Paulo
Schultz: Quem é mesmo anti-sistema?
Quem é
mesmo anti-sistema?
A
extrema direita é anti-sistema (capitalista neoliberal), ou a esquerda é quem
deve ser protagonista nesta função?
Pelo
discurso e pela postura ofensiva , quem hoje parece ser anti-sistema é a
extrema direita.
Eles
próprios se auto denominam como anti-sistema.
Faz
parte do conteúdo da sua narrativa.
Contudo,
sabemos, na crua verdade, a extrema direita é o aprofundamento do sistema .
É a
colocação do sistema capitalista em um patamar sem filtro e sem culpa.
É a
radicalização máxima do individualismo, sem o menor senso de empatia,
solidariedade ou até mesmo humanidade entre as pessoas.
É o uso
predador e destrutivo do meio ambiente sem qualquer remorso.
É a
colocação do mérito individual como um pilar a ser seguido e do super
enriquecimento como algo a ser venerado e intocado.
É a
desproteção total do trabalhador em favor da acumulação e do lucro do capital.
Para
perceber como é assim, basta ver o posicionamento da extrema direita
bolsonarista nos projetos e votações que acontecem no Congresso.
São
contra políticas públicas sociais, contra taxação de super ricos, a favor de
afrouxamento ou liberação geral nas leis de proteção ambiental....e nesta linha
de posição a favor do capital sempre seguem. É explícito.
Mas,
então, porque na conjuntura atual parece que esta gente torpe é anti-sistema, e
não a esquerda, que é quem de fato deve ser, e assim deve ser vista ?
A
esquerda perde sua condição essencial de anti-sistema quando, estando no
governo, ou estando nas disputas pelo governo, minimiza ou suprime a
radicalização do seu discurso, de suas propostas e suas ações.
De
forma a se posicionar ela mesma ( e assim ser percebida na ótica da população),
como sendo apenas uma melhor gerenciadora do modelo econômico e social
capitalista.
A
esquerda perde sua essência de ser rompimento e superação do sistema
capitalista quando se dispõe apenas a governar mitigando os efeitos e as
mazelas produzidas pelo capitalismo, principalmente pelo receituário
neoliberal.
Quando
a população não vislumbra mais na esquerda a opção concreta de rompimento com o
sistema que explora, subjuga e empobrece, abre-se o caminho para que a extrema
direita, com a radicalização discursiva, seja vista como perspectiva de
rompimento.
Vimos
isso na recente derrota da esquerda chilena para um candidato de extrema
direita na eleição presidencial.
Foi a
resposta da maioria da população chilena, causada pela frustração com os
resultados do governo de Boric, o qual foi absolutamente tímido em suas ações
para superar as mazelas econômicas e sociais da sociedade chilena.
A
esquerda jamais deve dosar o seu discurso e suas propostas porque, ao fazer
isso, perde sua essência, e, perde aquilo que é caríssimo em se tratando de
política: perde o símbolo de ser percebida como instrumento de esperança e
transformação.
A
esquerda deixando de ter esse símbolo para si, ele é oportunamente capturado
pela extrema direita.
No
Brasil de 2026, é necessário que o Governo Lula e que o conjunto dos partidos
de esquerda tenham a perspectiva nítida à sua frente: estar na ofensiva de
propor pautas que rompam com o modelo de exploração capitalista.
O fim da escala de trabalho 6x1 é um elemento
chave nesta direção.
Isto
confronta o sistema, porque toca no âmago da acumulação de riqueza e da
exploração das pessoas em função desta acumulação.
É uma
disputa duríssima a ser feita, especialmente pela correlação de forças
amplamente desfavorável no Congresso, e pelo grau de acirramento social que
acontece pela pesada força militante dos milhões de adeptos do bolsonarismo no
país.
Mas é
uma disputa prática e simbólica vital para o governo e o conjunto da esquerda.
Esta
disputa, somada a outras pautas de confronto ao capital, além da própria
continuidade das ações do Governo Lula, formarão a plataforma por onde
caminharemos para vencer a eleição do ano que vem, e continuar fazendo as
transformações necessárias para a maioria da população do país.
