sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Mundo em conflito: quais as crises que mais marcaram o ano de 2025?

Especialistas explicam como as mudanças nas políticas de Washington e a rivalidade entre EUA e China redesenharam os conflitos no mundo em 2025.

Grandes conflitos ainda sem solução: Gaza continua uma zona de guerra, enquanto a solução para a Ucrânia ainda segue sendo negociada. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) fazendo de tudo para o caldo entornar, mas o presidente dos EUA parece, a princípio, querer acabar com ambos os confrontos.

Em outra frente, porém, apostou em um tarifaço contra diversos países que elevou a temperatura e gerou mais atritos do que ganhos. Enquanto sua tática de acordos bilaterais tem tido alguns sucessos, a maioria não chegou ao resultado esperado, especialmente no caso do Brasil.

A onda extremista e a xenofobia continuaram avançando, impactando muitas eleições ao redor do globo.

O mundo segue discutindo a crise climática, mas os avanços são modestos. A COP 30 terminou com um gosto de que poderia ter sido melhor. No contexto dessa crise, o Ártico ficou mais cobiçado, já que com o derretimento do gelo estão se abrindo novas rotas comerciais e estratégicas.

Na Síria, novos mandatários, que eram considerados terroristas há pouco tempo, hoje participam de reuniões na Casa Branca. O clima continua quente entre as Coreias, enquanto a ameaça de Donald Trump a Nicolás Maduro coloca o Brasil e outros vizinhos da Venezuela em alerta.

Nesta retrospectiva do Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, especialistas comentam as principais crises que marcaram o mundo em 2025 e que devem atravessar para 2026.

Segundo Héctor Saint-Pierre, especialista em segurança internacional da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a mudança na política norte-americana modificou bastante o desenho geopolítico internacional, deixando a União Europeia isolada e encerrando uma unipolaridade que existia desde o fim da Guerra Fria. Para Saint-Pierre, a aproximação de Washington com Moscou se dá em uma tentativa de separar a Rússia da China, mas ao preço de uma capitulação da Ucrânia e o desgaste dos europeus.

"Pela declaração de Trump, o conflito central, aparentemente, é um conflito comercial, mas é um conflito ofensivo, já que ele está articulando uma aliança entre Japão, Coreia do Sul, Austrália e os EUA, um quadrilátero do Pacífico, para diminuir o espaço de manobra da China", explica. O analista destaca também a priorização norte-americana em manter a América Latina sob sua esfera de influência, não do país asiático.

"O último documento de Trump [a nova Estratégia de Segurança Nacional] deixa claro que a América continental é dos norte-americanos e que as riquezas são riquezas as quais tem que ter acesso livre para os Estados Unidos."

Apesar do clima de tensões e alianças se formando ao redor do mundo, Saint-Pierre não acredita que haverá um conflito em escala mundial, mas uma redefinição de alianças e posturas políticas no médio prazo, apostando até na dissolução da União Europeia e da OTAN devido a crises econômicas nos países europeus e o discurso belicista que compromete as economias europeias nos próximos anos.

Além do especialista, o podcast também ouviu Pedro Martins, doutorando em relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que também aponta as atitudes dos EUA focadas em sua queda-de-braço com a China. Além de satisfazer um capricho pessoal de trazer paz a conflitos no mundo – evidenciado pela vontade de ganhar o Nobel da Paz – Trump gostaria de encerrar esses conflitos para se concentrar no rival asiático, segundo Martins.

"Do jeito que o cenário geopolítico está hoje, ele não consegue se dedicar 100% a nenhuma dessas três frentes. Ele não consegue se dedicar para resolver a questão de Gaza, porque o conflito da Ucrânia ainda está acontecendo; não consegue resolver a questão da Ucrânia porque ainda tem negociações com a China; não consegue resolver com a China porque tem as outras duas. Então, ele está sempre tendo que equilibrar vários pratos."

