Os
avanços globais que marcaram os direitos humanos em 2025
Enquanto
2025 foi marcado por retrocessos significativos nos direitos humanos e pela
deterioração de garantias democráticas em todo o mundo, com civis sob grave
risco em zonas de guerra, liberdades ameaçadas e repressão em diversos países,
há também lugares em que avanços pontuais contrariam essa tendência.
Relatórios
de organizações de direitos humanos mostram que em alguns lugares há uma maior
documentação de violações, pressão por responsabilização e mecanismos jurídicos
mais ativos.
A
seguir, confira os avanços que marcaram o ano:
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Casamento para todos
Em
janeiro de 2025, a Tailândia tornou-se o primeiro país do Sudeste Asiático a
permitir o casamento entre casais do mesmo sexo.
Segundo
um levantamento do Pew Research Center, leis semelhantes estão em vigor em
quase 40 países ao redor do mundo. Além da Tailândia, em 2025 o pequeno
principado alpino de Liechtenstein também adotou a medida.
Na
Europa, o Tribunal de Justiça Europeu exigiu em novembro que todos os países do
bloco reconheçam a união entre pessoas do mesmo sexo, a despeito de entraves na
legislação nacional. A medida foi tomada após a rejeição de países como Polônia
em avançar no regulamento.
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Proibição total do casamento infantil
Segundo
a Unesco, até fevereiro de 2025, 54% dos regramentos nacionais ainda permitiam
o casamento infantil, mas diversos países agora caminharam para fechar estas
brechas.
Nesse
levantamento, a Colômbia já não foi incluída, pois consolidou em 2025 as
brechas legais que permitiam o casamento de meninas com menos de 18 anos.
Também na Bolívia foi promulgada, em setembro, uma proibição total do casamento
infantil.
Portugal
e Kuwait também fecharam brechas legais relacionadas ao casamento infantil no
final do ano. Burkina Faso fixou a idade mínima para o casamento em 18 anos,
embora, segundo a ONG Girls Not Brides, não esteja claro se os juízes podem
conceder exceções.
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Expansão da educação gratuita
Em
setembro, 92 países se reuniram pela primeira vez para considerar formalmente
um possível novo tratado internacional para garantir educação gratuita a todas
as crianças, da pré escola ao ensino secundário, diz um relatório da ONG Human
Rights Watch.
Até o
momento, 60 países já prometeram apoiar a proposta. Ao longo do ano, por
exemplo, o governo do Malaui, no sudeste da África, eliminou os cursos
escolares para o ensino secundário e exames finais. Embora as famílias ainda
tenham de arcar com materiais e uniformes escolares, observadores consideram a
decisão como fundamental para ampliar o acesso à educação no país, um dos mais
pobres do mundo.
No
Vietnã, uma medida semelhante já está em vigor desde setembro. No Japão, todas
as taxas do ensino secundário foram abolidas.
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Redução da fome em todo o mundo
De
acordo com um relatório global publicado em julho, o Brasil deixou o Mapa da
Fome após três anos. Os dados refletem a média trienal dos anos de 2022, 2023 e
2024, que colocou o país abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de
desnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.
O
documento Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo também indica que o
número de pessoas que passaram fome em todo o mundo reduziu de 8,5% da
população mundial em 2024 para 8,2% em 2023.
Segundo
o relatório, o percentual e o número de pessoas sem condições de pagar por uma
alimentação saudável diminuíram significativamente na Ásia, América Latina,
Caribe, América do Norte e Europa. No continente africano, porém, a fome é hoje
mais prevalente do que há 20 anos.
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Feminicídio tipificado como crime
Em
novembro, o Parlamento italiano aprovou uma lei que tipifica o feminicídio como
crime autônomo, punido com prisão perpétua. Outros crimes de gênero, como o
assédio e a chamada "pornografia de vingança", também tiveram suas
penas agravadas, com o objetivo de proteger melhor as mulheres no futuro.
Discussão similar acontece na Romênia.
Na
Alemanha, onde o assassinato por violência doméstica ou discriminação à
condição de mulher não é classificado como feminicídio, o parlamento discute o
endurecimento de medidas preventivas.
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Comissão nacional para minorias
No
Paquistão, o Islã é a religião oficial do Estado. Cristãos, hindus, sikhs e
outras comunidades representam uma pequena parcela da população. Perseguições
severas contra minorias são registradas em todo o país.
