto o Podemos centralizou rapidamente a tomada de
decisões através de mecanismos online que atomizaram os seus membros. A
participação inicial em massa deu lugar à desmobilização e à personalização em
torno de Iglesias, cuja saída deixou um vácuo que ainda não foi preenchido.
Ironicamente, todos estes desenvolvimentos foram justificados, muitas vezes
explicitamente, por uma rejeição do centralismo democrático “leninista”, mas o
que a esquerda neorreformista acabou por reproduzir foi a sua caricatura
burocrática: centralismo sem democracia. Ao fazê-lo, traiu a sua promessa
original de construir um tipo diferente de partido de esquerda.
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Lições para a esquerda
Após
décadas de neoliberalismo e em meio a uma crescente policrise sistêmica, a
esquerda europeia enfrenta sua própria crise prolongada. Os sindicatos estão
fracos, os partidos operários de massa desapareceram, a consciência de classe
está aquém das realidades materiais e a esquerda revolucionária está
fragmentada e marginalizada. Nesse contexto, a experiência da esquerda do sul
da Europa oferece três lições importantes uma década depois.
Em
primeiro lugar, a esquerda não pode se limitar a gerir o capitalismo. Reformas
são necessárias, mas devem estar inseridas num programa radical de democracia
econômica e política. Sem essa ponte entre as demandas imediatas e a
transformação sistêmica, o reformismo não leva a lugar nenhum.
Em
segundo lugar, o verdadeiro poder vem da mobilização em massa. A política
eleitoral e o ativismo de base não são caminhos alternativos a serem
escolhidos, mas estratégias complementares — duas faces da mesma moeda. Os
partidos de esquerda radical devem voltar a ser partidos de movimento; e
permanecer assim, em vez de trocar um pelo outro ao primeiro vislumbre de
glória eleitoral.
Em
terceiro lugar, a unidade importa. A fragmentação na esquerda radical atual
supera em muito as diferenças políticas reais. Igualmente importante, qualquer
projeto de unidade deve ser pluralista e democrático, combinando debate interno
com ação coordenada. Quando compreendido e aplicado corretamente (e não apenas
da boca para fora), o centralismo democrático continua sendo indispensável.
O
capitalismo há muito insiste que não há alternativa a si mesmo. Grande parte da
esquerda internalizou essa ideia, limitando suas ambições a administrar ou
reformar levemente o sistema. No entanto, a desigualdade, o autoritarismo, a
catástrofe climática e a guerra estão levando cada vez mais pessoas a
questionar radicalmente esse sistema que, como todos os sistemas anteriores,
pode parecer eterno. A esquerda precisa acompanhar essa corrente histórica e
redescobrir a coragem para lutar por uma nova sociedade.
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A Europa espezinhada. Por Eugênio Bucci
A União
Europeia é a nova vítima do método da humilhação espetacular empregado pelo
governo de Donald Trump como arma de guerra simbólica. Pobre Europa. De
repente, ela se viu submetida a um padecimento moral inédito, impensável.
O bullying e o escárnio voltam-se contra ela. A Casa Branca a
insulta com tarifas e desaforos. O Reino Unido, aliado histórico do Tio Sam,
não escapou. Keir Starmer, polidamente, chama de “erro” a postura agressiva e
predatória dos Estados Unidos. Não fez nem cócegas no Pentágono.
Qual o
motivo da vez? A Groenlândia. Donald Trump quer a Groenlândia para ele, só para
ele. Ato contínuo, avolumam-se agitações em terra, mar e ar – árticos. Tropas
aterrizam na imensa ilha até então calma e fria, coberta de gelo manso.
Inquietações eclodem no Atlântico Norte. Atribulações fazem trepidar o
continente. Emmanuel Macron, que não tem colírio, usa óculos escuros. A
desorientação destempera as relações, enquanto as velhas referências – a
exemplo do velho continente – vão se desmoralizando em andamentos patéticos.
Estamos
imersos num “mundo às avessas”, como tão precisamente sintetizou Celso Lafer. O
Direito Internacional, anota o professor, passou a merecer nada menos que a
“desconsideração”. De quem? Ora, isso nem é preciso dizer: quem simplesmente
desconsidera o Direito Internacional é ele, o presidente dos Estados Unidos.
Os
efeitos vêm em avalanche. A paz – ou aquela ordem de assimetrias e sujeições a
que costumávamos chamar de “paz” – corre perigo. A democracia, babau. Donald
Trump se comporta como criança fazendo birra na frente de uma vitrine de
brinquedos. Rola no chão, grita e estapeia a calçada. “Eu quero a Venezuela! Eu
quero a Groenlândia! Eu quero o Canadá!”.
A mãe a
quem ele pede de presente a terra dos outros é uma entidade robótica, feita de
ferros retorcidos e luzes estroboscópicas, um transformer de
cinema: a mãe de Donald Trump é o monstro que atende pelo nome de arsenal
nuclear.
Mas não
coloquemos a mãe no meio, pois o meio está em outro lugar. Não adianta pedir
socorro às cartilhas da psicanálise para tentar decifrar o que vem se passando.
Do mesmo modo, são de pouco auxílio as convenções da geopolítica ou os manuais
de economia. Tudo isso ajuda, por certo, mas não resolve.
Também
ajudam as categorias mais habituais da ciência política, mas apenas
lateralmente, subsidiariamente. É evidente que Donald Trump joga para a sua
plateia doméstica quando faz o papel de Bruce Willis, mas equação inteira só
vai se abrir em outro plano, numa vastidão que se estende além da política, da
economia e da geopolítica.
“Não se
trata de uma transição, mas de uma ruptura”, declarou o primeiro-ministro
canadense Mark Carney, cujo país tem sido continuamente jurado de anexação pelo
vizinho do sul. Mark Carney acerta nas palavras, mas há mais a ser dito. Quem
melhor descortina o enigma é o filósofo Adauto Novaes. “Não se trata de uma
crise”, ele vive nos lembrando. “Trata-se de uma mutação”.
Nós só
entenderemos as reais implicações da “ruptura” ou da “mutação” se entendermos
que o Espetáculo, nos termos exatos em que o descreveu o francês Guy Debord,
açambarcou todas as pulsões do, vá lá, imperialismo ianque. A política externa
dos Estados Unidos é hoje escrava do Espetáculo: apenas manterá seu espaço se
for capaz de gerar solavancos, sobressaltos e choques passionais na opinião
pública do planeta.
Ela só
consegue se tornar visível e reconhecível à medida que saiba ser temível, e só
pode ser temível à medida que assusta, por meio de arroubos cada vez mais
carregados, os vivos e os mortos. Sim, os mortos morrem de medo da hecatombe da
civilização. Depois da Guerra fria, a guerra dos calafrios, uma guerra que
dizima os nossos mortos.
Se não
aterrorizar o tempo todo, os Estados Unidos do trumpismo cairão no declínio
inelutável. O líder laranja, agônico, faz birra diante da vitrine e produz
tensões em doses mais e mais intensas. É sua única maneira de anunciar o
apocalipse.
O
método de humilhação espetacular (que expus aqui, nesta página, há duas
semanas) se materializa como chantagem terrorista ininterrupta. O roteiro não é
de todo imprevisível, mas descreve movimentos aleatórios, como roleta russa.
Por sinal, Donald Trump tem uma queda histérica por medir-se com Vladimir
Putin. A qualquer pretexto, invoca e evoca artefatos atômicos na sua retórica
belicista. Quando a retórica vai se traduzir em gesto, mesmo que controlado,
medido, pontual, ainda não se sabe, mas é nessa direção que estamos nos
desencaminhando.
O
método da humilhação espetacular, vale o registro, explicita o caráter fascista
do trumpismo. Em 1935, Karl Polanyi advertiu que o fascismo era uma espécie de
religião. O alerta permanece atual: o fanatismo de extrema direita se vale do
recurso da violência mais extrema para atropelar a democracia para salvaguardar
o capital. Se a ogiva nuclear é a mãe de Donald Trump, seu pai é o capital.
Nuvens pesadas e radioativas apontam no horizonte.
Fonte:
Tradução Pedro Silva, em Jacobin Brasil/A Terra é Redonda

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