sábado, 17 de janeiro de 2026

FANATISMO RASO: Por que devemos nos preocupar com o “boicote às havaianas”?

No fim de dezembro de 2025, a marca de sandálias Havaianas lançou uma propaganda em que a atriz Fernanda Torres dizia: “desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo, de corpo e alma, da cabeça aos pés. Havaianas, todo mundo usa, todo mundo ama”.

A peça publicitária faz menção ao ditado popular “começar com o pé direito”, isto é, começar bem e com sorte. Entretanto, essa não foi a interpretação que pessoas de (extrema-)direita fizeram. Em vez de associar a marca a um ano próspero sem depender da sorte, encararam as falas da atriz do filme premiado Ainda Estou Aqui como uma panfletagem esquerdista contra a direita brasileira.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, em um vídeo publicado nas redes sociais, surgiu descartando um par de sandálias da marca e dizendo que começaria o ano “com o pé direito, mas não de Havaianas”. Para ele, trata-se de uma campanha ideológica e merece o boicote. Já o deputado Nikolas Ferreira escreveu que “Havaianas, nem todo mundo agora vai usar”, estimulando que apoiadores deixassem de comprar os produtos da empresa. O deputado Rodrigo Valadares fez a seguinte declaração no X: “Havaianas faz campanha política explícita contra a direita. Seguimos firmes na defesa de Deus, pátria, família e liberdade. Por aqui, vamos de Rider, Ipanema, Crocs e outras”. Outros influenciadores e políticos alinhados à direita também passaram a criticar a peça de publicidade e a associaram a um pretenso posicionamento político da empresa.

Esse comportamento ganhou proporções gigantescas, e muitas pessoas comuns passaram a divulgar essas mensagens de boicote às Havaianas. Houve lojas “queimando estoque” para se desfazer da marca. Um caso curioso ocorreu em uma loja de Brusque (Santa Catarina) que vendeu as sandálias por R$ 1,00 e esgotou seu estoque em poucas horas. E houve quem comprou a sandália (na promoção ou não) simplesmente para gravar um vídeo em que jogava fora o produto ou o destruía para endossar esse movimento massivo de ódio à empresa.

<><> Propagandas anteriores com possível viés político

Em 2014, o craque Romário e já deputado federal também participou de um anúncio da marca com o teor parecido com o de 2025. Naquele, Romário compra um par de sandálias e pediu à vendedora uma “sacolinha” para cada pé. Na cena seguinte, o ex-jogador estava assistindo ao jogo da copa com várias pessoas numa sala de estar. Um rapaz perguntou a Romário onde estaria o pé esquerdo da sandália uma vez que Romário estaria usando apenas o pé direito. A resposta veio na última cena do comercial em que aparece um pacote embrulhado, provavelmente, com a sandália esquerda dentro. O remetente era Romário e o destinatário era Maradona, ex-craque e ex-técnico da seleção Argentina. O narrador fechou o anúncio dizendo: “o pé direito é nosso”.

A premissa é a mesma da propaganda de 2025: o pé direito é o pé da sorte, retomando o ditado popular. E naquele momento, não gerou polêmica política. O Brasil vivia a sua segunda copa do mundo como sede, mas o clima político não estava ameno. Entre 2013 e 2014, a presidente Dilma Rousseff sofreu pedidos de impeachment, e as ruas estavam cheias de manifestantes contra o quarto mandato petista. Ainda assim, o anúncio não foi associado a um viés político.

Mudando o produto, em fevereiro de 1998, a propaganda do “Comandante Limpol”, interpretado pelo ator Carlos Moreno, utilizava a imagem de Che Guevara e a música “Hasta Siempre” como fundo, com a icônica frase: “Quer dizer: Limpol. Dureza contra a gordura, suavidade para suas mãos”. Antes de falar a frase em português, o ator disse a frase famosa de suposta autoria de Che Guevara: “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Nesse anúncio, a política está muito mais explícita, associando a frase do revolucionário como qualidades do detergente: duro contra a sujeira e suave para as mãos da dona de casa. Novamente, a peça publicitária não gerou polêmicas entre partidários da direita ou da esquerda e não houve boicote à marca. Pelo contrário, as propagandas criadas pelo publicitário Washington Olivetto e a atuação de Carlos Moreno eram esperadas e apreciadas pelo público em geral devido à sua criatividade.

O que faz uma peça publicitária tão politizada como a que aparece a figura de Che Guevara não gerar polêmica em 1998 enquanto uma propaganda em 2025 que apenas se utiliza de um ditado popular termina em boicote dessa marca? Bem, pelo viés materialista (Marx; Engels, 2007), podemos sugerir que as condições materiais e históricas são outras. Desse modo, é necessário compreendermos como o direcionamento ideológico está enviesando a interpretação.

<><> A interpretação enviesada

A partir dos estudos críticos da sociedade e do capitalismo, Karl Marx (Marx; Engels, 2007) chegou ao método do materialismo histórico e dialético, em que analisou as condições materiais com relativa amplitude em busca de suas contradições, isto é, o que de fato ocorre numa época e como a sociedade como um todo é afetada. Desse modo, é possível perceber que ao mesmo tempo que a sociedade de uma época é afetada por uma estrutura, ela também é capaz de modificar essa estrutura. Desse modo, o pensamento de uma sociedade é fruto de sua época e de suas contradições.

Louis Althusser (1987), na esteira de Marx, vai dizer que os indivíduos são interpelados pela ideologia, e que apenas assim, tornam-se sujeitos. Desse modo, as contradições de uma dada época são representadas na luta de classes e a ideologia é controlada pelos aparelhos ideológicos do Estado (Religião, Política, Escola, Família, Mídia), forjando assim o pensamento das classes populares. Se quem controla os aparelhos é a classe dominante, o que é difundido é o pensamento da classe dominante. Desse modo, seus interesses e privilégios são protegidos.

Michel Pêcheux (1995) vai dizer que as formações ideológicas posicionam o sujeito falante na sociedade, isto é, o significado que cada sujeito tem da vida está relacionado com a ideologia que o atravessa e determina suas convicções. Desse modo, qualquer palavra ou expressão passará pelo filtro da formação ideológica de cada indivíduo. A palavra “comunismo” numa formação ideológica de esquerda vai sugerir uma compreensão de que é um movimento político e um modo de produção que objetiva a extinção das classes sociais; já numa formação ideológica de direita vai sugerir a compreensão de um sistema ditatorial. Claro que esse é um exemplo bem simples para exemplificar, pois, para chegar a essas definições, há todo um percurso histórico e dialético do método materialista.

Portanto, as reações das pessoas estão fundamentadas nesse percurso histórico e dialético que forja a posição ideológica dos indivíduos numa sociedade. Em palavras mais diretas, é possível perceber se a sociedade é mais progressiva ou mais conservadora, se mais laica ou mais religiosa, mais radical ou mais moderada, de acordo com os discursos (as produções orais e escritas) dessa sociedade. Para isso, vamos fazer um exercício para analisar mais alguns exemplos que se manifestaram no Brasil nos últimos anos.

<><> Exemplos concretos de um fanatismo recente no Brasil

Os seguintes exemplos foram escolhidos por uma questão pragmática: a maior parte do legislativo brasileiro é composta por políticos de direita e de extrema-direita. Assim, é possível fazer uma relação com a posição política majoritária no Brasil. Numa questão quantitativa, as pautas da esquerda raramente ganham tanta projeção como as manifestações da direita.

<><> Negacionismo

O negacionismo da extrema-direita é a recusa em aceitar fatos comprovados, sejam eles científicos ou históricos, utilizando essa negação como uma estratégia política para sustentar seu posicionamento e seus projetos de poder. Este fenômeno é impulsionado pela desconfiança nas instituições tradicionais e potencializado pelo uso das redes sociais.

