O
que fazer quando a glicemia está alterada: especialistas explicam as causas
mais comuns
Quando
a glicemia está alterada, muitas pessoas que convivem com diabetes ficam em
dúvida sobre o que fazer e quais fatores podem estar por trás dessa oscilação.
Na prática, a glicemia alterada nem sempre está ligada apenas à alimentação e
pode refletir mudanças no tratamento, no corpo ou na rotina.
Durante
o programa educativo Juntos por Você, a médica endocrinologista pediátrica
Mônica Gabbay, da Escola Paulista de Medicina, explicou que existem mais de 20
fatores conhecidos capazes de interferir na glicemia.
Nesse
contexto, compreender essas causas ajuda a reduzir culpa, ansiedade e erros de
manejo.
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Alimentação influencia a glicemia, mas não age sozinha
A
alimentação interfere diretamente na glicose porque quase todos os alimentos se
transformam em glicose após a digestão.
No
entanto, o impacto varia conforme o tipo de alimento, a quantidade consumida e
a medicação utilizada.
Segundo
a nutricionista Tarcila de Campos, mestre em diabetes, os carboidratos costumam
ser os principais responsáveis por elevações rápidas da glicemia.
Ainda
assim, proteínas e gorduras também influenciam, especialmente de forma tardia.
Portanto,
o controle não depende de “cortar alimentos”, mas de alinhar a alimentação com
a insulina ou com a medicação utilizada.
Não
existe uma dieta única para quem tem diabetes, e sim um plano alimentar
individualizado.
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Atividade física pode baixar ou subir a glicose
O
exercício físico melhora a sensibilidade à insulina e, em geral, reduz a
necessidade de doses maiores.
Segundo
a endocrinologista Mônica Gabbay, músculos ativos captam glicose com mais
eficiência, o que facilita o controle.
Por
outro lado, o tipo de atividade influencia diretamente o comportamento da
glicemia.
Exercícios
aeróbicos, como caminhada e corrida, costumam provocar queda da glicose,
enquanto atividades de força podem elevar temporariamente.
Ainda
assim, os benefícios da prática regular superam os riscos.
A
recomendação é monitorar antes e depois do exercício para entender como o corpo
reage.
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Medicamentos e corticoides exigem atenção redobrada
Alguns
medicamentos podem alterar significativamente a glicemia, especialmente os
corticoides.
A
prednisolona, frequentemente usada em pronto-socorro, é um exemplo comum.
De
acordo com a endocrinologista Mônica Gabbay, quando o uso é necessário, o
tratamento não deve ser interrompido.
Nesses
casos, ajustes temporários na insulina ou na medicação fazem parte do cuidado.
Por
isso, a automedicação deve ser evitada, principalmente em situações simples
como resfriados leves.
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Infecções e doenças aumentam a necessidade de insulina
Quadros
infecciosos, mesmo leves, costumam elevar a glicemia.
Isso
acontece porque o organismo libera hormônios de estresse durante doenças.
No
entanto, a nutricionista Tarcila de Campos alerta que algumas infecções podem
causar queda da glicose, como viroses com diarreia.
Por
isso, monitorar com mais frequência é indispensável nesses períodos.
Além
disso, infecções silenciosas, como problemas dentários ou inflamações na
gengiva, também podem interferir no controle glicêmico.
Nem
sempre a oscilação está ligada à alimentação.
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Hormônios femininos impactam fortemente a glicemia
Alterações
hormonais ao longo da vida influenciam o controle da glicose, especialmente nas
mulheres.
Puberdade,
ciclo menstrual e menopausa são fases que exigem atenção redobrada.
Segundo
a endocrinologista Mônica Gabbay, na menopausa ocorre uma queda abrupta do
estrogênio, o que pode aumentar a resistência à insulina. Ainda assim, o efeito
varia de mulher para mulher.
Por
isso, conhecer o próprio padrão glicêmico é mais eficaz do que seguir regras
fixas.
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Hipoglicemia noturna exige investigação e ajustes
Quedas
frequentes da glicose durante a madrugada costumam indicar excesso de insulina
basal.
Durante
o dia, a alimentação pode mascarar esse efeito.
À
noite, sem ingestão de alimentos, a glicose tende a cair de forma mais intensa.
Segundo
a endocrinologista Mônica Gabbay, ajustes devem ser feitos com orientação
médica.
Além
disso, o medo da hipoglicemia noturna pode levar ao descontrole da glicose no
dia seguinte.
A
monitorização contínua ajuda a prevenir tanto quedas quanto períodos
prolongados de glicemia alta.
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Monitorar é parte essencial do cuidado com o diabetes
Evitar
medir a glicose por medo do resultado não contribui para o controle.
