Marcia
Carmo: O objetivo de Trump sempre foi tirar Maduro do poder. E agora?
O
presidente da Argentina, Javier Milei, foi um dos primeiros a comemorar a ação
dos Estados Unidos que retirou o presidente venezuelano Nicolás Maduro de
Caracas, nesta madrugada. “A liberdade avança”, escreveu Milei em suas redes
sociais. Ele ainda postou trechos de seu discurso na última reunião do
Mercosul, realizada em dezembro em Foz de Iguaçu, no qual criticou Maduro
diante dos presidentes dos países do bloco, incluindo o anfitrião, o presidente
Lula.
Abismo
cada vez maior e ‘grupo de 10 países da direita e extrema-direita’
Na sua
fala, em Foz de Iguaçu, Milei chamou Maduro de ‘narcoterrorista’ e disse que a
Venezuela precisava de Trump para ser “libertada”. Sua postagem, neste sábado
(3), termina com uma imagem do presidente Lula ao lado de Maduro, num claro ato
de Milei de se distanciar ainda mais do líder brasileiro e se associar, mais
fortemente ainda, com Trump. Além de uma provocação política no contexto atual.
O
abismo político e ideológico entre os presidentes do Brasil e da Argentina é
cada vez maior e ocorre quando presidentes de direita e de extrema-direita são
eleitos na América do Sul – Chile, com José Antonio Kast, que toma posse em
março, Bolívia, com Rodrigo Paz, Equador, com Noboa, Paraguai, com Santiago
Peña....
Milei
disse que está sendo criado um grupo de dez países da direita e da
extrema-direita e que deseja que Trump participe da primeira reunião, neste
ano, em Buenos Aires. Ele claramente intensifica sua oposição aos líderes de
esquerda, centro-esquerda, do campo progressista e pretende ser o ‘principal
apoiador, o ‘pilar’ ou ‘extensão’ das ações de Trump na América do Sul.
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Scheiunbaum e Petro estão com Lula e contra Trump
“O
México condena e rejeita energicamente as ações militares dos Estados Unidos na
Venezuela”, diz o comunicado do país presidido por Claudia Scheinbaum. A
presidenta já tinha feito uma série de declarações e postagens defendendo a
soberania venezuelana, citando a carta das Nações Unidas e defendendo o
diálogo.
O
presidente colombiano Gustavo Petro também condenou a ação dos Estados Unidos
contra Maduro. Ele já vinha sendo, publicamente, um dos principais críticos dos
ataques bélicos do governo Trump nas águas do Caribe Sul, em frente à
Venezuela, e do Pacífico, perto da região da Colômbia. Os dois países são
vizinhos do Brasil, o maior país da América Latina. Recentemente, os Estados
Unidos retiraram o visto de Petro por ele ter participado de uma manifestação
pró-Palestina em Nova York, quando foi realizada a Assembleia Geral das Nações
Unidas. Neste sábado, logo cedo, ele escreveu em suas redes sociais: “A
Colômbia reitera sua convicção de que a paz, o respeito ao direito
internacional e a proteção da vida e da dignidade humana devem prevalecer sobre
qualquer forma de confronto armado”.
Neste
ambiente de forte tensão e preocupação, as declarações do presidente Lula eram
aguardadas com ansiedade entre os líderes e analistas da região. “Ultrapassam
uma linha inaceitável”, afirmou Lula. “(Os ataques) representam uma afronta
gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso
para toda a comunidade internacional”, disse.
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Repercussão das declarações de Lula
As
declarações do presidente Lula tiveram repercussão imediata na imprensa
internacional, com destaques no Página 12, de Buenos Aires, e agências
internacionais de notícias. Lula, Petro e Claudia Scheinbaum são os líderes
opostos a Milei e outros presidentes da direita e da extrema-direita que apoiam
Trump. O atual mapa político da América Latina é muito diferente daquele que
existiu no inicio deste século, quando o presidente Lula dialogava com seus
pares, Mujica, Tabaré, os Kirchner, entre outros.
Neste
ano de 2026, serão realizadas eleições – além do pleito no Brasil – no Peru, na
Colômbia, no Haiti e na Costa Rica. Mas o foco atual está na América do Sul,
principalmente depois que Trump retornou à Casa Branca em janeiro e colocou a
mira da sua artilharia na Venezuela.
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Seis perguntas ainda sem respostas
Várias
perguntas ainda estão sem resposta depois deste ataque direto, dentro do
território venezuelano, com a retirada de Maduro de Caracas. Seis destas
perguntas, por enquanto:
. O
governo Trump contou com ajuda interna (dissidências militares) para chegar a
Maduro e a sua esposa Cilia Flores, nesta madrugada? Era público que a CIA
estava no país, como chegou a informar o New York Times, em outubro.
. Quem
governará a Venezuela? Os principais aliados de Maduro, como a vice-presidenta
Delcy Rodriguez, que foi ministra das Relações Exteriores e o ministro do
Interior, Diosdado Cabello, foram os primeiros a comunicar nesta manhã de
sábado que Maduro tinha sido “capturado e tirado” da Venezuela, exigindo
informações sobre seu paradeiro e “prova de vida” dele, antes que Marco Rubio,
dos Estados Unidos, afirmasse que ele tinha sido levado para ser “julgado” em
Nova York.
