Dario Guarascio: Será que o “complexo
militar-digital” controla tudo?
Considere quatro eventos que capturam
vividamente o espírito de nossa época. No final de agosto de 2025, na
cidade portuária de Tianjin, no norte da China, Xi Jinping, Narendra Modi e
Vladimir Putin — cercados pelos chefes de Estado de outras vinte e três nações
não ocidentais (entre elas Irã, Paquistão e as repúblicas da Ásia Central) —
selaram uma aliança econômica e estratégica que representa aproximadamente 36%
do PIB global e 40% da população mundial.
No dia seguinte, em Pequim, durante as
comemorações do 80º aniversário da derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial,
a China exibiu ao mundo seu formidável poderio militar. Além de mísseis
balísticos capazes de atingir os Estados Unidos e aniquilar suas bases no
Pacífico, o desfile revelou uma nova geração de armamentos digitais — drones,
embarcações autônomas, cães-robôs, sistemas digitais de defesa aérea e aparatos
de guerra híbrida — todos cruciais para prevalecer nos campos de batalha
contemporâneos, nos quais a China não fica atrás de ninguém.
Enquanto isso, do outro lado do oceano, na
Casa Branca, os Trumps jantaram com os CEOs das grandes corporações digitais —
as Big Tech (Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft) —
acompanhados por representantes de empresas como Cisco, Nvidia, Oracle e
Palantir, completando o ecossistema digital dos EUA. O objetivo do jantar:
consolidar a aliança entre o governo e os oligopolistas digitais, em sua
maioria sediados no Vale do Silício, cuja missão é preservar a vacilante
supremacia tecnológica dos Estados Unidos — principalmente no campo da
Inteligência Artificial (IA).
Para as grandes empresas de tecnologia, o
convite não poderia ter sido mais bem-vindo. Os gastos militares tornaram-se
uma fonte de lucro cada vez mais valiosa. O trilhão de dólares alocado por
Trump para o novo escudo antimíssil — construído com tecnologias aeroespaciais
e digitais de ponta — representa apenas o passo mais recente em um processo que
viu a indústria digital se afastar drasticamente da comunicação, do
entretenimento e da publicidade, em direção à vigilância, ao controle social e
às aplicações militares.
Uma contrapartida simbólica a essa
militarização do digital surge com o quarto evento: em 5 de setembro de 2025,
Trump renomeou o Departamento de Defesa para Departamento de Guerra (DoW, na
sigla em inglês) — restaurando o título que detinha em 1940, um ano antes de os
Estados Unidos entrarem na Segunda Guerra Mundial.
Entretanto, os conflitos em curso não mostram
sinais de arrefecimento, com a expansão de seu alcance destrutivo. Outros focos
de tensão surgem — entre a Índia e o Paquistão, entre o Camboja e a Tailândia —
aprofundando as tensões geopolíticas e acelerando a fragmentação da economia
global. O número alarmante de vítimas traz consigo um risco crescente de
escalada, inclusive de natureza nuclear.
<><> O complexo militar-digital e
a nova (des)ordem mundial
No alvorecer da internet, a digitalização foi
anunciada como a chave para desbloquear as virtudes emancipatórias do livre
mercado — disseminando conhecimento e oportunidades econômicas, mas sobretudo
garantindo a paz e fortalecendo a democracia. Hoje, parece, ao contrário, estar
reavivando antigas contradições. A digitalização não apenas revolucionou a
forma como nos comunicamos, produzimos e consumimos; também fomentou uma
concentração sem precedentes de poder econômico e tecnológico. Considere
a capitalização
de mercado, as receitas e os lucros das
grandes empresas de tecnologia sediadas nos EUA em 2024 e 2025. Em março de
2025, sua capitalização de mercado combinada era três vezes o PIB da Alemanha e
não muito distante do de toda a Zona do Euro (US$ 16 trilhões). Em 2024, sua
participação nos lucros em relação às receitas era de 27%, um valor muito alto
para empresas estadunidenses. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento
representavam 13% da receita.
Essa concentração de poder tecnoeconômico
revitaliza as teses de pensadores como Hobson e Lênin, que revelaram a natureza
imperialista do capitalismo ao vincular a guerra às estratégias expansionistas
dos grandes monopólios industriais do início do século XX. Antigas contradições
— desigualdade, instabilidade e as fraturas nos sistemas políticos e
institucionais que encontram na guerra sua válvula de escape “natural” — agora
vestem uma nova máscara tecnológica. O embate se dá entre dois complexos
militar-digitais, os Estados Unidos e a China, travando uma
luta cada vez mais violenta pelo controle de mercados, tecnologias e
matérias-primas essenciais. A esfera digital tornou-se seu campo de batalha
privilegiado: um vasto panóptico onde as estratégias de maximização de lucros
dos oligopólios digitais (que dependem da vigilância constante e da extração de
dados daqueles — incluindo nós mesmos — que utilizam seus serviços) convergem
com os objetivos de segurança, geopolíticos e militares de seus respectivos
Estados.
Trata-se de uma aliança perversa. O capital
privado monopoliza infraestruturas (centros de dados, cabos submarinos),
tecnologias (nuvem e IA) e conhecimento — codificado nas patentes que acumulam
ou incorporado tacitamente dentro das organizações, e, portanto, inacessível a
terceiros — agora indispensáveis para a realização de praticamente
qualquer atividade social ou econômica.
O Estado facilita esse processo e raramente
resiste a ele (embora tensões e contradições sejam frequentes), estando preso a
uma relação de interdependência. Ele não pode prescindir das
capacidades tecnológicas e infraestruturais das grandes empresas de tecnologia;
sem elas, muitos de seus objetivos — tanto civis quanto militares — seriam
inatingíveis. Tampouco demonstra interesse em restringir o poder econômico
daqueles que controlam as plataformas (sociais) onde a opinião pública e o
consenso político são moldados.
Por meio de suas respectivas grandes empresas
de tecnologia, os governos dos EUA e da China podem manter outras nações sob
suas esferas de subordinação digital — possuindo “olhos e
ouvidos” que fornecem um fluxo constante e inestimável de informações.
No entanto, a dependência também funciona na
direção oposta. Para as grandes empresas de tecnologia, cultivar uma aliança
estável com o Estado não é opcional — é uma questão
de sobrevivência. Seus lucros dependem da capacidade de
monopolizar as infraestruturas de rede e os dados que nelas circulam.
Regulamentações hostis ou medidas para colocar essas infraestruturas sob
controle estatal poderiam limitar severamente, ou mesmo destruir, sua capacidade
de acumulação. O mesmo se aplicaria a qualquer aumento significativo de
impostos.
E se a economia global desacelerar —
paralisada por guerras comerciais, tecnológicas e militares, e por uma
incerteza generalizada — então o Estado, e particularmente os gastos militares,
tornam-se um recurso essencial para preservar as margens de lucro.
Além disso, a guerra oferece oportunidades
tecnológicas. Ela canaliza financiamento maciço para pesquisa militar em áreas
onde as grandes empresas de tecnologia já dominam — sistemas automatizados de
comando e controle, inteligência artificial e armas autônomas. A participação
ativa em conflitos também proporciona um campo de testes incomparável, onde
novas aplicações podem ser aprimoradas sob condições extremas, livres
de supervisão ou restrições éticas.
<><> Economia, tecnologia e
guerra
Qual a relação entre economia, tecnologia e
guerra? O que a história e a teoria econômica podem nos ensinar sobre
esse pêndulo recorrente que impulsiona a evolução tecnológica
— às vezes em direção à melhoria da vida humana por meio de avanços na saúde ou
no meio ambiente, e outras vezes em direção à multiplicação e ao aprimoramento
de instrumentos de morte?
E quais são as consequências da militarização
do paradigma tecnológico dominante — o digital, no nosso caso? O que explica o
poder sem precedentes das grandes empresas de tecnologia? Por que, apesar de
décadas de evidências e denúncias políticas dos efeitos destrutivos dos
monopólios digitais, esse poder nunca foi seriamente contestado?
Tentaremos responder a essas perguntas
analisando os mecanismos que tornam a sociedade contemporânea dependente de
oligopólios digitais.
O poder das grandes empresas de tecnologia
cresceu em paralelo com a digitalização da
guerra. Qual
é, então, o papel das tecnologias digitais em conflitos passados e presentes? Como seu redirecionamento
parcial para objetivos militares alterou a própria
natureza das grandes corporações digitais? Em primeiro lugar, armas autônomas e
sistemas de apoio à decisão baseados em inteligência
artificial: a crescente centralidade dessas ferramentas acarreta enormes
implicações. Ela aumenta a influência das
grandes empresas de tecnologia dentro do complexo militar-digital; acelera a
tomada de decisões, ao mesmo tempo que reduz o espaço para a intervenção
humana, elevando o risco de escalada; e mina os mecanismos de dissuasão que,
até agora, impediram um confronto nuclear.
Olhando para os Estados Unidos, a fusão das
grandes empresas de tecnologia com o aparato militar se manifesta não apenas
no vasto
número de contratos — a maioria deles relacionados a
infraestruturas e tecnologias críticas — que alimentam os lucros dos
oligopolistas digitais, mas também na transformação da
política industrial e tecnológica do governo.
Os atores privados desempenham um papel cada
vez mais importante, e novas instituições (por exemplo, a Unidade de Inovação
de Defesa, uma agência do Departamento de Defesa sediada no Vale do Silício
para promover a transferência de tecnologia do domínio civil para o militar)
surgem para facilitar a participação das grandes empresas de tecnologia na
definição de estratégias de pesquisa e inovação. O que o establishment militar
exige delas é rapidez: acelerar a transferência de novas aplicações do domínio
civil para o militar. Em troca, as grandes empresas de tecnologia apropriam-se
de imensos recursos públicos e protegem seu poder monopolista.
<><> Um complexo militar-digital
chinês?
Enquanto os Estados Unidos pareciam dominar a
economia global sem contestação — em parte graças à ascensão meteórica das
grandes empresas de tecnologia — algo igualmente importante acontecia do outro
lado do Pacífico. A China alcançava sua própria ascensão econômica e
tecnológica acelerada, combinando abertura ao comércio internacional, forte
intervenção pública e planejamento industrial de longo prazo. Essa estratégia
permitiu a Pequim reduzir a distância em relação a Washington e obter controle
sobre cadeias produtivas essenciais, inclusive no setor digital.
À medida que os Estados Unidos e a Europa
reduziam progressivamente sua capacidade produtiva, a China tornou-se a
produtora indispensável da maioria dos bens e componentes. Tornou-se também a
única nação capaz de construir um ecossistema digital — ancorado em torno de
suas próprias gigantes da tecnologia (Alibaba, Baidu, Huawei e Tencent) — capaz
de competir
com seu equivalente estadunidense. Esse
ecossistema, embora em alguns aspectos semelhante — dada a natureza sistêmica
das grandes empresas de tecnologia chinesas e seu papel central no
desenvolvimento de infraestruturas e tecnologias digitais —, também é
profundamente diferente, moldado pela capacidade do Partido Comunista Chinês
(PCC) de exercer influência direta sobre o comportamento e as estratégias das
principais corporações.
Um complexo militar-digital ao estilo
chinês , então? As tendências são de fato simétricas. À medida
que o confronto com os Estados Unidos se intensifica, o vínculo entre o PCC e
empresas como Alibaba e Tencent se torna cada vez mais estreito. As aplicações
militares também dominam a estratégia tecnológica e de pesquisa da China,
permitindo que ela impressione seu rival em campos cruciais como IA generativa,
computação quântica e armamento autônomo.