O
acompanhamento frequente permite identificar padrões e agir com mais segurança.
Portanto,
informação, autoconhecimento e apoio profissional são pilares do bom manejo do
diabetes.
• Conservantes comuns em alimentos podem
aumentar o risco de câncer e diabetes tipo 2, apontam estudos
Conservantes
alimentares estão presentes em grande parte dos produtos industrializados
consumidos diariamente. Eles aumentam a durabilidade e preservam
características sensoriais. No entanto, estudos recentes passaram a associar
alguns desses compostos a impactos negativos na saúde.
Nesse
contexto, cresce a atenção entre pessoas que convivem com diabetes tipo 2. A
condição já envolve inflamação crônica e alterações metabólicas. Portanto,
fatores alimentares que possam agravar esse cenário merecem análise cuidadosa.
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O que são conservantes alimentares e por que são amplamente utilizados
Conservantes
são aditivos adicionados aos alimentos para inibir o crescimento de
microrganismos e retardar a deterioração. Eles aparecem com frequência em
carnes processadas, pães industrializados, bebidas, molhos prontos e produtos
ultraprocessados.
Ainda
assim, o problema não está no uso pontual. O principal ponto de atenção é o
consumo frequente e cumulativo desses alimentos ao longo dos anos.
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Nitritos e nitratos têm relação mais consistente com câncer
Nitritos
e nitratos são usados principalmente em carnes processadas, como salsicha,
presunto, mortadela e bacon. No organismo, essas substâncias podem formar
nitrosaminas, compostos com potencial carcinogênico.
A
Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer classifica o consumo de
carnes processadas como cancerígeno para humanos. A associação é considerada
consistente, especialmente com câncer colorretal.
Além
disso, dietas ricas nesses alimentos costumam ter excesso de gordura, sódio e
calorias. Esse padrão alimentar também se relaciona ao aumento do peso corporal
e à resistência à insulina.
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Conservantes alimentares e diabetes tipo 2 entram no radar científico
Estudos
observacionais indicam que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados está
associado a maior incidência de diabetes tipo 2. Um dos mecanismos propostos
envolve alterações na microbiota intestinal.
Essas
alterações favorecem inflamação sistêmica de baixo grau. Como resultado, há
prejuízo na ação da insulina. Nesse cenário, o risco metabólico aumenta,
especialmente em pessoas geneticamente predispostas.
No
entanto, os pesquisadores destacam limitações importantes. A maior parte dos
estudos é observacional. Portanto, não é possível afirmar causalidade direta,
apenas associação.
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Fosfatos adicionados também despertam preocupação
Fosfatos
são usados para melhorar textura e retenção de água em alimentos
industrializados. Eles estão presentes em carnes processadas, refrigerantes e
produtos prontos.
Pesquisas
conduzidas por instituições como a Universidade Harvard indicam que o excesso
de fósforo adicionado pode estar associado a maior risco cardiovascular.
Pessoas com diabetes já apresentam risco aumentado para esse tipo de
complicação.
Por
outro lado, o fósforo naturalmente presente em alimentos in natura não
apresenta o mesmo efeito adverso observado nos aditivos.
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Produtos diet e zero costumam combinar conservantes e adoçantes
Alimentos
rotulados como diet ou zero frequentemente contêm adoçantes artificiais
associados a conservantes. Embora reduzam o açúcar, esses produtos não são
metabolicamente neutros.
Alguns
estudos sugerem que certos adoçantes podem alterar a resposta glicêmica de
forma indireta. Quando combinados a conservantes, o impacto metabólico ainda
está sendo investigado. Ainda assim, as evidências seguem heterogêneas.
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O impacto prático para quem convive com diabetes
Para
pessoas com diabetes tipo 2, a principal recomendação é priorizar alimentos
minimamente processados. Essa escolha reduz a exposição a conservantes e
favorece melhor controle glicêmico.
Além
disso, a leitura de rótulos ajuda a identificar aditivos como nitrito de sódio,
nitrato de potássio e fosfato dissódico. Esse cuidado permite decisões mais
conscientes no dia a dia.
Nesse
sentido, sociedades médicas reforçam que a base do tratamento continua sendo
alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional.
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Redução de ultraprocessados é consenso, sem alarmismo
É
importante destacar que conservantes aprovados passam por avaliação de
segurança. O risco não está no consumo eventual, mas no padrão alimentar
repetitivo e desequilibrado.
A
Organização Mundial da Saúde recomenda reduzir o consumo de alimentos
ultraprocessados como estratégia global de promoção da saúde. Ainda assim,
novos estudos seguem em andamento para esclarecer mecanismos específicos.
Fonte:
Um Diabético.com

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