quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Paulo Schultz: Quem é mesmo anti-sistema?

Quem é mesmo anti-sistema?

A extrema direita é anti-sistema (capitalista neoliberal), ou a esquerda é quem deve ser protagonista nesta função?

Pelo discurso e pela postura ofensiva , quem hoje parece ser anti-sistema é a extrema direita.

Eles próprios se auto denominam como anti-sistema.

Faz parte do conteúdo da sua narrativa.

Contudo, sabemos, na crua verdade, a extrema direita é o aprofundamento do sistema .

É a colocação do sistema capitalista em um patamar sem filtro e sem culpa.

É a radicalização máxima do individualismo, sem o menor senso de empatia, solidariedade ou até mesmo humanidade entre as pessoas.

É o uso predador e destrutivo do meio ambiente sem qualquer remorso.

É a colocação do mérito individual como um pilar a ser seguido e do super enriquecimento como algo a ser venerado e intocado.

É a desproteção total do trabalhador em favor da acumulação e do lucro do capital.

Para perceber como é assim, basta ver o posicionamento da extrema direita bolsonarista nos projetos e votações que acontecem no Congresso.

São contra políticas públicas sociais, contra taxação de super ricos, a favor de afrouxamento ou liberação geral nas leis de proteção ambiental....e nesta linha de posição a favor do capital sempre seguem. É explícito.

Mas, então, porque na conjuntura atual parece que esta gente torpe é anti-sistema, e não a esquerda, que é quem de fato deve ser, e assim deve ser vista ?

A esquerda perde sua condição essencial de anti-sistema quando, estando no governo, ou estando nas disputas pelo governo, minimiza ou suprime a radicalização do seu discurso, de suas propostas e suas ações.

De forma a se posicionar ela mesma ( e assim ser percebida na ótica da população), como sendo apenas uma melhor gerenciadora do modelo econômico e social capitalista.

A esquerda perde sua essência de ser rompimento e superação do sistema capitalista quando se dispõe apenas a governar mitigando os efeitos e as mazelas produzidas pelo capitalismo, principalmente pelo receituário neoliberal.

Quando a população não vislumbra mais na esquerda a opção concreta de rompimento com o sistema que explora, subjuga e empobrece, abre-se o caminho para que a extrema direita, com a radicalização discursiva, seja vista como perspectiva de rompimento.

Vimos isso na recente derrota da esquerda chilena para um candidato de extrema direita na eleição presidencial.

Foi a resposta da maioria da população chilena, causada pela frustração com os resultados do governo de Boric, o qual foi absolutamente tímido em suas ações para superar as mazelas econômicas e sociais da sociedade chilena.

A esquerda jamais deve dosar o seu discurso e suas propostas porque, ao fazer isso, perde sua essência, e, perde aquilo que é caríssimo em se tratando de política: perde o símbolo de ser percebida como instrumento de esperança e transformação.

A esquerda deixando de ter esse símbolo para si, ele é oportunamente capturado pela extrema direita.

No Brasil de 2026, é necessário que o Governo Lula e que o conjunto dos partidos de esquerda tenham a perspectiva nítida à sua frente: estar na ofensiva de propor pautas que rompam com o modelo de exploração capitalista.

 O fim da escala de trabalho 6x1 é um elemento chave nesta direção.

Isto confronta o sistema, porque toca no âmago da acumulação de riqueza e da exploração das pessoas em função desta acumulação.

É uma disputa duríssima a ser feita, especialmente pela correlação de forças amplamente desfavorável no Congresso, e pelo grau de acirramento social que acontece pela pesada força militante dos milhões de adeptos do bolsonarismo no país.

Mas é uma disputa prática e simbólica vital para o governo e o conjunto da esquerda.

Esta disputa, somada a outras pautas de confronto ao capital, além da própria continuidade das ações do Governo Lula, formarão a plataforma por onde caminharemos para vencer a eleição do ano que vem, e continuar fazendo as transformações necessárias para a maioria da população do país.

Para concluir, é preciso que se tenha no horizonte que, no próximo Governo Lula, será preciso ousar muito mais.

Cavocar mais fundo nas transformações.

Não apenas mitigar os efeitos do capitalismo, mas ousar superá-los.

Na política, quem detém o símbolo de ser esperança e transformação, tem um trunfo enorme.

Conquistar este símbolo e o manter é tarefa do conjunto da esquerda, tanto no governo , quanto na militância social.

Que não nos falte ousadia e coragem.

•        Não haverá paz para irmãos, filhos, mulheres, tias e primos de Lula, Moraes e Dino em 2026. Por Moisés Mendes

Um influencer fascista pregou essa semana nas redes sociais que é preciso agir logo e pegar a filha de Alexandre de Moraes. Esse sujeito só é diferente dos jornalões por ser mais autêntico, sincero e explícito.

O fascista não esconde que seu objetivo é ver "a filha cair" para pegar Moraes. Joguem fora das quatro linhas e cerquem a filha do ministro. Os jornalões tentam pegar e inviabilizar a vida do irmão e do filho de Lula, como se eles fossem o troféu, porque não podem dizer que o alvo é Lula.

Moraes já está sabendo que não terá folga em 2026. O Globo não conseguiu as provas da acusação de Malu Gaspar contra o ministro, mas isso pouco ou nada significa para o jornalismo que disputa o prêmio pela sua cabeça.

Não vão deixar Moraes em paz. É a tática das facções da grande mídia já usada contra Lula. O triplex de dona Marisa Letícia, os pedalinhos dos netos de Lula no sítio de Atibaia, os atrevimentos de Janja, a ex-mulher de Toffoli, a mulher de Alexandre de Moraes, o irmão do Lula, o filho de Lula.

Gangues, quadrilhas, facções cercam os parentes para que possam chegar a quem deve ser caçado. Os que se fazem de desentendidos dirão que os filhos de Bolsonaro também são alvos da imprensa e do sistema de Justiça.

Ora, os filhos do presidiário são figuras públicas, todos com mandatos. Ocupam cargos públicos, desfrutam de dinheiro público e têm exposição pública. São investigados por acusações em muitas frentes e alguns deles já deveriam estar presos.

Todos estão impunes, apesar das rachadinhas, dos 50 imóveis comprados com dinheiro vivo, da fantástica franquia de chocolate, das fábricas de fake news, das relações com milicianos, das milícias digitais que funcionavam no Planalto e das ameaças de golpe.

Mas os filhos de Bolsonaro estão fora de pauta. Vão caçar Moraes e Lula em 2026 e prestar serviço indireto aos derrotados de 2022. Vão retomar, como já está acontecendo, as pautas do arcabouço fiscal, da dívida pública bruta, do ‘rombo’ nas estatais e dos parentes deles.

É dureza a vida do jornalismo lavajatista, com o PIB crescendo mais do que o previsto, a inflação sob controle, o nível recorde de emprego, a reversão de parte do tarifaço de Trump e com 69% da população otimista quanto aos planos pessoais para 2026, como mostrou o Datafolha.

O jornalismo das corporações, que se dedica a investigar parentes, foi incapaz de acrescentar uma informação relevante, uma só, ao que recebeu de graça dos investigadores e julgadores do golpe.

Não há uma reportagem média, que não precisaria ser espetacular, sobre o golpe fracassado. A cobertura do 8 de janeiro foi precária. A imprensa do colunismo de intrigas não se dedicou à pauta oferecida pelos que planejaram assassinar Lula.

O jornalismo brasileiro da grande imprensa foi incapaz de tentar contar, fora do que leu no inquérito e todo mundo sabia, o que era e por que falhou o plano para eliminar Lula, Alckmin e Moraes.

Um plano inédito, arquitetado dentro do governo pelo general Mario Fernandes, só se tornou público em detalhes porque as informações foram expostas pelas investigações e pelo julgamento no STF.

