segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Os avanços globais que marcaram os direitos humanos em 2025

Enquanto 2025 foi marcado por retrocessos significativos nos direitos humanos e pela deterioração de garantias democráticas em todo o mundo, com civis sob grave risco em zonas de guerra, liberdades ameaçadas e repressão em diversos países, há também lugares em que avanços pontuais contrariam essa tendência.

Relatórios de organizações de direitos humanos mostram que em alguns lugares há uma maior documentação de violações, pressão por responsabilização e mecanismos jurídicos mais ativos.

A seguir, confira os avanços que marcaram o ano:

<><> Casamento para todos

Em janeiro de 2025, a Tailândia tornou-se o primeiro país do Sudeste Asiático a permitir o casamento entre casais do mesmo sexo.

Segundo um levantamento do Pew Research Center, leis semelhantes estão em vigor em quase 40 países ao redor do mundo. Além da Tailândia, em 2025 o pequeno principado alpino de Liechtenstein também adotou a medida.

Na Europa, o Tribunal de Justiça Europeu exigiu em novembro que todos os países do bloco reconheçam a união entre pessoas do mesmo sexo, a despeito de entraves na legislação nacional. A medida foi tomada após a rejeição de países como Polônia em avançar no regulamento.

<><> Proibição total do casamento infantil

Segundo a Unesco, até fevereiro de 2025, 54% dos regramentos nacionais ainda permitiam o casamento infantil, mas diversos países agora caminharam para fechar estas brechas.

Nesse levantamento, a Colômbia já não foi incluída, pois consolidou em 2025 as brechas legais que permitiam o casamento de meninas com menos de 18 anos. Também na Bolívia foi promulgada, em setembro, uma proibição total do casamento infantil.

Portugal e Kuwait também fecharam brechas legais relacionadas ao casamento infantil no final do ano. Burkina Faso fixou a idade mínima para o casamento em 18 anos, embora, segundo a ONG Girls Not Brides, não esteja claro se os juízes podem conceder exceções.

<><> Expansão da educação gratuita

Em setembro, 92 países se reuniram pela primeira vez para considerar formalmente um possível novo tratado internacional para garantir educação gratuita a todas as crianças, da pré escola ao ensino secundário, diz um relatório da ONG Human Rights Watch.

Até o momento, 60 países já prometeram apoiar a proposta. Ao longo do ano, por exemplo, o governo do Malaui, no sudeste da África, eliminou os cursos escolares para o ensino secundário e exames finais. Embora as famílias ainda tenham de arcar com materiais e uniformes escolares, observadores consideram a decisão como fundamental para ampliar o acesso à educação no país, um dos mais pobres do mundo.

No Vietnã, uma medida semelhante já está em vigor desde setembro. No Japão, todas as taxas do ensino secundário foram abolidas.

<><> Redução da fome em todo o mundo

De acordo com um relatório global publicado em julho, o Brasil deixou o Mapa da Fome após três anos. Os dados refletem a média trienal dos anos de 2022, 2023 e 2024, que colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de desnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.

O documento Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo também indica que o número de pessoas que passaram fome em todo o mundo reduziu de 8,5% da população mundial em 2024 para 8,2% em 2023.

Segundo o relatório, o percentual e o número de pessoas sem condições de pagar por uma alimentação saudável diminuíram significativamente na Ásia, América Latina, Caribe, América do Norte e Europa. No continente africano, porém, a fome é hoje mais prevalente do que há 20 anos.

<><> Feminicídio tipificado como crime

Em novembro, o Parlamento italiano aprovou uma lei que tipifica o feminicídio como crime autônomo, punido com prisão perpétua. Outros crimes de gênero, como o assédio e a chamada "pornografia de vingança", também tiveram suas penas agravadas, com o objetivo de proteger melhor as mulheres no futuro. Discussão similar acontece na Romênia.

Na Alemanha, onde o assassinato por violência doméstica ou discriminação à condição de mulher não é classificado como feminicídio, o parlamento discute o endurecimento de medidas preventivas.

<><> Comissão nacional para minorias

No Paquistão, o Islã é a religião oficial do Estado. Cristãos, hindus, sikhs e outras comunidades representam uma pequena parcela da população. Perseguições severas contra minorias são registradas em todo o país.

No início de dezembro, porém, o Parlamento aprovou a lei que cria a Comissão Nacional para os Direitos das Minorias, posteriormente sancionada pelo presidente. "Trata-se de uma comissão para os não muçulmanos". disse o ministro da Justiça, Azam Nazeer Tarar.

Os cerca de 18 membros ainda não foram nomeados. A comissão tem o mandato de representar as minorias em processos legislativos e outros processos políticos.

•        Do Oscar a Lady Gaga: os grandes marcos da cultura em 2025

Do cinema brasileiro aos artefatos do Egito Antigo, 2025 trouxe diversos frutos aos amantes da arte e da cultura. No Brasil, o ano ficará marcado na memória pelo primeiro Oscar levado para casa, depois de uma campanha intensa que contagiou multidões.

A nível internacional, também alguns dos escritores mais amados do público voltaram às livrarias, matando a ansiedade dos fãs, ou estrearam no formato dos romances.

Houve também perdas, com pelo menos dois museus tendo valiosas obras de arte roubadas. E de emocionadas despedidas provocadas pela morte de grandes nomes conhecidos entre os brasileiros ou no mundo todo.

Relembre uma seleção de acontecimentos que marcaram a cultura neste ano.

<><> "Ainda Estou Aqui"

Situado na ditadura militar brasileira, Ainda Estou Aqui ganhou Oscar de melhor filme internacional em março, um feito inédito para o país. O Brasil havia sido indicado cinco vezes, incluindo a edição de 2025.

A obra concorreu com o dinamarquês A Garota da Agulha, o francês Emilia Pérez, o alemão A Semente do Fruto Sagrado e a obra da Letônia Flow, que venceu por melhor filme de animação.

Também indicado a melhor filme, Ainda Estou Aqui não levou o prêmio, considerado o principal do Oscar. Nem Fernanda Torres, a protagonista do longa, ficou com a estatueta de melhor atriz.

<><> Mais do cinema brasileiro

Outras produções brasileiras brilharam mundo afora.  Dentre elas, destacou-se O Último Azul, filme brasileiro dirigido por Gabriel Mascaro, que conquistou em fevereiro o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim, a segundo maior honraria do evento.

Já o Urso de Ouro, maior prêmio da competição, foi vencido pelo filme norueguês Drommer, de Dag Johan Haugerud. O festival destacou a diversidade do cinema nacional, com 13 produções brasileiras.

Em novembro, foi a vez de O Agente Secreto conquistar as telas, com estreia simultânea em Brasil, Alemanha e Portugal. O filme já foi indicado ao Globo de Ouro 2026, além de ser a aposta do Brasil no próximo Oscar.

<><> Lady Gaga no Rio

Depois da excitação com Ainda Estou Aqui, o Brasil se mobilizou com um histórico show de Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Mais de 2 milhões de pessoas assistiram à cantora, segundo a prefeitura carioca. Foi o maior público da carreira de Lady Gaga, com a presença de pessoas de todas as partes do Brasil.

"Sinto-me sortuda, orgulhosa e profundamente grata. Nesta noite, nós estamos fazendo história", disse a cantora. Os brasileiros esperavam pelos últimos oito anos por uma apresentação sua, depois que ela teve que cancelar sua participação no Rock in Rio de 2017 por problemas de saúde.

<><> Academia Brasileira de Letras

Pela primeira vez em seus 128 anos, a Academia Brasileira de Letras incluiu uma mulher negra entre seus imortais. Ana Maria Gonçalves, autora do romance histórico Um defeito de cor, passou a ocupar uma cadeira na instituição fundada em 1897.

No seu discurso de celebração, ela agradeceu à sua ancestralidade, "fonte inesgotável de conforto, fé, paciência e sabedoria." A escritora disputou a posição com outros 11 intelectuais, tendo obtido 30 de 31 votos.

Também roteirista e dramaturga, a agora imortal levanta debates raciais pelas suas obras. Ela ocupa a cadeira de número 33, antes pertencente ao filólogo Evanildo Bechara.