No
início de dezembro, porém, o Parlamento aprovou a lei que cria a Comissão
Nacional para os Direitos das Minorias, posteriormente sancionada pelo
presidente. "Trata-se de uma comissão para os não muçulmanos". disse
o ministro da Justiça, Azam Nazeer Tarar.
Os
cerca de 18 membros ainda não foram nomeados. A comissão tem o mandato de
representar as minorias em processos legislativos e outros processos políticos.
• Do Oscar a Lady Gaga: os grandes marcos
da cultura em 2025
Do
cinema brasileiro aos artefatos do Egito Antigo, 2025 trouxe diversos frutos
aos amantes da arte e da cultura. No Brasil, o ano ficará marcado na memória
pelo primeiro Oscar levado para casa, depois de uma campanha intensa que
contagiou multidões.
A nível
internacional, também alguns dos escritores mais amados do público voltaram às
livrarias, matando a ansiedade dos fãs, ou estrearam no formato dos romances.
Houve
também perdas, com pelo menos dois museus tendo valiosas obras de arte
roubadas. E de emocionadas despedidas provocadas pela morte de grandes nomes
conhecidos entre os brasileiros ou no mundo todo.
Relembre
uma seleção de acontecimentos que marcaram a cultura neste ano.
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"Ainda Estou Aqui"
Situado
na ditadura militar brasileira, Ainda Estou Aqui ganhou Oscar de melhor filme
internacional em março, um feito inédito para o país. O Brasil havia sido
indicado cinco vezes, incluindo a edição de 2025.
A obra
concorreu com o dinamarquês A Garota da Agulha, o francês Emilia Pérez, o
alemão A Semente do Fruto Sagrado e a obra da Letônia Flow, que venceu por
melhor filme de animação.
Também
indicado a melhor filme, Ainda Estou Aqui não levou o prêmio, considerado o
principal do Oscar. Nem Fernanda Torres, a protagonista do longa, ficou com a
estatueta de melhor atriz.
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Mais do cinema brasileiro
Outras
produções brasileiras brilharam mundo afora.
Dentre elas, destacou-se O Último Azul, filme brasileiro dirigido por
Gabriel Mascaro, que conquistou em fevereiro o Urso de Prata do Grande Prêmio
do Júri no Festival de Berlim, a segundo maior honraria do evento.
Já o
Urso de Ouro, maior prêmio da competição, foi vencido pelo filme norueguês
Drommer, de Dag Johan Haugerud. O festival destacou a diversidade do cinema
nacional, com 13 produções brasileiras.
Em
novembro, foi a vez de O Agente Secreto conquistar as telas, com estreia
simultânea em Brasil, Alemanha e Portugal. O filme já foi indicado ao Globo de
Ouro 2026, além de ser a aposta do Brasil no próximo Oscar.
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Lady Gaga no Rio
Depois
da excitação com Ainda Estou Aqui, o Brasil se mobilizou com um histórico show
de Lady Gaga na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Mais de
2 milhões de pessoas assistiram à cantora, segundo a prefeitura carioca. Foi o
maior público da carreira de Lady Gaga, com a presença de pessoas de todas as
partes do Brasil.
"Sinto-me
sortuda, orgulhosa e profundamente grata. Nesta noite, nós estamos fazendo
história", disse a cantora. Os brasileiros esperavam pelos últimos oito
anos por uma apresentação sua, depois que ela teve que cancelar sua
participação no Rock in Rio de 2017 por problemas de saúde.
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Academia Brasileira de Letras
Pela
primeira vez em seus 128 anos, a Academia Brasileira de Letras incluiu uma
mulher negra entre seus imortais. Ana Maria Gonçalves, autora do romance
histórico Um defeito de cor, passou a ocupar uma cadeira na instituição fundada
em 1897.
No seu
discurso de celebração, ela agradeceu à sua ancestralidade, "fonte
inesgotável de conforto, fé, paciência e sabedoria." A escritora disputou
a posição com outros 11 intelectuais, tendo obtido 30 de 31 votos.
Também
roteirista e dramaturga, a agora imortal levanta debates raciais pelas suas
obras. Ela ocupa a cadeira de número 33, antes pertencente ao filólogo Evanildo
Bechara.
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A volta de gigantes
Após
vários anos desde sua última obra, o popular escritor britânico Ken Follett
voltou em setembro às livrarias com Círculo dos Dias. O romance épico,
ambientado há 4,5 mil anos, gira em torno do enigmático caso de Stonehenge,
sobre vidas humanas por trás da construção do icônico monumento neolítico
localizado no sul da Inglaterra.
