sábado, 17 de janeiro de 2026

Se o diabetes está no sangue, por que ele afeta olhos, rins, pés e coração?

Quando se descobre que o diabetes afeta outros órgãos, é comum surgir a dúvida sobre como a glicose alta circula pelo corpo e provoca complicações silenciosas ao longo do tempo. Mesmo sem sintomas aparentes, esse processo pode comprometer olhos, rins, pés e coração, especialmente quando o controle glicêmico não é adequado.

Nesse contexto, especialistas explicam que o diabetes não tratado ou mal controlado pode provocar danos progressivos em vasos sanguíneos de diferentes calibres, comprometendo órgãos essenciais para a qualidade de vida.

<><> O papel da glicose alta na circulação do corpo inteiro

A glicose circula por todo o organismo através do sangue. No entanto, quando permanece elevada por longos períodos, ela passa a agredir a parede dos vasos sanguíneos, tanto os pequenos quanto os grandes.

Segundo a endocrinologista Dra. Mônica Gabbay, médica endocrinologista pediátrica da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), esse processo acontece de forma gradual.

“Imagine um cano por onde passa água todos os dias. Se, aos poucos, você jogar gordura nesse cano, ele vai entupir. A glicose alta faz algo semelhante com os vasos”, explica.

Portanto, o excesso de glicose não fica restrito ao sangue. Ele percorre todo o corpo e interfere diretamente no funcionamento dos órgãos que dependem de boa circulação.

<><> Por que olhos, rins e pés costumam ser os primeiros afetados

Os olhos, os rins e os pés possuem uma grande quantidade de vasos sanguíneos pequenos. Por isso, são considerados órgãos-alvo das chamadas complicações microvasculares do diabetes.

Nos olhos, o dano pode levar à retinopatia diabética, que compromete a visão de forma progressiva. Nos rins, o excesso de glicose pode prejudicar a filtragem do sangue, evoluindo para insuficiência renal. Já nos pés, a circulação reduzida e a perda de sensibilidade aumentam o risco de feridas que demoram a cicatrizar.

A nutricionista Tarcila de Campos, mestre em diabetes e educadora em saúde, reforça que essas complicações não surgem de um dia para o outro.

“Elas são resultado de anos de glicemia elevada, muitas vezes sem sintomas claros. Por isso, o cuidado diário faz toda a diferença”, afirma.

<><> Quando o diabetes também compromete o coração e o cérebro

Além dos pequenos vasos, o diabetes também pode afetar vasos maiores, responsáveis por irrigar o coração e o cérebro. Essas são as chamadas complicações macrovasculares.

Nesse cenário, o risco de infarto e AVC aumenta, especialmente quando o diabetes se associa a outros fatores, como pressão alta, colesterol elevado, excesso de peso e sedentarismo.

Ainda assim, é importante destacar que o problema não está apenas na glicose isoladamente. “Cuidar do diabetes vai além do açúcar no sangue. É preciso olhar pressão, colesterol e estilo de vida como um conjunto”, explica Dra. Mônica.

<><> Por que muitas complicações surgem sem dor ou aviso

Um dos aspectos mais perigosos do diabetes mal controlado é o seu caráter silencioso. Muitas pessoas não sentem dor nem percebem sinais claros enquanto os vasos estão sendo danificados.

No caso dos pés, por exemplo, a perda de sensibilidade pode fazer com que pequenas lesões passem despercebidas. Com o tempo, isso pode evoluir para infecções graves e, em situações extremas, amputações.

Por outro lado, quando o controle glicêmico é feito de forma adequada, o risco dessas complicações cai de maneira significativa. Portanto, monitorar a glicose, realizar exames de rotina e manter acompanhamento médico regular são medidas essenciais.

<><> O que realmente ajuda a prevenir essas complicações

A boa notícia é que o avanço do tratamento e da educação em diabetes reduziu consideravelmente a incidência de complicações ao longo das últimas décadas.

