sábado, 10 de janeiro de 2026

Alzheimer pode ser causado por mecanismo de defesa antiviral, aponta pesquisa

Um estudo publicado na revista Nature Neuroscience nesta quarta-feira (17) publicou um novo estudo sobre os mistérios por trás do Alzheimer. A descoberta tem relação com uma proteína já conhecidamente relacionada com a doença: a fosfo-tau (p-tau). Tudo porque quando a p-tau acumula muitos grupos fosfato – processo chamado hiperfosforilação –, ela começa a se aglomerar e formar emaranhados neurofibrilares dentro das células nervosas do cérebro.

O que os pesquisadores do Mass General Brigham descobriram é que esses emaranhados podem ajudar a proteger o cérebro contra infecções virais. Em comunicado, Rudolph Tanzi, do instituto, declarou: “nosso trabalho indica que muitas das características da doença de Alzheimer que consideramos apenas patológicas podem ter sido protetoras em algum momento”.

Isto seria resultado da evolução da própria doença como uma resposta de defesa imune contra infecções microbianas. Tanzi acredita que pessoas com genes que as predispunha à patologia podem ter tido uma vantagem de sobrevivência contra infecções generalizadas no passado, principalmente em épocas em que a expectativa de vida era de 30 anos ou menos. O problema é que, com o aumento da expectativa de vida, essas mesmas mutações aumentaram a suscetibilidade ao Alzheimer.

<><> O que o estudo investigou

Para investigar essa possível interação entre a proteína, o vírus e os neurônios, os pesquisadores utilizaram um modelo de cultura de células neurais derivadas de humanos. Estas células tinham afinidade pela p-tau e foram expostas ao vírus da herpes (HSV-1).

Os resultados estavam de acordo com as suposições. A infecção por HSV-1 levou à hiperfosforilação da proteína tau. Como consequência, ocorreu o processo descrito anteriormente: emaranhados neurofibrilares se formaram, o que levou ao desencadeamento de uma doença com características semelhantes às observadas na doença de Alzheimer.

“Nossos resultados revelam um novo e importante papel da proteína tau como uma proteína antiviral. Os emaranhados neurofibrilares podem ter se formado originalmente em resposta tanto à infecção amiloide quanto à infecção viral, para impedir a disseminação do vírus de neurônio para neurônio no cérebro”, afirmou William Eimer, também do Mass General Brigham.

Além disso, a pesquisa também revelou que a p-tau é capaz de se ligar ao capsídeo do vírus, neutralizando a infecção. Isso serve como um fator de proteção para os neurônios, prevenindo e aprisionando o vírus, impedindo que ele ataque as células.

•        O que é a Doença de Alzheimer?

A Doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência em todo o mundo. Ela é identificada por uma série de mudanças no cérebro que causam danos às células cerebrais. Embora seja mais comum em idosos, também pode ocorrer em casos raros em pacientes mais jovens.

<><> Sintomas

Os sintomas da Doença de Alzheimer podem variar em intensidade e gravidade, mas geralmente incluem:

•        perda da memória: o esquecimento é um dos primeiros e mais característicos sintomas da doença. A pessoa pode ter dificuldade em se lembrar de informações recentes, nomes, eventos e detalhes do dia a dia

•        dificuldades na comunicação: a capacidade de comunicação verbal diminui à medida que a doença avança. Isso pode se manifestar como dificuldade em encontrar palavras, formar frases ou compreender o que os outros dizem

•        dificuldades nas atividades diárias: tarefas cotidianas, como vestir-se, preparar refeições, tomar banho e cuidar da higiene pessoal, tornam-se cada vez mais desafiadoras

•        dificuldades de raciocínio: a capacidade de realizar cálculos simples ou seguir instruções complexas pode diminuir

<><> Causas

As causas exatas da Doença de Alzheimer não são totalmente compreendidas, mas uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida podem ter um papel importante no desenvolvimento da doença. Alguns dos aspectos que têm sido associados a doença são:

•        idade: é o maior fator de risco para a condição. A chance de desenvolver a doença de Alzheimer aumenta significativamente com o envelhecimento

•        histórico familiar: ter parentes de primeiro grau, como pais ou irmãos com a doença de Alzheimer, também é um fator de risco para a doença

•        ambiente e estilo de vida: alguns fatores de estilo de vida e exposição ambiental podem aumentar o risco da doença. Isso inclui tabagismo, falta de atividade física, obesidade e exposição à poluição

<><> Diagnóstico

O diagnóstico da Doença de Alzheimer envolve uma avaliação médica detalhada, que geralmente requer a colaboração de profissionais como neurologistas.

Os principais passos no processo de diagnóstico são:

•        entrevista clínica: o profissional responsável busca informações sobre sintomas, história médica e história familiar. Isso ajuda a identificar possíveis fatores de risco e entender o aumento da doença

•        exame físico: para avaliar a saúde geral do paciente e descartar outras condições médicas que possam contribuir para os sintomas

•        exames de imagem: ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC) são exames que podem ser realizados para identificar anormalidades no cérebro

•        avaliação de laboratório: exames de sangue podem ser realizados para avaliar os níveis de glicose, funcionamento dos rins, fígado e outros fatores que podem afetar a função cerebral

<><> Tratamento

O tratamento da Doença de Alzheimer é desafiador, uma vez que não existe cura definitiva. No entanto, existem estratégias e abordagens que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida do paciente:

•        terapia da fala: ajuda a pessoa com a doença a manter habilidades de comunicação, mesmo à medida que a doença piore

•        apoio psicossocial: o suporte psicossocial é fundamental, tanto para o paciente quanto para os cuidadores. Isso pode incluir aconselhamento, grupos de apoio e educação sobre a doença

•        estilo de vida saudável: dieta balanceada, exercícios físicos regulares e atividades mentais desafiadoras, pode ajudar a atrasar o aumento da doença

Existem medicamentos com mais de 25 anos de uso que retardam o avanço da doença. Nos últimos dois anos, surgiram opções de tratamento que visam estabilizar a doença (já em utilização nos Estados Unidos, mas ainda não aprovados para uso no Brasil).

<><> Prevenção

A prevenção da Doença de Alzheimer ainda não possui uma maneira definitiva, já que as causas exatas da doença não são totalmente compreendidas. No entanto, várias estratégias de prevenção ajudam nesse procedimento:

•        exercícios físicos: a atividade regular ajuda a deixar o corpo saudável e prevenir doenças. Exercícios aeróbicos, como caminhadas, auxiliam nesta tarefa

•        dieta saudável: frutas, vegetais, peixes, nozes e azeite de oliva são alimentos saudáveis para o cérebro e auxiliam na prevenção

•        controle a pressão arterial: a hipertensão pode ser um fator de risco para o Alzheimer

•        controle de diabetes: o tipo 2 está associado a um alto risco e mantê-lo controlado é essencial na prevenção da doença

 

Fonte: Revista Galileu/Einstein.br

 

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