sábado, 17 de janeiro de 2026

Moscas volantes, catarata e glaucoma: o que tem e o que não tem relação com o diabetes

Alterações na visão costumam gerar insegurança em quem convive com diabetes. Quando surgem sintomas como moscas volantes no diabetes, é comum associar automaticamente à doença, embora nem sempre exista relação direta. No entanto, nem todo sintoma ocular está diretamente ligado à doença. Enquanto algumas mudanças fazem parte do envelhecimento natural dos olhos, outras podem indicar complicações associadas ao tempo de diagnóstico e ao controle glicêmico. Nesse contexto, entender o que merece investigação evita atrasos no diagnóstico e tratamentos desnecessários.

<><> Moscas volantes: quando são comuns e quando preocupam

As chamadas moscas volantes são pontos, fios ou sombras que parecem flutuar no campo visual. Elas surgem, na maioria das vezes, devido a alterações naturais do vítreo, uma substância gelatinosa que preenche o interior do olho. Com o passar dos anos, essas fibras se modificam e passam a projetar sombras na retina.

Segundo a oftalmologista Letícia Rubman, entrevistada no DiabetesCast, esse sintoma, isoladamente, costuma estar ligado ao envelhecimento. “Isso não tem relação direta com o diabetes, mas com um processo natural do olho ao longo da vida”, explica.

No entanto, o contexto muda em pessoas com diabetes de longa duração. O aparecimento súbito ou o aumento rápido das moscas volantes pode indicar sangramentos internos ou alterações vasculares da retina. Nesses casos, a avaliação oftalmológica deve ser imediata.

<><> Catarata e diabetes: por que o risco pode aparecer mais cedo

A catarata é caracterizada pela opacificação do cristalino e está fortemente associada ao envelhecimento. Ainda assim, o diabetes pode antecipar esse processo. A exposição prolongada a níveis elevados de glicose favorece alterações metabólicas no olho, acelerando o surgimento da catarata.

De acordo com Letícia Rubman, “pacientes com diabetes que passaram muitos anos sem controle adequado podem apresentar catarata mais precocemente e precisar de cirurgia antes do esperado”. Ainda assim, isso não significa que toda pessoa com diabetes desenvolverá a condição de forma antecipada.

O risco está mais relacionado ao tempo de descontrole glicêmico do que ao diagnóstico em si. Por isso, acompanhamento regular e controle metabólico continuam sendo os principais fatores de proteção.

<><> Glaucoma: quando existe relação com o diabetes

O glaucoma, de forma geral, não é causado diretamente pelo diabetes. Trata-se de uma doença multifatorial, associada principalmente à pressão intraocular e a alterações do nervo óptico. No entanto, existe um tipo específico que pode estar ligado ao diabetes em estágios avançados.

“O glaucoma neovascular pode surgir quando o paciente evolui para formas graves da retinopatia diabética, geralmente após muitos anos sem tratamento adequado”, afirma a oftalmologista. Esse quadro está relacionado à formação de vasos anormais no olho e exige acompanhamento especializado.

Apesar de mais raro, esse tipo de glaucoma reforça a importância do diagnóstico precoce das alterações oculares associadas ao diabetes.

<><> Sintomas que exigem avaliação imediata

Alguns sinais não devem ser atribuídos apenas ao envelhecimento ou ao cansaço visual. Entre eles estão perda súbita da visão, aumento rápido de moscas volantes, flashes luminosos frequentes, visão embaçada persistente e dificuldade para enxergar cores ou detalhes.

Além disso, muitas complicações oculares do diabetes são silenciosas no início. A ausência de sintomas não significa ausência de doença, o que reforça a importância das consultas de rotina.

<><> Envelhecimento natural ou complicação do diabetes?

Diferenciar o que faz parte do envelhecimento do que pode ser uma complicação do diabetes depende de avaliação clínica e exames específicos. Moscas volantes isoladas em pessoas mais velhas, por exemplo, costumam ser benignas. Já em pessoas jovens com diabetes de longa duração, o mesmo sintoma pode ter outro significado.