Para
concluir, é preciso que se tenha no horizonte que, no próximo Governo Lula,
será preciso ousar muito mais.
Cavocar
mais fundo nas transformações.
Não
apenas mitigar os efeitos do capitalismo, mas ousar superá-los.
Na
política, quem detém o símbolo de ser esperança e transformação, tem um trunfo
enorme.
Conquistar
este símbolo e o manter é tarefa do conjunto da esquerda, tanto no governo ,
quanto na militância social.
Que não
nos falte ousadia e coragem.
• Não haverá paz para irmãos, filhos,
mulheres, tias e primos de Lula, Moraes e Dino em 2026. Por Moisés Mendes
Um
influencer fascista pregou essa semana nas redes sociais que é preciso agir
logo e pegar a filha de Alexandre de Moraes. Esse sujeito só é diferente dos
jornalões por ser mais autêntico, sincero e explícito.
O
fascista não esconde que seu objetivo é ver "a filha cair" para pegar
Moraes. Joguem fora das quatro linhas e cerquem a filha do ministro. Os
jornalões tentam pegar e inviabilizar a vida do irmão e do filho de Lula, como
se eles fossem o troféu, porque não podem dizer que o alvo é Lula.
Moraes
já está sabendo que não terá folga em 2026. O Globo não conseguiu as provas da
acusação de Malu Gaspar contra o ministro, mas isso pouco ou nada significa
para o jornalismo que disputa o prêmio pela sua cabeça.
Não vão
deixar Moraes em paz. É a tática das facções da grande mídia já usada contra
Lula. O triplex de dona Marisa Letícia, os pedalinhos dos netos de Lula no
sítio de Atibaia, os atrevimentos de Janja, a ex-mulher de Toffoli, a mulher de
Alexandre de Moraes, o irmão do Lula, o filho de Lula.
Gangues,
quadrilhas, facções cercam os parentes para que possam chegar a quem deve ser
caçado. Os que se fazem de desentendidos dirão que os filhos de Bolsonaro
também são alvos da imprensa e do sistema de Justiça.
Ora, os
filhos do presidiário são figuras públicas, todos com mandatos. Ocupam cargos
públicos, desfrutam de dinheiro público e têm exposição pública. São
investigados por acusações em muitas frentes e alguns deles já deveriam estar
presos.
Todos
estão impunes, apesar das rachadinhas, dos 50 imóveis comprados com dinheiro
vivo, da fantástica franquia de chocolate, das fábricas de fake news, das
relações com milicianos, das milícias digitais que funcionavam no Planalto e
das ameaças de golpe.
Mas os
filhos de Bolsonaro estão fora de pauta. Vão caçar Moraes e Lula em 2026 e
prestar serviço indireto aos derrotados de 2022. Vão retomar, como já está
acontecendo, as pautas do arcabouço fiscal, da dívida pública bruta, do ‘rombo’
nas estatais e dos parentes deles.
É
dureza a vida do jornalismo lavajatista, com o PIB crescendo mais do que o
previsto, a inflação sob controle, o nível recorde de emprego, a reversão de
parte do tarifaço de Trump e com 69% da população otimista quanto aos planos
pessoais para 2026, como mostrou o Datafolha.
O
jornalismo das corporações, que se dedica a investigar parentes, foi incapaz de
acrescentar uma informação relevante, uma só, ao que recebeu de graça dos
investigadores e julgadores do golpe.
Não há
uma reportagem média, que não precisaria ser espetacular, sobre o golpe
fracassado. A cobertura do 8 de janeiro foi precária. A imprensa do colunismo
de intrigas não se dedicou à pauta oferecida pelos que planejaram assassinar
Lula.
O
jornalismo brasileiro da grande imprensa foi incapaz de tentar contar, fora do
que leu no inquérito e todo mundo sabia, o que era e por que falhou o plano
para eliminar Lula, Alckmin e Moraes.
Um
plano inédito, arquitetado dentro do governo pelo general Mario Fernandes, só
se tornou público em detalhes porque as informações foram expostas pelas
investigações e pelo julgamento no STF.
