sábado, 17 de janeiro de 2026


 

Onde ficam as "zonas azuis": os 5 lugares do planeta com mais pessoas acima de 100 anos

As “zonas azuis” podem ser o segredo para viver até os 100 anos ou mais de forma saudável e tranquila. Essa é a descoberta do Explorador da National Geographic, Dan Buettner.

Desde 2004, Buettner estuda locais que não apenas apresentam altas concentrações de pessoas com mais de 100 anos, mas também grupos de pessoas que envelheceram sem os problemas de saúde tradicionais como doenças cardíacas, obesidade, câncer ou diabetes.

Suas descobertas inspiraram livros como a obra de sua autoria: "Os Segredos das Zonas Azuis para Viver Mais: Lições dos Lugares Mais Saudáveis da Terra", e despertaram o interesse mundial nesses locais e até mesmo deram origem a séries documentais.

Mas onde ficam essas “zonas azuis”, o que as torna tão saudáveis e o que podemos aprender com elas, mesmo que não se more perto de uma delas? Aqui está tudo o que você precisa saber sobre as zonas azuis.

<><> O que define uma zona azul?

A pesquisa de Buettner o levou a identificar cinco regiões no mundo que ele apelidou de "zonas azuis". Essas são áreas "demograficamente confirmadas e geograficamente definidas" na Terra onde as pessoas estão vivendo até os 100 anos e com taxas extraordinárias — 10 vezes maiores do que nos Estados Unidos.

Embora estejam separadas por grandes distâncias, essas zonas azuis certificadas compartilham nove princípios básicos que, segundo os pesquisadores, contribuem para vidas longas e felizes. Entre eles estão estilos de vida com baixo nível de estresse que incentivam a prática regular de exercícios, um forte senso de propósito e uma dieta baseada em vegetais.

Para se tornar uma zona azul certificada, uma área deve atender a três conjuntos de critérios: documentação confiável das taxas de natalidade e mortalidade, alta longevidade nacional em comparação com o resto do mundo e alta longevidade local.

<><> Onde estão as 5 zonas azuis da Terra?

As cinco zonas azuis estão localizadas na ilha de Ikaria, na Grécia;  a ilha de Okinawa, no Japão; a região de Ogliastra, na Sardenha, Itália; a cidade de Loma Linda, na Califórnia, Estados Unidos; e Península de Nicoya, na Costa Rica.

A maior ilha de um arquipélago subtropical controlado pelo Japão, Okinawa, é o lar das mulheres mais longevas do mundo. Alimentos básicos como batata-doce okinawana, soja, artemísia, cúrcuma e goya (melão amargo) contribuem para que os okinawanos vivam vidas longas e saudáveis. Buettner iniciou sua pesquisa sobre longevidade em Okinawa.

Localizada a 8Km da costa da Turquia, no Mar Egeu, a ilha de Ikaria, na Grécia, apresenta algumas das menores taxas de mortalidade na meia-idade e de demência do mundo.

Pesquisas relacionam o aumento da longevidade desses superidosos gregos com a dieta mediterrânea tradicional, rica em vegetais e gorduras saudáveis e com menor consumo de laticínios e carne.

As terras altas montanhosas da Sardenha, na Itália, abrigam a maior concentração mundial de homens centenários. Sua população consome uma dieta com baixo teor de proteína, associada a menores taxas de diabetes, câncer e mortalidade em pessoas com menos de 65 anos.

Nicoya está localizada em uma região da América Central, na Costa Rica, com a menor taxa de mortalidade na meia-idade do mundo e a segunda maior concentração de homens centenários.

O segredo da longevidade aqui reside, em parte, em comunidades religiosas fortes, redes sociais sólidas e hábitos de atividade física regular e de baixa intensidade.

A alta concentração de adventistas do 7º dia na cidade californiana de Loma Linda é creditada por proporcionar aos moradores 10 anos a mais de saúde do que a média norte-americana. As refeições diárias neste subúrbio de Los Angeles seguem uma dieta bíblica à base de grãos, frutas, nozes e vegetais.

<><> O que é a ‘Dieta das Zonas Azuis’?

A genética desempenha um papel fundamental na nossa longevidade, mas a alimentação pode ser "a porta de entrada para uma saúde melhor", afirma Buettner.

A Dieta das Zonas Azuis baseia-se nos hábitos alimentares dos habitantes dessas zonas. Cerca de 95% da sua alimentação é de origem vegetal e 5% de origem animal. Isso se traduz numa base de frutas e vegetais da estação, bastante feijão e batata-doce, nozes e grãos integrais.

A dieta incentiva a redução do consumo de carne, laticínios e peixe. Quando os habitantes das Zonas Azuis consomem peixe, tendem a optar por espécies menores e não sobre pescadas, como sardinhas e anchovas. A dieta também segue a "regra dos 80%", que incentiva as pessoas a pararem de comer quando se sentirem quase satisfeitas.

Muitos estudos mostram que uma dieta típica das Zonas Azuis pode levar a uma melhor saúde e ao aumento da expectativa de vida. De acordo com o Estudo de Saúde Adventista da Universidade Loma Linda, que acompanha milhares de participantes desde 1974, uma dieta pesco-vegetariana pode reduzir o risco de morte em idosos em 18%.

No entanto, alimentar-se corretamente é apenas parte da solução. Afinal, “nem só de pão viverá o homem”. A chave para uma vida longa e saudável pode começar com uma boa alimentação, mas se fortalece com relacionamentos sólidos, atividade física regular e uma comunidade unida. A boa notícia é que você não precisa morar em uma Zona Azul certificada para desfrutar desses benefícios.

 

Fonte: National Geographic Brasil


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