Além do controle da glicose, especialistas destacam a importância de:

•        acompanhamento regular com a equipe de saúde

•        exames periódicos de olhos, rins e pés

•        controle da pressão arterial e do colesterol

•        alimentação equilibrada e atividade física possível dentro da rotina

Nesse contexto, a prevenção não depende de perfeição, mas de constância. “O cuidado diário evita que o excesso de glicose cause danos cumulativos ao longo dos anos”, resume Tarcila.

•        Nutricionista viraliza ao mostrar diferença da glicose no sangue antes e depois de lavar as mãos

Um gesto simples, feito todos os dias por quem convive com diabetes, virou assunto nas redes sociais. Um nutricionista viralizou ao mostrar, na prática, como a glicemia capilar pode variar drasticamente quando o teste é feito sem a higienização correta das mãos.

No vídeo, ele mede a glicose logo após manusear um alimento doce e registra um valor extremamente elevado. Em seguida, repete o teste após limpar o dedo com álcool e, por fim, depois de lavar as mãos com água e sabão. A diferença entre os resultados chama atenção e levanta um alerta importante para quem faz o teste da ponta do dedo diariamente.

Nesse contexto, especialistas explicam por que isso acontece e qual é a forma mais confiável de medir a glicemia.

<><> O que o vídeo mostra e por que ele chamou tanta atenção

Na primeira medição, feita com a mão ainda “suja” após cortar um alimento doce, o valor registrado foi de 438 mg/dL. O número surpreende porque não houve ingestão de açúcar, apenas contato com o alimento.

Depois disso, o nutricionista higienizou o dedo com álcool e realizou uma nova medição. O resultado caiu para 108 mg/dL, mas ainda assim não representava, necessariamente, a glicemia real.

Somente após lavar as mãos com água e sabão, secar bem e repetir o teste, o valor chegou a 96 mg/dL, considerado muito mais fiel.

O vídeo viralizou justamente por mostrar, de forma visual e didática, algo que especialistas já alertam há anos, mas que nem sempre é seguido na prática.

<><> Por que resíduos nos dedos alteram a glicemia capilar

A glicemia capilar mede a concentração de glicose presente no sangue. No entanto, quando há resíduos de alimentos, especialmente açúcares, na ponta do dedo, esses restos podem contaminar a gota de sangue.

Segundo a enfermeira e educadora em diabetes Gisele Filgueiras, isso é mais comum do que parece.

“Atividades simples, como cortar um alimento, mexer no celular ou tocar superfícies, podem deixar resíduos invisíveis nos dedos. Esses resíduos interferem diretamente na leitura da tira reagente”, explica.

Como resultado, o aparelho pode registrar valores falsamente elevados, levando a interpretações equivocadas.

<><> Por que álcool gel não é a melhor opção antes do teste

No vídeo, o nutricionista também mostra que o álcool ajuda, mas não resolve completamente. Isso ocorre porque o álcool gel não evapora totalmente e deixa resíduos na pele.

De acordo com Gisele Filgueiras, esses componentes podem formar uma película invisível no dedo.

“O álcool gel contém glicerina e emolientes. Mesmo após secar, essa camada pode diluir a gota de sangue ou interferir na reação química da tira”, alerta.

Portanto, mesmo quando o valor cai após o uso do álcool gel, ainda existe risco de erro.

<><> Qual é a forma correta de medir a glicemia capilar

As recomendações de educadores em diabetes e diretrizes clínicas são claras.

# Lavar as mãos com água e sabãoSecar bem antes da punção

# Realizar a medição normalmente

Esse método remove resíduos de açúcar, gordura e outras substâncias sem interferir na amostra de sangue.

Quando não for possível lavar as mãos, o álcool líquido 70% pode ser usado como alternativa, desde que o dedo esteja completamente seco e a primeira gota de sangue seja descartada.

<><> Um alerta importante para quem ajusta tratamento diariamente

Na rotina de quem vive com diabetes, decisões como aplicar insulina, corrigir a glicemia ou ajustar a alimentação muitas vezes são baseadas naquele número do glicosímetro.

Por isso, uma medição incorreta pode gerar correções desnecessárias, risco de hipoglicemia ou sensação de descontrole injustificada.

O vídeo viral mostra, de forma simples, que nem sempre o problema está no corpo, mas no modo como a medição é feita.

 

Fonte: Um Diabético.com

 

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