Roupa
de banho molhada aumenta risco de infecção urinária
Com as
altas temperaturas do verão na Bahia, cresce a rotina de praia e piscina entre
crianças e adolescentes — e, com ela, o risco de infecções do trato urinário
(ITU), um problema comum na infância que pode causar dor, febre e, em casos
mais graves, complicações renais. A combinação de calor intenso, hidratação
insuficiente, longos períodos sem urinar e o uso prolongado de roupas de banho
molhadas favorece a proliferação de bactérias na região íntima.
“No
verão, a criança costuma beber menos água do que deveria, segura mais o xixi
por estar brincando e permanece por mais tempo com roupa molhada. Esse conjunto
de fatores facilita o surgimento das infecções urinárias”, explica o urologista
do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), João Estrela, especialista em
Uropediatria, Cirurgia Robótica e Endourologia.
Segundo
ele, a infecção urinária ocorre quando bactérias se multiplicam no trato
urinário, atingindo a bexiga ou até os rins. Estudos indicam que, até os sete
anos de idade, cerca de 8% das meninas e 2% dos meninos terão pelo menos um
episódio da doença. “A diferença entre os sexos se deve principalmente a
fatores anatômicos e comportamentais”, diz.
<><>
Diferenças
Nas
meninas, o risco tende a ser maior após a retirada das fraldas. A uretra mais
curta e a maior exposição da região genital à umidade e à higiene inadequada
facilitam a entrada de bactérias. No verão, esse cenário se intensifica com o
uso frequente de biquínis e maiôs molhados, além do contato com areia e água de
piscinas ou do mar. “A umidade constante e a irritação local favorecem o
surgimento da infecção, principalmente em meninas”, observa João Estrela.
Nos
meninos, a infecção urinária é menos frequente, mas merece atenção especial
quando ocorre na primeira infância, sobretudo se vier acompanhada de febre.
“Quando um menino pequeno apresenta infecção urinária febril, é importante
investigar possíveis alterações no trato urinário, dificuldades no esvaziamento
da bexiga ou questões relacionadas ao prepúcio. Não é motivo para alarme, mas é
fundamental avaliar com cuidado”, ressalta o especialista.
<><>
Sinais
Em
crianças maiores, os sintomas costumam ser mais evidentes, como ardor ao
urinar, aumento da frequência urinária, urgência para ir ao banheiro e dor
abdominal. Já nos bebês e nas crianças pequenas, a infecção pode se manifestar
de forma menos específica, sendo a febre o principal sinal de alerta. “Febre
sem causa aparente em crianças pequenas sempre deve ser investigada. A infecção
urinária está entre as possibilidades, e o diagnóstico precoce faz toda a
diferença”, destaca Estrela.
A
Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que pais e responsáveis fiquem
atentos a sinais como dor ou ardência ao urinar, alteração no cheiro ou na cor
da urina, presença de sangue e febre associada. Quanto mais cedo o diagnóstico,
menor o risco de complicações.
<><>
Prevenção
Apesar
dos cuidados necessários, o verão não precisa ser sinônimo de restrições. A
prevenção passa por hábitos simples, que podem ser incorporados à rotina das
férias. Manter a criança bem hidratada ajuda a estimular o fluxo urinário e a
eliminar bactérias. Incentivar idas regulares ao banheiro, sem esperar
“apertar”, evita a retenção de urina. A troca da roupa de banho molhada por
roupas secas logo após sair da água reduz a umidade na região íntima,
diminuindo o risco de irritações e infecções.
A
higiene deve ser feita de forma adequada, sem exageros ou uso de produtos
perfumados que possam causar irritação, especialmente nas meninas. Outro ponto
importante é observar o funcionamento do intestino. A constipação intestinal e
o hábito de segurar o xixi aumentam o risco de infecções urinárias recorrentes
e precisam ser tratados em conjunto.
“Prevenir
não significa proibir a criança de aproveitar o verão. Significa ensinar uma
rotina simples: beber água, ir ao banheiro regularmente e trocar a roupa
molhada. São cuidados básicos, mas que muitas vezes são esquecidos durante as
férias”, reforça o urologista do HMDS.
<><>
Quando procurar um médico
A
orientação é procurar atendimento médico sempre que houver febre sem
explicação, dor lombar, vômitos, prostração, ardor ao urinar, sangue na urina
ou sintomas persistentes. O diagnóstico é feito por meio de exames de urina e,
quando necessário, cultura bacteriana. O tratamento varia conforme a avaliação
clínica e os resultados laboratoriais.
Para
João Estrela, informação é a principal aliada dos pais. “Com atenção aos sinais
e hábitos simples no dia a dia, é possível reduzir bastante os casos de
infecção urinária e garantir que as crianças aproveitem o verão com mais saúde
e tranquilidade”, conclui.
Fonte:
Carla Santana: Assessora de Imprensa

Nenhum comentário:
Postar um comentário