segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O que fazer quando a glicemia está alterada: especialistas explicam as causas mais comuns

Quando a glicemia está alterada, muitas pessoas que convivem com diabetes ficam em dúvida sobre o que fazer e quais fatores podem estar por trás dessa oscilação. Na prática, a glicemia alterada nem sempre está ligada apenas à alimentação e pode refletir mudanças no tratamento, no corpo ou na rotina.

Durante o programa educativo Juntos por Você, a médica endocrinologista pediátrica Mônica Gabbay, da Escola Paulista de Medicina, explicou que existem mais de 20 fatores conhecidos capazes de interferir na glicemia.

Nesse contexto, compreender essas causas ajuda a reduzir culpa, ansiedade e erros de manejo.

<><> Alimentação influencia a glicemia, mas não age sozinha

A alimentação interfere diretamente na glicose porque quase todos os alimentos se transformam em glicose após a digestão.

No entanto, o impacto varia conforme o tipo de alimento, a quantidade consumida e a medicação utilizada.

Segundo a nutricionista Tarcila de Campos, mestre em diabetes, os carboidratos costumam ser os principais responsáveis por elevações rápidas da glicemia.

Ainda assim, proteínas e gorduras também influenciam, especialmente de forma tardia.

Portanto, o controle não depende de “cortar alimentos”, mas de alinhar a alimentação com a insulina ou com a medicação utilizada.

Não existe uma dieta única para quem tem diabetes, e sim um plano alimentar individualizado.

<><> Atividade física pode baixar ou subir a glicose

O exercício físico melhora a sensibilidade à insulina e, em geral, reduz a necessidade de doses maiores.

Segundo a endocrinologista Mônica Gabbay, músculos ativos captam glicose com mais eficiência, o que facilita o controle.

Por outro lado, o tipo de atividade influencia diretamente o comportamento da glicemia.

Exercícios aeróbicos, como caminhada e corrida, costumam provocar queda da glicose, enquanto atividades de força podem elevar temporariamente.

Ainda assim, os benefícios da prática regular superam os riscos.

A recomendação é monitorar antes e depois do exercício para entender como o corpo reage.

<><> Medicamentos e corticoides exigem atenção redobrada

Alguns medicamentos podem alterar significativamente a glicemia, especialmente os corticoides.

A prednisolona, frequentemente usada em pronto-socorro, é um exemplo comum.

De acordo com a endocrinologista Mônica Gabbay, quando o uso é necessário, o tratamento não deve ser interrompido.

Nesses casos, ajustes temporários na insulina ou na medicação fazem parte do cuidado.

Por isso, a automedicação deve ser evitada, principalmente em situações simples como resfriados leves.

<><> Infecções e doenças aumentam a necessidade de insulina

Quadros infecciosos, mesmo leves, costumam elevar a glicemia.

Isso acontece porque o organismo libera hormônios de estresse durante doenças.

No entanto, a nutricionista Tarcila de Campos alerta que algumas infecções podem causar queda da glicose, como viroses com diarreia.

Por isso, monitorar com mais frequência é indispensável nesses períodos.

Além disso, infecções silenciosas, como problemas dentários ou inflamações na gengiva, também podem interferir no controle glicêmico.

Nem sempre a oscilação está ligada à alimentação.

<><> Hormônios femininos impactam fortemente a glicemia

Alterações hormonais ao longo da vida influenciam o controle da glicose, especialmente nas mulheres.

Puberdade, ciclo menstrual e menopausa são fases que exigem atenção redobrada.

Segundo a endocrinologista Mônica Gabbay, na menopausa ocorre uma queda abrupta do estrogênio, o que pode aumentar a resistência à insulina. Ainda assim, o efeito varia de mulher para mulher.

Por isso, conhecer o próprio padrão glicêmico é mais eficaz do que seguir regras fixas.

<><> Hipoglicemia noturna exige investigação e ajustes

Quedas frequentes da glicose durante a madrugada costumam indicar excesso de insulina basal.

Durante o dia, a alimentação pode mascarar esse efeito.

À noite, sem ingestão de alimentos, a glicose tende a cair de forma mais intensa.

Segundo a endocrinologista Mônica Gabbay, ajustes devem ser feitos com orientação médica.

Além disso, o medo da hipoglicemia noturna pode levar ao descontrole da glicose no dia seguinte.

A monitorização contínua ajuda a prevenir tanto quedas quanto períodos prolongados de glicemia alta.

<><> Monitorar é parte essencial do cuidado com o diabetes

Evitar medir a glicose por medo do resultado não contribui para o controle.

