Alzheimer
pode ser causado por mecanismo de defesa antiviral, aponta pesquisa
Um
estudo publicado na revista Nature Neuroscience nesta quarta-feira (17)
publicou um novo estudo sobre os mistérios por trás do Alzheimer. A descoberta
tem relação com uma proteína já conhecidamente relacionada com a doença: a
fosfo-tau (p-tau). Tudo porque quando a p-tau acumula muitos grupos fosfato –
processo chamado hiperfosforilação –, ela começa a se aglomerar e formar
emaranhados neurofibrilares dentro das células nervosas do cérebro.
O que
os pesquisadores do Mass General Brigham descobriram é que esses emaranhados
podem ajudar a proteger o cérebro contra infecções virais. Em comunicado,
Rudolph Tanzi, do instituto, declarou: “nosso trabalho indica que muitas das
características da doença de Alzheimer que consideramos apenas patológicas
podem ter sido protetoras em algum momento”.
Isto
seria resultado da evolução da própria doença como uma resposta de defesa imune
contra infecções microbianas. Tanzi acredita que pessoas com genes que as
predispunha à patologia podem ter tido uma vantagem de sobrevivência contra
infecções generalizadas no passado, principalmente em épocas em que a
expectativa de vida era de 30 anos ou menos. O problema é que, com o aumento da
expectativa de vida, essas mesmas mutações aumentaram a suscetibilidade ao
Alzheimer.
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O que o estudo investigou
Para
investigar essa possível interação entre a proteína, o vírus e os neurônios, os
pesquisadores utilizaram um modelo de cultura de células neurais derivadas de
humanos. Estas células tinham afinidade pela p-tau e foram expostas ao vírus da
herpes (HSV-1).
Os
resultados estavam de acordo com as suposições. A infecção por HSV-1 levou à
hiperfosforilação da proteína tau. Como consequência, ocorreu o processo
descrito anteriormente: emaranhados neurofibrilares se formaram, o que levou ao
desencadeamento de uma doença com características semelhantes às observadas na
doença de Alzheimer.
“Nossos
resultados revelam um novo e importante papel da proteína tau como uma proteína
antiviral. Os emaranhados neurofibrilares podem ter se formado originalmente em
resposta tanto à infecção amiloide quanto à infecção viral, para impedir a
disseminação do vírus de neurônio para neurônio no cérebro”, afirmou William
Eimer, também do Mass General Brigham.
Além
disso, a pesquisa também revelou que a p-tau é capaz de se ligar ao capsídeo do
vírus, neutralizando a infecção. Isso serve como um fator de proteção para os
neurônios, prevenindo e aprisionando o vírus, impedindo que ele ataque as
células.
• O que é a Doença de Alzheimer?
A
Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência em todo o mundo. Ela é
identificada por uma série de mudanças no cérebro que causam danos às células
cerebrais. Embora seja mais comum em idosos, também pode ocorrer em casos raros
em pacientes mais jovens.
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Sintomas
Os
sintomas da Doença de Alzheimer podem variar em intensidade e gravidade, mas
geralmente incluem:
• perda da memória: o esquecimento é um
dos primeiros e mais característicos sintomas da doença. A pessoa pode ter
dificuldade em se lembrar de informações recentes, nomes, eventos e detalhes do
dia a dia
• dificuldades na comunicação: a
capacidade de comunicação verbal diminui à medida que a doença avança. Isso
pode se manifestar como dificuldade em encontrar palavras, formar frases ou
compreender o que os outros dizem
• dificuldades nas atividades diárias:
tarefas cotidianas, como vestir-se, preparar refeições, tomar banho e cuidar da
higiene pessoal, tornam-se cada vez mais desafiadoras
• dificuldades de raciocínio: a capacidade
de realizar cálculos simples ou seguir instruções complexas pode diminuir
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Causas
As
causas exatas da Doença de Alzheimer não são totalmente compreendidas, mas uma
combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida podem ter um
papel importante no desenvolvimento da doença. Alguns dos aspectos que têm sido
associados a doença são:
• idade: é o maior fator de risco para a
condição. A chance de desenvolver a doença de Alzheimer aumenta
significativamente com o envelhecimento
• histórico familiar: ter parentes de
primeiro grau, como pais ou irmãos com a doença de Alzheimer, também é um fator
de risco para a doença
• ambiente e estilo de vida: alguns
fatores de estilo de vida e exposição ambiental podem aumentar o risco da
doença. Isso inclui tabagismo, falta de atividade física, obesidade e exposição
à poluição
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Diagnóstico
O
diagnóstico da Doença de Alzheimer envolve uma avaliação médica detalhada, que
geralmente requer a colaboração de profissionais como neurologistas.
Os
principais passos no processo de diagnóstico são:
• entrevista clínica: o profissional
responsável busca informações sobre sintomas, história médica e história
familiar. Isso ajuda a identificar possíveis fatores de risco e entender o
aumento da doença
• exame físico: para avaliar a saúde geral
do paciente e descartar outras condições médicas que possam contribuir para os
sintomas
• exames de imagem: ressonância magnética
(RM) e tomografia computadorizada (TC) são exames que podem ser realizados para
identificar anormalidades no cérebro
• avaliação de laboratório: exames de
sangue podem ser realizados para avaliar os níveis de glicose, funcionamento
dos rins, fígado e outros fatores que podem afetar a função cerebral
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Tratamento
O
tratamento da Doença de Alzheimer é desafiador, uma vez que não existe cura
definitiva. No entanto, existem estratégias e abordagens que podem ajudar a
melhorar a qualidade de vida do paciente:
• terapia da fala: ajuda a pessoa com a
doença a manter habilidades de comunicação, mesmo à medida que a doença piore
• apoio psicossocial: o suporte
psicossocial é fundamental, tanto para o paciente quanto para os cuidadores.
Isso pode incluir aconselhamento, grupos de apoio e educação sobre a doença
• estilo de vida saudável: dieta
balanceada, exercícios físicos regulares e atividades mentais desafiadoras,
pode ajudar a atrasar o aumento da doença
Existem
medicamentos com mais de 25 anos de uso que retardam o avanço da doença. Nos
últimos dois anos, surgiram opções de tratamento que visam estabilizar a doença
(já em utilização nos Estados Unidos, mas ainda não aprovados para uso no
Brasil).
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Prevenção
A
prevenção da Doença de Alzheimer ainda não possui uma maneira definitiva, já
que as causas exatas da doença não são totalmente compreendidas. No entanto,
várias estratégias de prevenção ajudam nesse procedimento:
• exercícios físicos: a atividade regular
ajuda a deixar o corpo saudável e prevenir doenças. Exercícios aeróbicos, como
caminhadas, auxiliam nesta tarefa
• dieta saudável: frutas, vegetais,
peixes, nozes e azeite de oliva são alimentos saudáveis para o cérebro e
auxiliam na prevenção
• controle a pressão arterial: a
hipertensão pode ser um fator de risco para o Alzheimer
• controle de diabetes: o tipo 2 está
associado a um alto risco e mantê-lo controlado é essencial na prevenção da
doença
Fonte:
Revista Galileu/Einstein.br

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