O
que pode acontecer se os EUA atacarem o Irã? 7 possíveis cenários
Os Estados Unidos parecem prestes
a atacar o Irã nos próximos dias.
Embora
os alvos potenciais sejam em grande parte previsíveis, o desfecho não é.
Assim,
se nenhum acordo de última hora for alcançado com o Irã e o presidente
americano, Donald Trump, decidir ordenar um
ataque das forças americanas, quais seriam os possíveis cenários?
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1. Ataques pontuais e cirúrgicos, poucas vítimas civis e transição para a
democracia
Aqui,
as forças aéreas e navais dos EUA realizam ataques limitados e de precisão
contra bases militares do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e da
unidade Basij, uma força paramilitar sob controle da Guarda Revolucionária,
além de locais de lançamento e armazenamento de mísseis balísticos e de
instalações do programa nuclear iraniano.
Um
regime, já enfraquecido, seria derrubado e passaria, com o tempo, por uma
transição para uma democracia genuína, permitindo que o Irã volte a se integrar
ao restante do mundo.
Esse é
um cenário altamente otimista. As intervenções militares ocidentais no Iraque e
na Líbia não resultaram em transições suaves para a democracia. Embora tenham
encerrado ditaduras brutais em ambos os casos, elas deram início a anos de caos
e derramamento de sangue.
A
Síria, que conduziu sua própria revolução e derrubou o presidente Bashar
al-Assad sem apoio militar ocidental em 2024, tem obtido resultados melhores
até o momento.
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2. O regime sobrevive, mas modera suas políticas
Esse
cenário poderia ser chamado, em linhas gerais, de "modelo
venezuelano", no qual uma ação rápida e contundente dos EUA mantém o
regime no poder, mas leva à moderação de suas políticas.
No caso
do Irã, isso significaria a sobrevivência da República Islâmica, o que não
satisfaria parte da população iraniana, mas o país seria obrigado a reduzir o
apoio a milícias violentas em todo o Oriente Médio, a encerrar ou limitar seus
programas nucleares e de mísseis balísticos, além de aliviar a repressão a
protestos internos.
Novamente,
trata-se de um cenário pouco provável.
A
liderança da República Islâmica permaneceu resistente a mudanças por 47 anos.
Tudo indica que é incapaz de alterar seu rumo neste momento.
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3. O regime entra em colapso e é substituído por um governo militar
Muitos
consideram este o desfecho mais provável.
Embora
o regime do Irã seja claramente impopular entre muitos, e sucessivas ondas de
protestos tenham enfraquecido o regime iraniano ao longo dos anos, ainda existe
um vasto e influente aparato de segurança do Estado com interesse na manutenção
do status quo.
As
principais razões pelas quais os protestos até agora não conseguiram derrubar o
regime são a ausência de deserções significativas entre militares para o lado
dos manifestantes e a disposição para permanecer no poder dos que detêm o
controle de usar força e brutalidade sem restrições.
Na
confusão que se seguiria a eventuais ataques dos EUA, é possível que o Irã
acabe governado por um forte regime militar, composto em grande parte por
integrantes da Guarda Revolucionária.
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4. O Irã retalia atacando forças dos EUA e países vizinhos
O Irã
prometeu retaliar qualquer ataque dos EUA, afirmando que "seu dedo está no
gatilho".
Embora
esteja claramente em desvantagem diante do poderio da Marinha e da Força Aérea
americana, o Irã poderia reagir com seu arsenal de mísseis balísticos e drones,
muitos deles escondidos em cavernas, no subsolo ou em montanhas remotas.
Existem
bases e instalações dos EUA espalhadas ao longo do lado árabe do Golfo,
especialmente no Bahrein e no Catar, mas o Irã também poderia, se assim
decidisse, atingir parte da infraestrutura crítica de nações que considerasse
cúmplices de uma ofensiva americana, como a Jordânia.
O
devastador ataque com mísseis e drones contra instalações petroquímicas da
Saudi Aramco, em 2019, atribuído a uma milícia apoiada pelo Irã no Iraque,
mostrou aos sauditas o grau de vulnerabilidade do país diante de mísseis
iranianos.
Os
vizinhos árabes do Irã no Golfo, todos aliados dos EUA, estão,
compreensivelmente, apreensivos.
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5. O Irã retalia instalando minas no Golfo
Essa
ameaça paira há muito tempo sobre o transporte marítimo global e o fornecimento
de petróleo, desde a Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando o Irã de fato instalou
minas em rotas de navegação e navios caça-minas da Marinha Real britânica
ajudaram a limpá-las.
O
estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, é um ponto de gargalo crítico. Pela região
passam, anualmente, cerca de 20% das exportações mundiais de gás natural
liquefeito (GNL) e entre 20% e 25% do petróleo e derivados petrolíferos.
O Irã
já realizou exercícios para a rápida implantação de minas marítimas. Caso
colocasse essa capacidade em prática, o impacto sobre o comércio mundial e os
preços do petróleo seria inevitável.
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6. O Irã retalia afundando navio de guerra dos EUA
Um
capitão da Marinha dos EUA a bordo de um navio de guerra no Golfo me disse
certa vez que uma das ameaças do Irã que mais o preocupa é um "ataque
enxame".
Nesse
tipo de ofensiva, o Irã lança simultaneamente um grande número de drones
explosivos e embarcações torpedeiros rápidos contra um ou múltiplos alvos, de
modo que nem mesmo as formidáveis defesas de curto alcance da Marinha dos EUA
conseguem eliminar todos a tempo.
A
Marinha da Guarda Revolucionária substituiu há muito tempo a Marinha iraniana
convencional no Golfo, cujos comandantes chegaram a ser treinados em Dartmouth
(Reino Unido) na época do xá Mohammad Reza Pahlavi, que era aliado dos EUA e
foi derrubado do poder em 1979 durante a Revolução Islâmica que deu início ao
atual regime.
As
tripulações navais iranianas concentraram grande parte de seu treinamento em
guerra não convencional, ou "assimétrica", buscando formas de superar
ou contornar as vantagens tecnológicas de seu principal adversário, a Quinta
Frota da Marinha dos EUA.
O
afundamento de um navio de guerra americano, acompanhado da possível captura de
sobreviventes de sua tripulação, seria uma humilhação enorme para os EUA.
Embora
esse cenário seja considerado improvável, o destróier USS Cole, avaliado em
bilhões de dólares, foi danificado por um ataque suicida da Al-Qaeda no porto
de Aden (Iêmen) em 2000, que matou 17 marinheiros americanos.
Antes
disso, em 1987, um piloto de jato iraquiano disparou por engano dois mísseis
Exocet contra o navio de guerra dos EUA USS Stark, matando 37 marinheiros.
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7. O regime iraniano desmorona e é substituído pelo caos
Esse é
um risco muito real e uma das principais preocupações de países vizinhos como o
Catar e a Arábia Saudita.
Além da
possibilidade de uma guerra civil, como vivenciada pela Síria, pelo Iêmen e
pela Líbia, existe também o risco de que, em meio ao caos e à confusão, tensões
étnicas transbordem para conflitos armados, à medida que curdos, balúchis e
outras minorias busquem proteger seus próprios grupos diante de um vácuo de
poder em escala nacional.
Grande
parte do Oriente Médio certamente ficaria satisfeita em ver o fim da República
Islâmica, especialmente Israel, que já realizou golpes significativos contra os
aliados do Irã na região e que teme uma ameaça existencial representada pelo
programa nuclear iraniano.
No
entanto, ninguém quer ver o país mais populoso do Oriente Médio — cerca de 93
milhões de habitantes — mergulhar no caos, desencadeando uma crise humanitária
e de refugiados.
O maior
perigo agora é que o presidente Trump, após mobilizar forças militares próximas
às fronteiras iranianas, decida agir para não perder prestígio, dando início a
uma guerra sem um desfecho claro e com consequências imprevisíveis e
potencialmente danosas.
Fonte:
BBC News Mundo

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