O negacionismo vacinal no Brasil durante a pandemia de COVID-19 foi um fenômeno notável, caracterizado pela disseminação de desinformação, questionamento da eficácia e segurança dos imunizantes, e, em grande parte, pelo negacionismo institucional por parte do governo aparelhado de Jair Bolsonaro. Houve uma disseminação massiva de informações falsas pelas redes sociais, que, mesmo após serem desmentidas, continuavam a influenciar a população. O negacionismo vacinal no Brasil contribuiu e contribui para a baixa nas taxas de cobertura atuais.

O Brasil não tem atingido mais a meta de 95% de cobertura vacinal para a maioria dos imunizantes do calendário há alguns anos, com as taxas rondando perigosamente 85%. A desinformação e as notícias falsas sobre vacinas cresceram exponencialmente durante a pandemia, impactando a confiança geral na imunização. As principais doenças que voltaram a ser uma preocupação devido à baixa adesão às vacinas incluem: sarampo; poliomielite; coqueluche; difteria; rubéola; e caxumba.

<><> Lei estadual em SC

A Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) aprovou no dia 10 de dezembro de 2025 um projeto de lei que proíbe a adoção de cotas e outras ações afirmativas em instituições de ensino superior da rede pública ou que recebam verbas públicas estaduais. De autoria do deputado Alex Brasil (PL), a aprovação ocorreu com 24 votos favoráveis e sete votos contrários. Agora, segue para sanção do governador Jorginho Mello (PL).

Votos contra o projeto: Fabiano da Luz (PT); Marquito (PSOL); Neodi Saretta (PT); Padre Pedro (PT); Paulinha (Podemos); Rodrigo Minotto (PDT); e Vicente Caropreso (PSDB). Praticamente todos os votos são de partidos de esquerda e progressistas, com exceção de 1 voto do Podemos e de 1 voto do PSDB.

Votos favoráveis: Alex Brasil (PL); Altair Silva (PP); Ana Campagnolo (PL); Antídio Lunelli (MDB); Camilo Martins (Podemos); Carlos Humberto (PL); Emerson Stein (MDB); Fernando Krelling (MDB); Ivan Naatz (PL); Jair Miotto (União Brasil); Jessé Lopes (PL); Junior Cardoso (PRD); Lucas Neves (Podemos); Marcos da Rosa (União Brasil); Marcius Machado (PL); Matheus Cadorin (Novo); Maurício Eskudlark (PL); Maurício Peixer (PL); Napoleão Bernardes (PSD); Nilso Berlanda (PL); Oscar Gutz (PL); Pepê Collaço (PP); Tiago Zilli (MDB); e Volnei Weber (MDB).

Essa medida estabelece um retrocesso social na história do Brasil. Simplesmente repele políticas de inclusão e justiça social, pois as cotas raciais foram criadas para enfrentar desigualdades históricas e estruturais que marginalizam pessoas negras, indígenas e outros grupos racializados no acesso ao ensino superior. Não passa de preconceito disfarçado sob o mito da meritocracia.

<><> Aborto

O aborto é uma temática que envolve mais do que política, mas também forte apelo religioso. Embora a ciência já tenha explicado quais são as formas seguras de fazê-lo, já se tenha sua permissão na lei e que grande parte dos países desenvolvidos já o permitam, o Brasil segue na contramão do progresso.

A criança de 10 anos que engravidou após ser violentada por um tio em São Mateus (ES) conseguiu realizar o procedimento de aborto em agosto de 2020 após o Tribunal de Justiça do Espírito Santo conceder a ela o direito previsto na lei brasileira de interromper uma gravidez fruto de um estupro. Contudo, o processo virou joguete político, depois de ser vazado para a imprensa. Na época, o caso ganhou repercussão depois que a ministra Damares Alves, da Secretaria da Mulher, questionando a lei que aprovou o aborto e a clínica que efetuou o procedimento. Para os evangélicos (e cristãos em geral), trata-se de assassinato; entretanto, a ciência médica defende que não é se for feito até o terceiro mês de gravidez. O médico deste caso foi Olympio Filho, que, há 12 anos, foi excomungado pela Igreja de Pernambuco por interromper a gravidez de uma menina de 9 anos, que também havia sido estuprada.

Já em 2022, a juíza Joana Ribeiro Zimmer impediu uma menina de 11 anos de fazer um aborto depois de ter sido estuprada, em Santa Catarina, e foi promovida e transferida da 1ª Vara Cível de Tijucas para Brusque. A juíza enviou a menina para um abrigo, impedindo que ela fosse submetida ao procedimento. A justificativa foi a de proteger a criança, porque causa dos indícios de que os abusos ocorriam em casa. Mas, na decisão: “Se no início da medida protetiva o motivo do acolhimento institucional era a presença de suspeitos homens na casa, o fato é que, doravante, o risco é que a mãe efetue algum procedimento para operar a morte do bebê”, escreveu Joana. Fanatismo religioso ainda não permite a descriminalização do aborto no Brasil, levando muitas mulheres, principalmente pobres e negras, à morte por procedimentos em clínicas clandestinas.

<><> Igreja tombada e SUS

Repercussão causada pelo desconhecimento do termo técnico “tombamento”. O vereador Clayton Sassá (União Brasil), da cidade de Capão Bonito (SP), confundiu o sentido da palavra “tombamento” durante uma votação na Câmara Municipal, em junho de 2025. Nas suas palavras: “Se trata de uma igreja histórica, 150 anos. Não são 150 dias, não são 150 meses. Sou totalmente contrário ao tombamento dessa igreja. Ao contrário, tem que se tornar um patrimônio público e histórico do nosso município porque é uma marca para a Igreja Católica”. Ainda que sua defesa seja justa, demonstrou desconhecimento do termo técnico usado na legislação. Esse não é um caso isolado de parlamentares da extrema-direita que demonstram profundo desconhecimento sobre pautas que acusam ou defendem.

Nessa mesma linha, o deputado estadual por São Paulo Guto Zacarias (União Brasil), participou do Canal Spectrum, no dia 11 de dezembro de 2025: “Guto Zacarias vs 20 Ativistas LGBT”. Na ocasião, discutiam sobre o SUS, transição de gênero e castração química, entre outros tópicos relacionados. O deputado demonstrou total despreparo e conhecimento sobre o SUS, objeto de seus projetos de lei. Em um momento do programa, foi perguntado a ele sobre os princípios básicos do SUS. Sem obter resposta, a pessoa que fez a pergunta respondeu: Universalidade (saúde como direito de todos e dever do Estado), Equidade (tratar desigualmente os desiguais para reduzir desigualdades) e Integralidade (cuidado completo: promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, vendo a pessoa como um todo).

Outro caso que ficou famoso foi o do Ministro da Saúde que não sabia da existência do SUS. Ministro de Bolsonaro, Eduardo Pazuello assumiu o Ministério da Saúde em 16 de maio de 2020 e ficou até 23 de março de 2021. Pazuello gerou polêmica sobre seu posto ao dizer que: “Eu não sabia nem o que era o SUS”. Essa fala repercutiu mal porque o governo de Bolsonaro insistia em dizer que era um governo de ministros técnicos. Pazuello, além de não ser médico, nem sabia da existência do principal sistema público de saúde do Brasil.

<><> Bolsonaro negando projetos do PSOL sem os ler

Em 7 de junho de 2021, Jair Bolsonaro afirmou publicamente que votava contra projetos do PSOL sem sequer tomar conhecimento do seu conteúdo. Nas suas palavras: “Se é do PSOL, sou 100% contra. Não interessa qual é o projeto”. Políticos assim estão muito mais preocupados com a própria visão de mundo do que com a melhoria de vida da população. Logo, melhor não se preocupar com a vida da população do que aprovar uma proposta boa da esquerda.

