segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Escova inteligente limpa dentes em 20 segundos e detecta doenças

A maior feira de tecnologia do mundo, a CIES, realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos, apresentou uma inovação que promete revolucionar a higiene bucal e o monitoramento da saúde: uma escova elétrica capaz de limpar todos os dentes simultaneamente em apenas 20 segundos.

O especialista em tecnologia Gabriel Rime, em parceria com o CanalTech, mostrou para a CNN Brasil como funciona a Y-Brush. Diferente das escovas de dente convencionais, que exigem a escovação de um dente por vez, a tecnologia possui um formato semelhante a uma prótese que se adapta à arcada dentária.

O usuário coloca o dispositivo na parte inferior e depois na superior da boca, completando todo o processo de escovação em cerca de 20 segundos — muito menos tempo do que os tradicionais dois minutos recomendados para a escovação manual ou com escovas elétricas convencionais.

<><> Tecnologia que monitora a saúde

O novo modelo da Y-Brush vai além da simples escovação e incorpora tecnologia capaz de detectar doenças através da análise do hálito. O dispositivo consegue identificar condições como diabetes, problemas no fígado e problemas dentais, incluindo gengivais. O sistema permite que os dados coletados sejam compartilhados com médicos através de um aplicativo, possibilitando o monitoramento contínuo da saúde do usuário.

A versão atual da Y-Brush já está disponível no mercado por 199 dólares, com uma variante mais econômica também disponível. No entanto, o modelo mais avançado com capacidade de detecção de doenças ainda não tem preço definido e só deverá chegar ao mercado em 2027, devido à necessidade de obtenção de diversas certificações junto aos órgãos reguladores.

Apesar do custo inicial possivelmente elevado, a tecnologia representa um potencial de economia a longo prazo em consultas médicas e odontológicas, já que possibilita a detecção precoce de problemas de saúde. A capacidade de monitoramento diário de indicadores de saúde através de um dispositivo de uso rotineiro pode significar uma mudança importante na forma como as pessoas cuidam da própria saúde.

•        Boca saudável, desempenho melhor: como cuidar dos dentes ajuda no esporte

A saúde bucal tem um papel muito maior do que se imagina no desempenho físico, seja de atletas profissionais ou amadores. Para que o corpo responda com eficiência a treinos intensos, viagens, competições e processos de recuperação, é essencial que o organismo esteja em equilíbrio — e isso inclui a boca.

Condições bucais desfavoráveis não apenas causam dor ou desconforto, como também podem comprometer diretamente o rendimento esportivo. Desde 2015, o Conselho Federal de Odontologia reconhece a Odontologia do Esporte como especialidade, justamente por sua importância crescente na prevenção de lesões e no monitoramento da saúde de atletas de alto desempenho.

<><> Inflamação: da boca para o músculo

Problemas aparentemente simples, como gengivites, periodontites e cáries, elevam o estado inflamatório crônico do organismo. Esse processo sistêmico pode predispor o atleta a lesões musculares, inclusive em regiões distantes da cavidade bucal.

Estudos mostram que quadros inflamatórios persistentes aumentam o risco de estiramentos recorrentes, como os muito comuns em músculos da coxa entre jogadores de futebol. Da mesma forma, o corpo de um atleta com inflamação ativa tende a responder mais lentamente aos processos de cicatrização, retardando a recuperação de lesões já instaladas e reduzindo a capacidade de treinar em intensidade máxima.

<><> Quando bactérias da boca chegam ao coração e aos pulmões

Outro ponto crítico é a disseminação de bactérias provenientes de infecções bucais. Quando entram na corrente sanguínea, podem atingir órgãos vitais, como coração e pulmões, provocando quadros que vão de endocardite a infecções respiratórias. Essas condições, além de graves, interferem diretamente na performance, já que comprometem a capacidade cardiorrespiratória e exigem afastamento das atividades esportivas.

Em outra perspectiva, a Odontologia do Esporte atua também na proteção durante treinos e competições. Protetores bucais individualizados, usados em esportes de contato, reduzem drasticamente o risco de fraturas dentárias, cortes nos lábios e lesões nas gengivas. Já os protetores faciais — as conhecidas máscaras usadas por atletas após fraturas — permitem o retorno ao esporte mesmo antes da consolidação óssea completa, garantindo segurança e continuidade na rotina competitiva.

