Sidônio
Palmeira: 2026 se apresenta como oportunidade de aprofundar o projeto de país
mais justo e menos desigual
A
desigualdade brasileira não é um desvio de percurso, é o centro de um contexto
perverso que atravessa nosso caminho desde a chegada dos portugueses. Como
aprendemos com Florestan Fernandes, no Brasil a desigualdade não é um acidente,
é um projeto. Começar a reflexão sobre 2025 por essa constatação não é
retórica. É método.
Esse
projeto secular de desigualdade não se reverte facilmente. Quem dele se
beneficia herdou privilégios e quer deixá-los para as próximas gerações. Ao
tomar lado e peitar o sistema, o Governo do Brasil se lançou ao desafio de um
novo projeto de país e enfrentou adversidades.
“É por
essa chave que 2025 deve ser lido. Não como um ano qualquer, mas como uma
travessia. O governo foi testado diariamente por previsões econômicas
pessimistas, tensões institucionais, fake news, choques internacionais,
turbulências cambiais e tentativas de desestabilização por alguns traidores da
pátria. Ainda assim, o Brasil venceu.”
O
Governo do Brasil entendeu que as crises não podem pautar os passos de quem
governa. Devem ser enfrentadas com transparência e serenidade, mas sem
paralisar o caminhar. Enquanto o ruído tentava impor o caos, o país avançou.
Estar do lado do povo brasileiro requer convicção.
Os
resultados não são abstrações. O Brasil protegeu a democracia, controlou a
inflação, conquistou o menor desemprego da história, cresceu acima da média
mundial e saiu novamente do Mapa da Fome. Mesmo sob ataque, a economia real foi
estimulada, o crédito e a Justiça Tributária chegaram ao trabalhador e o país
voltou a crescer com inclusão.
Esse
projeto está apenas começando. O combate aos privilégios é o primeiro passo de
um longo processo de desenvolvimento, mas nada será possível sem consolidar uma
identidade, sem assumir um lado e sem tonicidade moral. Não existe neutralidade
diante da desigualdade. Não existe governo “em cima do muro” quando o que está
em jogo é a vida de milhões.
Com
políticas como Luz do Povo, Gás do Povo, Reforma Casa Brasil, Agora Tem
Especialistas, CNH do Brasil e o IR Zero, o governo deixou claro em 2025:
governa para o povo, com o povo e do lado do povo. Ponto.
O
Brasil também voltou a falar com o mundo a partir de si mesmo. A COP 30
recolocou o país no centro do debate climático global, sem submissão nem
negacionismo, apresentando ao mundo o mapa do caminho e afirmando que
desenvolvimento, proteção ambiental e soberania nacional não são opostos, mas
partes do mesmo projeto de futuro.
Por
isso, a afirmação não é apenas política, é histórica: sim, nós vencemos 2025.
Mas e agora? O novo ano exige a consolidação desse projeto de país humano.
O
primeiro passo é aprovar o fim da escala 6×1 sem redução de salário. Porque
todo brasileiro merece ter direito ao tempo, e dignidade não combina com
exaustão permanente para quem trabalha. Não é justo que a maior parte das
crianças brasileiras não tenha a presença dos pais no sábado, enquanto outras
têm.
“Se,
para Florestan Fernandes, o privilégio é incompatível com a democracia, o fim
da 6×1 é passo imprescindível ao amadurecimento do nosso modelo democrático.”
É assim
que 2026 se apresenta. É a nossa oportunidade de virar a página de vez e
aprofundar um projeto de país mais justo, menos desigual, com inclusão e
futuro. Um país que defende suas riquezas, rompe com os vícios coloniais e
amplia horizontes.
O
caminho está traçado. O lado está escolhido. O Brasil seguirá em frente —com fé
na nossa grandeza, construindo com autoria o nosso destino, sem deixar ninguém
para trás, do lado do povo brasileiro.
• Maria Lucia Fattorelli: Juros
exorbitantes — a esquizofrenia do Banco Central e dos analistas financeiros
O
Brasil vive uma verdadeira esquizofrenia financeira: é o maior pagador de juros
do mundo, considerado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como o campeão
mundial de gasto com juros, problema que afeta negativamente a economia do
país, as empresas, as famílias e as contas públicas.
Mas
esse grave problema não tem sido devidamente enfrentado, o que pode ser
comparado com um caso patológico.
Em seu
artigo, a psicóloga Cibele Andrade resume “esquizofrenia como um transtorno
mental que pode desafiar a percepção da realidade”.
De
fato, especialistas ouvidos pela grande mídia têm se expressado como se
tivessem uma dificuldade em perceber a realidade, e, em vez de denunciar a
desastrosa política monetária exercida pelo Banco Central, têm recomendado
reiteradamente o corte de gastos públicos em direitos sociais e com a estrutura
do Estado, enquanto o rombo está no gasto com os próprios juros pagos ao
Sistema da Dívida, como mostram os dados oficiais.