O acompanhamento frequente permite identificar padrões e agir com mais segurança.

Portanto, informação, autoconhecimento e apoio profissional são pilares do bom manejo do diabetes.

•        Conservantes comuns em alimentos podem aumentar o risco de câncer e diabetes tipo 2, apontam estudos

Conservantes alimentares estão presentes em grande parte dos produtos industrializados consumidos diariamente. Eles aumentam a durabilidade e preservam características sensoriais. No entanto, estudos recentes passaram a associar alguns desses compostos a impactos negativos na saúde.

Nesse contexto, cresce a atenção entre pessoas que convivem com diabetes tipo 2. A condição já envolve inflamação crônica e alterações metabólicas. Portanto, fatores alimentares que possam agravar esse cenário merecem análise cuidadosa.

<><> O que são conservantes alimentares e por que são amplamente utilizados

Conservantes são aditivos adicionados aos alimentos para inibir o crescimento de microrganismos e retardar a deterioração. Eles aparecem com frequência em carnes processadas, pães industrializados, bebidas, molhos prontos e produtos ultraprocessados.

Ainda assim, o problema não está no uso pontual. O principal ponto de atenção é o consumo frequente e cumulativo desses alimentos ao longo dos anos.

<><> Nitritos e nitratos têm relação mais consistente com câncer

Nitritos e nitratos são usados principalmente em carnes processadas, como salsicha, presunto, mortadela e bacon. No organismo, essas substâncias podem formar nitrosaminas, compostos com potencial carcinogênico.

A Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer classifica o consumo de carnes processadas como cancerígeno para humanos. A associação é considerada consistente, especialmente com câncer colorretal.

Além disso, dietas ricas nesses alimentos costumam ter excesso de gordura, sódio e calorias. Esse padrão alimentar também se relaciona ao aumento do peso corporal e à resistência à insulina.

<><> Conservantes alimentares e diabetes tipo 2 entram no radar científico

Estudos observacionais indicam que o consumo elevado de alimentos ultraprocessados está associado a maior incidência de diabetes tipo 2. Um dos mecanismos propostos envolve alterações na microbiota intestinal.

Essas alterações favorecem inflamação sistêmica de baixo grau. Como resultado, há prejuízo na ação da insulina. Nesse cenário, o risco metabólico aumenta, especialmente em pessoas geneticamente predispostas.

No entanto, os pesquisadores destacam limitações importantes. A maior parte dos estudos é observacional. Portanto, não é possível afirmar causalidade direta, apenas associação.

<><> Fosfatos adicionados também despertam preocupação

Fosfatos são usados para melhorar textura e retenção de água em alimentos industrializados. Eles estão presentes em carnes processadas, refrigerantes e produtos prontos.

Pesquisas conduzidas por instituições como a Universidade Harvard indicam que o excesso de fósforo adicionado pode estar associado a maior risco cardiovascular. Pessoas com diabetes já apresentam risco aumentado para esse tipo de complicação.

Por outro lado, o fósforo naturalmente presente em alimentos in natura não apresenta o mesmo efeito adverso observado nos aditivos.

<><> Produtos diet e zero costumam combinar conservantes e adoçantes

Alimentos rotulados como diet ou zero frequentemente contêm adoçantes artificiais associados a conservantes. Embora reduzam o açúcar, esses produtos não são metabolicamente neutros.

Alguns estudos sugerem que certos adoçantes podem alterar a resposta glicêmica de forma indireta. Quando combinados a conservantes, o impacto metabólico ainda está sendo investigado. Ainda assim, as evidências seguem heterogêneas.

<><> O impacto prático para quem convive com diabetes

Para pessoas com diabetes tipo 2, a principal recomendação é priorizar alimentos minimamente processados. Essa escolha reduz a exposição a conservantes e favorece melhor controle glicêmico.

Além disso, a leitura de rótulos ajuda a identificar aditivos como nitrito de sódio, nitrato de potássio e fosfato dissódico. Esse cuidado permite decisões mais conscientes no dia a dia.

Nesse sentido, sociedades médicas reforçam que a base do tratamento continua sendo alimentação adequada, atividade física e acompanhamento profissional.

<><> Redução de ultraprocessados é consenso, sem alarmismo

É importante destacar que conservantes aprovados passam por avaliação de segurança. O risco não está no consumo eventual, mas no padrão alimentar repetitivo e desequilibrado.

A Organização Mundial da Saúde recomenda reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados como estratégia global de promoção da saúde. Ainda assim, novos estudos seguem em andamento para esclarecer mecanismos específicos.

 

Fonte: Um Diabético.com

 

Nenhum comentário: