sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Chá é aliado dos ossos em idosas; estudo mostra que café pode pesar contra

Um estudo de longo prazo conduzido por pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, sugere que o hábito de beber chá pode estar associado a ossos ligeiramente mais fortes em mulheres idosas, enquanto o consumo elevado de café pode ter o efeito oposto em determinados grupos. A pesquisa foi publicada na revista científica Nutrients e acompanhou quase 10 mil mulheres com 65 anos ou mais ao longo de uma década.

A análise se debruça sobre a densidade mineral óssea (DMO) — medida fundamental para avaliar o risco de osteoporose e fraturas — e ajuda a esclarecer uma questão que, até agora, vinha produzindo resultados contraditórios na literatura científica: afinal, café e chá fazem bem ou mal para os ossos?

<><> Um problema global de saúde

A osteoporose é considerada um dos principais problemas de saúde pública entre mulheres mais velhas. Estima-se que uma em cada três mulheres acima dos 50 anos desenvolva a doença ao longo da vida, o que aumenta significativamente o risco de fraturas, especialmente no quadril e no fêmur — lesões associadas à perda de autonomia e ao aumento da mortalidade.

Diante do consumo massivo de café e chá em todo o mundo, entender como essas bebidas influenciam a saúde óssea é relevante não apenas para decisões individuais, mas também do ponto de vista populacional.

<><> Como o estudo foi feito

Os pesquisadores analisaram dados do Estudo de Fraturas Osteoporóticas, uma grande coorte acompanhada por vários anos. Ao longo de dez anos, as participantes relataram regularmente seus hábitos de consumo de café e chá, enquanto a equipe científica realizou medições repetidas da densidade mineral óssea no quadril e no colo do fêmur — regiões fortemente associadas ao risco de fratura.

As medições foram feitas com técnicas avançadas de imagem, permitindo observar variações sutis ao longo do tempo.

<><> Chá: efeito pequeno, mas consistente

Os resultados mostraram que mulheres que consumiam chá apresentaram uma densidade mineral óssea do quadril ligeiramente maior do que aquelas que não tinham o hábito. A diferença não foi grande do ponto de vista individual, mas foi estatisticamente significativa.

“Mesmo pequenas melhorias na densidade óssea podem se traduzir em menos fraturas quando falamos de grandes populações”, explica o professor associado Enwu Liu, da Faculdade de Medicina e Saúde Pública da Universidade Flinders, um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, o efeito positivo foi especialmente observado entre mulheres com obesidade, sugerindo que características individuais podem influenciar a forma como o organismo responde aos compostos presentes no chá.

<><> Café: segurança no consumo moderado

O café apresentou um cenário mais complexo. De forma geral, o consumo moderado — cerca de duas a três xícaras por dia — não foi associado a prejuízos à saúde óssea. No entanto, mulheres que relataram beber mais de cinco xícaras diárias apresentaram uma densidade mineral óssea mais baixa ao longo do acompanhamento.

O efeito negativo foi mais evidente entre mulheres com maior consumo de álcool ao longo da vida, indicando uma possível interação entre esses hábitos.

Estudos laboratoriais anteriores ajudam a explicar esse achado. A cafeína pode interferir, ainda que de forma discreta, na absorção de cálcio e no metabolismo ósseo. Esses efeitos, porém, tendem a ser pequenos e podem ser parcialmente compensados quando o café é consumido com leite.

<><> O que pode explicar a diferença entre as bebidas

De acordo com o pesquisador Ryan Yan Liu, coautor do artigo, o chá é rico em compostos bioativos chamados catequinas, que podem estimular a formação óssea e reduzir a reabsorção — processo natural de perda de massa óssea ao longo do envelhecimento.

Já no caso do café, o principal ponto de atenção é a cafeína. Embora não seja considerada um vilão isolado, seu consumo em excesso pode contribuir para um balanço negativo quando combinado a outros fatores de risco, como baixa ingestão de cálcio, consumo de álcool e envelhecimento.

Os autores fazem questão de ressaltar que os resultados não justificam mudanças drásticas de comportamento. As diferenças observadas são modestas e não significam que mulheres devam abandonar o café ou passar a consumir grandes quantidades de chá.

“Nossos achados não indicam que você precise parar de beber café ou começar a beber litros de chá”, afirma Enwu Liu. “Mas sugerem que o chá, em consumo moderado, pode ser um aliado simples da saúde óssea, enquanto o consumo muito elevado de café talvez não seja a melhor escolha para algumas mulheres, especialmente aquelas que consomem álcool.”

<><> Muito além da xícara

Os pesquisadores reforçam que cálcio e vitamina D continuam sendo os pilares da prevenção da osteoporose, junto com atividade física e acompanhamento médico. Ainda assim, os hábitos cotidianos também entram na equação.

“Para mulheres mais velhas, uma xícara de chá diária pode ser mais do que um ritual reconfortante”, conclui Liu. “Pode representar um pequeno passo adicional na proteção dos ossos ao longo do envelhecimento.”

