Escova
inteligente limpa dentes em 20 segundos e detecta doenças
A maior
feira de tecnologia do mundo, a CIES, realizada em Las Vegas, nos Estados
Unidos, apresentou uma inovação que promete revolucionar a higiene bucal e o
monitoramento da saúde: uma escova elétrica capaz de limpar todos os dentes
simultaneamente em apenas 20 segundos.
O
especialista em tecnologia Gabriel Rime, em parceria com o CanalTech, mostrou
para a CNN Brasil como funciona a Y-Brush. Diferente das escovas de dente
convencionais, que exigem a escovação de um dente por vez, a tecnologia possui
um formato semelhante a uma prótese que se adapta à arcada dentária.
O
usuário coloca o dispositivo na parte inferior e depois na superior da boca,
completando todo o processo de escovação em cerca de 20 segundos — muito menos
tempo do que os tradicionais dois minutos recomendados para a escovação manual
ou com escovas elétricas convencionais.
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Tecnologia que monitora a saúde
O novo
modelo da Y-Brush vai além da simples escovação e incorpora tecnologia capaz de
detectar doenças através da análise do hálito. O dispositivo consegue
identificar condições como diabetes, problemas no fígado e problemas dentais,
incluindo gengivais. O sistema permite que os dados coletados sejam
compartilhados com médicos através de um aplicativo, possibilitando o
monitoramento contínuo da saúde do usuário.
A
versão atual da Y-Brush já está disponível no mercado por 199 dólares, com uma
variante mais econômica também disponível. No entanto, o modelo mais avançado
com capacidade de detecção de doenças ainda não tem preço definido e só deverá
chegar ao mercado em 2027, devido à necessidade de obtenção de diversas
certificações junto aos órgãos reguladores.
Apesar
do custo inicial possivelmente elevado, a tecnologia representa um potencial de
economia a longo prazo em consultas médicas e odontológicas, já que possibilita
a detecção precoce de problemas de saúde. A capacidade de monitoramento diário
de indicadores de saúde através de um dispositivo de uso rotineiro pode
significar uma mudança importante na forma como as pessoas cuidam da própria
saúde.
• Boca saudável, desempenho melhor: como
cuidar dos dentes ajuda no esporte
A saúde
bucal tem um papel muito maior do que se imagina no desempenho físico, seja de
atletas profissionais ou amadores. Para que o corpo responda com eficiência a
treinos intensos, viagens, competições e processos de recuperação, é essencial
que o organismo esteja em equilíbrio — e isso inclui a boca.
Condições
bucais desfavoráveis não apenas causam dor ou desconforto, como também podem
comprometer diretamente o rendimento esportivo. Desde 2015, o Conselho Federal
de Odontologia reconhece a Odontologia do Esporte como especialidade,
justamente por sua importância crescente na prevenção de lesões e no
monitoramento da saúde de atletas de alto desempenho.
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Inflamação: da boca para o músculo
Problemas
aparentemente simples, como gengivites, periodontites e cáries, elevam o estado
inflamatório crônico do organismo. Esse processo sistêmico pode predispor o
atleta a lesões musculares, inclusive em regiões distantes da cavidade bucal.
Estudos
mostram que quadros inflamatórios persistentes aumentam o risco de estiramentos
recorrentes, como os muito comuns em músculos da coxa entre jogadores de
futebol. Da mesma forma, o corpo de um atleta com inflamação ativa tende a
responder mais lentamente aos processos de cicatrização, retardando a
recuperação de lesões já instaladas e reduzindo a capacidade de treinar em
intensidade máxima.
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Quando bactérias da boca chegam ao coração e aos pulmões
Outro
ponto crítico é a disseminação de bactérias provenientes de infecções bucais.
Quando entram na corrente sanguínea, podem atingir órgãos vitais, como coração
e pulmões, provocando quadros que vão de endocardite a infecções respiratórias.
Essas condições, além de graves, interferem diretamente na performance, já que
comprometem a capacidade cardiorrespiratória e exigem afastamento das
atividades esportivas.
Em
outra perspectiva, a Odontologia do Esporte atua também na proteção durante
treinos e competições. Protetores bucais individualizados, usados em esportes
de contato, reduzem drasticamente o risco de fraturas dentárias, cortes nos
lábios e lesões nas gengivas. Já os protetores faciais — as conhecidas máscaras
usadas por atletas após fraturas — permitem o retorno ao esporte mesmo antes da
consolidação óssea completa, garantindo segurança e continuidade na rotina
competitiva.
