Luís
Nassif: Os idiotas da objetividade e a campanha contra Moraes
A
sequência de denúncias, em cima de informações falsas ou não confirmadas, e o
destaque editorial, transforma o episódio em campanha.
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As vulnerabilidades da opinião pública
Há duas
vulnerabilidades no sistema de informação da parcela dita culta da população –
aquela que, pelo menos em tese, deveria pensar projetos de país.
Uma
delas, é o simplismo. Cada fato, cada denúncia, é avaliada em si. Começa como
instrumento político de um dos lados. Depois, se espraia pela opinião pública,
como uma realidade simples, sem nenhuma capacidade de analisar consequências,
externalidades, interesses envolvidos. É o ambiente ideal para o uso da
denúncia como lobby.
A
segunda vulnerabilidade é o imediatismo. Joga-se a pedra no lago e aguarda-se a
formação de ondas sucessivas, sem nenhum contraponto. É um país incapaz de
perceber as consequências futuras de ações imediatas.
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As formas de lobby
Essa
incapacidade analítica cria duas formas de lobby.
A mais
óbvia é a defesa e o elogio do patrocinador.
A menos
óbvia (e mais utilizada) é o ataque aos adversários do patrocinador.
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Casos atuais
Entendidos
esses dois conceitos, vamos à análise de casos atuais.
Caso
Alexandre de Moraes
Vulnerabilidade;
um contrato do escritório da mulher com o Banco Master.
Consequências:
no plano ético, enfraquecimento de sua posição e do Supremo Tribunal Federal
como um todo. Não há nenhum ilícito penal, mas uma questão ética.
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Campanha contra Alexandre
Surgiu
com a história (depois não sustentada) dos quatro telefonemas a Gabriel
Galípolo para interceder pelo Master.
Uma
denúncia sobre o contrato do escritório da esposa de Moraes é furo
jornalístico.
A
partir daí, a sequência de denúncias, em cima de informações falsas ou não
confirmadas, e o destaque editorial conferido, transforma o episódio em
campanha. Os sinais de campanha são nítidos:
#
sucessivas matérias, em cima de informações repetidas;
#
primeira página diária dos jornalões.
>>>
Quem se beneficia
Se é
campanha, a análise tem que sair dos critérios jornalísticos e enveredar por
outras questões: a quem serve?
O
caminho consiste em responder à questão: quem ganha com o enfraquecimento de
Moraes e do STF? Respostas óbvias:
- Entre
60 e 190 parlamentares, integrantes de organizações criminosas especializadas
em desviar recursos de emendas parlamentares.
- A
Faria Lima como um todo, e não apenas as instituições diretamente envolvidas
com o Master. Toda a ciranda da Faria Lima se sustenta, hoje em dia, em uma
pirâmide, com centenas de fundos sendo constituídos por ativos falsos, e
utilizados para arrecadar poupança dos incautos ou para lavagem de dinheiro,
desde os tradicionais “perde-ganha” com as corretoras até os fundos fictícios e
criptomoedas.
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Consequências
Consequência
benéfica: obrigará definitivamente o STF a montar seu código de conduta,
acabando com o privilégio dos escritórios familiares e das viagens
internacionais. E ponto.
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Consequências negativas:
• enfraquecimento da luta nacional contra
as organizações criminosas que atuam no Congresso e na Faria Lima.
• Inviabilização política do próximo
governo e controle definitivo do orçamento pelo Centrão e demais organizações.
• Ampliação do PCC e das organizações
criminosas que lavam dinheiro na Faria Lima.
>>> Os irracionais
A
partir daí, que não se dê ouvido aos idiotas da objetividade. Mas é imoral o
contrato do escritório da esposa de Moraes com o Master, dirão eles. Sim, e
vamos prosseguir nas pressões por um código de ética nos tribunais superiores.
Mas o
que significaria a queda de Moraes e a desmoralização do STF? O fim do país
como Nação, o vale-tudo final, como campo de batalha do crime organizado.
