As
conexões de Daniel Vorcaro e do Banco Master na política e na Justiça
As
investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e a sua liquidação pelo
Banco Central brasileiro colocaram em evidência um personagem do mundo do setor
financeiro brasileiro com grandes ligações na política brasileira e também no
mundo jurídico: Daniel Vorcaro, fundador e CEO da instituição.
A
defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele tem "colaborado integral e
continuamente com as autoridades competentes" e que "todas as medidas
judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total
transparência".
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Riscos e conexões
No ano
passado, o Master figurava apenas como 22º na lista de maiores bancos
brasileiros, segundo um ranking do jornal Valor Econômico. Com R$ 63 bilhões em
ativos financeiros, o Master — que já não existe mais como banco desde que foi
liquidado pelo Banco Central em novembro — representava 2% do tamanho do Itaú
Unibanco, o maior banco do país, segundo o mesmo ranking.
A
liquidação do Master ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de
crédito do banco para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões —
em revelações feitas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, em
novembro.
Mesmo
sendo um banco pequeno, o Master representa um risco ao sistema financeiro
brasileiro na avaliação de especialistas. O ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, disse esta semana que esta pode ser a "maior fraude bancária"
do país. Um dos focos de preocupação nesse sentido seria o impacto da crise no
Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — instituição privada, sem fins lucrativos,
que atua como uma espécie de seguradora para quem tinha dinheiro a receber do
banco.
A
quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC.
Os 1,6
milhão de investidores do banco, que detém R$ 41 bilhões em depósitos bancários
(CDBs), ainda esperam para ser ressarcidos e o montante representa um terço do
caixa do fundo. Outra medida da importância do banco, que surpreendeu muitos
analistas, são as diversas conexões que existem entre Daniel Vorcaro e figuras
da política e do judiciário do Brasil.
"O
que me chama atenção nesse caso é a capacidade de um sujeito que tem um banco
pequeno de botar braço para tudo quanto é lado num ambiente político e
institucional e contaminar isso. É isso que me assusta", disse Cleveland
Prates Teixeira, economista e professor de regulação da Fipe-USP e da FGV-Law,
em recente entrevista à BBC News Brasil.
O caso
ganhou ainda mais notoriedade quando o ministro do Tribunal de Contas da União
(TCU), Jhonatan de Jesus, determinou uma inspeção do Banco Central a respeito
da decisão de liquidar o Master. Essa decisão provocou reação de diversas
entidades do setor financeiro, que manifestaram apoio à atuação do BC e sua
independência, sem citar diretamente o Master.
Desde
novembro, quando o escândalo estourou e Vorcaro foi preso, surgiram notícias
das diversas conexões que ele possui com políticos tanto de direita como
esquerda, e também no universo jurídico, como o Supremo Tribunal Federal. Até o
momento, não foi apontada nenhuma ilegalidade nessas conexões de Vorcaro com
políticos e juristas. O caso ainda está em fase de investigação, que acontece
sob sigilo no STF.
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Conexões políticas
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Ciro Nogueira e Antonio Rueda: Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e
ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, e Antonio Rueda,
presidente nacional do União Brasil, são tidos como uma ponte entre Vorcaro e o
mundo político, segundo apuração da imprensa no caso. Nogueira e Rueda teriam
ajudado a negociar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), que
acabou sendo vetada pelo Banco Central em setembro deste ano. Meses antes, o
acordo havia sido aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade). Nogueira e Rueda teriam acesso ao governador do Distrito Federal,
Ibaneis Rocha (MDB). Seu governo manifestou interesse em comprar o Banco Master
para ampliar a presença do BRB no mercado e fortalecer sua atuação no setor
financeiro.
Rocha
sancionou uma lei da Câmara Legislativa para autorizar o BRB a adquirir 49% das
ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do capital social do Banco
Master. Mas o negócio não andou devido ao veto do Banco Central.
O BRB
também é alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. As autoridades
investigam a suposta venda de falsas carteiras de crédito consignado do Master
ao BRB por R$ 12 bilhões — um negócio que ajudaria o Master a melhorar sua
posição financeira antes de ser vendido. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique
Costa, foi intimado a depor.
Em
novembro, Ibaneis disse ao jornal O Globo que esteve com Vorcaro "uma ou
duas vezes em eventos sociais, mas nunca para tratar de banco". No
passado, Ciro Nogueira chegou a propor elevar o limite da cobertura do Fundo
Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A garantia
do FGC a investidores foi um dos fatores que ajudou o Banco Master a se
expandir nos últimos anos.
