Se
o diabetes está no sangue, por que ele afeta olhos, rins, pés e coração?
Quando
se descobre que o diabetes afeta outros órgãos, é comum surgir a dúvida sobre
como a glicose alta circula pelo corpo e provoca complicações silenciosas ao
longo do tempo. Mesmo sem sintomas aparentes, esse processo pode comprometer
olhos, rins, pés e coração, especialmente quando o controle glicêmico não é
adequado.
Nesse
contexto, especialistas explicam que o diabetes não tratado ou mal controlado
pode provocar danos progressivos em vasos sanguíneos de diferentes calibres,
comprometendo órgãos essenciais para a qualidade de vida.
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O papel da glicose alta na circulação do corpo inteiro
A
glicose circula por todo o organismo através do sangue. No entanto, quando
permanece elevada por longos períodos, ela passa a agredir a parede dos vasos
sanguíneos, tanto os pequenos quanto os grandes.
Segundo
a endocrinologista Dra. Mônica Gabbay, médica endocrinologista pediátrica da
Escola Paulista de Medicina (Unifesp), esse processo acontece de forma gradual.
“Imagine
um cano por onde passa água todos os dias. Se, aos poucos, você jogar gordura
nesse cano, ele vai entupir. A glicose alta faz algo semelhante com os vasos”,
explica.
Portanto,
o excesso de glicose não fica restrito ao sangue. Ele percorre todo o corpo e
interfere diretamente no funcionamento dos órgãos que dependem de boa
circulação.
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Por que olhos, rins e pés costumam ser os primeiros afetados
Os
olhos, os rins e os pés possuem uma grande quantidade de vasos sanguíneos
pequenos. Por isso, são considerados órgãos-alvo das chamadas complicações
microvasculares do diabetes.
Nos
olhos, o dano pode levar à retinopatia diabética, que compromete a visão de
forma progressiva. Nos rins, o excesso de glicose pode prejudicar a filtragem
do sangue, evoluindo para insuficiência renal. Já nos pés, a circulação
reduzida e a perda de sensibilidade aumentam o risco de feridas que demoram a
cicatrizar.
A
nutricionista Tarcila de Campos, mestre em diabetes e educadora em saúde,
reforça que essas complicações não surgem de um dia para o outro.
“Elas
são resultado de anos de glicemia elevada, muitas vezes sem sintomas claros.
Por isso, o cuidado diário faz toda a diferença”, afirma.
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Quando o diabetes também compromete o coração e o cérebro
Além
dos pequenos vasos, o diabetes também pode afetar vasos maiores, responsáveis
por irrigar o coração e o cérebro. Essas são as chamadas complicações
macrovasculares.
Nesse
cenário, o risco de infarto e AVC aumenta, especialmente quando o diabetes se
associa a outros fatores, como pressão alta, colesterol elevado, excesso de
peso e sedentarismo.
Ainda
assim, é importante destacar que o problema não está apenas na glicose
isoladamente. “Cuidar do diabetes vai além do açúcar no sangue. É preciso olhar
pressão, colesterol e estilo de vida como um conjunto”, explica Dra. Mônica.
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Por que muitas complicações surgem sem dor ou aviso
Um dos
aspectos mais perigosos do diabetes mal controlado é o seu caráter silencioso.
Muitas pessoas não sentem dor nem percebem sinais claros enquanto os vasos
estão sendo danificados.
No caso
dos pés, por exemplo, a perda de sensibilidade pode fazer com que pequenas
lesões passem despercebidas. Com o tempo, isso pode evoluir para infecções
graves e, em situações extremas, amputações.
Por
outro lado, quando o controle glicêmico é feito de forma adequada, o risco
dessas complicações cai de maneira significativa. Portanto, monitorar a
glicose, realizar exames de rotina e manter acompanhamento médico regular são
medidas essenciais.
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O que realmente ajuda a prevenir essas complicações
A boa
notícia é que o avanço do tratamento e da educação em diabetes reduziu
consideravelmente a incidência de complicações ao longo das últimas décadas.
