sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Febraban identifica postagens pagas, de ínfluenciadores' de direita, contra Banco Central e a liquidação do Master

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirma ter identificado, no fim de dezembro, um “volume atípico” de postagens em redes sociais com menções à entidade e a seus representantes, em meio à repercussão do caso envolvendo a liquidação do Banco Master. A federação informa que realiza, de forma periódica, monitoramentos com empresas especializadas e que, nesses levantamentos, detectou um pico incomum de publicações relacionadas ao tema.

A nota foi divulgada após reportagens apontarem que instituições e autoridades ligadas ao caso sofreram ataques coordenados nas redes sociais pouco antes da virada do ano. Segundo as informações divulgadas, a ofensiva teria se concentrado em um período de 36 horas e utilizado contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central e a própria Febraban.

Em sua manifestação, a Febraban declara que está analisando se as postagens identificadas naquele período “caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade”, acrescentando que “já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”. A federação ressalta ainda que não realiza monitoramentos específicos voltados a identificar supostos movimentos coordenados contra outras instituições ou autoridades.

A entidade também destaca que seus levantamentos têm caráter interno e não são divulgados. “Os levantamentos feitos para a Febraban são para consumo interno e não são divulgados pela entidade”, diz a nota.

O episódio ganhou ainda mais dimensão com a divulgação de relatos de que influenciadores de direita teriam recebido propostas para difundir, em seus perfis, a narrativa de que o Banco Central teria sido precipitado ao decretar a liquidação do Master. Segundo essa versão, o objetivo seria colocar em xeque a atuação do regulador e ampliar críticas ao processo, com base em conteúdos que ecoariam a posição do Tribunal de Contas da União (TCU), especialmente materiais em que a corte vê indícios de “precipitação” na decisão do Banco Central.

De acordo com as informações publicadas, o projeto teria sido batizado de “DV”, iniciais associadas ao nome do dono do banco, Daniel Vorcaro, e buscaria impulsionar vídeos e postagens que reforçassem questionamentos sobre a condução do caso. A estratégia, segundo esse relato, seria explorar a repercussão de análises do TCU para ampliar a desconfiança em relação ao Banco Central e alimentar um ambiente de desgaste institucional.

A nota da Febraban, ao reconhecer a existência de um pico anormal de publicações e ao investigar a hipótese de um ataque coordenado, reforça a percepção de que a disputa em torno da liquidação do Banco Master extrapolou o campo técnico e institucional, migrando para uma arena digital marcada por campanhas de influência e tentativas de desestabilização de reputações.

A movimentação ocorre em um contexto em que debates sobre regulação, credibilidade institucional e integridade do sistema financeiro se tornam alvos frequentes de campanhas organizadas nas redes sociais. Ao sinalizar que acompanha esse ambiente e que apura a origem e o padrão do conteúdo identificado, "a Febraban procura se posicionar como parte interessada em preservar a confiança no setor e em proteger a legitimidade dos órgãos que integram a estrutura de supervisão bancária no país", diz a nota.

<><> Inteligência artificial

O JORNAL DO BRASIL perguntou ao Chat GPT "quem são os influenciadores de direita que estão falando mal do Banco Central e contra a liquidação do Banco Master".

Eis a resposta do gigante da IA:

"Aqui estão alguns influenciadores de direita que estão envolvidos nas conversas nas redes sociais sobre o Banco Central (BC) e a liquidação do Banco Master, seja por terem falado criticamente, seja por terem sido procurados para defender a liquidação ou atacar o BC:

Influenciadores que relataram terem sido procurados para falar mal do Banco Central e contra a liquidação do Banco Master

Esses nomes surgiram em relatos recentes de que influenciadores digitais de perfil alinhado à direita receberam propostas para produzir conteúdo criticando a atuação do Banco Central no caso Banco Master — e também em discussões públicas sobre o tema:

<><> Rony Gabriel

Vereador em Erechim (RS), com grande presença nas redes sociais e perfil associado à direita.

Relatou publicamente que foi procurado em dezembro de 2025 para produzir vídeos criticando o Banco Central e defendendo o Banco Master, sob sugestão de que a liquidação do banco teria sido precipitada ou injusta. Ele recusou a proposta.

<><> Juliana Moreira Leite

Influenciadora digital que também confirmou ter recebido proposta similar de «gerenciamento de reputação» para questionar a ação do BC no caso Master.

Assim como Rony Gabriel, ela afirmou que recusou fazer o trabalho.

<><> Paulo Cardoso

Embora não tenha divulgado que recebeu proposta formal, ele foi citado como exemplo de influenciador que publicou um vídeo questionando a liquidação do Banco Master e a atuação do Banco Central (exibindo um despacho do TCU para sugerir precipitação na liquidação).

<><> Importante contextualizar

Nem todos os influenciadores que mencionaram ou criticaram o Banco Central nesses posts aceitaram propostas pagas; vários comentários nas redes foram espontâneos e não relacionados diretamente a contratos. No caso confirmado, Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite explicaram que recusaram a oferta.

Segundo reportagens, houve um movimento mais amplo nas redes entre o final de dezembro de 2025 e início de 2026 com postagens questionando o Banco Central e comemorando a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de revisar a liquidação — o que inclui diversos influenciadores e perfis de direita, alguns com milhões de seguidores."