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Ricardo Lewandowski e Guido Mantega: Lewandowski, que é ex-ministro do Supremo
Tribunal Federal e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula —
tendo deixado o cargo na semana passada —, já teve o Banco Master entre seus
clientes no intervalo entre deixar o STF e entrar para o governo, segundo o
jornal Folha de S. Paulo.
Já
Guido Mantega, que é ex-ministro da Fazenda de Lula no seu segundo mandato,
também teria sido contratado como consultor e levado Vorcaro a conhecer
pessoalmente o presidente, segundo o jornal Estado de S. Paulo.
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Henrique Meirelles e Michel Temer: O ex-presidente do Banco Central durante o
primeiro governo Lula e ex-ministro da Fazenda de Temer, Henrique Meirelles,
integrou um comitê consultivo do Banco Master, ao lado de nomes como Gustavo
Loyola, que também comandou a autoridade monetária. Meirelles teria assumido a
posição de conselheiro substituindo Lewandowski, quando o ex-ministro do STF
foi para a pasta da Justiça, segundo o noticiário econômico da época.
O
ex-presidente da República Michel Temer (MDB), que é advogado de formação,
também esteve na folha de pagamentos do Banco Master. Em setembro de 2025,
Temer foi contratado como mediador para tentar destravar a negociação de venda
do banco para o BRB, após o BC barrar o acordo original. "Me chamaram duas
semanas atrás a Brasília, quando ainda se achavam interessados na formalização
da transação [com o BRB]. Estava também o Daniel Vorcaro, e o Ibaneis [Rocha,
governador do DF] disse que queria que eu fizesse uma mediação", contou
Temer no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 15 de setembro.
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Doações a políticos: Doações eleitorais também revelam possíveis conexões
políticas envolvendo o Banco Master.
O
empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador
pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jair
Bolsonaro (PL) em 2022.
Casado
com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, ele transferiu R$ 3 milhões para
a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para a do governador de São
Paulo.
Zettel
é fundador e CEO da Moriah Asset, um fundo de private equity — modalidade de
investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa. Por
meio da Moriah, ele é sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Frutaria São
Paulo e Empório Frutaria. Em 2022, ele foi o sexto maior doador pessoa física
do país. Pela legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda
bruta do ano anterior à eleição.
A
assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de
600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com
Zettel. "Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi
devidamente aprovada pela justiça eleitoral", diz a nota enviada à BBC
News Brasil. Já Bolsonaro não respondeu aos questionamentos da reportagem à
época.
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Conexões jurídicas
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Viviane Barsi de Moraes: A Polícia Federal (PF) encontrou no celular de Vorcaro
um contrato de R$ 129 milhões firmado com o escritório de advocacia de Viviane
Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. O valor também
foi revelado pelo jornal O Globo. O documento, localizado na Operação
Compliance Zero em 18 de novembro do ano passado, previa pagamentos mensais de
R$ 3,6 milhões ao escritório por três anos a partir de 2024.
O
contrato, ainda segundo o jornal, não especificava processos ou causas
determinadas. Estabelecia uma atuação ampla, determinando que o escritório
representaria o banco "onde fosse necessário". Embora o Master tenha
sido liquidado e o acordo não tenha sido executado até o fim, mensagens
trocadas entre executivos indicavam que o pagamento ao escritório era tratado
internamente como prioridade, afirma a reportagem. Além de Viviane, os filhos
do casal, também integrantes da banca, aparecem em ao menos um processo ligado
a Vorcaro.
A
colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, noticiou que o ministro Alexandre de
Moraes teria procurado o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo,
pelo menos quatro vezes para fazer pressão a favor do Banco Master. Segundo a
colunista, ao menos três contatos foram por telefone e um foi presencial para
tratar de problemas do banco de Daniel Vorcaro.
Em
nota, a assessoria do STF afirmou que Moraes teve duas reuniões com o
presidente do BC para tratar dos efeitos da Lei Magnitsky — '"a primeira
no dia 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/07; e a segunda no dia
30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia 22/09. Em
nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão
referente a aquisição do Master pelo BRB".
A
Magnitsky é uma lei americana que pune estrangeiros que considera autores de
graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção. Moraes foi
sancionado pela lei no fim de julho, e sua esposa, em setembro — em meio a
críticas do governo de Donald Trump a ações contra o ex-presidente Jair
Bolsonaro na Justiça brasileira, muitas delas relatadas por Moraes.