<><> Cuidado com o doping por medicamentos odontológicos

Por fim, é importante lembrar que determinadas substâncias e métodos utilizados na odontologia podem levar o atleta ao doping positivo quando não há orientação especializada. Analgésicos, anti-inflamatórios e até enxaguantes específicos podem conter componentes proibidos em competições. Por isso, o acompanhamento integrado entre dentista e equipe multidisciplinar é essencial.

Todos esses fatores reforçam que o cuidado com a saúde bucal não deve ser encarado apenas como um complemento, mas como parte estratégica da preparação física. Atletas que mantêm a boca saudável têm menor risco de lesões, recuperam-se melhor, respiram adequadamente, evitam infecções e conseguem alcançar níveis mais altos de desempenho.

•        Cáries e doença da gengiva aumentam risco de AVC, diz estudo

Cuidar da saúde bucal pode trazer benefícios que vão além dos dentes e das gengivas. Estudos recentes já mostraram que existe uma relação entre saúde oral e doenças neurológicas e cardiovasculares. Agora, uma nova pesquisa revela que cáries e doenças das gengivas está associada ao aumento de 86% no risco de AVC (acidente vascular cerebral) isquêmico.

O trabalho foi publicado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia, e acompanhou mais de 5 mil adultos com idade média de 63 anos, sem histórico prévio de AVC. O estudo identificou que aqueles com cáries dentárias e doença periodontal, simultaneamente, apresentaram 10% de incidência de AVC ao longo de 20 anos, comparado aos 4% entre participantes com saúde bucal preservada.

A má saúde bucal também foi associada a uma probabilidade 36% maior de ataques cardíacos e outros problemas cardiovasculares, segundo o estudo.

De acordo com Cristiano Demartini, dentista e CEO da Odontotop, essa relação pode ser explicada por processos inflamatórios sistêmicos que acontecem a partir de doenças bucais e que contribuem para alterações vasculares.

"Esse estado inflamatório prolongado está associado ao estreitamento arterial, maior resistência vascular e alteração da função endotelial, mecanismos reconhecidos como gatilhos tanto para doenças cardíacas, quanto cerebrovasculares", explica Demartini.

"A doença periodontal, por exemplo, é reconhecida como uma inflamação crônica capaz de facilitar a entrada de bactérias orais na circulação, que ao alcançarem os vasos sanguíneos, estimulam o desenvolvimento de aterosclerose, processo que leva ao acúmulo de placas nas artérias e aumenta o risco de eventos como infarto e AVC isquêmico. Assim, a boca passa a ser uma espécie de marcador clínico da saúde sistêmica, revelando riscos que vão muito além do consultório odontológico", completa.

Ainda segundo a pesquisa, a frequência de visitas regulares ao dentista teve efeitos protetores. Os participantes que faziam consultas regulares tinham 81% menos chance de apresentar a combinação de gengivite e cáries, e 29% menos chance de ter apenas doença gengival.

Visitas regulares ao dentista devem ser feitas por todos os pacientes, mas aqueles com histórico familiar de doenças cardíacas ou que apresentam fatores de risco, como diabetes e hipertensão, devem ter um acompanhamento mais próximo.

"Visitas regulares ao dentista, diagnóstico precoce, tratamento ideal, atenção aos sintomas e manutenção de uma rotina de higiene bucal eficaz reduzem substancialmente a presença de lesões inflamatórias na cavidade oral. Diminuindo assim a liberação de mediadores inflamatórios e protegendo contra alterações vasculares silenciosas", afirma o especialista.

Essa não é a primeira vez que um estudo aponta para a relação entre saúde bucal e saúde cardiovascular. De acordo com uma pesquisa realizada por pesquisadores finlandeses, bactérias presentes na boca podem aumentar o risco de ataques cardíacos. Segundo os autores, a presença desses microrganismos estava fortemente relacionado à aterosclerose grave, morte por doença cardíaca e morte por ataque cardíaco.

Além disso, outros estudos associaram a saúde bucal com a saúde neurológica. Um trabalho publicado em 2019 na revista Science Advances identificou a presença da bactéria Porphyromonas gingivalis, principal agente patogênico da doença periodontal, no cérebro de pacientes com Alzheimer.

Outra pesquisa, dessa vez publicada na Nature em 2021, apontou uma relação entre doença periodontal e Parkinson. A possível explicação para isso é a inflamação causada pelas bactérias localizadas na região oral.

“Estudos continuam explorando essas conexões, mas a saúde bucal está cada vez mais ligada à saúde neurológica”, afirma a cirurgiã-dentista Bruna Conde.

 

Fonte: CNN Brasil

 

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