O estudo, intitulado “Associação longitudinal do consumo de café e chá com a densidade mineral óssea em mulheres idosas”, foi financiado por institutos nacionais de saúde dos Estados Unidos e publicado na revista Nutrients.

¨      Café ou chá: qual fortalece e qual enfraquece seus ossos? Entenda

Após as festas de fim de ano, enquanto milhões de pessoas ao redor do mundo retomam sua rotina com uma xícara de café ou chá — as bebidas mais consumidas globalmente depois da água —, um estudo inédito traz notícias surpreendentes sobre esses hábitos cotidianos.

Publicada recentemente na revista Nutrients, a pesquisa revela que essas bebidas populares podem ter impactos importantes na saúde óssea, principalmente de mulheres na pós-menopausa, algo que, até a realização dessa investigação, ainda permanecia controverso na comunidade científica.

Conduzido por cientistas da Universidade Flinders, na Austrália, o trabalho acompanhou, repetidamente, tanto o consumo das bebidas quanto a densidade mineral óssea ao longo de 10 anos — o que representa uma abordagem metodológica nunca antes realizada.

Esse acompanhamento define o diferencial do trabalho. Enquanto estudos anteriores relacionavam o consumo de café e chá com a densidade óssea em apenas um momento, a investigação atual utilizou dados do Study of Osteoporotic Fractures (SOF) para monitorar 9.704 mulheres com 65 anos ou mais.

Nessa análise secundária de dados, os autores Ryan Yan Liu e Enwu Liu analisaram as mudanças na densidade mineral do quadril e do colo do fêmur ao longo de uma década, cruzando essas informações com os hábitos de consumo das participantes. Vale ressaltar que os pesquisadores analisaram apenas o chá tradicional (preto ou verde, derivados da planta Camellia sinensis).

<><> Café ou chá: doses certas e reações individuais

Ao investigarem essas áreas fortemente associadas ao risco de fraturas durante uma janela de 10 anos, os autores descobriram que o consumo de chá foi positivamente associado a uma maior densidade mineral óssea no quadril das participantes. Vale ressaltar que os pesquisadores analisaram apenas o chá tradicional (preto ou verde, derivados da planta Camellia sinensis).

Embora a diferença possa parecer insignificante em termos individuais (cerca de 0,003 g/cm²), essa pequena melhora multiplicada por milhões de pessoas resulta em milhares de fraturas evitadas por ano. Ou seja, um hábito simples e barato pode reduzir as internações e os gastos do sistema de saúde de um país.

Já no caso do café, o cenário é mais complexo. Embora o estudo não tenha encontrado nenhuma prova de que o simples fato de beber café seja capaz de prejudicar os ossos, as análises revelaram um padrão de alerta: consumir mais de cinco xícaras de café por dia pode estar associado a uma menor densidade óssea.

Na prática, isso significa o seguinte: quando você bebe até duas ou três xícaras de café por dia (o que é considerado um consumo moderado), nada acontece aos seus ossos. Mas, se você ultrapassar o limiar de cinco xícaras diárias, seu risco de desenvolver uma osteoporose pode aumentar.

O que mais intrigou os cientistas, no entanto, foi perceber que o corpo de cada mulher reage de forma diferente dependendo do seu histórico de vida e de sua constituição física: o consumo elevado de álcool no passado pode potencializar o efeito negativo do café nos ossos, mas a obesidade parece oferecer uma proteção óssea maior às mulheres que bebem chá.

<><> Além do sabor, um ritual de saúde

A boa notícia, observa em um comunicado o primeiro autor do estudo, Ryan Liu, é que “os estudos laboratoriais demonstraram que o teor de cafeína do café interfere na absorção de cálcio e no metabolismo ósseo, embora esses efeitos sejam pequenos e possam ser diminuídos com a adição de leite”.

Em outras palavras, a prevenção da osteoporose não precisa ser complicada ou baseada somente em medicações ou dietas, afirma o coautor Enwu Liu. Um hábito comum e prazeroso, como desfrutar de uma boa xícara de chá por dia pode ser o suficiente para promover a saúde óssea durante o envelhecimento.

Embora os autores ponderem que as diferenças encontradas não sugerem expressamente banir o café, a verdade é que, nessa disputa sobre quem impacta mais os ossos, o chá levou a melhor: enquanto a bebida mostrou benefícios para o quadril, o café oscilou entre ser inofensivo (em doses baixas) e prejudicial (em excesso).

“Nossos resultados não significam que você precise abandonar o café ou começar a beber litros de chá”, esclarece Liu. Mas beber a infusão milenar moderadamente desponta como uma medida simples e eficaz para favorecer a saúde do nosso esqueleto.

Apesar de saberem que o cálcio e a vitamina D continuam sendo fundamentais para a saúde dos ossos, essas consumidoras descobriram com o novo estudo que “desfrutar de uma xícara de chá diária pode ser mais do que um ritual reconfortante; pode ser um pequeno passo em direção a ossos mais fortes”, conclui o professor da Flinders.

 

Fonte: g1/CNN Brasil

 

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