Mas, no
início de dezembro, o governo Trump retirou Moraes e a esposa da lista dos
sancionados pela Magnitsky. De acordo com a nota, Moraes não esteve no Banco
Central e não ligou para Galípolo para tratar do assunto. "Por fim,
esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação
de aquisição Master-BRB perante o Banco Central", conclui a nota do STF. O
Banco Central também emitiu uma nota para confirmar que reuniões com Moraes
foram feitas para tratar dos efeitos da sanção aplicada pelos Estados Unidos.
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Augusto de Arruda Botelho: O advogado foi Secretário Nacional de Justiça do
governo Lula entre 2022 e 2024. A indicação ao cargo foi feita por Flavio Dino,
ex-ministro da Justiça de Lula e hoje ministro do STF. Ao deixar o governo,
Botelho voltou a advogar, com um dos diretores do Banco Master entre seus
clientes.
No dia
29 de novembro, Botelho esteve em um jatinho particular do empresário Luiz
Oswaldo Pastore com o ministro do STF Dias Toffoli em viagem para assistir à
final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em Lima, no Peru. Na véspera
da viagem, Toffoli havia sido sorteado para relatar um recurso apresentado pela
defesa de Daniel Vorcaro no STF. O ministro confirmou que viajou no avião e
afirmou a interlocutores, segundo o jornal O Globo, que não discutiu o processo
durante o trajeto.
Em 3 de
dezembro, Toffoli colocou o caso do Banco Master sob sigilo e decidiu
transferir o inquérito para o STF, sob sua própria relatoria, atendendo ao
pedido de um diretor do Master — o mesmo pleito feito anteriormente pelos
advogados de Vorcaro. Ele acolheu a solicitação com base na citação de um
deputado federal, autoridade com prerrogativa de foro privilegiado.
O
ministro justificou o sigilo afirmando que o inquérito envolve informações
econômicas sensíveis, com potencial impacto no mercado financeiro. Na prática,
todas as decisões futuras sobre a investigação passaram a ser tomadas por ele,
e não mais pela Justiça Federal em Brasília.
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Quem é Daniel Vorcaro?
Natural
de Belo Horizonte, o banqueiro de 42 anos vem de uma família de classe média
alta do setor da construção civil.
No
final da década passada, ele assumiu o controle do banco Maxima — que havia
sido fundado nos anos 1970 — e rebatizou a instituição como Banco Master.
Vorcaro
chamou atenção na Faria Lima — a região de São Paulo que concentra o mercado
financeiro brasileiro — por uma estratégia de negócios considerada ousada: ao
invés de captar a maior parte de seu dinheiro com correntistas e emprestando
dinheiro, o Banco Master se concentrou em oferecer CDBs com taxas de juros
muito acima das praticadas no mercado.
Ao
longo de sua trajetória econômica, Vorcaro estabeleceu ligações com políticos
da direita e da esquerda brasileira.
Em
entrevista à revista Piauí, em outubro do ano passado, Vorcaro atacou os
críticos de seu modelo, e disse ser vítima de preconceito por suas origens
empresariais serem fora do mercado financeiro.
"Isso
acontece por eu ser um outsider. E não é só preconceito. São pessoas que querem
nos frear e ficam usando coisas ruins contra nós. É um ataque
desnecessário."
Vorcaro
também ficou famoso por grandes gastos e por ostentar uma vida de luxo.
Em
2003, junto com outros sócios, ele comprou o hotel de luxo Fasano Itaim — que
foi posteriormente vendido.
Também
em 2023, segundo notícias da imprensa, ele teria gasto R$ 15 milhões na festa
de debutante de sua filha, com apresentação dos DJs The Chainsmokers e Alok. O
jornal O Estado de S. Paulo noticiou que Vorcaro adquiriu 27% da Sociedade
Anônima do Futebol (SAF) do clube Atlético Mineiro.
A
revista Piauí noticiou ainda que no último carnaval, o Banco Master patrocinou
um dos camarotes mais caros da Sapucaí, no Rio de Janeiro, com presença de
diversas celebridades.
• Investidor, pastor e maior doador da
campanha de Bolsonaro e Tarcísio: quem é o cunhado de Vorcaro alvo da PF
A
operação que investiga fraudes no Banco Master chegou ao nome de Fabiano Campos
Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Casado com
Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel foi alvo de buscas e chegou a ser
detido quando estava no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo - mesmo local onde
foi detido Vorcaro em novembro, quando tentava embarcar para Malta.
