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territórios comprados pelos EUA ao longo de sua história
O
presidente americano, Donald Trump, quer a Groenlândia para os Estados Unidos —
e chegou a ventilar a possibilidade de comprar a ilha, que integra o Reino da
Dinamarca.
Trump
prometeu, no seu discurso de posse, que "os Estados Unidos serão novamente
considerados uma nação em crescimento, que aumenta sua riqueza, expande seu
território" e também que "leva a nossa bandeira para novos e belos
horizontes".
Suas
palavras e seu sonho de incorporar a maior ilha do mundo ao seu país recordam
outras épocas da história americana.
O
historiador Walter A. McDougall, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados
Unidos, declarou à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, que "as
políticas de Trump relembram a tradição da terra prometida da Doutrina
Monroe".
Esta
doutrina, de 1823, serviu para justificar o intervencionismo expansionista dos
Estados Unidos como ações legítimas contra a intromissão europeia no hemisfério
ocidental.
Outro
historiador, Jay Sexton, da Universidade de Missouri, também nos Estados
Unidos, destaca outro paralelo.
"Como
ocorre com a Groenlândia, Washington alegou que precisava ter o controle dos
territórios antes que eles caíssem nas mãos de outras potências."
Na
verdade, a expansão territorial que transformou os Estados Unidos no vasto país
atual começou poucos anos após sua fundação, em 1776.
As
guerras de conquista, a submissão dos povos originários, o deslocamento de
colonos e acordos com as potências europeias foram meios comuns de crescimento
da potência emergente.
Mas a
compra de territórios de outros Estados soberanos, como defende Trump em
relação à Groenlândia, foi outro mecanismo empregado pelos líderes de
Washington para ampliar o território do país.
Aqui
estão os episódios em que os Estados Unidos compraram territórios de outros
países ao longo da sua história.
Houve
outras ocasiões em que Washington aceitou compensar potências estrangeiras pela
cessão de território.
Foi o
que ocorreu com a Espanha em relação à Flórida, em 1819. Mas estes casos não
envolveram operações de compra e venda, propriamente ditas.
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A compra da Louisiana (1803)
A
decisão tomada pelo terceiro presidente americano, Thomas Jefferson
(1743-1826), de comprar da França napoleônica o território da Louisiana foi a
primeira grande expansão do novo país.
Naquela
época, Napoleão Bonaparte (1769-1821) já havia desistido do seu sonho de formar
um império ultramarino para a França, após a revolta de escravos no atual
Haiti.
Por
isso, ele aceitou vender à jovem república americana um vasto e pouco habitado
território que não tinha mais valor estratégico.
O
general poderia, então destinar o dinheiro da venda para financiar as guerras
de expansão do seu império na Europa.
A
Louisiana era, na época, um território muito maior que do atual Estado
homônimo. E Jefferson via, na expansão para o oeste, o futuro dos Estados
Unidos.
O
presidente queria garantir o controle do vale do Mississippi e do estratégico
porto de Nova Orleans, no sul do país.
Além
disso, era sua intenção eliminar o risco de uma intervenção francesa no
continente americano, algo muito temido na época.
Os
governos dos Estados Unidos e da França chegaram a um acordo e a Louisiana
mudou de dono em novembro de 1803. Os americanos pagaram pelo território US$ 15
milhões, em valores da época.
A
enorme incorporação envolveu um território que compreendia toda a extensão
entre os atuais Estados de Louisiana, ao sul, e Dakota do Norte e Montana, ao
norte.
Ela
representou o acréscimo de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados à União,
que quase duplicou seu tamanho.
Foi
assim que se iniciou a expansão dos Estados Unidos rumo ao oeste.
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A Cessão Mexicana (1848)
Na
década de 1840, grande parte da opinião pública americana estava convencida de
que seu "destino manifesto" era se expandir em direção ao oeste, até
atingir o litoral do Pacífico.
O
objetivo acabou sendo alcançado às custas do México.
Um dos
maiores defensores da expansão foi o presidente americano James K. Polk
(1795-1849). E, assim que chegou à Casa Branca, em 1845, ele herdou a disputa
com o México pelo controle do Texas.
No ano
seguinte, após um embate entre tropas americanas e mexicanas na fronteira, Polk
conseguiu fazer com que o Congresso dos Estados Unidos declarasse guerra ao
México. Mas as causas do conflito eram mais profundas.
"Os
Estados Unidos haviam demonstrado seu interesse pela Califórnia, que na época
pertencia ao México", explica Sexton.
"Era
uma das regiões economicamente mais vibrantes da América e detinha os portos de
águas profundas que eram cobiçados para empreender o comércio com a Ásia."
"Mas
nenhum governo mexicano poderia aceitar vender a Califórnia e pretender ficar
no poder", prossegue o historiador.
A
guerra terminou com a vitória americana e a assinatura, em fevereiro de 1848,
do Tratado Guadalupe Hidalgo, que concedeu aos Estados Unidos o território do
Texas, Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes do Colorado,
Wyoming, Kansas e Oklahoma.
Os
Estados Unidos pagaram US$ 15 milhões, mas, como diz Sexton, "os mexicanos
nunca teriam aceitado ceder os territórios se não tivessem perdido a guerra.
Foi uma venda à força".
O
México perdeu mais da metade do território que detinha antes da guerra. A
derrota e a consequente mutilação territorial geraram um trauma nacional
duradouro para o país.
<><> A venda de La Mesilla (1853)
Poucos
anos depois, em 1853, o México concordou em vender para os Estados Unidos uma
pequena faixa de território, que ficava ao sul dos atuais Estados americanos do
Arizona e do Novo México.
A
operação é conhecida no México como a Venda de La Mesilla e, nos Estados
Unidos, como a Compra de Gadsden.
Ela foi
o resultado do interesse americano pela construção de uma ferrovia
transcontinental e dos apuros do governo mexicano, que acabou aceitando receber
US$ 10 milhões pelo território.
Sexton
explica que "os escravagistas do sul dos Estados Unidos queriam uma
ferrovia que chegasse ao Pacífico e receavam que o trajeto desviasse das
Montanhas Rochosas pelo norte, beneficiando os Estados não escravagistas. Por
isso, eles promoveram uma estrada de ferro no sul, que levasse até Nova
Orleans".
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A compra do Alasca (1867)
Muitas
pessoas não entenderam por que o então secretário de Estado americano, William
Seward (1801-1872), dedicou tanto empenho para comprar do governo do czar russo
Alexandre 2° (1818-1881) o longínquo território ártico do Alasca, em 1867.
Seward
acreditava que o Alasca tinha grande valor estratégico, já que afastaria o
risco de uma intervenção britânica da América do Norte e permitiria que os
Estados Unidos tivessem acesso a ricas regiões pesqueiras no Oceano Pacífico.
Por isso, ele fechou um acordo com a Rússia para comprar o Alasca por US$ 7,2
milhões.
A
compra gerou enorme polêmica. Os jornais da época chegaram a chamar a operação
de "a estupidez de Seward".
A
Rússia czarista acreditava ter se livrado de um território de pouco valor, cuja
administração era muito cara e que era considerado vulnerável a um possível
ataque do Reino Unido, seu principal rival da época.
Apesar
das críticas, o Congresso americano ratificou o tratado de compra e venda e o
Alasca passou a fazer parte dos Estados Unidos.
Décadas
depois, a descoberta de ouro e grandes jazidas de petróleo, além da importância
militar adquirida pelo Alasca durante a Guerra Fria (1947-1991), reabilitaram
Seward pela sua decisão de comprar o território.
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Compra das Ilhas Virgens Americanas (1917)
A
última vez em que os Estados Unidos compraram um território foi justamente da
Dinamarca, que, agora, não quer vender a Groenlândia para os americanos.
As
Índias Ocidentais Dinamarquesas, como eram conhecidas na época, eram um grupo
de ilhas do Caribe, cobiçadas pelos estrategistas americanos desde meados do
século 19.
Uma
primeira tentativa fracassada de negociação também teve Seward como
protagonista.
Um
artigo do historiador dinamarquês Hans Christian Bjerg explica que, "após
a Guerra Civil Americana (1861-1865), havia chegado o momento de analisar as
condições estratégicas no Caribe e o secretário de Estado Seward se concentrou
tanto na anexação do México, quanto em uma possível expansão dos Estados Unidos
no Caribe".
Os
estrategistas americanos tinham interesse específico pelo porto da ilha de
Saint Thomas, devido à excelente proteção natural oferecida pelo relevo local.
A
Dinamarca passou décadas explorando grandes plantações nas ilhas, cultivadas
por pessoas africanas escravizadas. Mas a queda do preço do açúcar fez com que
o país europeu perdesse o interesse pelo arquipélago.
Um
primeiro acordo de compra e venda firmado pelos dois governos em 1867 não se
concretizou porque não foi ratificado pelo Congresso americano.
O
início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a ameaça aos Estados Unidos
representada pelos submarinos alemães reacenderam o interesse de Washington.
Os
americanos receavam que a Alemanha invadisse a Dinamarca e ficasse com o
controle do porto de Saint Thomas.
Astrid
Andersen, do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, contou à BBC que
"existem reminiscências do que estamos ouvindo, agora, com a Groenlândia,
pois os Estados Unidos vieram dizer 'ou vocês nos vendem ou iremos
invadir'."
Por
fim, os dois países concordaram com a venda das ilhas para os Estados Unidos
por US$ 25 milhões.
E, como
parte do acordo, os Estados Unidos se comprometeram a não se opor a que a
Dinamarca "estenda seus interesses políticos e econômicos sobre toda a
Groenlândia".
Fonte:
BBC News Mundo

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