Mas o jornalismo preguiçoso das fontes ocultas quer saber tudo dos parentes de Lula e Moraes, porque é assim que funciona o botão do último recurso, quando todos os outros já não respondem: é preciso chegar aos alvos pelas bordas dos familiares.

Flávio Dino está na fila. Gabriel Galípolo é um dos próximos. A velha direita e o novo fascismo se agrupam e se misturam, e as corporações de mídia se integram a esses aglomerados, porque é preciso inviabilizar Lula e conter Moraes.

O influencer que tocou o apito para que a cachorrada cerque a filha de Moraes não é uma excrescência fora da curva do fascismo nesse ambiente, nem uma anormalidade dentro do padrão de comportamento das facções extremistas.

É uma figura já aceita pela direita pelos serviços que presta. Serve para que se compreenda o estágio do novo lavajatismo, em que os interesses da Faria Lima, das milícias, do antigo conservadorismo dos 300 picaretas, das corporações de mídia e do fascismo em crise são quase os mesmos, com diferenças em detalhes sobre a forma de agir.

O arcabouço moral deles todos é o mesmo. A grande imprensa não se constrange em fazer o jogo da extrema direita fracassada, no desatino para encontrar alguém que possa enfrentar Lula.

Repete-se o que aconteceu em 2018. Mesmo que não queira, o lavajatistas dos jornalões trabalham para o bolsonarismo e para tornar 2026 uma versão aperfeiçoada do inferno de 10 anos atrás.

•        Influenciador bolsonarista incita crime contra filha de Moraes.  Por Ricardo Nêggo Tom

O influenciador bolsonarista Alex Oliveira, dono do perfil @respeitaoalex, que tem mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, postou um vídeo no qual sugere que os bolsonaristas ajam “fora das 4 linhas” e ataquem a filha do ministro Alexandre de Moraes, Giuliana Barci de Moraes, a quem ele classifica como o “calcanhar de Aquiles” do magistrado. Alex, que também se apresenta como coach, aparece sentado à beira de uma piscina e dando dicas sobre como derrubar Moraes e devolver o país ao bolsonarismo.

O influencer chama Moraes de “cabeça de ovo, e o acusa de manipular o jogo político no país contando com o apoio da familia Moreira Salles, dona do banco Itaú, e que, segundo ele, vende o nióbio brasileiro para os EUA. Citando o suposto contrato de R$ 129 milhões entre a esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e o banco Master, o bolsonarista diz que “ninguém vai tirar Moraes do poder, se continuarem jogando dentro das 4 linhas”, insinuando uma nova tentativa de golpe ou alguma espécie de rebelião bolsonarista para atingir o seu intento. 

Manipulando cartas de baralho enquanto fala, Alex Oliveira explica que “para derrubar a família Moreira Salles tem que como começar pelo banco Itaú, e para derrubar o Moraes tem que ir pela filha dele” Usando de um tom tanto irônico como ameaçador, o influenciador acrescenta: “o que deixaria um pai mais fora de controle do que ver a própria filha cair?”, sugerindo alguma ação violenta ou fora da lei contra a filha do ministro, para atingi-lo diretamente. Alex encerra o vídeo dizendo que “as cartas estão na mesa”, como se estivesse acabado de ensinar aos bolsonaristas o caminho das pedras para destruir o principal opositor do seu projeto de poder golpista.

O vídeo tem 157 mil curtidas e mais de 4 mil comentários, mostrando um grande e perigoso alcance para um conteúdo que estimula a violência contra a filha de um ministro da suprema corte. Ousado e mostrando despreocupação com as consequências de sua postagem, o influenciador ainda marca os perfis do presidente Lula, do ministro Flávio Dino e do Senado Federal nos comentários. O analista geopolítico Vinicios Betiol compartilhou o vídeo no seu perfil do “X” e chamou a atenção para o teor da publicação, considerando criminosa a incitação feita à parte da população brasileira para que se cometa algum crime contra Moraes e sua família.

 

Fonte: Brasil 247

 

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