Como
a proteína C reativa tomou o lugar do colesterol 'ruim' como principal marcador
de risco para doenças cardíacas
As
doenças cardíacas são a principal causa de morte nos Estados Unidos e no
Brasil.
Desde
que as pesquisas estabeleceram pela primeira vez a relação entre dieta,
colesterol e doenças cardíacas na década de 1950, o risco de doenças cardíacas
tem sido em parte avaliado com base nos níveis de colesterol do paciente, que
podem ser medidos rotineiramente por meio de exames de sangue.
Mas
evidências acumuladas nas últimas duas décadas demonstram que um biomarcador
chamado proteína C reativa – que sinaliza a presença de inflamação de baixo
grau – é um melhor indicador do risco de doenças cardíacas do que o colesterol.
Como
resultado, em setembro de 2025, o Colégio Americano de Cardiologia publicou
novas recomendações para o rastreamento universal dos níveis de proteína C
reativa em todos os pacientes, juntamente com a medição dos níveis de
colesterol.
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O que é a proteína C reativa?
A
proteína C reativa é produzida pelo fígado em resposta a infecções, danos nos
tecidos, estados inflamatórios crônicos decorrentes de doenças autoimunes e
distúrbios metabólicos, como obesidade e diabetes. Essencialmente, é um
marcador de inflamação – o que significa ativação do sistema imune – no corpo.
A
proteína C reativa pode ser facilmente medida com exames de sangue. Um nível
baixo de proteína C reativa – abaixo de 1 miligrama por decilitro – significa
inflamação mínima no corpo, o que protege contra doenças cardíacas. Um nível
elevado de proteína C reativa, superior a 3 miligramas por decilitro, significa
níveis aumentados de inflamação e, portanto, maior risco de doenças cardíacas.
Cerca de 52% dos americanos têm um nível elevado de proteína C reativa no
sangue.
Pesquisas
mostram que a proteína C reativa é um marcador preditivo melhor para ataques
cardíacos e derrames do que o colesterol “ruim”, ou LDL (sigla em inglês para
lipoproteína de baixa densidade), bem como outro biomarcador geneticamente
herdado comumente medido chamado lipoproteína (a). Um estudo descobriu que a
proteína C reativa pode prever doenças cardíacas tão bem quanto a pressão
arterial.
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Por que a inflamação é importante?
A
inflamação desempenha um papel crucial em todas as fases do desenvolvimento e
acúmulo de placas de gordura nas artérias, o que causa uma condição chamada
aterosclerose que pode levar a ataques cardíacos e derrames.
A
partir do momento em que um vaso sanguíneo é danificado, seja por alto nível de
açúcar no sangue ou fumaça de cigarro, as células imunes se infiltram
imediatamente na área. Essas células imunes subsequentemente engolfam
partículas de colesterol que normalmente flutuam na corrente sanguínea para
formar uma placa gordurosa que se gruda na parede do vaso.
Esse
processo continua por décadas até que, eventualmente, um dia, mediadores imunes
rompem a capa que envolve a placa. Isso desencadeia a formação de um coágulo
que obstrui o fluxo sanguíneo, priva os tecidos circundantes de oxigênio e, por
fim, causa um ataque cardíaco ou derrame.
Portanto,
o colesterol é apenas parte da história; na verdade, é o sistema imune que atua
em cada etapa dos processos que levam à doença cardíaca.
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Dieta pode influenciar a proteína C reativa?
O
estilo de vida pode influenciar significativamente a quantidade de proteína C
reativa produzida pelo fígado.
Vários
alimentos e nutrientes demonstraram reduzir os níveis de proteína C reativa,
incluindo fibras alimentares de alimentos como feijões, vegetais, nozes e
sementes, bem como bagas, azeite, chá verde, sementes de chia e sementes de
linhaça.
A perda
de peso e a prática de exercícios físicos também podem reduzir os níveis de
proteína C reativa.
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O colesterol ainda é importante no risco de doenças cardíacas?
Embora
o colesterol possa não ser mais o indicador mais importante do risco de doenças
cardíacas, ele continua sendo altamente relevante.
Mas não
é apenas a quantidade de colesterol — ou, mais especificamente, a quantidade de
colesterol “ruim”, ou LDL — que importa. Duas pessoas com o mesmo nível de
colesterol não têm necessariamente o mesmo risco de doenças cardíacas. Isso
porque o risco é determinado mais pelo número de partículas em que o colesterol
ruim está encapsulado do que pela massa total de colesterol ruim que circula no
organismo. Mais partículas significam maior risco.
É por
isso que um exame de sangue conhecido como apolipoproteína B, que mede o número
de partículas de colesterol, é um melhor indicador do risco de doenças
cardíacas do que as medições das quantidades totais de colesterol ruim.
Assim
como o colesterol e a proteína C reativa, a apolipoproteína B também é
influenciada por fatores relacionados ao estilo de vida, como exercícios
físicos, perda de peso e dieta. Nutrientes como fibras, nozes e ácidos graxos
ômega-3 estão associados a uma diminuição do número de partículas de
colesterol, enquanto o aumento da ingestão de açúcar está associado a um maior
número de partículas de colesterol.
Além
disso, a lipoproteína (a), uma proteína que vive na parede que envolve as
partículas de colesterol, é outro marcador que pode prever doenças cardíacas
com mais precisão do que os níveis de colesterol. Isso ocorre porque a presença
da lipoproteína (a) torna as partículas de colesterol pegajosas, por assim
dizer, e, portanto, mais propensas a ficarem presas em uma placa
aterosclerótica.
No
entanto, ao contrário de outros fatores de risco, os níveis de lipoproteína (a)
são puramente genéticos. Portanto, não são influenciados pelo estilo de vida e
precisam ser medidos apenas uma vez na vida.
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Qual é a melhor maneira de prevenir doenças cardíacas?
Em
última análise, as doenças cardíacas são o resultado de muitos fatores de risco
e suas interações ao longo da vida.
Portanto,
prevenir doenças cardíacas é muito mais complicado do que simplesmente seguir
uma dieta sem colesterol, como se pensava anteriormente.
Conhecer
o seu nível de colesterol LDL, juntamente com os níveis de proteína C reativa,
apolipoproteína B e lipoproteína (a), dá uma visão abrangente do risco, o que
pode ajudar a motivar um compromisso de longo prazo com os princípios básicos
da prevenção de doenças cardíacas. Isso inclui alimentar-se bem, praticar
exercícios regularmente, dormir o suficiente, controlar o estresse de maneira
produtiva, manter um peso saudável e, se for o caso, parar de fumar.
Fonte:
Por Mary J. Scourboutakos em The Conversation Brasil

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