Segundo Martins, o presidente norte-americano vê a China como o maior adversário dos EUA no século XXI, não apenas um alvo de retórica do republicano. "Tem um pouco de ego, um pouco dessa questão de querer aparecer, de querer se mostrar como o resolvedor, o negociador, como ele sempre se vendeu. Mas também tem uma dinâmica estratégica e sistêmica", pontua.

¨      Milei enfrenta fuga de multinacionais e aposta em energia e mineração, diz mídia

Multinacionais seguem deixando a Argentina apesar do entusiasmo inicial com Javier Milei, e o investimento estrangeiro direto entrou em terreno negativo pela primeira vez desde 2003, enquanto apenas os setores de energia e mineração atraem novos aportes em meio à persistente volatilidade econômica.

Javier Milei enfrenta dificuldades para reconquistar empresas estrangeiras, já que multinacionais continuam evitando a Argentina apesar do entusiasmo inicial com sua agenda liberal. Dois anos após o início do mandato, novos investimentos concentram‑se quase exclusivamente no setor de recursos naturais, enquanto grandes grupos como HSBC e Carrefour deixam o país.

Em 2025, o fluxo de investimento estrangeiro direto tornou‑se negativo pela primeira vez desde 2003, resultado da venda de ativos de multinacionais para empresas locais e da flexibilização dos controles cambiais. Embora Milei atraia atenção internacional e reuniões com CEOs, a volatilidade histórica da economia argentina ainda pesa nas decisões corporativas.

Executivos afirmaram à apuração do Financial Times (FT) que a Argentina compete hoje com mercados mais previsíveis e que o passado de mudanças bruscas de regras continua sendo um obstáculo. O afrouxamento dos controles de capital valorizou ativos e abriu espaço para que empresas estrangeiras vendessem operações sem perdas significativas, como fizeram Exxon e Telefónica.

De acordo com consultores ouvidos pelo FT, muitas multinacionais estão reduzindo presença na América Latina e a Argentina costuma ser a primeira a ser abandonada devido ao alto custo operacional. Décadas de políticas imprevisíveis — restrições a importações, proibição de repatriação de lucros, controles de preços e desvalorização extrema — deixaram marcas profundas na confiança empresarial.

A exceção é o setor de recursos naturais, que vive um boom. Mineradoras como Rio Tinto e Glencore planejam investir bilhões em lítio e cobre, enquanto projetos de energia de xisto e gás natural liquefeito (GNL) atraem empresas como Eni e Continental Resources. A OpenAI também anunciou um megainvestimento em data centers movidos a gás.

Com uma vitória expressiva nas eleições de meio de mandato, Milei tenta acelerar reformas e ampliar acordos internacionais, como o pacto comercial limitado firmado com os EUA. O governo organiza eventos para atrair investidores e expandir programas de incentivos, enquanto reforça sua diplomacia econômica com novas nomeações.

Apesar do otimismo oficial, a escassez de dólares no Banco Central continua sendo um gargalo para estabilizar o câmbio, pagar dívidas e financiar importações. Segundo analistas, 2026 pode marcar uma virada, à medida que investimentos em mineração e energia comecem a gerar entrada de divisas, embora controles de capital ainda preocupem multinacionais.

Setores como varejo e serviços começam a mostrar sinais de interesse renovado, com casos como o investimento da Decathlon. Porém, a indústria manufatureira enfrenta um cenário mais difícil, pressionada pela abertura econômica e pela concorrência externa. A incapacidade do governo de eliminar totalmente os controles cambiais e reconstruir rapidamente as reservas segue como um dos principais entraves ao retorno amplo do investimento estrangeiro.

¨      O governo constitucional venezuelano continua de pé. Por Carla Ferreira

Um dia depois de Donald Trump afirmar que os Estados Unidos devem administrar diretamente a Venezuela em um governo de transição, uma fonte do gabinete de Donald Trump ouvida em off pela reportagem da rede NBC afirma que o presidente estadunidense já haveria, inclusive, indicado quem deve governar o nosso vizinho sul-americano.

Os nomes incluem o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth, o diretor da CIA, John Ratcliffe e o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller. Nenhum nome venezuelano foi citado e inclusive a oposicionista Maria Corina Machado teria sido descartada definitivamente.

Porém, em contraste com essas declarações estadunidenses e uma avalanche de fake news e teorias conspiratórias que circulam por todos os meios, o fato é que depois da invasão, bombardeios a alvos estratégicos de Caracas e suas imediações e do sequestro do Presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cília Flores, na madrugada de 3 de janeiro, e sua exibição como prêmio de guerra na televisão ao desembarcar algemado em aeroporto de Nova Yorque, as instituições do Estado venezuelano estão preservadas. Mais do que isso, a unidade cívico-militar venezuelana, pilar do regime bolivariano, parece estar firmemente de pé.

Na esfera civil, o Tribunal Supremo de Justiça, em sua Sala Constitucional, em pronunciamento conjunto transmitido pela televisão aberta e em documento assinado pelos magistrados, na tarde do próprio dia 3, interpretou os artigos 234, 239 e 335 da Constituição Bolivariana da Venezuela, bem como o artigo 5 da Lei Orgânica do TSJ. No exercício de suas competências, afirmou que o país está sob uma situação excepcional, atípica e de força maior.

E que, diante do sequestro do Presidente constitucional Nicolás Maduro, em consequência desse fato, ordenou que a vice-presidenta, Delcy Rodríguez, assumindo e exercendo, em condição de encarregada, todas as atribuições, deveres e faculdades inerentes ao cargo de Presidenta da República com a finalidade de garantir a continuidade administrativa e a defesa integração da nação.

Na esfera militar, muito importante neste contexto, uma plena subordinação ao comando civil está preservada. Na tarde de hoje, 4 de janeiro, a Força Armada Nacional Boliavariana, em manifestação transmitida pelo canal Telesul e em documento assinado pelo General em Chefe, Vladímir Padrino López, rechaçou contundentemente o covarde sequestro do Presidente Constitucional e Comandante em Chefe, Nicolás Maduro Moros, e de sua esposa, Cília Flores, e declarou obediência à ordem do TSJ, reconhecendo Delcy Rodríguez como encarregada da Presidência da República.

Além disso, afirmou respaldar plenamente o Decreto de Estado de Comoção Exterior em todo o território nacional e que empregará todas suas capacidades para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz. Declara, ainda, a ativação da fusão popular militar policial, colocando-a em cumprimento operacional para enfrentar a agressão imperial como um só corpo de combate para assegurar a liberdade, independência e soberania da nação.

Em resposta a reação institucional, a população venezuelana acudiu em massa para a Avenida Urdaneta, nas imediações do Palácio Miraflores. Ali foi instalada uma “tribuna antimperialista”, reagindo ao que consideram ser uma tentativa de quebrar o moral da Revolução Bolivariana. Antes, atendendo a um chamado do Ministro Diosdado Cabello, a população se manteve em casa e fazendo vigilância popular das esquinas Caracas. Agora, em ordem, atendem ao chamado dos deputados da Assembleia Nacional e se manifestam reivindicando pacificamente a liberdade do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa.

Essas manifestações institucionais e populares devem ser interpretadas como um sinal claro de que o governo bolivariano conta com legitimidade política interna, busca a via constitucional e está unido civil e militarmente. Além do mais, o conteúdo das manifestações do TSJ e da FANB explicitam uma disposição para preservar a independência, a soberania e a paz no país, além da solidariedade e exigência de retorno de seu Presidente sequestrado.

É evidente que nenhum governo da América Latina, por mais independente que seja, tem condições de confrontar militarmente sozinho o maior poderio bélico do planeta, como são os EUA. Por outro lado, é importante compreender as contradições em curso no sistema mundial capitalista neste momento histórico.