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Cuidado com o doping por medicamentos odontológicos
Por
fim, é importante lembrar que determinadas substâncias e métodos utilizados na
odontologia podem levar o atleta ao doping positivo quando não há orientação
especializada. Analgésicos, anti-inflamatórios e até enxaguantes específicos
podem conter componentes proibidos em competições. Por isso, o acompanhamento
integrado entre dentista e equipe multidisciplinar é essencial.
Todos
esses fatores reforçam que o cuidado com a saúde bucal não deve ser encarado
apenas como um complemento, mas como parte estratégica da preparação física.
Atletas que mantêm a boca saudável têm menor risco de lesões, recuperam-se
melhor, respiram adequadamente, evitam infecções e conseguem alcançar níveis
mais altos de desempenho.
• Cáries e doença da gengiva aumentam
risco de AVC, diz estudo
Cuidar
da saúde bucal pode trazer benefícios que vão além dos dentes e das gengivas.
Estudos recentes já mostraram que existe uma relação entre saúde oral e doenças
neurológicas e cardiovasculares. Agora, uma nova pesquisa revela que cáries e
doenças das gengivas está associada ao aumento de 86% no risco de AVC (acidente
vascular cerebral) isquêmico.
O
trabalho foi publicado na revista Neurology, da Academia Americana de
Neurologia, e acompanhou mais de 5 mil adultos com idade média de 63 anos, sem
histórico prévio de AVC. O estudo identificou que aqueles com cáries dentárias
e doença periodontal, simultaneamente, apresentaram 10% de incidência de AVC ao
longo de 20 anos, comparado aos 4% entre participantes com saúde bucal
preservada.
A má
saúde bucal também foi associada a uma probabilidade 36% maior de ataques
cardíacos e outros problemas cardiovasculares, segundo o estudo.
De
acordo com Cristiano Demartini, dentista e CEO da Odontotop, essa relação pode
ser explicada por processos inflamatórios sistêmicos que acontecem a partir de
doenças bucais e que contribuem para alterações vasculares.
"Esse
estado inflamatório prolongado está associado ao estreitamento arterial, maior
resistência vascular e alteração da função endotelial, mecanismos reconhecidos
como gatilhos tanto para doenças cardíacas, quanto cerebrovasculares",
explica Demartini.
"A
doença periodontal, por exemplo, é reconhecida como uma inflamação crônica
capaz de facilitar a entrada de bactérias orais na circulação, que ao
alcançarem os vasos sanguíneos, estimulam o desenvolvimento de aterosclerose,
processo que leva ao acúmulo de placas nas artérias e aumenta o risco de
eventos como infarto e AVC isquêmico. Assim, a boca passa a ser uma espécie de
marcador clínico da saúde sistêmica, revelando riscos que vão muito além do
consultório odontológico", completa.
Ainda
segundo a pesquisa, a frequência de visitas regulares ao dentista teve efeitos
protetores. Os participantes que faziam consultas regulares tinham 81% menos
chance de apresentar a combinação de gengivite e cáries, e 29% menos chance de
ter apenas doença gengival.
Visitas
regulares ao dentista devem ser feitas por todos os pacientes, mas aqueles com
histórico familiar de doenças cardíacas ou que apresentam fatores de risco,
como diabetes e hipertensão, devem ter um acompanhamento mais próximo.
"Visitas
regulares ao dentista, diagnóstico precoce, tratamento ideal, atenção aos
sintomas e manutenção de uma rotina de higiene bucal eficaz reduzem
substancialmente a presença de lesões inflamatórias na cavidade oral.
Diminuindo assim a liberação de mediadores inflamatórios e protegendo contra
alterações vasculares silenciosas", afirma o especialista.
Essa
não é a primeira vez que um estudo aponta para a relação entre saúde bucal e
saúde cardiovascular. De acordo com uma pesquisa realizada por pesquisadores
finlandeses, bactérias presentes na boca podem aumentar o risco de ataques
cardíacos. Segundo os autores, a presença desses microrganismos estava
fortemente relacionado à aterosclerose grave, morte por doença cardíaca e morte
por ataque cardíaco.
Além
disso, outros estudos associaram a saúde bucal com a saúde neurológica. Um
trabalho publicado em 2019 na revista Science Advances identificou a presença
da bactéria Porphyromonas gingivalis, principal agente patogênico da doença
periodontal, no cérebro de pacientes com Alzheimer.
Outra
pesquisa, dessa vez publicada na Nature em 2021, apontou uma relação entre
doença periodontal e Parkinson. A possível explicação para isso é a inflamação
causada pelas bactérias localizadas na região oral.
“Estudos
continuam explorando essas conexões, mas a saúde bucal está cada vez mais
ligada à saúde neurológica”, afirma a cirurgiã-dentista Bruna Conde.
Fonte:
CNN Brasil

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