sexta-feira, 16 de janeiro de 2026


 

Sem robôs nem altos custos: técnica brasileira inova cirurgia do câncer de próstata no SUS

O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre homens no Brasil, excetuando-se os cânceres de pele não melanoma. Diante desse cenário, a busca por técnicas cirúrgicas eficazes, seguras e acessíveis torna-se um desafio estratégico para sistemas de saúde públicos e privados.

A prostatectomia radical — cirurgia que remove completamente a próstata com intenção curativa — evoluiu substancialmente nas últimas décadas. A evolução foi impulsionada por avanços tecnológicos e pelo refinamento do conhecimento anatômico. No entanto, a incorporação dessas inovações ainda ocorre de forma desigual entre países e instituições.

Nos anos 1980, o urologista Patrick Walsh revolucionou a cirurgia ao demonstrar ser possível preservar os feixes nervosos responsáveis pela ereção. A técnica reduziu complicações e melhorou a qualidade de vida pós-operatória.

Na década de 1990, a laparoscopia representou novo salto, ao permitir incisões menores e recuperação mais rápida. Contudo, a elevada complexidade técnica e a longa curva de aprendizado dificultaram sua disseminação, sendo plenamente dominada apenas por poucos cirurgiões.

<><> Revolução da robótica

A introdução da cirurgia robótica nos anos 2000 alterou esse panorama. O sistema da Vinci ampliou a precisão dos movimentos, ofereceu visão tridimensional e facilitou a execução da prostatectomia laparoscópica.

Entretanto, o custo extremamente elevado do equipamento — somando aquisição, manutenção e instrumentais descartáveis — limitou sua expansão em países de renda média, como o Brasil.

Ainda assim, estudos científicos demonstram que os resultados oncológicos e funcionais da cirurgia robótica são equivalentes aos obtidos pela cirurgia aberta tradicional. Sua principal vantagem reside na recuperação mais rápida.

        Como é feita a Cirurgia do Câncer de Próstata

A cirurgia para câncer de próstata é o tratamento de escolha mais comum no câncer de próstata que não possui metástase, ou seja, que não se espalhou para fora da glândula prostática.

O tratamento do câncer de próstata depende das circunstâncias individuais do paciente. Seu objetivo principal é curar ou controlar a doença para oferecer melhor qualidade de vida e sobrevida ao homem.

As outras abordagens, que podem ser feitas isoladamente ou em combinação, incluem são:

        Radioterapia,

        Braquiterapia;

        Quimioterapia;

        Hormonioterapia;

        Crioterapia;

        Ultrassom focalizado de alta intensidade e;

        Imunoterapia, entre outros.

<><> Tipos de cirurgia para o câncer de próstata

As cirurgias realizadas para o câncer de próstata incluem diferentes procedimentos, sendo a principal a prostatectomia. Existem diversos tipos de prostatectomia:

        Prostatectomia robótica: atualmente é o procedimento mais realizado no mundo para o tratamento do câncer de próstata, pois a qualidade de abordagem que o robô oferece faz a diferença na cura e na qualidade de vida do paciente. São feitas pequenas incisões na pele, por onde são inseridos os instrumentos. Eles são operados pelo médico por um controle externo que permite que ele mova com precisão os braços robóticos que seguram as ferramentas e conduza a cirurgia com segurança e eficácia;

        Prostatectomia radical por laparoscopia: são feitas pequenas incisões na pele, por onde o cirurgião insere os instrumentos especiais para remover a próstata. Um deles possui uma microcâmera de vídeo na ponta que permite a visualização interna do abdômen e a realização do procedimento. Esta técnica tem algumas vantagens quando comparada à radical aberta, como menor perda de sangue, menos dor, redução do tempo de internação e de recuperação;

        Prostatectomia radical aberta: é feita uma incisão para remover a próstata e os tecidos ao seu redor. Com o avanço das técnicas, esse tipo de procedimento tem sido realizado com menos frequência;

>> A. Retropúbica: é feita uma incisão na parte inferior do abdômen (do umbigo até o osso púbico). Se o resultado do exame de PSA (antígeno prostático específico) ou da biópsia indicar que há possibilidade de a doença ter se espalhado para os linfonodos, parte deles é removido junto com a próstata; e

>>> B. Transperineal: a incisão é feita na pele entre o ânus e o períneo (escroto). Esse tipo de procedimento não é tão comumente utilizado, pois não permite poupar os nervos e os linfonodos não podem ser removidos. Ela geralmente é escolhida quando o paciente não demonstra preocupação em relação à função sexual (mais especificamente a ereção), que será afetada.

Também é possível optar por uma ressecção transuretral da próstata. Embora esse procedimento não seja utilizado para a cura do câncer de próstata, pode ser realizado em homens com doença avançada para ajudar a aliviar os sintomas, como os problemas de micção. Para tanto, utiliza-se um aparelho chamado ressectoscópio para remover a parte interna da próstata que envolve a uretra.

<><> Riscos da cirurgia da próstata

Os riscos inerentes a qualquer tipo de prostatectomia são muito parecidos com aqueles presentes em outras cirurgias de grande porte. As principais intercorrência que podem ocorrer durante ou logo após o procedimento são:

        Reações à anestesia;

        Hemorragia (sangramento);

        Coágulos nas pernas ou pulmões;

        Danos a órgãos próximos à próstata;

        Infecções do local da cirurgia; e

        Lesões em partes do intestino (embora seja raro, pode levar a infecções no abdômen. Quando isso ocorre, novas operações poderão ser necessárias para corrigir o problema).

<><> Possíveis efeitos adversos na cirurgia

Os principais efeitos adversos das cirurgias de próstata são a incontinência urinária (quando o homem não é capaz de controlar a urina) e a disfunção erétil (impotência e dificuldade de obter ou manter a ereção). Quanto mais avançada a idade, maior o risco de esses eventos ocorrerem.

A boa notícia é que o controle urinário geralmente retorna e, se isso não acontecer, a incontinência pode ser tratada. O mesmo vale para a disfunção erétil, que pode ser manejada com uma série de alternativas de tratamento.

Após a prostatectomia radical o homem não consegue mais ejacular durante o ato sexual. Portanto, recomenda-se que aqueles que desejem conceber filhos futuramente passem por um especialista em reprodução assistida antes da cirurgia, para avaliar a possibilidade de congelar amostras do sêmen.

 

Fonte: g1/Oncoclínicas.co


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