Mas o
jornalismo preguiçoso das fontes ocultas quer saber tudo dos parentes de Lula e
Moraes, porque é assim que funciona o botão do último recurso, quando todos os
outros já não respondem: é preciso chegar aos alvos pelas bordas dos
familiares.
Flávio
Dino está na fila. Gabriel Galípolo é um dos próximos. A velha direita e o novo
fascismo se agrupam e se misturam, e as corporações de mídia se integram a
esses aglomerados, porque é preciso inviabilizar Lula e conter Moraes.
O
influencer que tocou o apito para que a cachorrada cerque a filha de Moraes não
é uma excrescência fora da curva do fascismo nesse ambiente, nem uma
anormalidade dentro do padrão de comportamento das facções extremistas.
É uma
figura já aceita pela direita pelos serviços que presta. Serve para que se
compreenda o estágio do novo lavajatismo, em que os interesses da Faria Lima,
das milícias, do antigo conservadorismo dos 300 picaretas, das corporações de
mídia e do fascismo em crise são quase os mesmos, com diferenças em detalhes
sobre a forma de agir.
O
arcabouço moral deles todos é o mesmo. A grande imprensa não se constrange em
fazer o jogo da extrema direita fracassada, no desatino para encontrar alguém
que possa enfrentar Lula.
Repete-se
o que aconteceu em 2018. Mesmo que não queira, o lavajatistas dos jornalões
trabalham para o bolsonarismo e para tornar 2026 uma versão aperfeiçoada do
inferno de 10 anos atrás.
• Influenciador bolsonarista incita crime
contra filha de Moraes. Por Ricardo
Nêggo Tom
O
influenciador bolsonarista Alex Oliveira, dono do perfil @respeitaoalex, que
tem mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, postou um vídeo no qual
sugere que os bolsonaristas ajam “fora das 4 linhas” e ataquem a filha do
ministro Alexandre de Moraes, Giuliana Barci de Moraes, a quem ele classifica
como o “calcanhar de Aquiles” do magistrado. Alex, que também se apresenta como
coach, aparece sentado à beira de uma piscina e dando dicas sobre como derrubar
Moraes e devolver o país ao bolsonarismo.
O
influencer chama Moraes de “cabeça de ovo, e o acusa de manipular o jogo
político no país contando com o apoio da familia Moreira Salles, dona do banco
Itaú, e que, segundo ele, vende o nióbio brasileiro para os EUA. Citando o
suposto contrato de R$ 129 milhões entre a esposa de Alexandre de Moraes,
Viviane Barci de Moraes, e o banco Master, o bolsonarista diz que “ninguém vai
tirar Moraes do poder, se continuarem jogando dentro das 4 linhas”, insinuando
uma nova tentativa de golpe ou alguma espécie de rebelião bolsonarista para
atingir o seu intento.
Manipulando
cartas de baralho enquanto fala, Alex Oliveira explica que “para derrubar a
família Moreira Salles tem que como começar pelo banco Itaú, e para derrubar o
Moraes tem que ir pela filha dele” Usando de um tom tanto irônico como
ameaçador, o influenciador acrescenta: “o que deixaria um pai mais fora de
controle do que ver a própria filha cair?”, sugerindo alguma ação violenta ou
fora da lei contra a filha do ministro, para atingi-lo diretamente. Alex
encerra o vídeo dizendo que “as cartas estão na mesa”, como se estivesse
acabado de ensinar aos bolsonaristas o caminho das pedras para destruir o
principal opositor do seu projeto de poder golpista.
O vídeo
tem 157 mil curtidas e mais de 4 mil comentários, mostrando um grande e
perigoso alcance para um conteúdo que estimula a violência contra a filha de um
ministro da suprema corte. Ousado e mostrando despreocupação com as
consequências de sua postagem, o influenciador ainda marca os perfis do
presidente Lula, do ministro Flávio Dino e do Senado Federal nos comentários. O
analista geopolítico Vinicios Betiol compartilhou o vídeo no seu perfil do “X”
e chamou a atenção para o teor da publicação, considerando criminosa a
incitação feita à parte da população brasileira para que se cometa algum crime
contra Moraes e sua família.
Fonte:
Brasil 247

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