• O contrato da mulher de Alexandre de
Moraes com o Master virou pó. Por Alex Solnik
A
mulher de Alexandre de Moraes, Vivian Barci,
foi contratada por Daniel Vorcaro antes da liquidação do Master. E só
receberia a bolada de R$129 milhões se o banco não fosse liquidado. Como o
Master foi liquidado, o contrato dela virou pó. E ela não faz parte da defesa
de Vorcaro.
Os
advogados, de acordo com reportagem de
Adriana Fernandes e José Marques, na Folha de S.Paulo são:
1)
Pierpaolo Bottini: Sócio-fundador do Bottini & Tamasauskas, apontado como
um dos maiores criminalistas em atividade no país. Foi secretário de Reforma do
Judiciário do Ministério da Justiça (2005-2007), no governo Lula.
2)
Walfrido Warde: Sócio-fundador do Warde Advogados, especializado em disputas
societárias e mercado de capitais. Preside o IREE (Instituto para Reforma das
Relações entre Estado e Empresa).
3)
Roberto Podval: Fundador do Podval Advogados, atua como criminalista desde
1988. Tem uma carreira marcada por casos complexos e de repercussão na mídia,
incluindo processos da Lava Jato. É membro do Instituto Brasileiro de Ciências
Criminais.
4)
Sérgio Leonardo: Atua no escritório Marcelo e Sérgio Leonardo, fundado em 1949.
É um escritório com três gerações de criminalistas com 75 anos de atuação. É
ex-presidente da OAB-MG e atual procurador-geral da OAB Nacional.
5) King
& Ruiz: Especializado em litígios e disputas de alto risco. Tem escritórios
em Miami, São Francisco e Nova York. A defesa é feita por Gabriela Ruiz,
sócia-gerente do escritório em Miami.
• Irmãos de Toffoli tiveram como sócio
fundo de gestora ligada ao Master
Um
fundo de investimentos conectado à teia supostamente usada pelo Banco Master em
fraudes investigadas por autoridades aparece como sócio de duas empresas
ligadas a irmãos e primos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias
Toffoli.
Pelo
menos menos até maio de 2025, o Arleen Fundo de Investimentos teve ações da
Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão
Claro (PR). O empreendimento pertencia em parte à família de Toffoli, estando à
frente José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli.
O fundo
Arleen também aparece com participação direta na DGEP Empreendimentos, uma
incorporadora imobiliária também na mesma localidade que tinha como um dos
sócios um primo do ministro da Corte Suprema.
A
ligação dos investimentos com o caso Master ocorre por uma cadeia de fundos. O
Arleen aparece como um dos cotistas do RWM Plus. O RWM Plus recebeu
investimentos de fundos ligados ao Maia 95, que é um dos seis apontados pelo
Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes do Banco Master, de
Daniel Vorcaro. O fundo Arleen, no entanto, não é alvo de investigação.
O
Arleen e todos os demais fundos da suposta teia fraudulenta têm como
administradora a Reag, que também cuidava de fundos ligados a Vorcaro. Ela é
investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para a
facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A
defesa de Vorcaro afirmou, por meio de nota, que não há irregularidades ou
envolvimento do Banco Master com fraudes, fundos ilícitos ou movimentações com
o objetivo de beneficiar terceiros. “O banco nunca foi gestor, administrador ou
cotista dos referidos fundos”, afirmou a defesa, por meio de nota. Ao jornal, o
ministro e os parentes dele não se manifestaram.
Investigadores
apontam que havia uma cadeia de fundos administrados pela Reag era supostamente
usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master. Isso teria a cumplicidade
do banco.
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Dias Toffoli
O
ministro Dias Toffoli é o relator do inquérito que investiga as fraudes do
Master. Desde então, o ministro tornou o inquérito sigiloso e convocou uma
acareação entre os investigados e um diretor do Banco Central, responsável pela
fiscalização do sistema bancário, ação que foi criticada politicamente.
O Banco
Master teve a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central no dia 18
de novembro deste ano no âmbito de uma investigação que apura um suposto
esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo
instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional, entre elas o Banco de
Brasília (BRB).
• BRB pede acesso à investigação contra o
Banco Master
O Banco
de Brasília (BRB) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso aos autos
da investigação que apura irregularidades envolvendo o Banco Master. O
inquérito tramita na Corte sob um dos mais altos níveis de sigilo, por
determinação do ministro Dias Toffoli, o que restringe inclusive a consulta a
informações básicas do processo. As informações são da Folha de São Paulo.
A
apuração está classificada com o segundo maior grau de confidencialidade do
STF, o que impede a visualização de dados como a relação de advogados que atuam
no caso.
Em
nota, o BRB afirmou que o pedido de acesso foi protocolado pelo escritório
contratado para investigar a tentativa de compra do Banco Master, operação que
acabou sendo barrada pelo Banco Central em setembro. "O BRB informa que
solicitou, por meio do escritório contratado para a condução de auditoria
forense, habilitação para acessar todos os procedimentos investigativos, no
âmbito da Operação Compliance Zero. O Banco BRB destaca que aguarda a decisão
da Justiça sobre as solicitações realizadas", afirma o banco público..
A
movimentação ocorre após a operação policial que resultou na prisão de Daniel
Vorcaro e na liquidação do Banco Master, em novembro. Na ocasião, o BRB
anunciou a contratação do escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico
da Kroll Associates Brasil, para realizar uma investigação independente sobre
os fatos relacionados à negociação.
Em
comunicado divulgado à imprensa no dia 2 de dezembro, o banco informou que
"os reportes serão feitos exclusivamente ao Comitê Independente de
Investigação composto por executivos sem vínculo com o banco BRB no período
analisado". A iniciativa buscou reforçar a independência do processo de
apuração interna diante da gravidade das acusações.
Inicialmente
apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) como
cúmplice do Banco Master, o BRB agora tenta reposicionar sua atuação no caso.
Em 28 de novembro, o Conselho de Administração da instituição decidiu que irá
requerer à Justiça o ingresso como assistente de acusação no processo, caso
haja réus formalmente denunciados.
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Banco Master pode ter causado rombo de R$ 4 bilhões ao BRB
Investigadores
da Polícia Federal (PF) e fiscais do Banco Central (BC) descobriram indícios de
que o Banco Master vendeu carteiras de crédito inexistentes ao Banco Regional
de Brasília (BRB), operação que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 4
bilhões ao banco estatal, segundo informações do G1.
Agentes
da PF e técnicos do BC identificaram que cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos
consignados supostamente vendidos pelo Master ao BRB não correspondiam à
realidade, o que motivou a fiscalização e ordenou que as operações fossem
desfeitas. Parte dessas transações foi revertida, mas a avaliação preliminar
aponta um impacto financeiro negativo para a instituição pública.
O BRB
realizou transferências de recursos antes mesmo de formalizar interesse em
aquisição do Master, negócio que posteriormente foi bloqueado pelo Banco
Central e que culminou na liquidação extrajudicial do banco privado de Daniel
Vorcaro.
Em
depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), Daniel Vorcaro, então controlador
do Banco Master, negou que as vendas tenham causado prejuízo ao BRB. Já os
investigadores da PF e do BC mantêm a estimativa de perdas que ultrapassam R$ 4
bilhões, valor que pode pressionar o caixa do banco estatal.O esquema em
questão integra a Operação Compliance Zero, conduzida pela PF em conjunto com o
Ministério Público Federal e com participação do Banco Central. As autoridades
apuram se documentos apresentados nas negociações foram falsificados para
justificar a transação de carteiras de crédito que não existiam de fato.
Especialistas
ouvidos por órgãos de imprensa ressaltam que a venda de carteiras de crédito é
prática comum no mercado financeiro, mas que a falta de lastro real nos ativos
negociados torna a operação suspeita de fraude, o que explica a atuação
rigorosa dos órgãos reguladores.
O caso
ainda está sob investigação no STF, e eventuais outras irregularidades
detectadas poderão ser objeto de inquéritos específicos para apurar
responsabilidades e recuperar eventuais perdas ao sistema financeiro e ao
próprio BRB.
Fonte:
Jornal GGN/Brasil 247/Metrópoles

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