•        Influenciadores relatam oferta para atacar decisão do BC sobre Banco Master

Influenciadores digitais relataram ter recebido propostas para publicar vídeos nas redes sociais com críticas à decisão do Banco Central de decretar a liquidação do Banco Master, sob a narrativa de que a medida teria sido adotada de forma precipitada. As abordagens teriam como objetivo ampliar questionamentos à atuação da autoridade monetária a partir de um despacho do Tribunal de Contas da União.

Segundo apuração publicada pelo jornal O Globo, em reportagem assinada pela colunista Malu Gaspar, os contatos envolveram perfis alinhados à direita e faziam referência direta a uma reportagem divulgada na sexta-feira (19) pelo portal Metrópoles. O texto noticiava que o TCU apontava “indícios de precipitação” na liquidação do banco e concedia prazo para que o Banco Central prestasse esclarecimentos.

Um dos influenciadores abordados foi Rony Gabriel, vereador pelo PL em Erechim (RS), que possui cerca de 1,4 milhão de seguidores. Ele afirma que o contato ocorreu no sábado (20), por meio de mensagem enviada no Instagram por André Salvador, que se apresentou como representante da UNLTD Brasil. A proposta consistia na publicação de vídeos que repercutissem o entendimento do TCU e levantassem dúvidas sobre a decisão do BC.

Na mensagem encaminhada ao perfil do vereador, Salvador escreveu: “Estamos fazendo um trabalho de gerenciamento de crise para um executivo grande. E temos contratado perfis que se posicionam para nos ajudar nessa disputa política que estamos travando contra o sistema”. Em outro trecho, acrescentou: “É um caso de repercussão nacional. Gente grande. Esquerda e centrão envolvidos”.

De acordo com Gabriel, os materiais recebidos identificavam a iniciativa como “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em conversa telefônica com seu assessor, Nathan Felipe, Salvador teria afirmado que o trabalho envolveria uma remuneração milionária, condicionada à assinatura de um contrato de confidencialidade para acesso aos detalhes.

O acordo foi assinado por Nathan Felipe no sábado (27). No mesmo dia, ele participou de uma reunião virtual com Salvador, na qual a reportagem do Metrópoles foi apresentada como exemplo do conteúdo a ser difundido, sempre com foco em lançar dúvidas sobre a ação do Banco Central que resultou na liquidação do banco. O agente também teria se oferecido para recebê-los em São Paulo, com o objetivo de orientar o discurso dos vídeos.

Outra influenciadora citada na apuração é Juliana Moreira Leite, que se apresenta nas redes como @jliemilk e também reúne cerca de 1,4 milhão de seguidores. Segundo o relato, ela foi abordada por Junior Favoreto, do Portal Group Br, empresa especializada em influenciadores de direita, com proposta semelhante à feita ao vereador.

Além da reportagem do Metrópoles, os contatos incluíam exemplos de publicações de influenciadores que já estariam engajados no chamado Projeto DV. As postagens destacavam a atuação do TCU, falavam em precipitação do BC e sugeriam que o Banco Master teria sido liquidado por crescer rapidamente e incomodar grandes instituições do sistema financeiro.

Entre os exemplos encaminhados a Rony Gabriel estava um vídeo publicado por Paulo Cardoso, do perfil @cardosomundo, que possui cerca de 4,3 milhões de seguidores. No conteúdo divulgado na quinta-feira (18), logo após a publicação da matéria do Metrópoles, Cardoso afirmou: “Quando um órgão como o TCU entra no caso, é porque tem coisa muito errada. No despacho aparece uma palavra pesada: precipitação, ou seja, pressa”.

No mesmo vídeo, o influenciador acrescentou: “Quando um banco cresce rápido demais, ele tira cliente. Ele tira espaço, ele tira lucro de muita gente grande e isso incomoda, incomoda demais”. Em seguida, disse: “Quando um banco é liquidado, ele não some. Os ativos continuam existindo, os clientes continuam lá, as carteiras continuam existindo. Tudo isso continua existindo. Só que entra em liquidação. Ou seja, promoção. Quem tem dinheiro compra barato”. Ao final, questionou: “Se existiam outras saídas, por que escolheram logo a mais extrema? Por que tanta pressa? Essa história tá muito mal contada. A quem interessava a liquidação tão rápida do Banco Master?”.

Segundo a apuração, ao tomar conhecimento do teor da proposta, Rony Gabriel recusou a participação. Ele afirma não ter sido informado do valor exato da remuneração, apenas que seria elevada. Na manhã de terça-feira (28), o vereador publicou um vídeo relatando a abordagem e encaminhou à imprensa documentos recebidos da agência, incluindo o contrato de confidencialidade assinado por seu assessor. O documento previa multa de R$ 800 mil em caso de divulgação das informações e classificava como confidenciais as “estratégias de comunicação, narrativas, reputação, posicionamento e influência” relacionadas ao Projeto DV.

Procurado pela coluna, Paulo Cardoso não se manifestou. A equipe do O Globo também entrou em contato com o Banco Master para questionar os contatos relatados pelos influenciadores, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações.

 

Fonte: JB/Brasil 247

 

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