<><> Populismo

Esse tipo de comportamento dos parlamentares de partidos conservadores e ligados à religião é endossado pelos eleitores que os elegem. Esse populismo contemporâneo brasileiro instaura um inimigo invisível que é o “comunismo ceifador da liberdade” e cresce ao gerar medo e ódio ao diferente e a tudo que possa representar esse inimigo inventado. Portanto, o deslocamento do povo para pautas de extrema-direita é coerente, já que o comunismo está na outra ponta (a “extrema-esquerda”). Segundo Wodak (2015) Os populistas “ressignificam” crises reais ou inventadas, apresentando-as como ameaças existenciais ao “povo” e à “nação”; como resultado direto da traição das elites; e como culpa de “outros” internalizados (imigrantes, muçulmanos, “parasitas”). Essa retórica cria um estado de emergência permanente que justifica medidas autoritárias e a deslegitimação de opositores, pois o discurso populista edifica uma identidade nacional positiva (“nós”) através da identificação negativa contra um “eles”. Agora podemos responder a pergunta do título.

<><> Por que devemos nos preocupar com o “boicote às Havaianas”?

O que preocupa não é o boicote em si a uma marca qualquer, mas o comportamento social e o gatilho que gerou tal ação. A política no Brasil vem esvaziando seus conteúdos e seus debates sérios. A “defesa da moral” vem sendo sobreposta a pautas de interesse material de seu povo como um todo. Um Estado laico deve responder à sua constituição, e não a uma bíblia (escrita e reescrita centenas de vezes há mais de centenas de anos). Aliás, o Estado não deve responder à religião alguma, ainda que o Brasil caminhe para um Estado fundamentalista – a criminalização do aborto em pleno 2025 é um bom exemplo.

Não é uma questão abstrata de ideologia, pois, de acordo com as teorias materialistas (Pêcheux, 1995), reproduzimos as ideologias que nos atravessam e nos tornamos sujeitos. Dito de outro modo, as condições materiais brasileiras vêm tornando o Brasil um país que rachou em nome de um brutal extremismo de direita, revelando suas contradições que não são percebidas pela metade do país. Em exemplos concretos, a pandemia mostrou que 700 mil mortes por negligência foi apenas a ponta de um problema que viria mais adiante: movimento antivacina, desconfiança do processo eleitoral, tentativa de golpe no 8 de janeiro, discursos eleitorais que prometem a bíblia como Constituição, assassinatos de opositores políticos e violência policial autorizada.

Todas essas ações sendo aplaudidas por pessoas que defendem o cancelamento do outro, do diferente, do pobre, do trans, do negro, da mulher; entretanto, quando foram presas pelo atentado de 8 de janeiro, pediram direitos humanos e melhores condições nas cadeias. Devido ao alto nível de ignorância, é muito provável que, uma vez fora da prisão, essas mesmas pessoas voltem a defender pena de morte e o fim dos direitos humanos.

Então, sair pulando com um pé só diante das lojas das Havaianas demonstra mais do que pouca inteligência e reflexão crítica, mas o espelho de parte de uma sociedade doente, que segue, sem nenhum viés crítico, líderes que defendem tortura, morte, negacionismo, extremismo religioso, sem questionamentos ou compromisso real com o país.

A única preocupação é seguir discursos vazios que confirmem seus preconceitos e seu ódio ao próximo. Como fantoches de um esquema muito bem articulado, agem sem refletir por um momento em tais ações enquanto, na calada da noite, esses mesmos políticos fazem votações no parlamento para aumentar seus próprios privilégios e os da classe dominante; classe essa que os mantém em posição de usurpar um pouco mais do limitado controle que lhes é permitido ter.

 

Fonte: Por Victor Hugo da Silva Vasconcellos, no Le Monde

 

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