<><> O conflito entre os
complexos militar-digitais
O confronto entre os dois complexos
militar-digitais está aberto. Desde o primeiro mandato de Trump, os Estados
Unidos implementaram medidas destinadas a dificultar a ascensão digital da
China: restrições à exportação de microchips de ponta (e das máquinas
necessárias para produzi-los), com o objetivo de desacelerar o progresso
chinês; pressão sobre os aliados dos EUA — incluindo a Europa — para limitar o
acesso das empresas de tecnologia chinesas ao mercado; e atos abertamente
confrontacionais, como a prisão no Canadá (a pedido de Washington) da filha do
fundador da Huawei. A Huawei não era uma empresa qualquer, mas o colosso que,
tendo começado produzindo componentes básicos para as redes de telecomunicações
da China, ascendeu em menos de duas décadas para dominar a indústria global de
redes — tudo isso enquanto cultivava laços estreitos com os serviços de
segurança e o Exército de Libertação Popular.
O retorno de Trump à Casa Branca acirrou
ainda mais o confronto, embora em meio a um clima geral de incerteza e
imprevisibilidade em torno da estratégia dos EUA. A troca de retaliações que se
seguiu ao “Dia da Libertação” — 2 de abril de 2025, como Trump denominou o dia
em que impôs tarifas sobre todas as importações de países com os quais os
Estados Unidos tinham déficit comercial — deixou clara a força em jogo e a
centralidade da indústria digital no conflito. A China foi um dos países mais
afetados pelas tarifas estadunidenses (uma taxa inicial de 34% sobre as
importações chinesas, juntamente com a abolição das isenções que permitiam
remessas isentas de impostos abaixo de US$ 800 — um mecanismo vital para
plataformas de comércio eletrônico como Shein e Temu). Trump ameaçou aumentar
ainda mais as tarifas caso Pequim retaliasse.
A resposta da China foi muito além de uma
mera represália — e teve o poder de frustrar as ambições coercitivas de
Washington. Com o Anúncio nº 18, o PCC impôs restrições à
exportação de terras raras — elementos químicos com
propriedades únicas que, embora não sejam escassos na crosta terrestre, são
difíceis de extrair e separar devido à sua baixa concentração — e aos ímãs
permanentes que dependem delas. A China fornece cerca de 90% da produção
mundial de ímãs e 60% da capacidade de refino.
Esses materiais são indispensáveis para a fabricação de uma
vasta gama de dispositivos digitais e são componentes críticos em
sistemas de defesa antimíssil e caças de última geração. O controle sobre tais setores estratégicos
— e a profunda interdependência que une as economias dos EUA e da China mais
estreitamente do que aparenta — fortaleceu consideravelmente a posição de
negociação chinesa. Diante dessa realidade, Trump recuou: suavizou sua posição
e iniciou conversas bilaterais que minimizaram as sanções às importações
chinesas. Uma breve troca de farpas, portanto — que momentaneamente (novas
restrições chinesas à exportação de terras raras e ímãs estão à vista) aliviou
as tensões, ao mesmo tempo que destacou a centralidade da indústria digital e
suas cadeias de suprimentos interconectadas na definição do equilíbrio e da
evolução do confronto entre os dois blocos.
<><> Europa: entre a cruz e a
espada
E quanto à Europa? Presa no fogo cruzado
entre os dois complexos militar-digitais, a Europa desempenha o papel do frágil
vaso de barro entre panelas de ferro. Permanece amplamente dependente dos
Estados Unidos em termos de infraestrutura e serviços digitais. As grandes
empresas de tecnologia estadunidenses dominam os mercados europeus, absorvendo
vastas quantidades de dados e aprofundando
ainda mais essa dependência.
Nas negociações comerciais, Trump deixa clara
sua posição: quaisquer medidas punitivas contra as grandes empresas de
tecnologia desencadearão retaliações contra a Europa. A dependência
tecnológica, portanto, se entrelaça com a subordinação militar — uma condição
que os Estados Unidos exploram coercitivamente para manter a Europa o mais
distante possível da China, enquanto pressionam por uma política de rearmamento
europeia cujo principal efeito é canalizar recursos para o complexo
militar-digital dos EUA, fortalecendo-o.
Presa num quadro de política econômica
contraproducente que deixa pouco espaço para a estratégia industrial — exceto
quando esta serve à compra de armamento — a Europa contenta-se com a
regulamentação. Medidas cuidadosamente elaboradas, como o Regulamento
Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), a Lei dos Mercados
Digitais (DMA) e a Lei dos Serviços Digitais (DSA),
procuram conter o poder das grandes empresas digitais: limitando o seu acesso
irrestrito a dados pessoais, fomentando a concorrência entre os prestadores de
serviços digitais e impondo sanções em casos de abuso de posição dominante.
Mesmo com um arcabouço legal tão avançado, é
difícil imaginar que essas medidas realmente alterem o equilíbrio de poder. A
Europa não possui a autonomia tecnológica e produtiva necessária para isso.
Desenvolver capacidades comparáveis às dos
Estados Unidos e da China exigiria anos — talvez décadas — e um nível de cooperação
internacional (especialmente em relação a matérias-primas, componentes e troca de
conhecimento) implausível no atual contexto de crescente tensão geopolítica. A
militarização da indústria digital desvia recursos e expertise de
usos que poderiam melhorar a condição humana e fomentar a cooperação global. A
fusão de monopólios digitais com as ambições imperialistas dos Estados
aprofunda a desigualdade, mina a democracia e aumenta o risco de um conflito
global.
<><> Um novo Pacto Fáustico e o
papel dos conflitos sociais
Estamos testemunhando um novo pacto fáustico
—que está conduzindo
o planeta a um precipício perigoso. A corrida
armamentista serve para consolidar os lucros monopolistas das grandes empresas
de tecnologia (e de outras corporações, particularmente os fabricantes de armas
tradicionais, ávidos por reivindicar sua fatia da crescente onda de gastos
militares). Para preservar esses lucros, as grandes corporações digitais apoiam
estratégias beligerantes e não hesitam em participar diretamente de operações
militares e de inteligência.
O Estado, por sua vez, não pode prescindir de
suas capacidades financeiras, infraestruturais e tecnológicas. Por essa razão,
abstém-se de desafiar seus monopólios e tolera a crescente dependência de
ferramentas controladas pelas grandes empresas de tecnologia.
Como podemos combater esse pacto fáustico?
Como podemos garantir que as tecnologias digitais sejam usadas para fins
diferentes do controle social e da destruição de pessoas e coisas, como está
acontecendo na Ucrânia e na Palestina? Um vislumbre de esperança surge da
convergência gradual das lutas contra a guerra e a militarização da sociedade
com as lutas voltadas para a melhoria das condições de vida e de trabalho
contra a concentração do poder capitalista. Há engenheiros na Alphabet e na
Amazon que se opõem ao desenvolvimento de aplicações militares. Há ativistas
que tentam ocupar centros de dados da Microsoft onde são armazenados dados e
algoritmos usados pelo exército
israelense. Chris Smalls, chefe do Sindicato dos Trabalhadores da Amazon,
participou da missão da Flotilha da Liberdade a Gaza, com o objetivo de
romper o bloqueio militar e levar ajuda humanitária à população exausta.
Esses episódios estão longe de interromper o funcionamento do
complexo militar-digital. No entanto, eles ao menos testemunham uma crescente
conscientização da estreita ligação entre a concentração do poder econômico, a
luta entre oligopólios para adquirir matérias-primas, tecnologias e mercados, e
a crescente militarização da sociedade.
Em nível individual, enfrentar o complexo
militar-digital exige que adotemos uma abordagem crítica em relação às
tecnologias e dispositivos que utilizamos. Rejeitar a vigilância total imposta
pelas grandes empresas de tecnologia, por meio de um engajamento crítico (ou da
rejeição, quando apropriado) de ferramentas como as redes sociais, que
frequentemente contribuem diretamente para a disseminação de patologias sociais
e a mercantilização dos espaços públicos, é essencial para salvaguardar a
justiça social e a viabilidade democrática. É também uma forma de evitar que a
corrida rumo a novos e mais devastadores conflitos se torne inevitável.
Fonte: Tradução Pedro Silva, em Jacobin
Brasil

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