<><> A volta de gigantes

Após vários anos desde sua última obra, o popular escritor britânico Ken Follett voltou em setembro às livrarias com Círculo dos Dias. O romance épico, ambientado há 4,5 mil anos, gira em torno do enigmático caso de Stonehenge, sobre vidas humanas por trás da construção do icônico monumento neolítico localizado no sul da Inglaterra.

Poucos dias depois, Dan Brown também retornou às livrarias com O Segredo Final. A nova entrega de sua saga mais famosa, protagonizada por Robert Langdon, coloca o especialista em simbologia em uma trama repleta de enigmas e reviravoltas na cidade de Praga.

<><> Roubos a museus

Num dos episódios mais sombrios da sua história, o Museu do Louvre foi assaltado em plena luz do dia. Em 19 de outubro, ladrões encapuzados roubaram oito peças que pertenceram à Coroa francesa, com valor estimado em 88 milhões de euros (cerca de R$ 582 milhões).

O caso colocou a segurança do museu sob forte questionamento, gerando uma crise de imagem. Os itens roubados continuam desaparecidos.

Depois, em dezembro, dois homens roubaram treze obras de arte na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Foram alvo do crime oito gravuras do artista francês Henri Matisse e cinco do pintor brasileiro Candido Portinari.

As gravuras faziam parte de uma exposição iniciada em outubro deste ano e voltada à arte modernista das décadas de 1940 e 1950, uma parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

A Polícia Civil iniciou no mesmo dia as investigações, tendo divulgado o retrato dos dois suspeitos pelo mais recente assalto às instituições culturais de São Paulo. Três suspeitos já foram presos.

<><> Grande Museu do Egito

Após vinte anos de obras e inúmeros atrasos, o Grande Museu Egípcio abriu suas portas em 2025. Trata-se de um enorme complexo de 500 mil metros quadrados que exibe mais de 100 mil peças. Por elas, contam-se 7 mil anos de história, desde o Egito pré-dinástico até o período greco-romano.

O grande destaque da exposição permanente é a coleção completa do faraó Tutancâmon, que inclui mais de 5 mil artefatos recuperados de sua tumba que serão expostos pela primeira vez, além de sua lendária máscara funerária de ouro.

Outro item da coleção é o barco funerário de 42 metros de comprimento e mais de 4 mil anos do faraó Quéops, também conhecido como barco de Khufu, a maior e mais antiga embarcação de madeira encontrada no Egito.

<><> Recordes nos leilões

O Retrato de Elisabeth Lederer, do pintor Gustav Klimt, foi leiloado em Nova York por 236 milhões de dólares (aproximadamente R$ 1,3 trilhão), tornando-se a mais cara obra de arte moderna.

A peça havia sido confiscada pelos nazistas antes de ser recuperada pela família da protagonista, que era cliente do pintor, e finalmente adquirida pelo filho da empresária Estée Lauder na década de 1980.

Já o autorretrato surrealista El Sueño (La cama), da pintora mexicana Frida Kahlo, tornou-se em novembro a obra mais cara de autoria de uma mulher. O quadro foi leiloado por 54,7 milhões de dólares na casa Sotheby's de Nova York.

Kahlo superou assim a americana Georgia O'Keeffe, cuja obra Jimson Weed/White Flower No 1  havia sido vendida em 2014 por 44,4 milhões de dólares.

<><> Despedidas

O ano que se fecha em breve foi de despedidas que tocaram no coração dos brasileiros.

Em 20 de julho, o país perdeu a cantora Preta Gil. Aos 50 anos, ela lutava contra um câncer no intestino ao longo dos dois anos anteriores. A sua morte foi recebida com grande comoção do público e da classe artística.

Morreu também em maio o fotógrafo Sebastião Salgado, conhecido mundialmente por décadas de trabalho sensível em contextos altamente desafiadores.

Outros nomes da cultura brasileira que morreram neste ano incluem Angela Roro, Arlindo Cruz, Bira Presidente, Cacá Diegues, Francisco Cuoco, Hermeto Pascoal, Lô Borges, Luís Fernando Veríssimo e Nana Caymmi, entre outros.

Fora do país, o mundo perdeu, dentre vários nomes mais, o cineasta David Lynch, os atores Udo Kier, Diane Keaton e Robert Redford e o cantor e compositor Ozzy Osbourne.

 

Fonte: DW Brasil

 

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