Em
monitoramento, a Polícia Federal descobriu que Zettel iria embarcar para Dubai,
nos Emirados Árabes, com passagem marcada, destacou o ministro Antonio Dias
Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao autorizar a apreensão de objetos
pessoais e a detenção do empresário em nova fase da operação. "O embarque
do investigado constitui oportunidade única a propiciar a obtenção de elementos
que corroborem, ainda mais, sua participação nos delitos investigados, além da
materialidade de outros delitos sobre os quais sobre ele já recaem suspeitas de
autoria", diz a PF no pedido a Toffoli.
Para a
PF, "a prática criminosa do investigado envolve diversos crimes contra o
Sistema Financeiro Nacional". O pedido da operação não entra em detalhes
sobre quais crimes Zettel é investigado.
O
pedido de detenção de Zettel durou até por volta das 7h. Isso foi necessário,
segundo pedido da PF, porque o empresário poderia prejudicar coletas de outras
provas na operação desta quarta, devido aos seus vínculos familiares com os
investigados. Segundo o portal G1, Zettel teve o celular apreendido
Tofolli
também determinou a apreensão do passaporte do empresário e a proibição de ele
sair do país até o fim das investigações.
Além de
Zettel, a Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados a Daniel Vorcaro
e parentes dele, incluindo o pai e a irmã.
O
empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag
Investimentos, João Carlos Mansur, também estão entre os alvos das buscas.
Foram
cumpridos mandados de busca e apreensão em 42 endereços em São Paulo, Rio de
Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Toffoli
também determinou o bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
A BBC
News Brasil tem tentado falar com a defesa de Zettel, mas até a publicação
desta reportagem não conseguiu contato.
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Maior doador de campanha
Zettel
é fundador da Moriah Asset, um fundo de private equity — modalidade de
investimento que compra participações em empresas que não estão na bolsa.
A
Moriah atua investindo em negócios ligados ao mercado de produtos saudáveis e
fitness. Zettel também é irmão da influenciadora fitness Bella Falconi.
Por
meio da Moriah, ele é sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Frutaria São
Paulo e Empório Frutaria.
O
empresário e advogado mineiro é um nome conhecido no mundo empresarial,
político e religioso no Brasil.
Em
2022, Zettel foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de
Freitas (Republicanos-SP) e Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Ele
transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e R$ 2
milhões para a do governador de São Paulo, sendo o sexto maior doador pessoa
física do país naquela eleição.
Na
época da campanha de 2022, a assessoria de Zettel disse em nota a jornais que o
empresário fez a doação "dentro da legislação" e "com suas
convicções pessoais e valores cristãos de família conservadora".
Pela
legislação eleitoral, indivíduos podem doar até 10% da renda bruta do ano
anterior à eleição.
A
assessoria de imprensa de Tarcísio afirmou que sua campanha contou com mais de
600 doadores e que o governador não possui qualquer vínculo ou relação com
Zettel. "Vale destacar que a prestação de contas de Tarcísio foi
devidamente aprovada pela justiça eleitoral", disse a nota enviada à BBC
News Brasil em reportagem que mostrava as ligações de Vorcaro com o Supremo
Tribunal Federal e o mundo político.
Já
Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.
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Pastor e empresário
Além de
advogado e empresário, Fabiano Zettel é pastor evangélico.
Ele tem
atuado na igreja da Lagoinha Belvedere, em um dos bairros mais nobres da região
de Belo Horizonte.
A
Lagoinha nasceu nos anos 1950 na periferia da capital mineira e passou a ser
liderada pela família Valadão nos anos 1970.
Hoje, o
pastor presidente é André Valadão, um dos líderes religiosos evangélicos mais
vocais em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além da
ligação com Zettel, Valadão também tem conexões antigas com a família Vorcaro.
Uma
reportagem da revista Piauí de novembro revelou que o pai de Daniel Vorcaro,
Henrique, chegou a quitar uma dívida de André Valadão devido a uma compra de
uma BMW.
O
pastor Fabiano Zettel também já atuou junto à igreja Bola de Neve em Belo
Horizonte pelo menos até 2024. A congregação evangélica, fundada em meados da
década de 1990 ganhou destaque por sua abordagem que foge do tradicional, com
linguagem considerada descontraída, uma postura liberal quanto à vestimenta,
piercings e tatuagens, com foco no público mais jovem.
Fonte:
BBC News Brasil

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