sábado, 10 de janeiro de 2026

Hapvida, a empresa mais peba da Bahia

Plano de saúde conhecido pela avalanche de queixas e denúncias à Justiça vence, com folga a segunda edição do Prêmio Piores Empresas da Bahia; confira a lista das mais votadas...

O resultado do Prêmio Peba 2025 não deixou margem para dúvidas, contestação ou segundo turno. Com 17,3 mil votos, 48,46% do total, a Hapvida foi eleita, com folga, a Pior Empresa da Bahia 2025, em votação popular promovida pelo Grupo Metropole. Uma vitória incontestável, construída com consistência, histórico e reincidência.

A conquista representa uma involução natural na história do plano de saúde. Na primeira edição do prêmio, em 2024, a Hapvida havia ficado em segundo lugar, com 21,5 mil votos (21,12%). Em 2025, voltou mais competitiva, aprimorou a performance e finalmente alcançou o topo do pódio do descontentamento popular.

<><> Prêmio construído nos tribunais

O desempenho nas urnas virtuais acompanha outro ranking em que a Hapvida também figura com frequência: o judicial. A relação da operadora com a Justiça baiana é antiga, contínua e bem documentada. Em 2025, a empresa voltou ao centro das atenções após ser alvo de ação civil pública do Ministério Público do Trabalho, que apontou falhas nas condições de segurança e saúde de trabalhadores em unidades da rede, especialmente no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador.

As irregularidades listadas incluem problemas estruturais, ausência de equipamentos de proteção e ambientes considerados inadequados para o exercício da atividade profissional. O resultado foi uma decisão judicial determinando correções imediatas, sob pena de multa diária. Um tipo de cobrança que não entra na mensalidade, mas pesa no currículo.

Além desse entrave, o Ministério Público da Bahia (MP) instaurou em 2025 um inquérito civil para apurar denúncias de ausência de médicos no setor de emergência, más condições de higiene e demora excessiva para atendimento no Teresa de Lisieux. O Jornal Metropole entrou em contato com o órgão para novas atualizações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

<><> Voto de processo

O desgaste da Hapvida junto ao público também ganhou rosto, nome e endereço no noticiário envolvendo o Hospital Teresa de Lisieux. Ao longo do ano, reportagens do portal Metro1 já reuniram relatos de familiares de pacientes que denunciaram demora no atendimento, falta de leitos, superlotação, atrasos em procedimentos e episódios classificados como negligência médica.

Entre os casos relatados, há o de pacientes que aguardaram horas por atendimento, dificuldades na transferência para UTI e queixas sobre ausência de profissionais em momentos críticos. Em alguns relatos, familiares afirmaram que só conseguiram avanços após insistência ou exposição pública do problema.

Os números podem ajudar a explicar o humor do eleitorado do Peba. Apenas em 2025, a Hapvida acumulou 25.224 queixas no Reclame Aqui. A maior parte delas relacionada à falta ou à demora na autorização de procedimentos, justamente o tipo de serviço que o consumidor espera não precisar discutir quando mais precisa.

<><> O que é o Prêmio Peba

Criado pelo Grupo Metropole, o Prêmio Peba nasceu para reunir, em tom crítico e bem-humorado, as empresas que mais geram dor de cabeça aos baianos. A votação é aberta a ouvintes e leitores, que escolhem, sem mediação judicial, quem mais merece o título simbólico de pior prestadora de serviços do estado.

Na edição inaugural, em 2024, o prêmio reuniu mais de 100 mil votos e uma lista extensa de indicados dos mais diversos setores, como transporte, energia, saúde e combustíveis. Além das opções sugeridas pela Rádio Metropole, o público ainda teve liberdade para indicar novos nomes, que incluiu neste ano a própria Metropole e até a Prefeitura de Salvador, numa demonstração de que ninguém está imune ao julgamento popular.

Em 2025, porém, nenhuma conseguiu competir com a regularidade da Hapvida. Um prêmio que ninguém quer ganhar, mas que, pelo resultado, teve vencedora à altura da expectativa do público.

<><> Confira quem mais figurou no Top 3

Para além da campeã em antipatia, outros nomes também não conquistaram a ira do público. O segundo lugar ficou com a Internacional Travessias, que comanda o ferry-boat, com 5.789 votos (16,13%). Apesar de todo o empenho em atrasos, filas intermináveis e panes estratégicas, não conseguiu derrubar a grande campeã. 

Logo atrás, em terceiro lugar, apareceu a Integra (concessionária de transporte público de Salvador), famosa por sumir com ônibus nos horários de pico, oferecer estrutura precária e tarifas que parecem ter vida própria, pois só aumentam.

¨      Explosão do consumo de vapes reverte avanços históricos no combate ao fumo

A febre das canetas emagrecedoras e seus riscos podem até ter roubado os holofotes. Mas, encobertos por uma névoa conhecida e que chegou até a ser vendida como símbolo de liberdade e salvação, os vapes avançaram em silêncio. Entre vapores aromatizados e promessas leves como fumaça, os dispositivos eletrônicos conquistaram um feito nada etéreo: depois de quase duas décadas de queda consistente, conseguiram empurrar para cima o número de fumantes no Brasil.