Documentos secretos datados de dezembro de 2025, vazados por integrantes descontentes do Departamento de Guerra dos EUA, e analisados pelo economista e professor emérito da Universidade de Massachussetts, Richard Wolff, permitem afirmar três causas imediatas principais para a invasão, bombardeio e sequestro do Presidente Nicolás Maduro e sua esposa, no último dia 3 de janeiro. Com base nesses documentos, Richard Wolff avalia a contradição central em torno a esse ataque.

A primeira razão para o ataque consiste na urgência de apropriação por espoliação de mais de 300 bilhões de barris de petróleo venezuelano. O documento “Operação Último Petróleo”, datado de 15 de dezembro de 2025, reconhece que a causa do ataque não reside nem nas acusações de narcotráfico, nem na defesa da democracia e tampouco na defesa dos direitos humanos. Essa motivação seria apoiada pelas transnacionais estadunidenses e por Wall Street, que comemorou a valorização das ações já nas primeiras horas depois do sequestro do Presidente Maduro. Os números são inquestionáveis, alta de 18% das ações da Exxon Mobil, 15% das ações da Chevron e de 22% da Conocco Philips.

A segunda razão para o ataque está orientada a evitar a efetivação do convênio sino venezuelano no valor de U$ 200 bilhões de dólares abrangendo venda de petróleo em yuans, transferência de tecnologia, construção de refinarias e integração financeira da Venezuela aos BRICS. O convênio deveria vigorar entre 2026 e 2031. Essa motivação fica evidenciada no documento “linha vermelha do petróleo”, datado de 28 de dezembro de 2025. Entre as frases do documento, relata Wolff, pode-se ler “se perdermos a Venezuela para o sistema BRICS, perderemos a América Latina para sempre”.

A terceira razão tem caráter simbólico para o conjunto dos governos da América Latina e diz respeito a escolha da data de 3 de janeiro. Neste mesmo dia, há 36 anos, os EUA intervieram no Panamá e capturaram o presidente Manuel Noriega. O objetivo de repetir a data seria enviar um recado claro aos demais governos latino-americanos no sentido de que ou se subordinam pacificamente ou sofrerão destino igual ao venezuelano. O recado seria destinado especialmente a México, Colômbia e Brasil, uma vez que Cuba já é alvo de ataques e bloqueios há mais de 60 anos.

A violência e ilegalidade do ataque à Venezuela, analisa Richard Wolff, em vez de uma demonstração de força seria uma declaração de fragilidade frente a emergência de uma ordem multipolar. Como especialista no comportamento das grandes potências, ele assevera que “quando um império domina de verdade, não precisa invadir, negocia. Quando um império controla realmente, não captura presidentes, os compra. A violência direta aparece quando os mecanismos sutis de controle já fracassaram”.

Por outro lado, adverte ao povo estadunidense, esse ataque custou não US$ 2,8 bilhões de dólares, como alegado, mas US$ 12,4 bilhões que serão pagos pela alta dos preços da gasolina pelos cidadãos estadunidenses que hoje necessitam de políticas sociais de combate à pobreza. Enquanto isso, grandes empresas da guerra ficaram com os lucros. Dos mais de 12 bilhões de dólares, US$ 2,1 bilhões foram para a Lockheed Martin, fabricante de jatos e helicópteros de combate, US$ 1,8 bilhões para a Raytheon para pagar sistemas de comunicação avançados, US$ 1,3 bilhão para pagar transporte militar avançado para a Boeing, entre outras empresas. Como sabemos, no capitalismo, a guerra tem no lucro o seu principal objetivo.

Neste contexto ainda incerto e perigoso onde há risco real de novos ataques dos EUA, a reação com medidas concretas de apoio ao governo constitucional da Venezuela por parte dos BRICs é fundamental. É preciso ir além de declarações formais. Mais do que nunca é preciso afirmar uma nova ordem mundial multipolar baseada no respeito à soberania dos povos e sua autodeterminação, transferência de tecnologia sem condicionalidades, financiamento ao desenvolvimento em condições favoráveis, cooperação e paz internacional.