É
evidente que analistas de mercado com acesso à grande mídia sabem muito bem que
cortar gastos sociais não fará com que os juros se reduzam.
Só
fazem esse discurso porque as instituições financeiras para as quais trabalham
lucram muito com os juros altos e, adicionalmente, lucram com as
contrarreformas e privatizações que sempre acompanham os cortes de gastos
sociais, a exemplo do que enfrentamos atualmente com a tentativa de aprovação
de uma nova “Reforma Administrativa” por meio da PEC 38/2025.
O Banco
Central parece ter a mesma dificuldade de percepção da realidade ao pregar uma
suposta necessidade de “reformas estruturais e disciplina fiscal” para que os
juros possam baixar, e, adicionalmente, seguir repetindo o falso dogma de que
teria que manter os juros altos para controlar a inflação, sendo que,
sabidamente, a inflação que existe no Brasil não se reduz quando os juros
sobem, pois decorre principalmente da elevação do preços de alimentos e de
preços administrados pelo próprio governo.
Ultimamente,
o presidente do Banco Central indicado por Lula, Gabriel Galípolo, tem repetido
que o Banco Central precisaria se manter conservador e que “não há porta
fechada, nem setas dadas” para mais alta ou queda dos juros, e “a inflação
ainda não está cedendo como esperado”.
Com
esse discurso, a diretoria do Banco Central manteve a Selic no abusivo patamar
de 15% ao ano pela quarta vez seguida, conforme anunciado às 18:30h, ao final
da reunião ocorrida em 10 de dezembro de 2025.
Ora,
conforme noticiado pela Agência Brasil no mesmo dia 10 de dezembro de 2025, às
9:10h da manhã, a inflação medida pelo IPCA até novembro, acumulava 4,46% nos
últimos 12 meses, portanto, dentro da meta absurdamente baixa (que varia de
1,50% a 4,50%) estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), no qual o
Poder Executivo tem a maioria de votos.
A
inflação caiu nos últimos meses, não por conta dos juros altos, que na prática
aumentam os custos das empresas e aumentam a inflação, mas porque a economia se
encontra estagnada, com baixíssimo crescimento do PIB, desindustrialização,
salários baixos e, portanto, inanição e reduzida atividade econômica.
É
evidente que a diretoria do Banco Central sabe de tudo isso, no entanto,
constou da Ata daquela reunião de 10 de dezembro de 2025 que a manutenção da
taxa básica de juros Selic no estratosférico patamar de 15% ao ano se deveria
ao fato de que a inflação estaria fora da meta (?!), ignorando que, de acordo
com o art. 2º do Decreto 12.079/2024, a meta é considerada descumprida somente
quando “a inflação, medida pela variação acumulada em doze meses (…) desviar-se
por seis meses consecutivos da faixa do respectivo intervalo de tolerância”,
portanto, entre 1,5 e 4,5%.
Onde
estaria a dificuldade de enxergar que a inflação oficial de 4,46% ao ano está
dentro da faixa de 1,5 a 4,5% ao ano?
O
Tribunal de Contas da União, que tem atribuição para fiscalizar o Banco
Central, deveria questionar os graves erros de política monetária que vêm sendo
cometidos por sua diretoria, tendo em vista que cada 1% de aumento da Selic
representa cerca de R$ 61,7 bilhões de gasto anual com juros da dívida pública
(cerca de R$ 61,7 bilhões), e não serve para controlar a inflação que temos
aqui, como antes mencionado.
O Banco
Central precisa explicar por que segue atendendo as expectativas do mercado e
desprezando os dados oficiais e a legislação, provocando graves danos à
economia do país e às contas públicas, enquanto garante a farra do setor
financeiro ao proporcionar uma remuneração absurda, um ganho real acima da
inflação de mais de 10% ao ano, superando até mesmo a Rússia (em guerra) e a
Turquia, enquanto os Estados Unidos praticam a taxa real de 1,02% ao ano, a
Zona do Euro 0,05% e o Japão -2,09% (negativos).
A
realidade está escancarada, só não vê quem não quer ou é esquizofrênico. Não há
justificativa técnica, econômica ou financeira para a manutenção da taxa básica
de juros Selic no abusivo patamar de 15% ao ano.
Se a
diretoria do Banco Central não consegue enxergar isso, é preciso tomar
providências urgentes, pois a sociedade brasileira está sendo extremamente
sacrificada por isso, enquanto o setor financeiro lucra como nunca!
Por sua
vez, a sociedade precisa fazer a sua parte e lutar pelo limite legal dos juros
no Brasil, apoiando o projeto de lei complementar PLP 104/2022 e participando
da enquete oficial da Câmara dos Deputados.
Setenta
e seis (76) países possuem limite de juros em lei. Por que o Brasil fica
submetido à ganância do mercado financeiro? Chega dessa esquizofrenia!
#Limitaosjurosjá
Fonte:
Extra Classe

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