Poucos
dias depois, Dan Brown também retornou às livrarias com O Segredo Final. A nova
entrega de sua saga mais famosa, protagonizada por Robert Langdon, coloca o
especialista em simbologia em uma trama repleta de enigmas e reviravoltas na
cidade de Praga.
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Roubos a museus
Num dos
episódios mais sombrios da sua história, o Museu do Louvre foi assaltado em
plena luz do dia. Em 19 de outubro, ladrões encapuzados roubaram oito peças que
pertenceram à Coroa francesa, com valor estimado em 88 milhões de euros (cerca
de R$ 582 milhões).
O caso
colocou a segurança do museu sob forte questionamento, gerando uma crise de
imagem. Os itens roubados continuam desaparecidos.
Depois,
em dezembro, dois homens roubaram treze obras de arte na Biblioteca Mário de
Andrade, em São Paulo. Foram alvo do crime oito gravuras do artista francês
Henri Matisse e cinco do pintor brasileiro Candido Portinari.
As
gravuras faziam parte de uma exposição iniciada em outubro deste ano e voltada
à arte modernista das décadas de 1940 e 1950, uma parceria com o Museu de Arte
Moderna de São Paulo (MAM).
A
Polícia Civil iniciou no mesmo dia as investigações, tendo divulgado o retrato
dos dois suspeitos pelo mais recente assalto às instituições culturais de São
Paulo. Três suspeitos já foram presos.
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Grande Museu do Egito
Após
vinte anos de obras e inúmeros atrasos, o Grande Museu Egípcio abriu suas
portas em 2025. Trata-se de um enorme complexo de 500 mil metros quadrados que
exibe mais de 100 mil peças. Por elas, contam-se 7 mil anos de história, desde
o Egito pré-dinástico até o período greco-romano.
O
grande destaque da exposição permanente é a coleção completa do faraó
Tutancâmon, que inclui mais de 5 mil artefatos recuperados de sua tumba que
serão expostos pela primeira vez, além de sua lendária máscara funerária de
ouro.
Outro
item da coleção é o barco funerário de 42 metros de comprimento e mais de 4 mil
anos do faraó Quéops, também conhecido como barco de Khufu, a maior e mais
antiga embarcação de madeira encontrada no Egito.
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Recordes nos leilões
O
Retrato de Elisabeth Lederer, do pintor Gustav Klimt, foi leiloado em Nova York
por 236 milhões de dólares (aproximadamente R$ 1,3 trilhão), tornando-se a mais
cara obra de arte moderna.
A peça
havia sido confiscada pelos nazistas antes de ser recuperada pela família da
protagonista, que era cliente do pintor, e finalmente adquirida pelo filho da
empresária Estée Lauder na década de 1980.
Já o
autorretrato surrealista El Sueño (La cama), da pintora mexicana Frida Kahlo,
tornou-se em novembro a obra mais cara de autoria de uma mulher. O quadro foi
leiloado por 54,7 milhões de dólares na casa Sotheby's de Nova York.
Kahlo
superou assim a americana Georgia O'Keeffe, cuja obra Jimson Weed/White Flower
No 1 havia sido vendida em 2014 por 44,4
milhões de dólares.
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Despedidas
O ano
que se fecha em breve foi de despedidas que tocaram no coração dos brasileiros.
Em 20
de julho, o país perdeu a cantora Preta Gil. Aos 50 anos, ela lutava contra um
câncer no intestino ao longo dos dois anos anteriores. A sua morte foi recebida
com grande comoção do público e da classe artística.
Morreu
também em maio o fotógrafo Sebastião Salgado, conhecido mundialmente por
décadas de trabalho sensível em contextos altamente desafiadores.
Outros
nomes da cultura brasileira que morreram neste ano incluem Angela Roro, Arlindo
Cruz, Bira Presidente, Cacá Diegues, Francisco Cuoco, Hermeto Pascoal, Lô
Borges, Luís Fernando Veríssimo e Nana Caymmi, entre outros.
Fora do
país, o mundo perdeu, dentre vários nomes mais, o cineasta David Lynch, os
atores Udo Kier, Diane Keaton e Robert Redford e o cantor e compositor Ozzy
Osbourne.
Fonte:
DW Brasil

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