É por isso que os brasileiros e brasileiras devemos colocar-nos em defesa da soberania venezuelana e apoiar o governo federal para que exerça uma diplomacia ativa e altiva em favor da emergência dessa nova ordem multipolar de modo concreto. O ataque à Venezuela deve acelerar as medidas para essa transição. Com uma resposta internacional contundente e coesão interna na Venezuela é possível que esse ataque leve a uma rotunda derrota do imperialismo estadunidense, abrindo um horizonte de possibilidades novas para os povos viverem em paz. E, no caso do Brasil, afaste o risco de novas investidas a nossa soberania e democracia.

¨      Japão acelera reforço militar e amplia papel ofensivo diante da pressão chinesa e dos EUA, diz mídia

O Japão acelera o maior reforço militar desde a Segunda Guerra Mundial, dobrando gastos em defesa para conter a China e atender à pressão dos EUA, enquanto a premiê Sanae Takaichi adota posições mais duras sobre Taiwan e amplia o afastamento do país de seu histórico pacifista.

De acordo com o Defense News, o Japão tem acelerado um amplo reforço de suas capacidades militares diante do avanço da China na região, dobrando gastos em armamentos e respondendo à pressão dos EUA por maior participação na segurança asiática. A nova primeira‑ministra, Sanae Takaichi, de linha dura, defende que o país precisa ser mais autossuficiente militarmente.

Tóquio insiste que continua comprometida com a paz, mas Pequim e outros críticos afirmam que o Japão está se afastando de seu pacifismo pós‑guerra, especialmente após Takaichi sugerir que uma ação chinesa contra Taiwan poderia justificar uma resposta militar japonesa. O debate reacende questionamentos sobre a compatibilidade desse fortalecimento com a Constituição pacifista do país.

O Artigo 9, criado sob ocupação norte-americana em 1947, proíbe o uso da força e a manutenção de forças militares convencionais. Contudo, desde a Guerra da Coreia, os EUA passaram a ver o Japão como aliado estratégico, levando à criação das Forças de Autodefesa em 1954. Ao longo das décadas, Tóquio ampliou gradualmente o conceito de "autodefesa".

Uma virada importante ocorreu sob Shinzo Abe, que reinterpretou o Artigo 9 em 2014 para permitir defesa coletiva e aprovou leis que autorizam o uso da força caso aliados sejam atacados. Takaichi aprofundou essa mudança ao adotar posições mais explícitas sobre possíveis cenários envolvendo a China, irritando Pequim.

As tensões bilaterais cresceram com incidentes militares recentes, como radares chineses travados em aeronaves japonesas e operações de porta‑aviões chineses perto de Iwo Jima. Em resposta, o governo aprovou um orçamento de defesa recorde, acima de 9 trilhões de ienes (cerca de R$ 318,6 bilhões), com foco em mísseis de cruzeiro e sistemas não tripulados.

A China acusa o Japão de abandonar o caminho pacífico e critica o histórico de Takaichi, que já visitou o Santuário Yasukuni, visto por chineses e coreanos como símbolo de falta de arrependimento pelo passado militarista. Em 2025, ela evitou visitas diretas, mas enviou oferendas simbólicas.

Desde 2022, o Japão assumiu papéis mais ofensivos, adotando uma estratégia que prevê capacidades de contra‑ataque e identifica a China como seu principal desafio estratégico. O país rompeu o limite histórico de 1% do produto interno bruto (PIB) em defesa e deve atingir 2% antes do previsto, alinhando‑se às expectativas dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Tóquio também busca expandir sua indústria de defesa, flexibilizando exportações de armas, desenvolvendo caças com Reino Unido e Itália e negociando vendas de fragatas para a Austrália. Debates internos incluem até a possibilidade de submarinos nucleares, embora o governo reafirme os três princípios não nucleares, mesmo enquanto avalia novas capacidades de dissuasão.

 

Fonte: Sputnik Brasil/A Terra é Redonda

 

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