. Maria
Corina Machado, principal opositora de Maduro, que tem apoio de Trump, de Milei
e outros presidentes da região, e que deixou a Venezuela para receber o Prêmio
Nobel da Paz, sabia da operação militar para retirar o venezuelano de Caracas
neste sábado? Ela disse, nesta semana, que voltaria ‘em breve’ para o país
caribenho. Voltará? O que fará?
. Os
ataques com mísseis nas águas do Caribe Sul, em frente à Venezuela, que
começaram no fim de agosto e início de setembro, acabaram?
. Os
EUA tinha iniciado os ataques (então verbais) contra Maduro sob o argumento de
que ele era parte de cartéis de tráfico de drogas. Depois passou a afirmar que
a questão era o petróleo que pertenceria aos EUA – a Venezuela tem uma das
maiores reservas de petróleo do mundo e a América do Sul em seu conjunto possui
alguns dos maiores recursos naturais do planeta, como água, lítio, petróleo e
gás....
. Como
fica o diálogo entre Lula e Trump depois deste sábado, dia três de janeiro de
2026?
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Não passou de calúnia: Sem provas, EUA recuam de acusação
que atribuía liderança de narcotráfico a Maduro
O
governo dos Estados Unidos recuou de uma das principais acusações contra o
líder venezuelano Nicolás Maduro e deixou de atribuir ao presidente deposto a
chefia de um suposto grupo de narcotraficantes chamado "Cartel de los
Soles".
A
mudança está em uma nova versão do ato de acusação contra Maduro, tornada
pública pelo Departamento de Justiça após a captura do chavista pelos EUA, no
último sábado (3).
No
documento original, de 2020, Maduro era descrito como o líder do suposto Cartel
de los Soles, termo mencionado 32 vezes.
Esse
também foi o tom adotado pela gestão de Donald Trump durante todo o ano de
2025, quando o alegado grupo foi declarado como "terrorista" pela
Casa Branca.
A nova
acusação, no entanto, cita a organização apenas duas vezes, descrevendo-a não
como um cartel formal, mas como um "sistema de clientelismo" e uma
"cultura de corrupção" alimentada por recursos do narcotráfico.
Segundo
a versão atualizada, os lucros do tráfico de drogas "fluem para
funcionários civis, militares e de inteligência corruptos em níveis mais
baixos, que operam dentro de um sistema de clientelismo gerenciado por aqueles
que estão no topo — indicados como Cartel de los Soles, uma referência ao
emblema de sol usado nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alto
escalão".
De
acordo com a acusação, Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, participaram,
perpetuaram e protegeram esse suposto esquema de clientelismo.
Especialistas
em crime organizado na América Latina há muito argumentam que "Cartel de
los Soles" é um termo coloquial criado pela mídia venezuelana nos anos
1990, antes da ascensão de Chávez ao poder, para se referir a redes de
funcionários corruptos envolvidos com o narcotráfico, e não a um cartel
hierárquico, como os colombianos e mexicanos.
O recuo
na caracterização do suposto cartel joga dúvidas adicionais sobre a
legitimidade da designação antiterrorista aplicada pelo governo Trump no ano
passado, embora as acusações centrais contra Maduro de envolvimento com o
narcotráfico permaneçam.
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Trump diz que EUA vão supervisionar a Venezuela por no
mínimo um ano
O
presidente Donald Trump disse que espera que os Estados Unidos supervisionem a
Venezuela e administrem suas reservas de petróleo por, no mínimo, um ano.
Em
entrevista publicada pelo jornal The New York Times nesta quinta-feira, 8,
Trump afirmou que "só o tempo dirá" até quando os EUA supervisão
diretamente o país sul-americano.
No
entanto, quando questionado se isso significava três meses, seis meses ou um
ano, o republicano respondeu: "Eu diria muito mais tempo".
No
sábado, 3, um ataque militar dos Estados Unidos capturou o líder venezuelano
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Os dois foram levados a Nova York
para serem julgados por ligação com o narcotráfico. Delcy Rodríguez, vice de
Maduro, assumiu a presidência interinamente diante do vácuo de poder.
A
afirmação do líder americano sobre o domínio dos EUA sobre a Venezuela, dona
das maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo, ocorre apesar de
Rodríguez ter dito logo após a posse que nenhum "agente externo"
governa Caracas.
Trump
também afirmou que a Venezuela seria "reconstruída de forma muito
lucrativa, ressaltando que os EUA estão atualmente "se dando muito
bem" com o governo de Rodríguez.
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Plano para a Venezuela
Na
quarta-feira, o governo Trump deixou claro que ditaria as decisões tomadas
pelos líderes da Venezuela e controlaria as vendas de petróleo do país
"indefinidamente".
O
secretário de Estado americano, Marco Rubio , divulgou que os EUA têm um plano
de três etapas para a Venezuela, que envolve estabilização, recuperação e
transição. A proposta está diretamente atrelada à abertura do petróleo
venezuelano a empresas petrolíferas americanas e, segundo Rubio, previne a
Venezuela de "mergulhar no caos".
Pouco
antes, o Departamento de Energia americano havia suspendido algumas de suas
sanções contra Caracas para permitir o transporte e a venda de petróleo
venezuelano no mercado global.
A pasta
também indicou que Washington controlará por tempo "indefinido" a
distribuição do petróleo venezuelano aos mercados globais. Já o lucro do
petróleo sancionado e confiscado pelos EUA ficará retido em contas controladas
pelo governo americano antes de ser distribuído.
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Venezuela reporta 100 mortos
Também
na quarta-feira, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello,
informou que 100 pessoas morreram no ataque dos EUA. Até então, Caracas não
havia divulgado um número de mortos. Autoridades venezuelanas disseram que
grande parte do contingente de segurança de Maduro foi morta "a sangue
frio". Cuba afirmou que 32 membros de suas forças armadas e serviços de
inteligência na Venezuela foram mortos.
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Trump impõe condições para manter Delcy Rodríguez no poder
O
governo de Donald Trump estabeleceu um conjunto rigoroso de exigências para
avalizar a permanência de Delcy Rodríguez na presidência da Venezuela. O
ultimato de Washington ocorre na esteira da captura de Nicolás Maduro e
sinaliza uma tutela direta sobre a transição política no país sul-americano.
Para manter o cargo, Rodríguez deverá romper alianças estratégicas com Cuba e
Irã, além de priorizar petroleiras dos Estados Unidos na exploração das
reservas nacionais.
O
desenho do pacto revelado pelo site Politico e confirmado por
diplomatas latino-americanos na ONU ao ICL Notícias, prevê que
Caracas interrompa imediatamente o fornecimento de petróleo a adversários dos
EUA. A estratégia visa não apenas garantir o suprimento energético, mas frear
tentativas de desdolarização do setor de combustíveis.
Segundo
Stephen Miller, assessor de segurança interna da Casa Branca, o novo governo
venezuelano já sinalizou submissão: as autoridades enviaram mensagens deixando
“claro que irão cumprir os termos, demandas, condições e requisitos dos Estados
Unidos”, afirmou durante entrevista à CNN.
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Petróleo sob gestão americana
A
reconstrução da infraestrutura petrolífera venezuelana, degradada por anos de
subinvestimento e sanções, é a espinha dorsal do plano de Trump. O presidente
americano sugeriu que Washington pode subsidiar os esforços de empresas como
Exxon Mobil, Chevron e ConocoPhillips para retomar a produção em larga escala.
Em
entrevista à NBC News, Trump estimou que o setor poderia estar em pleno
funcionamento em menos de 18 meses, embora especialistas projetem um prazo de
até uma década.
“Uma
quantidade tremenda de dinheiro terá de ser gasta, e as empresas de petróleo
vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou por meio de receitas”,
afirmou o republicano. Para Trump, uma Venezuela produtora é vital para
“reduzir os preços do petróleo” no mercado global.
Apesar
do otimismo da Casa Branca, as grandes companhias mantêm cautela. A Chevron,
única gigante que ainda opera no país, afirmou estar focada na integridade de
seus ativos, enquanto a ConocoPhillips classificou como “prematuro especular
sobre quaisquer atividades comerciais”.
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O isolamento da oposição e o adiamento de eleições
A
estratégia americana para Caracas também promove um rearranjo nas forças
políticas locais. A Casa Branca tem adotado um tom de distanciamento em relação
a María Corina Machado, principal líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz
de 2025. Trump minimizou o papel de Machado, descrevendo-a como uma figura sem
apoio suficiente para garantir a estabilidade doméstica.
A
prioridade de Washington, no momento, seria evitar um vácuo de poder que
resulte em crise migratória. Por isso, a realização de novas eleições não é
vista como urgente. “Primeiro temos de consertar o país. Não dá para ter uma
eleição. Não há como as pessoas sequer conseguirem votar”, declarou Trump.
Enquanto
Delcy Rodríguez busca se equilibrar entre as exigências de Washington e a
manutenção das instituições internas, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia
Flores, enfrentam o sistema judiciário americano. Ambos compareceram a um
tribunal federal em Nova York nesta segunda-feira (5), onde Maduro se declarou
inocente das acusações de tráfico de drogas e armas.
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Reação diplomática e riscos regionais
O
avanço da influência americana sobre a gestão de Caracas gera desconforto em
vizinhos regionais. Na ONU, o Itamaraty manifestou preocupação com a soberania
venezuelana, alertando que a transformação do país em um protetorado dos EUA
não seria bem aceita pelo governo brasileiro.
A
administração Trump, contudo, mantém o tom de advertência. O secretário de
Estado, Marco Rubio, indicou que uma “quarentena” será aplicada a petroleiros
sancionados até que o cumprimento integral do acordo seja verificado. Caso o
governo interino de Rodríguez recue nas promessas, Trump já advertiu que os
Estados Unidos estão preparados para uma ofensiva militar ainda mais agressiva.
Fonte:
Brasil 247/JB/Reuters/Jornal GGN

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