O país que virou vitrine internacional no combate ao tabagismo agora assiste ao retorno de um velho conhecido — dessa vez, embalado em menos fumaça e mais vapor, repaginado, moderninho, colorido e com cheiro de fruta. 

Dados preliminares do Ministério da Saúde,apresentados pela pasta em um evento da pasta em Brasília, apontam um crescimento de 9,3% para 11,6% na proporção de adultos fumantes entre 2023 e 2024. Esse é o primeiro salto desde 2006 e a maior proporção de fumantes nos últimos 11 anos.

<><> Retrocesso saborizado

O aumento pode até parecer discreto, mas funciona como aquele cheiro de fumaça que ninguém sabe de onde vem e sempre anuncia problema. O Brasil conseguiu, com muito esforço, expulsar o cigarro das propagandas, dos ambientes fechados e do imaginário do “charme”. Vieram campanhas duras, impostos salgados e avisos pouco convidativos nos maços. Funcionou. Até não funcionar mais. Enquanto as políticas comemoravam o sucesso, o vício evaporou, mudou de forma e voltou a circular.

Se entre as décadas de 1940 e 1970 fumar era um gesto de charme vendido por Hollywood, hoje o apelo é outro: tecnológico, descolado, aromatizado e vendido como “menos nocivo”. É essa fumaça retórica que sustenta a nova onda, alerta o pneumologista Álvaro Cruz. “Os cigarros eletrônicos passam a falsa ideia de que não fazem mal”, afirma. O resultado é um modismo que avança sobretudo entre jovens, mais preocupados com pertencimento social do que com avisos de risco.

<><> Nova embalagem, mesmos riscos

No consultório, porém, o discurso se dissipa rápido. O pneumologista Álvaro Cruz explica que os dispositivos eletrônicos mantêm a nicotina, substância altamente viciante, e acrescentam uma série de compostos químicos potencialmente cancerígenos, muitos deles sequer são conhecidos. Já há registros de intoxicações pulmonares graves e mortes associadas ao uso desses produtos. “É uma narrativa perigosa”, resume o pneumologista, ao destacar que doenças cardiovasculares, câncer e lesões respiratórias seguem no pacote – com ou sem brasa com ou sem LED.

<><> Falha na calculadora

Desde 2009, a Anvisa proíbe a importação, publicidade e comercialização dos dispositivos eletrônicos para fumar. No ano passado, manteve a proibição mesmo sob a pressão da indústria do tabaco, que já fareja novos mercados. Ainda assim, há quem defenda liberar geral, com discurso embalado em arrecadação e controle. Em 2024, um projeto da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) tentou transformar vapor em receita, sob o argumento de que regular seria melhor do que proibir.
O problema é que essa conta não fecha nem com fumaça. Para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o Brasil gasta R$ 5 tratando doenças associadas ao consumo. No total, são R$ 153 bilhões por ano evaporando em custos de saúde, um rombo que não cabe em nenhum cartucho.

<><> Fiscalização frouxa

Apesar da proibição, o sanitarista fundador da Anvisa, Gonzalo Vecina, associa o aumento do tabagismo à fragilização da fiscalização. Para ele, é preciso reforço no combate ao contrabando, nas multas aos pontos de venda ilegais e nas restrições ao fumo em espaços públicos. Assim como foi feito com o cigarro branco. Mas o que ele rechaça completamente é a equiparação regulatória de cigarro tradicional e os dispositivos eletrônicos. 

“Muitos dos países que equiparam a regulação do cigarro branco ao eletrônico já estão reconhecendo o erro, só que não têm condição de voltar atrás agora. O cigarro eletrônico não reduz o consumo do cigarro tradicional, não substitui o uso do cigarro tradicional e se transformou em uma sofisticação do vício de fumar na juventude”. 

Apesar da proibição, o fundador da Anvisa, Gonzalo Vecina, associa o aumento do tabagismo à fiscalização frouxa. Para ele, é preciso reforçar o combate ao contrabando, multar pontos de venda ilegais e endurecer restrições ao fumo em espaços públicos — semelhante ao que foi feito com o cigarro tradicional. O que ele descarta completamente é regulamentar o vape como o cigarro branco.

“Muitos dos países que equiparam a regulação do cigarro branco ao eletrônico já estão reconhecendo o erro, só que não têm condição de voltar atrás agora. O cigarro eletrônico não reduz o consumo do cigarro tradicional, não substitui o uso do cigarro tradicional e se transformou em uma sofisticação do vício de fumar na juventude”.
No fim, a lição é simples: o glamour virou vapor, a fumaça mudou de cheiro, mas o prejuízo continua bem sólido e nada etéreo.

 

Fonte: BNews

 

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