Além do
controle da glicose, especialistas destacam a importância de:
• acompanhamento regular com a equipe de
saúde
• exames periódicos de olhos, rins e pés
• controle da pressão arterial e do
colesterol
• alimentação equilibrada e atividade
física possível dentro da rotina
Nesse
contexto, a prevenção não depende de perfeição, mas de constância. “O cuidado
diário evita que o excesso de glicose cause danos cumulativos ao longo dos
anos”, resume Tarcila.
• Nutricionista viraliza ao mostrar
diferença da glicose no sangue antes e depois de lavar as mãos
Um
gesto simples, feito todos os dias por quem convive com diabetes, virou assunto
nas redes sociais. Um nutricionista viralizou ao mostrar, na prática, como a
glicemia capilar pode variar drasticamente quando o teste é feito sem a
higienização correta das mãos.
No
vídeo, ele mede a glicose logo após manusear um alimento doce e registra um
valor extremamente elevado. Em seguida, repete o teste após limpar o dedo com
álcool e, por fim, depois de lavar as mãos com água e sabão. A diferença entre
os resultados chama atenção e levanta um alerta importante para quem faz o
teste da ponta do dedo diariamente.
Nesse
contexto, especialistas explicam por que isso acontece e qual é a forma mais
confiável de medir a glicemia.
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O que o vídeo mostra e por que ele chamou tanta atenção
Na
primeira medição, feita com a mão ainda “suja” após cortar um alimento doce, o
valor registrado foi de 438 mg/dL. O número surpreende porque não houve
ingestão de açúcar, apenas contato com o alimento.
Depois
disso, o nutricionista higienizou o dedo com álcool e realizou uma nova
medição. O resultado caiu para 108 mg/dL, mas ainda assim não representava,
necessariamente, a glicemia real.
Somente
após lavar as mãos com água e sabão, secar bem e repetir o teste, o valor
chegou a 96 mg/dL, considerado muito mais fiel.
O vídeo
viralizou justamente por mostrar, de forma visual e didática, algo que
especialistas já alertam há anos, mas que nem sempre é seguido na prática.
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Por que resíduos nos dedos alteram a glicemia capilar
A
glicemia capilar mede a concentração de glicose presente no sangue. No entanto,
quando há resíduos de alimentos, especialmente açúcares, na ponta do dedo,
esses restos podem contaminar a gota de sangue.
Segundo
a enfermeira e educadora em diabetes Gisele Filgueiras, isso é mais comum do
que parece.
“Atividades
simples, como cortar um alimento, mexer no celular ou tocar superfícies, podem
deixar resíduos invisíveis nos dedos. Esses resíduos interferem diretamente na
leitura da tira reagente”, explica.
Como
resultado, o aparelho pode registrar valores falsamente elevados, levando a
interpretações equivocadas.
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Por que álcool gel não é a melhor opção antes do teste
No
vídeo, o nutricionista também mostra que o álcool ajuda, mas não resolve
completamente. Isso ocorre porque o álcool gel não evapora totalmente e deixa
resíduos na pele.
De
acordo com Gisele Filgueiras, esses componentes podem formar uma película
invisível no dedo.
“O
álcool gel contém glicerina e emolientes. Mesmo após secar, essa camada pode
diluir a gota de sangue ou interferir na reação química da tira”, alerta.
Portanto,
mesmo quando o valor cai após o uso do álcool gel, ainda existe risco de erro.
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Qual é a forma correta de medir a glicemia capilar
As
recomendações de educadores em diabetes e diretrizes clínicas são claras.
# Lavar
as mãos com água e sabãoSecar bem antes da punção
#
Realizar a medição normalmente
Esse
método remove resíduos de açúcar, gordura e outras substâncias sem interferir
na amostra de sangue.
Quando
não for possível lavar as mãos, o álcool líquido 70% pode ser usado como
alternativa, desde que o dedo esteja completamente seco e a primeira gota de
sangue seja descartada.
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Um alerta importante para quem ajusta tratamento diariamente
Na
rotina de quem vive com diabetes, decisões como aplicar insulina, corrigir a
glicemia ou ajustar a alimentação muitas vezes são baseadas naquele número do
glicosímetro.
Por
isso, uma medição incorreta pode gerar correções desnecessárias, risco de
hipoglicemia ou sensação de descontrole injustificada.
O vídeo
viral mostra, de forma simples, que nem sempre o problema está no corpo, mas no
modo como a medição é feita.
Fonte:
Um Diabético.com

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