Nesse contexto, fatores como tempo de diagnóstico, controle glicêmico e histórico de saúde fazem toda a diferença na interpretação dos sinais.

<><> Por que o acompanhamento oftalmológico regular evita sustos

Pessoas com diabetes tipo 2 devem passar por avaliação oftalmológica desde o diagnóstico. Já no diabetes tipo 1, o acompanhamento costuma ser indicado a partir de cinco anos de doença, com ajustes conforme o caso.

A Sociedade Brasileira de Diabetes reforça que a detecção precoce das alterações oculares permite intervenções menos invasivas e melhores resultados a longo prazo. Cuidar da visão, portanto, faz parte do cuidado integral com o diabetes.

•        Por que a tapioca ganhou fama de saudável, mas exige atenção no diabetes

A tapioca conquistou espaço no café da manhã e no lanche de muitos brasileiros. No entanto, para quem convive com diabetes, a fama de alimento saudável nem sempre corresponde ao efeito no controle da glicose.

Feita a partir da goma da mandioca, a tapioca passa por processamento que remove praticamente todas as fibras. Nesse contexto, o alimento se torna uma fonte concentrada de carboidrato de rápida absorção.

<><> Por que a tapioca passou a ser vista como saudável

A tapioca ganhou popularidade por ser naturalmente sem glúten. Além disso, ela costuma ser associada a dietas mais leves e a substituições do pão tradicional.

Outro fator importante é o marketing informal nas redes sociais. Muitas vezes, a tapioca aparece ligada a ideias de alimentação “limpa” ou “natural”, o que reforça a percepção positiva.

No entanto, saudável não é apenas o que não tem glúten. Para quem tem diabetes, o impacto na glicemia é um critério central.

<><> O que acontece com a glicose após consumir tapioca

A tapioca tem alto índice glicêmico. Portanto, após o consumo, a glicose no sangue tende a subir rapidamente.

Isso ocorre porque o carboidrato é absorvido sem barreiras, já que faltam fibras para retardar a digestão. Como resultado, picos glicêmicos podem surgir, especialmente quando a tapioca é consumida sozinha.

Além disso, a sensação de saciedade costuma ser curta. Nesse cenário, a pessoa pode comer mais do que precisa, sem perceber.

<><> Tapioca e diabetes: o problema não é o alimento isolado

A tapioca não é um alimento proibido. No entanto, o modo de consumo faz toda a diferença no controle glicêmico.

Quando combinada com proteínas e gorduras boas, a resposta da glicose tende a ser mais estável. Ovos, frango desfiado, atum, queijo branco e sementes são exemplos que ajudam nesse equilíbrio.

Por outro lado, tapioca com recheios doces ou consumida isoladamente aumenta o risco de hiperglicemia, especialmente no café da manhã.

<><> Comparação comum: tapioca ou pão?

Muitas pessoas trocam o pão pela tapioca acreditando ser uma escolha melhor. Ainda assim, pães integrais verdadeiros, ricos em fibras, podem gerar menor pico glicêmico do que a tapioca simples.

Enquanto isso, a tapioca exige mais estratégia. A escolha não deve ser automática, mas baseada no contexto da refeição e na resposta individual da glicose.

<><> Monitorar a resposta individual faz diferença

Cada organismo reage de forma diferente aos alimentos. Nesse contexto, observar a glicemia após consumir tapioca é uma ferramenta importante de autonomia.

Para quem usa monitor contínuo de glicose ou faz medições capilares, acompanhar esse comportamento ajuda a ajustar porções e combinações no dia a dia.

Portanto, mais do que excluir alimentos, o foco deve estar na educação alimentar e no entendimento do próprio corpo.

 

Fonte: Um Diabético.com

 

Nenhum comentário: