Hapvida,
a empresa mais peba da Bahia
Plano
de saúde conhecido pela avalanche de queixas e denúncias à Justiça vence, com
folga a segunda edição do Prêmio Piores Empresas da Bahia; confira a lista das
mais votadas...
O
resultado do Prêmio Peba 2025 não deixou margem para dúvidas, contestação ou
segundo turno. Com 17,3 mil votos, 48,46% do total, a Hapvida foi eleita, com
folga, a Pior Empresa da Bahia 2025, em votação popular promovida
pelo Grupo Metropole. Uma vitória incontestável, construída com
consistência, histórico e reincidência.
A
conquista representa uma involução natural na história do plano de saúde. Na
primeira edição do prêmio, em 2024, a Hapvida havia ficado em segundo lugar,
com 21,5 mil votos (21,12%). Em 2025, voltou mais competitiva, aprimorou a
performance e finalmente alcançou o topo do pódio do descontentamento popular.
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Prêmio construído nos tribunais
O
desempenho nas urnas virtuais acompanha outro ranking em que a Hapvida também
figura com frequência: o judicial. A relação da operadora com a Justiça baiana
é antiga, contínua e bem documentada. Em 2025, a empresa voltou ao centro das
atenções após ser alvo de ação civil pública do Ministério Público do Trabalho,
que apontou falhas nas condições de segurança e saúde de trabalhadores em
unidades da rede, especialmente no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador.
As
irregularidades listadas incluem problemas estruturais, ausência de
equipamentos de proteção e ambientes considerados inadequados para o exercício
da atividade profissional. O resultado foi uma decisão judicial determinando
correções imediatas, sob pena de multa diária. Um tipo de cobrança que não
entra na mensalidade, mas pesa no currículo.
Além
desse entrave, o Ministério Público da Bahia (MP) instaurou em 2025 um
inquérito civil para apurar denúncias de ausência de médicos no setor de
emergência, más condições de higiene e demora excessiva para atendimento no
Teresa de Lisieux. O Jornal Metropole entrou em contato com o órgão
para novas atualizações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
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Voto de processo
O
desgaste da Hapvida junto ao público também ganhou rosto, nome e endereço no
noticiário envolvendo o Hospital Teresa de Lisieux. Ao longo do ano,
reportagens do portal Metro1 já reuniram relatos de familiares de
pacientes que denunciaram demora no atendimento, falta de leitos, superlotação,
atrasos em procedimentos e episódios classificados como negligência médica.
Entre
os casos relatados, há o de pacientes que aguardaram horas por atendimento,
dificuldades na transferência para UTI e queixas sobre ausência de
profissionais em momentos críticos. Em alguns relatos, familiares afirmaram que
só conseguiram avanços após insistência ou exposição pública do problema.
Os
números podem ajudar a explicar o humor do eleitorado do Peba. Apenas em 2025,
a Hapvida acumulou 25.224 queixas no Reclame Aqui. A maior parte delas
relacionada à falta ou à demora na autorização de procedimentos, justamente o
tipo de serviço que o consumidor espera não precisar discutir quando mais
precisa.
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O que é o Prêmio Peba
Criado
pelo Grupo Metropole, o Prêmio Peba nasceu para reunir, em tom crítico e
bem-humorado, as empresas que mais geram dor de cabeça aos baianos. A votação é
aberta a ouvintes e leitores, que escolhem, sem mediação judicial, quem mais
merece o título simbólico de pior prestadora de serviços do estado.
Na
edição inaugural, em 2024, o prêmio reuniu mais de 100 mil votos e uma lista
extensa de indicados dos mais diversos setores, como transporte, energia, saúde
e combustíveis. Além das opções sugeridas pela Rádio Metropole, o público
ainda teve liberdade para indicar novos nomes, que incluiu neste ano a
própria Metropole e até a Prefeitura de Salvador, numa demonstração
de que ninguém está imune ao julgamento popular.
Em
2025, porém, nenhuma conseguiu competir com a regularidade da Hapvida. Um
prêmio que ninguém quer ganhar, mas que, pelo resultado, teve vencedora à
altura da expectativa do público.
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Confira quem mais figurou no Top 3
Para
além da campeã em antipatia, outros nomes também não conquistaram a ira do
público. O segundo lugar ficou com a Internacional Travessias, que comanda o
ferry-boat, com 5.789 votos (16,13%). Apesar de todo o empenho em atrasos,
filas intermináveis e panes estratégicas, não conseguiu derrubar a grande
campeã.
Logo
atrás, em terceiro lugar, apareceu a Integra (concessionária de transporte
público de Salvador), famosa por sumir com ônibus nos horários de pico,
oferecer estrutura precária e tarifas que parecem ter vida própria, pois só
aumentam.
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Explosão do consumo de vapes reverte avanços históricos
no combate ao fumo
A febre
das canetas emagrecedoras e seus riscos podem até ter roubado os holofotes.
Mas, encobertos por uma névoa conhecida e que chegou até a ser vendida como
símbolo de liberdade e salvação, os vapes avançaram em silêncio. Entre vapores
aromatizados e promessas leves como fumaça, os dispositivos eletrônicos
conquistaram um feito nada etéreo: depois de quase duas décadas de queda
consistente, conseguiram empurrar para cima o número de fumantes no Brasil.
O país
que virou vitrine internacional no combate ao tabagismo agora assiste ao
retorno de um velho conhecido — dessa vez, embalado em menos fumaça e mais
vapor, repaginado, moderninho, colorido e com cheiro de fruta.
Dados
preliminares do Ministério da Saúde,apresentados pela pasta em um evento da
pasta em Brasília, apontam um crescimento de 9,3% para 11,6% na proporção de
adultos fumantes entre 2023 e 2024. Esse é o primeiro salto desde 2006 e a
maior proporção de fumantes nos últimos 11 anos.
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Retrocesso saborizado
O
aumento pode até parecer discreto, mas funciona como aquele cheiro de fumaça
que ninguém sabe de onde vem e sempre anuncia problema. O Brasil conseguiu, com
muito esforço, expulsar o cigarro das propagandas, dos ambientes fechados e do
imaginário do “charme”. Vieram campanhas duras, impostos salgados e avisos
pouco convidativos nos maços. Funcionou. Até não funcionar mais. Enquanto as
políticas comemoravam o sucesso, o vício evaporou, mudou de forma e voltou a
circular.
Se
entre as décadas de 1940 e 1970 fumar era um gesto de charme vendido por
Hollywood, hoje o apelo é outro: tecnológico, descolado, aromatizado e vendido
como “menos nocivo”. É essa fumaça retórica que sustenta a nova onda, alerta o
pneumologista Álvaro Cruz. “Os cigarros eletrônicos passam a falsa ideia de que
não fazem mal”, afirma. O resultado é um modismo que avança sobretudo entre
jovens, mais preocupados com pertencimento social do que com avisos de risco.
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Nova embalagem, mesmos riscos
No
consultório, porém, o discurso se dissipa rápido. O pneumologista Álvaro Cruz
explica que os dispositivos eletrônicos mantêm a nicotina, substância altamente
viciante, e acrescentam uma série de compostos químicos potencialmente
cancerígenos, muitos deles sequer são conhecidos. Já há registros de
intoxicações pulmonares graves e mortes associadas ao uso desses produtos. “É
uma narrativa perigosa”, resume o pneumologista, ao destacar que doenças
cardiovasculares, câncer e lesões respiratórias seguem no pacote – com ou sem
brasa com ou sem LED.
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Falha na calculadora
Desde
2009, a Anvisa proíbe a importação, publicidade e comercialização dos
dispositivos eletrônicos para fumar. No ano passado, manteve a proibição mesmo
sob a pressão da indústria do tabaco, que já fareja novos mercados. Ainda
assim, há quem defenda liberar geral, com discurso embalado em arrecadação e
controle. Em 2024, um projeto da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) tentou
transformar vapor em receita, sob o argumento de que regular seria melhor do
que proibir.
O problema é que essa conta não fecha nem com fumaça. Para cada R$ 1 de lucro
da indústria do tabaco, o Brasil gasta R$ 5 tratando doenças associadas ao
consumo. No total, são R$ 153 bilhões por ano evaporando em custos de saúde, um
rombo que não cabe em nenhum cartucho.
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Fiscalização frouxa
Apesar
da proibição, o sanitarista fundador da Anvisa, Gonzalo Vecina, associa o
aumento do tabagismo à fragilização da fiscalização. Para ele, é preciso
reforço no combate ao contrabando, nas multas aos pontos de venda ilegais e nas
restrições ao fumo em espaços públicos. Assim como foi feito com o cigarro
branco. Mas o que ele rechaça completamente é a equiparação regulatória de
cigarro tradicional e os dispositivos eletrônicos.
“Muitos
dos países que equiparam a regulação do cigarro branco ao eletrônico já estão
reconhecendo o erro, só que não têm condição de voltar atrás agora. O cigarro
eletrônico não reduz o consumo do cigarro tradicional, não substitui o uso do
cigarro tradicional e se transformou em uma sofisticação do vício de fumar na
juventude”.
Apesar
da proibição, o fundador da Anvisa, Gonzalo Vecina, associa o aumento do
tabagismo à fiscalização frouxa. Para ele, é preciso reforçar o combate ao
contrabando, multar pontos de venda ilegais e endurecer restrições ao fumo em
espaços públicos — semelhante ao que foi feito com o cigarro tradicional. O que
ele descarta completamente é regulamentar o vape como o cigarro branco.
“Muitos
dos países que equiparam a regulação do cigarro branco ao eletrônico já estão
reconhecendo o erro, só que não têm condição de voltar atrás agora. O cigarro
eletrônico não reduz o consumo do cigarro tradicional, não substitui o uso do
cigarro tradicional e se transformou em uma sofisticação do vício de fumar na
juventude”.
No fim, a lição é simples: o glamour virou vapor, a fumaça mudou de cheiro, mas
o prejuízo continua bem sólido e nada etéreo.
Fonte: BNews

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